{"id":472,"date":"2020-07-09T14:48:31","date_gmt":"2020-07-09T18:48:31","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=472"},"modified":"2020-07-29T10:09:48","modified_gmt":"2020-07-29T14:09:48","slug":"terra-dos-nao-indios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/terra-dos-nao-indios\/","title":{"rendered":"Terra dos n\u00e3o-\u00edndios"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-text-align-center has-accent-color\"><strong>Texto: Ta\u00ed<\/strong>s<strong> W\u00f6lfet<\/strong><br><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: MARINA COSTA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"735\" height=\"800\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/1594318347580_do-bugre-ao-terena-marina-costa-01-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-531\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/1594318347580_do-bugre-ao-terena-marina-costa-01-1.jpeg 735w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/1594318347580_do-bugre-ao-terena-marina-costa-01-1-276x300.jpeg 276w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/1594318347580_do-bugre-ao-terena-marina-costa-01-1-400x435.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 735px) 100vw, 735px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O Brasil possu\u00ed mais ou menos dois mil povos ind\u00edgenas, falantes de aproximadamente 170 l\u00ednguas diferentes e divididos em tribos e comunidades que se espalham por todo o pa\u00eds. No Mato Grosso do Sul, os Terena s\u00e3o a etnia mais numerosa. Por\u00e9m, muitos deles deixam de viver nas aldeias para vir morar nas cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mudan\u00e7a \u00e9 o tema central do document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/vimeo.com\/103543674\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Do Bugre ao Terena<\/a>\u201d que apresenta v\u00e1rias hist\u00f3rias de \u00edndios que migraram da aldeia para a cidade, suas experi\u00eancias e motivos para isso. Dirigido por Aline Esp\u00edndola e Cristiano Navarro, o document\u00e1rio tem dura\u00e7\u00e3o de 26 minutos e foi lan\u00e7ado em 2011.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta principal do filme \u00e9: como \u00e9 ser \u00edndio na cidade? Cada personagem responde de acordo com sua experi\u00eancia. Um deles fala sobre conviver com duas identidades, a do \u00edndio e a do n\u00e3o \u00edndio. Pois o \u00edndio \u00e9 o ser da mata que usa colares, pinta o corpo, dan\u00e7a e tem suas pr\u00f3prias m\u00fasicas; enquanto, na cidade as coisas s\u00e3o diferentes: outros costumes, novos olhares em sua dire\u00e7\u00e3o, at\u00e9 as vestimentas s\u00e3o diferentes das usadas na aldeia. E as tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o perdidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns poucos casos isso pode ser positivo. A ind\u00edgena, Dayane de Souza Arruda, formada em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e \u2018personal trainer\u2019, aborda a conviv\u00eancia com o machismo na aldeia ao falar que as \u00edndias podem fazer apenas servi\u00e7os dom\u00e9sticos, como: cozinhar e lavar roupa. Enquanto o homem \u00edndio tem total liberdade de sair para trabalhar, e ao chegar em casa quer a comida pronta. Segundo Dayane na cidade isso \u00e9 diferente, a mulher pode sair para trabalhar, pois tem emprego para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio carrega uma reflex\u00e3o a respeito do preconceito e da discrimina\u00e7\u00e3o que essas pessoas sofrem. E deixa no ar d\u00favidas para o espectador. Ser\u00e1 que j\u00e1 fiz isso? J\u00e1 \u2018ca\u00e7oei\u2019 de um \u00edndio sem nem perceber? Ser\u00e1 que os encaro como seres diferentes? Os trato de modo diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Essas s\u00e3o quest\u00f5es que buscam impregnar quem assiste. Frases como \u201cser um ind\u00edgena \u00e9 ser discriminado\u201d permeiam todo o document\u00e1rio que fala da necessidade de se adaptar a uma nova vida, a novos costumes. E talvez deixar um pouco a pr\u00f3pria cultura de lado para ser aceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse pode ser o caso dos \u00edndios mais jovens que se mudam para a cidade. Eles passam a se preocupar mais com o modo de viver do n\u00e3o-\u00edndio, s\u00e3o influenciados por propagandas na TV, tecnologia, colegas de escola e assim v\u00e3o esquecendo os pr\u00f3prios costumes. O que \u00e9 algo que os mais velhos n\u00e3o gostariam que acontecesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que mesmo tendo de deixar de lado sua cultura eles ainda se mudam? A resposta \u00e9 simples: buscam trabalho. No meio de um mundo capitalista \u00e9 necess\u00e1rio dinheiro para se viver \u201cSe as pol\u00edticas p\u00fablicas que podem chegar \u00e0s aldeias para nos ajudar est\u00e3o fora do plano de trabalho dos governantes, obviamente, o povo ind\u00edgena ele prefere sair das aldeias para vim pra cidade, porqu\u00ea? Porque ele vai ter um emprego, ele vai ter um sal\u00e1rio\u201d \u00e9 o que fala um dos personagens do document\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, existe uma falta de representatividade na cidade para os ind\u00edgenas. Isso fez surgir a Dan\u00e7a da Ema. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos que de uma forma ou de outra mostrar que somos um povo, n\u00f3s temos nossa l\u00edngua, nossos costumes, nossas tradi\u00e7\u00f5es. Esta dan\u00e7a que se chama \u2018dan\u00e7a da Ema\u2019, foi a nossa bandeira aqui em Campo Grande, e realmente n\u00f3s conseguimos quebrar as barreiras, sentimos que somos valorizados\u201d conta Eliseu Lili, coordenador do grupo de dan\u00e7a \u201cT\u201d ao falar sobre aquela que se tornou uma esp\u00e9cie de bandeira para eles.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio tamb\u00e9m aborda outras barreiras como a l\u00edngua e o preconceito.&nbsp; Um dos personagens afirma que o n\u00e3o \u00edndio se acha superior por ter o dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa e que v\u00ea o ind\u00edgena como um ser diferente, passando a descrimin\u00e1-lo. Por isso, a necessidade do ind\u00edgena ter que se mostrar firme e se provar capaz para que as pessoas n\u00e3o o vejam como inferior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, uma das frases que fica marcada no filme \u00e9 \u201ca cidade virou minha aldeia\u201d dita por uma \u00edndia que trabalha na Feira Central de Campo Grande (MS). O que mostra que mesmo com o choque de cultura que a cidade provoca, ela consegue ser como uma nova aldeia para alguns.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/ed-94\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 94<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Ta\u00eds W\u00f6lfetIlustra\u00e7\u00e3o: MARINA COSTA O Brasil possu\u00ed mais ou menos dois mil povos ind\u00edgenas, falantes de aproximadamente 170 l\u00ednguas diferentes e divididos em tribos e comunidades que se espalham por todo o pa\u00eds. No Mato Grosso do Sul, os Terena s\u00e3o a etnia mais numerosa. 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