{"id":4531,"date":"2024-07-12T14:11:59","date_gmt":"2024-07-12T18:11:59","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4531"},"modified":"2024-07-12T14:15:25","modified_gmt":"2024-07-12T18:15:25","slug":"sem-a-escola-a-universidade-e-um-delirio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/sem-a-escola-a-universidade-e-um-delirio\/","title":{"rendered":"\u201cSem a escola, a universidade \u00e9 um del\u00edrio\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-305c47e68ccc10a33a20456a387ca799\"><strong>Texto: Maria Eduarda Fernandes<\/strong><br><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Ant\u00f4nio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>Para entender melhor o contexto da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Brasil e o consequente apag\u00e3o docente, o Proj\u00e9til conversou com a cientista social e professora da USP Maria Ribeiro, que pesquisa a condi\u00e7\u00e3o docente, especialmente de professoras. Ela \u00e9 integrante do grupo executivo da Rede Brasileira de Mulheres Cientistas e do conselho do N\u00facleo de Estudos das Diversidades, Intoler\u00e2ncias e Conflitos.<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Como voc\u00ea define &#8220;apag\u00e3o docente&#8221; nas universidades federais brasileiras? Quais s\u00e3o os principais indicadores que caracterizam essa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cApag\u00e3o\u201d faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 crise de energia el\u00e9trica que nos acometeu, como territ\u00f3rio brasileiro, no in\u00edcio dos anos 2000. Evidente que, como sociedade, nada nos acomete, assim, simplesmente. Um raio nos acomete, mas nunca um \u201capag\u00e3o\u201d. Todos os nossos problemas sociais s\u00e3o de responsabilidade coletiva e, em especial, da gest\u00e3o p\u00fablica que \u00e9 quem legisla, regulamenta e fiscaliza, institucionalmente, a coisa comum. J\u00e1 \u201capag\u00e3o docente\u201d \u00e9 a imin\u00eancia de um colapso de outra ordem, ainda que com causas parecidas, e que p\u00f5e em risco a figura da pessoa docente na cena do ensino-aprendizagem. Est\u00e3o se apagando os corpos docentes porque a figura da pessoa professora t\u00eam sido, historicamente, pr\u00e9-fabricada; \u00e9 aquela que recebe e conclui a demanda de transmiss\u00e3o. Tudo dito, e somos ainda mal-remuneradas; desabastecidas de recursos para desenvolvimento das aulas; pouco reconhecidas pela comunidade escolar; assediadas por colegas, discentes, pela gest\u00e3o escolar e pelas fam\u00edlias, al\u00e9m de nossas carreiras terem sido tornadas sin\u00f4nimos de uma vida cansada, empobrecida e isolada. Se a figura da pessoa professora \u00e9 como eu desenho, quem haver\u00e1 de se formar para dar aula nas universidades federais brasileiras? Se a doc\u00eancia \u00e9 tornada um drama do qual devemos fugir, sem pessoas que nos possam assentar o caminho do conhecimento, de que maneira manteremos nutrido o h\u00e1bito de formular perguntas diante do mundo? \u00c9 a escola, em tese, quem nos ensina a perguntar. Sem a escola, a universidade \u00e9 um del\u00edrio. Em rela\u00e7\u00e3o aos indicadores, identificamos d\u00e9ficit de docentes nos ensinos p\u00fablico de n\u00edveis b\u00e1sico e m\u00e9dio; estudantes de licenciatura abandonando os cursos de ensino superior; al\u00e9m da cultura do ass\u00e9dio no ambiente acad\u00eamico.<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; Quais fatores influenciam a alta taxa de desist\u00eancia (58%) dos alunos de licenciatura, conforme o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2022?