{"id":478,"date":"2020-07-15T15:34:58","date_gmt":"2020-07-15T19:34:58","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=478"},"modified":"2020-07-28T16:49:12","modified_gmt":"2020-07-28T20:49:12","slug":"alem-do-arco-iris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/alem-do-arco-iris\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m do arco-\u00edris"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><em>O que muita gente n\u00e3o sabe \u00e9 que os bissexuais e pansexuais s\u00e3o parte da comunidade LGBT+ e que o preconceito n\u00e3o permeia apenas fora, mas tamb\u00e9m dentro dela<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-text-align-center has-accent-color\"><strong>Texto: Ayanne Gladstone, Beatriz Salt\u00e3o e Roberta Martins<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"831\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-523\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-1-1.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-1-1-289x300.jpg 289w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-1-1-768x798.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-1-1-400x416.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption><span style=\"color:#7c7c7c\" class=\"tadv-color\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Arianne de Lima<\/span><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Bissexuais e pansexuais s\u00e3o parte da comunidade LGBT+ \u2013 ela re\u00fane l\u00e9sbicas, gays, transg\u00eaneros, transexuais, travestis, assexuais, intersexos, <em>queer<\/em> entre outros. Os dois termos est\u00e3o em constante processo de valida\u00e7\u00e3o e visibilidade, por isso \u00e9 necess\u00e1rio lembrar que quem se assume como tal tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima de preconceito. Apenas em junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou a criminaliza\u00e7\u00e3o da LGBTfobia, pr\u00e1tica discriminat\u00f3ria contra a liberdade e os direitos fundamentais dos LGBT+.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Compreende-se por bissexual o indiv\u00edduo que se atrai por dois ou mais g\u00eaneros. Em contrapartida, o pansexual \u00e9 aquele cuja atra\u00e7\u00e3o por algu\u00e9m n\u00e3o se baseia em seu g\u00eanero. Duas defini\u00e7\u00f5es que, embora elementares, ainda confundem muita gente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender a percep\u00e7\u00e3o e o modo como lidamos com nossas pr\u00f3prias orienta\u00e7\u00f5es sexuais, o <em>Proj\u00e9til<\/em> foi em busca da hist\u00f3ria de pessoas que vivenciam um processo constante de autodescoberta e desconstru\u00e7\u00e3o para abra\u00e7arem suas pr\u00f3prias cores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rosa, roxo e azul escuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conceito da atual sigla LGBT+ foi explicitado em 1994 \u2013 na \u00e9poca continha apenas as letras GLS e representava gays, l\u00e9sbicas e simpatizantes. Ao longo dos anos, ela foi rediscutida e atualizada de modo a incluir mais caracter\u00edsticas a respeito de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual.&nbsp; Al\u00e9m da sigla, tamb\u00e9m ficou muito popular a bandeira da diversidade, simbolizada pelas cores do arco-\u00edris, diretamente ligada ao orgulho LGBT+ e ao movimento gay. Poucos sabem da exist\u00eancia de v\u00e1rias outras bandeiras dentro da comunidade que, por meio de cores espec\u00edficas, representam outros g\u00eaneros e orienta\u00e7\u00f5es sexuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Dia da Visibilidade Bissexual \u2013 23 de setembro \u2013 foi criado em 1999, quando ativistas norte-americanas enxergaram a necessidade de uma data comemorativa para marcar essa orienta\u00e7\u00e3o sexual. Al\u00e9m da data, a bissexualidade tamb\u00e9m \u00e9 demarcada por uma bandeira exclusiva, composta pelas cores rosa, roxo e azul