{"id":464,"date":"2020-07-16T11:02:38","date_gmt":"2020-07-16T15:02:38","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=464"},"modified":"2020-07-29T10:02:23","modified_gmt":"2020-07-29T14:02:23","slug":"por-baixo-do-tapete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/por-baixo-do-tapete\/","title":{"rendered":"Por baixo do tapete"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-text-align-center has-accent-color\"><strong>Texto e ilustra\u00e7\u00e3o: Maria Eduarda Boin <\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-primary-color\">A gente nasce e nos \u00e9 dado apenas um caminho. N\u00e3o podemos sequer tombar um pouco mais para a direita ou para esquerda, s\u00f3 seguir aquele mesmo percurso aceito e incontest\u00e1vel pelos ditos tradicionais ou conservadores. Passam muitos anos at\u00e9 percebermos que a trajet\u00f3ria de nossa vida at\u00e9 aquele momento foi baseada em imposi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o sobre quem realmente somos. Escolheram que fossemos h\u00e9teros, cis, m\u00e3es, pais e filhos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"546\" height=\"800\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/artigo-lgbt-madu-01.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-538\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/artigo-lgbt-madu-01.jpeg 546w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/artigo-lgbt-madu-01-205x300.jpeg 205w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/artigo-lgbt-madu-01-400x586.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 546px) 100vw, 546px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando nos bate a consci\u00eancia sa\u00edmos machucados, sufocados, enclausurados e qualquer coisa, menos o que n\u00f3s gostar\u00edamos de ser. Qualquer m\u00e3o, menos a que gostar\u00edamos de segurar. Qualquer amor, menos o que gostar\u00edamos de sentir. Todo esse caminho engolindo um \u00fanico rumo como certo, vivendo praticamente embaixo do tapete, torna a ideia de comunidade um conceito abstrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo atr\u00e1s, se l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, ou transexuais ousassem assumir suas escolhas, seriam perseguidos, no m\u00ednimo, ou at\u00e9 mesmo deixariam de existir. Pensem comigo! N\u00e3o nos foram dados lugares, aulas, grupos ou qualquer representa\u00e7\u00e3o para que nos un\u00edssemos e sent\u00edssemos a brisa boa de um senso comunit\u00e1rio, uma caixinha conceitual regada a senso comum, tradi\u00e7\u00f5es, valores e vis\u00f5es de mundo. O espa\u00e7o comunit\u00e1rio que sempre nos foi dado \u00e9 a margem de qualquer rela\u00e7\u00e3o. Vivendo no baixo, nas sombras e sem muita vis\u00e3o de mundo aberto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que muitas coisas avan\u00e7aram nos dias atuais. Existem muitas conscientiza\u00e7\u00f5es acontecendo e muitos lugares sendo ocupados com a resist\u00eancia e luta de quem apanhou muito pelos tombos \u00e0 direita ou esquerda do caminho \u00fanico. Entretanto, o que o capitalismo faz parecer uma vit\u00f3ria grande e cheia de \u2018pink money\u2019 e \u2018representatividade\u2019, ainda \u00e9 atravessada por muitas avenidas, paulistas ou n\u00e3o, com l\u00e2mpadas fluorescentes quebradas sobre nossos corpos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os cantos o estado laico \u00e9 deixado embaixo do sapato, e deus com sua figura incontest\u00e1vel \u00e9 colocado como justificativa para o \u00f3dio e a homofobia. Por mais que o mar de tal preconceito v\u00e1 at\u00e9 n\u00e3o termos no\u00e7\u00e3o de onde \u00e9 \u00e1gua e onde \u00e9 c\u00e9u, ningu\u00e9m assume o \u2018incomodo\u2019 sem antes falar que discrimina um homossexual em nome do sagrado. Como Richard Dyer, em uma an\u00e1lise sobre o estabelecimento de estere\u00f3tipos, que trouxessem normalidade e diferenciassem o outro, disse: \u201c\u00c9 um aspecto do h\u00e1bito de grupos de decis\u00e3o [&#8230;] que tentam moldar toda a sociedade de acordo com sua pr\u00f3pria vis\u00e3o de mundo, sistema de valores, sensibilidades e ideologias\u201d. Geralmente esse molde ocorre sob imposi\u00e7\u00f5es a um grupo oprimido. \u00c9 preciso andar na corda bamba da normatividade, aquele caminho \u00fanico e certo, e se esfor\u00e7ar sempre mais do que os que concordam com tais estere\u00f3tipos para viver com o m\u00ednimo de dignidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em certos espa\u00e7os e\/ou tempos, como na Gr\u00e9cia antiga, os relacionamentos homossexuais n\u00e3o eram vistos de modo negativo. Mas em outros locais e \u00e9pocas, valores e vis\u00f5es conservadoras ou por vezes fan\u00e1ticas e extremistas, buscam condenar essas rela\u00e7\u00f5es. Nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas os homossexuais eram separados e demarcados. Por isso, a realidade que une essa comunidade \u00e9 a do preconceito. Pessoas LGBT+ sempre enfrentaram a viol\u00eancia, verbal ou f\u00edsica, na linha de frente de suas vidas, ainda que cada uma dessas letras sofresse por um motivo especifico ou incomodasse mais o tradicionalismo do que alguma das outras. Ent\u00e3o, mesmo que a no\u00e7\u00e3o de comunidade fique em um imagin\u00e1rio, as pessoas LGBT+ uniram-se contra seu pr\u00f3prio apagamento, na tentativa de que fossem representadas e acolhessem hist\u00f3rias de quem tenta resistir. Esse \u2018senso comunit\u00e1rio\u2019 de quem \u00e9 gente tanto quanto qualquer outro em busca da sobreviv\u00eancia e relev\u00e2ncia, tem importado muito mais do que a presen\u00e7a real e normal do conceito de comunidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/ed-94\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 94<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e ilustra\u00e7\u00e3o: Maria Eduarda Boin A gente nasce e nos \u00e9 dado apenas um caminho. N\u00e3o podemos sequer tombar um pouco mais para a direita ou para esquerda, s\u00f3 seguir aquele mesmo percurso aceito e incontest\u00e1vel pelos ditos tradicionais ou conservadores. 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