<\/strong><\/p>\n<p>Houve uma \u00e9poca quando o magist\u00e9rio \u2014 bem como o direito e a medicina, por exemplo \u2014 era considerado um cargo de alta desin\u00eancia social. Com isso, quero dizer que diante da frase \u201cminha filha \u00e9 professora\u201d, grande parte das pessoas tendia a reconhecer, naquela fam\u00edlia, algum grau de distin\u00e7\u00e3o. Quando n\u00f3s lemos Paulo Freire e bell hooks, para citar apenas dois nomes de docentes que me ajudam a organizar o pensamento, n\u00f3s podemos compreender porque, um dia, a carreira docente foi considerada o ponto de culmin\u00e2ncia na biografia de algu\u00e9m. Paulo Freire, j\u00e1 em 1977, escreveu assim. \u201cEstudar \u00e9, realmente, um trabalho dif\u00edcil. Exige de quem o faz uma postura cr\u00edtica, sistem\u00e1tica. Exige uma disciplina intelectual que n\u00e3o se ganha a n\u00e3o ser praticando-a\u201d. Ora. Hoje, em 2024, as ideias de \u201ctrabalho dif\u00edcil\u201d foram atualizadas. Um \u2018\u2018trabalho dif\u00edcil\u2019\u2019 \u00e9, em primeiro lugar, um trabalho extenuante que se estende por tr\u00eas ou quatro jornadas. Uma figura docente n\u00e3o pode se comprometer com uma postura cr\u00edtica, sistem\u00e1tica porque sequer pode pensar seus pensamentos em voz alta, sobretudo, quando pensar pensamentos desorganizadores do status quo. Pense a\u00ed como iremos tratar do regime militar-ditatorial que manteve o Brasil em estado de exce\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no interior das escolas c\u00edvico-militares? Por que raios uma pessoa, no Brasil, em estado de escolha da sua carreira acad\u00eamica, haver\u00e1 de escolher se tornar uma professora mal-remunerada e mal-reconhecida? As \u201cideologias de domina\u00e7\u00e3o\u201d, como escreve hooks em \u201cEnsinando Comunidade\u201d, n\u00e3o dormem. Elas se mant\u00eam operantes exatamente ali onde est\u00e3o instalados os nossos contra-dispositivos de enfrentamento das viol\u00eancias. Amea\u00e7ar o desejo de que pessoas se tornem professoras significa amea\u00e7ar o senso de comunidade; a ideia de solidariedade e a esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"968\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-1024x968.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4732\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-1024x968.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-300x284.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-768x726.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-1536x1452.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-2048x1936.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-1200x1134.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-1980x1871.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-1250x1181.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Ilustracao-da-Foto-400x378.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n<p><strong>3- O aumento das matr\u00edculas em cursos de licenciatura a dist\u00e2ncia (81% em 2022) tem sido uma solu\u00e7\u00e3o para ampliar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a qualidade desses cursos impacta o apag\u00e3o docente?<\/strong><\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel sustentar que, no Brasil, o aumento das matr\u00edculas em cursos de licenciatura \u00e0 dist\u00e2ncia \u2014 que s\u00e3o dependentes de acesso \u00e0 internet, de dispositivos eletr\u00f4nicos, de fonte de energia \u2014 ampliam o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o, para mim, a resposta \u00e9 n\u00e3o. As pessoas que menos t\u00eam acesso s\u00e3o as que permanecem com menos acesso, apesar da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia. O crescimento dos territ\u00f3rios cobertos pela tecnologia n\u00e3o erradicou o analfabetismo. E isso \u00e9 importante que seja considerado na ocasi\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o dos nossos cronogramas para a liberdade, ainda que pare\u00e7a uma afirma\u00e7\u00e3o definitiva ou dr\u00e1stica demais. Nem sempre o aumento estat\u00edstico de algo que nos parece \u201cbom\u201d \u00e9 um aumento estat\u00edstico para \u201ctodas as pessoas\u201d. Pessoas idosas, nordestinas, das cores preta ou parda s\u00e3o as menos alfabetizadas; e o fato do diagn\u00f3stico ser mais ou menos \u00f3bvio, dedut\u00edvel, \u00e9 que \u00e9 o problema. Em grande parte das cenas, as coisas melhoram para pessoas brancas e para as pessoas de cor mais pr\u00f3ximas das brancas. Tem isso ainda. O racismo. Homens brancos cisg\u00eaneros. O cissexismo, o capacitismo, a neurotipia, o etarismo etc. Em grande parte das cenas tamb\u00e9m, todos os piores \u00edndices socioecon\u00f4micos alcan\u00e7am, primeiro, as pessoas que sempre s\u00e3o alcan\u00e7adas primeiro. No Brasil, desde o s\u00e9culo XVI. Da\u00ed, como nos poderiam ajudar as pessoas docentes? As pessoas docentes podem nos ajudar informando as pessoas alunas, que o mundo \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o discursiva e que toda pessoa pode se separar das suas designa\u00e7\u00f5es de nascimento, seja de ra\u00e7a, g\u00eanero, credo ou qualquer uma.