escuro. A cor rosa simboliza a atra\u00e7\u00e3o pelo mesmo g\u00eanero ao qual a pessoa pertence, o azul a atra\u00e7\u00e3o pelo g\u00eanero oposto e o roxo a atra\u00e7\u00e3o pelos dois g\u00eaneros ou mais. \u00c9 necess\u00e1rio entender que, hoje, os bissexuais ressignificaram sua identidade. Segundo eles, a bissexualidade n\u00e3o \u00e9 bin\u00e1ria, por isso sentem atra\u00e7\u00e3o por mais de dois g\u00eaneros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A professora e ativista pelos direitos feministas, Patr\u00edcia Rosa, 43, defende a inclus\u00e3o de mulheres transexuais. De acordo com ela, as trans devem ser tidas como mulheres a partir do momento que se identificam com o g\u00eanero feminino. Nos anos 90 se relacionou com uma antiga amiga e iniciou seu processo de autodescoberta. Por\u00e9m, ela se permitiu abra\u00e7ar o florescimento da bissexualidade somente depois da separa\u00e7\u00e3o em uma rela\u00e7\u00e3o heterossexual, ao se aproximar de uma mulher.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcia afirma que sua bissexualidade transita por um processo de amadurecimento. &#8220;Eu acho que ainda estou nessa fase de entendimento da minha bissexualidade. Na verdade, eu acho que n\u00f3s n\u00e3o dever\u00edamos separar as pessoas. Pessoas gostam de pessoas e ponto. Desde que elas entendam sua posi\u00e7\u00e3o cognitiva e social, \u00e9 v\u00e1lido&#8221;, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante universit\u00e1ria, Emily Lima, 20, relata a sua longa e confusa descoberta como bissexual. Como cresceu ao redor de princ\u00edpios religiosos, sentiu-se intimidada com os pensamentos relacionados a sua atra\u00e7\u00e3o sexual por garotas e o fato de ainda n\u00e3o ter sentido interesse por garotos. &#8220;Eu admiti para mim mesma que gostava de meninas aos 12 anos. Naquela \u00e9poca, comecei a desenvolver sentimentos por uma amiga pr\u00f3xima e fiquei desesperada&#8221;. Como suas primeiras experi\u00eancias afetivas aconteceram com garotas, cogitou que fosse l\u00e9sbica e, consequentemente, iria para o inferno. Aos 15 anos come\u00e7ou a se atrair por garotos tamb\u00e9m. Ela se sentiu ainda mais confusa, porque at\u00e9 ent\u00e3o nunca tinha ouvido falar sobre bissexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua experi\u00eancia dentro da comunidade LGBT+ \u00e9 bem vista por ter tido rela\u00e7\u00f5es afetivas e sexuais com outras mulheres, embora afirme que rejeitar a monossexualidade parece complexo para l\u00e9sbicas, gays e h\u00e9teros. \u201cPelo fato de tamb\u00e9m me atrair por homens \u00e9 como se eu estivesse sujando a bandeira LGBT+ para muitos. Ouvi e continuo ouvindo in\u00fameras frases bif\u00f3bicas de amigos, colegas da faculdade e militantes no geral&#8221;, confessa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cbifobia\u201d \u00e9 um termo relativamente novo. Ele surgiu para caracterizar ideias ou a\u00e7\u00f5es negativas, preconceituosas ou discriminat\u00f3rias contra a bissexualidade. Uma das percep\u00e7\u00f5es abra\u00e7ada por quem defende tal ideia \u00e9 a que os bissexuais s\u00e3o \u2018prom\u00edscuos\u2019 e confusos por n\u00e3o decidirem ficar com apenas um g\u00eanero, al\u00e9m de terem a chance de infectar seus parceiros com doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"395\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/secundaria-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-525\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/secundaria-1.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/secundaria-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/secundaria-1-400x226.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Da esquerda para a direita: bandeira bissexual, bandeira lgbt+ e bandeira pansexual.