{"id":4699,"date":"2024-07-12T14:18:36","date_gmt":"2024-07-12T18:18:36","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4699"},"modified":"2024-07-12T14:18:49","modified_gmt":"2024-07-12T18:18:49","slug":"match-point-o-ponto-do-jogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/match-point-o-ponto-do-jogo\/","title":{"rendered":"Match point, o ponto do jogo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-5a671463a8cb3707ebe98c1d734a902c\"><strong>Texto e Fotos: Glenda Rodrigues<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>\u201cAlegre-se com a esposa da sua juventude, gazela amorosa, cor\u00e7a graciosa. Que os seios dela sempre o fartem de prazer; que voc\u00ea se embriague sempre com o seu amor\u201d. Quando o conte\u00fado sexual do livro \u201cO Avesso da Pele\u201d, de Jeferson Ten\u00f3rio, chocou os governos de Goi\u00e1s, do Paran\u00e1 e de Mato Grosso do Sul, foi banido imediatamente das escolas p\u00fablicas. O trecho acima, por\u00e9m, n\u00e3o choca. Ele est\u00e1 na B\u00edblia, em Prov\u00e9rbios, Cap\u00edtulo 5, Vers\u00edculos 18 e 19. A viol\u00eancia policial retratada na obra vetada, essa, de fato incomoda, mas s\u00f3 para quem quer escond\u00ea-la, jogando na lata de lixo a reflex\u00e3o sobre erros e acertos. \u00c0s margens da discuss\u00e3o, a carne mais barata do mercado sabe bem que a pele negra \u00e9 a associada ao crime.<\/p>\n<p>Leonardo Sakamoto entra no audit\u00f3rio Mar\u00e7al de Souza, no corredor central da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, lotado e \u00e0 sua espera. Como numa mesa de ping-pong, passa a jogar vis\u00f5es antag\u00f4nicas de mundo, de um lado para o outro. Ali, fisicamente, ele desafia a automa\u00e7\u00e3o dos algoritmos digitais. As bolhas na internet encerram as pessoas em c\u00e2maras de ego, entregam um espelho com o pr\u00f3prio reflexo do consumidor de informa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o permitem uma vis\u00e3o plural do mundo. Tudo \u00e9 imagem e semelhan\u00e7a. Mas n\u00e3o ali, naquela noite de 9 de maio de 2024.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4700\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-1980x1320.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-1250x834.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/2.-LEONARDO-SAKAMOTO-PALESTRA-EM-AUDITORIO-DA-UFMS-1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n<p>O jornalista diz que o desconhecido gera medo e o medo gera \u00f3dio e que esse comportamento n\u00e3o \u00e9 exclusividade dos partidos pol\u00edticos de direita. A esquerda tamb\u00e9m deixou sua base evang\u00e9lica escapar pelos dedos. Segundo a jornalista Anna Virginia Balloussier, que retratou o evangelismo brasileiro na obra \u201cP\u00falpito\u201d (2024), a base pol\u00edtica inicial de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) era de evang\u00e9licos, que ao longo das d\u00e9cadas se esvaiu e hoje est\u00e1, fortemente, ligada \u00e0 figura de Jair Bolsonaro, um pol\u00edtico cat\u00f3lico. A falta de di\u00e1logo olho no olho, de interesse em achar pontos de converg\u00eancia antes de divergir, e de crer que tu\u00edtes em massa v\u00e3o convencer algu\u00e9m, \u00e9 uma falha estrutural do esquerdismo brasileiro.<\/p>\n<p>Os termos comunismo, censura e liberdade de express\u00e3o foram conceitualmente esvaziados ou deturpados. O taxista que cortava a metr\u00f3pole paulistana na companhia de Sakamoto se interessou pela ideia de uma sociedade com meios de produ\u00e7\u00e3o de propriedade mais igualit\u00e1ria. Por\u00e9m, ao descobrir quem \u00e9 seu passageiro, soltou logo o xingamento \u201cComunista!\u201d. Muitas vezes quem n\u00e3o det\u00e9m os meios de produ\u00e7\u00e3o somente se recorda disso quando \u00e9 demitido, ou quando suas oito horas de trabalho celetista por dia e 44 semanais, com direitos sociais garantidos, evaporam no meio da jornada infind\u00e1vel de uma pessoa jur\u00eddica. Sakamoto cravou em sua palestra v\u00e1rias express\u00f5es de burrice da sociedade atual, como o discurso de \u00f3dio e a liberdade de express\u00e3o sem limites. Ele tamb\u00e9m aposta que a maior sacada do neoliberalismo \u00e9 o precarizado achar que \u00e9 livre, e os sindicatos perderem a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a sindical s\u00f3 existe, e tem sucesso, quando o trabalhador compreende a sua posi\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel na cadeia alimentar.<\/p>\n<p>A equa\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 resolvida nos tribunais quando as negocia\u00e7\u00f5es nas ruas passam a ser litigiosas. Patr\u00e3o ou empregado, greve ou sucateamento e defasagem salarial, luta pelos direitos ou fragiliza\u00e7\u00e3o do atual governo. J\u00e1 \u00e9 tarde, o audit\u00f3rio continua lotado, as perguntas n\u00e3o param de chegar, a bateria vital numa quinta-feira que come\u00e7ou em S\u00e3o Paulo e termina em Campo Grande s\u00f3 tem um ponto, e as respostas deixam a ponta da l\u00edngua do palestrante. Greve na UFMS \u00e9 a dura pauta que divide t\u00e9cnicos e professores na universidade federal do estado. Essa partida pol\u00edtica parece longe de terminar, e o curso de jornalismo segue trabalhando intensamente, inclusive com a elabora\u00e7\u00e3o deste jornal. Para quest\u00f5es complexas, a resposta simples n\u00e3o cabe, e, ainda que tentem, a bolinha de ping-pong nunca vai parar em cima da rede.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-103\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 103<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e Fotos: Glenda Rodrigues \u201cAlegre-se com a esposa da sua juventude, gazela amorosa, cor\u00e7a graciosa. Que os seios dela sempre o fartem de prazer; que voc\u00ea se embriague sempre com o seu amor\u201d. 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