<\/p>\n<p><strong>4 &#8211; Como o ass\u00e9dio moral e a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho contribuem para o afastamento de professores\/as? Quais pol\u00edticas ou interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias para combater esses problemas e melhorar a reten\u00e7\u00e3o de docentes?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAss\u00e9dio moral\u201d e \u201cprecariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d n\u00e3o podem significar circunst\u00e2ncias saud\u00e1veis ou desejosas. Se psiquicamente saud\u00e1vel, n\u00e3o desejo ser moralmente assediada nem ver meu trabalho precarizado. Ent\u00e3o, vou responder de maneira figurada que \u00e9 tamb\u00e9m um esfor\u00e7o po\u00e9tico para, como escreveu Michel Foucault, \u201ctornar vis\u00edvel o vis\u00edvel\u201d. O ass\u00e9dio \u00e9 como ricochete. A arma est\u00e1 apontada na sua dire\u00e7\u00e3o, a todo tempo, mas parece que desvia. E outro dia, voc\u00ea acorda e se prepara para o trabalho. A arma est\u00e1 apontada na sua dire\u00e7\u00e3o, a todo tempo, e, outra vez, parece que desvia. Mas est\u00e1 l\u00e1. A arma. Apontada. Na sua dire\u00e7\u00e3o. Parece que desvia, mas est\u00e1 l\u00e1, pendente, reluzente, tanto est\u00e1 que balan\u00e7a. Na dire\u00e7\u00e3o da sua vagina, na dire\u00e7\u00e3o do seu binder, na dire\u00e7\u00e3o do seu territ\u00f3rio de moradia, na dire\u00e7\u00e3o da fic\u00e7\u00e3o dermatol\u00f3gica anunciada pela sua epiderme. Eu, Maria, estava gr\u00e1vida e negra ou ao contr\u00e1rio, rec\u00e9m-doutora, quando a coordenadora do grupo de estudos do qual eu fazia parte sugeriu que eu fosse limpar bunda de menino, sim, que pesquisa n\u00e3o era tarefa para \u201ccomadres\u201d. O termo entre aspas \u00e9 dela. Eu estava organizando reuni\u00f5es e fluxos quando uma jornalista branca decidiu que podia se reunir comigo do \u00f4nibus, toda vez e todo dia de reuni\u00e3o, porque a aten\u00e7\u00e3o que eu merecia s\u00f3 cabia na dist\u00e2ncia entre a catraca e o desembarque. Eu estava l\u00facida quando fizeram que eu me sentisse faltosa, pouco estudada, m\u00e1 oradora, despreparada, insegura. Estava endere\u00e7ando uma cr\u00edtica a uma pesquisa quando fui acusada de rispidez \u2014 para a gente negra, umas raivas s\u00e3o cong\u00eanitas. Bem da verdade, quando umas gentes como eu simplesmente est\u00e3o, isso \u00e9 j\u00e1 coisa suficiente para autorizar gentes outras a, esparramando-se, manchar com sujeira racista e mis\u00f3gina a nossa roupa limpa. Isso tudo para dizer que n\u00e3o precisamos \u201creter docentes\u201d. Precisamos cuidar para que as pessoas sejam exibidas \u00e0 beleza dos atos de conhecimento. Para que as pessoas se vejam admiradas por tudo aquilo que pode uma experi\u00eancia de ensino-aprendizagem; e que, no limite, transforma a professora; o aluno; a diretora; a fam\u00edlia; o com\u00e9rcio; a governan\u00e7a p\u00fablica; a assist\u00eancia ao parto; \u00e0 pessoa usu\u00e1ria de subst\u00e2ncias; a navega\u00e7\u00e3o pelas m\u00eddias sociais digitais; as pr\u00e1ticas religiosas etc.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-103\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 103<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Maria Eduarda FernandesIlustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Para entender melhor o contexto da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Brasil e o consequente apag\u00e3o docente, o Proj\u00e9til conversou com a cientista social e professora da USP Maria Ribeiro, que pesquisa a condi\u00e7\u00e3o docente, especialmente de professoras. 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