<br>Ilustra\u00e7\u00e3o: Arianne de Lima<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Rosa, amarelo e azul claro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma bandeira que representa o orgulho pansexual, e ela \u00e9 composta pelas cores rosa, amarelo e azul claro, sendo rosa e azul o estereotipado divisor entre os g\u00eaneros feminino e masculino, respectivamente, e a cor amarela s\u00edmbolo das pessoas que se identificam com um terceiro g\u00eanero ou com nenhum. Essa orienta\u00e7\u00e3o ganhou popularidade no final dos anos 90 e repercuss\u00e3o na Gera\u00e7\u00e3o Z, depois de celebridades como Sia, Miley Cyrus, Janelle Mon\u00e1e, e at\u00e9 mesmo o anti-her\u00f3i Deadpool das hist\u00f3rias em quadrinhos da Marvel revelarem sua pansexualidade e expandirem o movimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Skarlatty Boden, 23, identifica-se como um homem transg\u00eanero e pansexual. Ele assegura possuir empatia pelos pansexuais que ainda escondem sua orienta\u00e7\u00e3o. Em sua concep\u00e7\u00e3o, as pessoas tendem a reproduzir o que veem na internet e ouvem de pessoas n\u00e3o comprometidas a pesquisar sobre a pansexualidade. Assume-se abertamente um homem pan. \u201cEu sempre achei ruim essa coisa de tudo ser genital, homem ou mulher se vestir assim ou assado. Principalmente, depois que eu me desprendi de todas essas quest\u00f5es. De que h\u00e1 regras a serem seguidas para a sociedade te aceitar. Mas continua [a sociedade] te julgando por suas escolhas. Foi mais f\u00e1cil para eu abra\u00e7ar a pansexualidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Skarlatty diz que a bissexualidade tamb\u00e9m engloba pessoas trans. Segundo ele, uma parcela de bissexuais n\u00e3o se importa com a identidade de g\u00eanero ou genital \u2013 tal como os pan \u2013 embora outra parcela ainda tenha preconceito em se relacionar com algu\u00e9m cujo sexo biol\u00f3gico \u00e9 diferente do sexo ao qual se identifica. \u201cEu sei que muitas pessoas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o desconstru\u00eddas assim, principalmente agora em que muitos parecem ser t\u00e3o contra os transg\u00eaneros. Mas \u00e9 quase imposs\u00edvel voc\u00ea encontrar um pansexual que vai te menosprezar por voc\u00ea ser ou n\u00e3o cisg\u00eanero, por voc\u00ea seguir ou n\u00e3o padr\u00f5es da sociedade\u201d. O termo cisg\u00eanero, da fala de Skarlatty, indica o indiv\u00edduo que, em todos os aspectos, identifica-se com seu g\u00eanero biol\u00f3gico, ou seja, de \u201cnascen\u00e7a\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De modo diverso, a pansexualidade de E. C., 21, n\u00e3o \u00e9 a protagonista em sua rela\u00e7\u00e3o familiar, uma vez que o estudante n\u00e3o a assumiu. Descobriu-se na adolesc\u00eancia e relata que sua orienta\u00e7\u00e3o foi mais propriamente aceita ao se juntar \u00e0 comunidade LGBT+ e criar la\u00e7os com seus amigos atuais. Embora seja bem acolhido por eles, compartilha a opini\u00e3o de Skarlatty. Para eles, bissexuais e pansexuais n\u00e3o s\u00e3o \u201cbem vistos\u201d dentro da comunidade. \u201cQuando voc\u00ea fala que \u00e9 uma pessoa pan, algumas dizem que voc\u00ea \u00e9 prom\u00edscuo ou que voc\u00ea est\u00e1 \u2018aberto a tudo\u2019, e as coisas n\u00e3o s\u00e3o bem assim&#8221;, afirma E.C.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E.C. e Skarlatty fazem refer\u00eancia aos conceitos controversos relacionados aos pansexuais, aos quais \u00e9 atribu\u00eddo o mito da pr\u00e1tica de zoofilia e fitofilia, ou seja, a atra\u00e7\u00e3o sexual por animais e plantas. A palavra pansexual deriva do sufixo grego \u2018pan\u2019, que significa \u2018todos\u2019 e agrega a ideia do pansexual se conectar ao interior das pessoas \u2013 n\u00e3o animais, plantas ou insetos \u2013 independente do seu<em> <\/em>g\u00eanero ou da falta dele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por falta de conhecimento sobre o movimento, v\u00e1rias pessoas sequer cogitam a pansexualidade como a orienta\u00e7\u00e3o que mais os sintetiza. \u201cO que me atrai na pansexualidade \u00e9 como as pessoas que existem nela s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis de conviver, t\u00e3o amig\u00e1veis com os outros e parecem te compreender mais do que a si mesmos\u201d, pontua Skarlatty.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u00faltima cor do arco-\u00edris<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com essa diversidade de bandeiras LGBT+ pode-se dizer que, metaforicamente, o roxo n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima cor do arco-\u00edris. Contudo, essa \u00e9 a cor que floresce na pele dos LGBT+ quando agredidos fisicamente por simplesmente se permitirem ser.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2019 indicam que no Brasil houve 99 homic\u00eddios dolosos de pessoas LGBT+ em 2017, no ano seguinte o n\u00famero subiu para 109. No entanto, tais mortes est\u00e3o subdimensionadas, pois dos 27 estados brasileiros somente 11 apresentaram esses dados. Entre os estados que informaram ao Anu\u00e1rio tais informa\u00e7\u00f5es, apenas Mato Grosso do Sul n\u00e3o registrou nenhum assassinato doloso entre a comunidade LGBT+ em 2017 e 2018. J\u00e1 os casos de les\u00e3o corporal dolosos s\u00e3o mais numerosos. Foram 704 registros em 2017 e 713 em 2018, n\u00fameros tamb\u00e9m sujeitos \u00e0 mesma subnotifica\u00e7\u00e3o devido \u00e0 aus\u00eancia de dados de muitos entes federativos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E quando a agress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel? A discrimina\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia psicol\u00f3gica n\u00e3o deixam cor em nossa pele, pelo contr\u00e1rio, elas descolorem nossa mente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcia alega que nunca sofreu qualquer tipo de viol\u00eancia por se identificar como mulher bissexual, mas diz ter muitos amigos dentro da comunidade v\u00edtimas de inj\u00faria, humilha\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia f\u00edsica. A mesma sorte n\u00e3o teve Emily, ela foi rejeitada por alguns amigos ap\u00f3s se declarar bissexual e sofreu <em>bullying<\/em> na escola, onde colegas usavam termos pejorativos com rela\u00e7\u00e3o a sua atra\u00e7\u00e3o por garotas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e de Emily \u00e9 professora e sempre lidou bem com a sexualidade dos alunos, mas n\u00e3o reagiu positivamente com a bissexualidade da filha. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve aceita\u00e7\u00e3o por parte de outros familiares, seguidores de dogmas crist\u00e3os. Ela ent\u00e3o come\u00e7ou a namorar um garoto para evitar confrontos com a m\u00e3e, que havia censurado sua orienta\u00e7\u00e3o sexual e agido como se nunca tivesse se assumido. Emily conta ainda que, em uma discuss\u00e3o humilhante, ap\u00f3s outros familiares descobrirem sua bissexualidade, precisou sair de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante diz que n\u00e3o se enxergava dentro da comunidade LGBT+ e tentou se afastar do movimento. Contudo, percebeu o quanto \u00e9 necess\u00e1rio defender seu espa\u00e7o como bissexual junto a seus pares quando se viu representada por celebridades, s\u00e9ries e filmes. &#8220;Por algum tempo ajudei a Casa Satine e, apesar de hoje n\u00e3o estar ajudando t\u00e3o ativamente, sempre que posso contribuo para o movimento LGBT+ da cidade, principalmente aqui no Mato Grosso do Sul, um estado t\u00e3o agressivo com as minorias&#8221;. A Casa Satine \u00e9 a primeira rep\u00fablica de acolhimento e espa\u00e7o cultural LGBT+ do Mato Grosso do Sul.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Emily, E.C. e Skarlatty afirmam ser mais doloroso quando o preconceito acontece dentro da comunidade que deveria acolh\u00ea-los, muitas vezes ela os caracteriza como seres humanos indecisos e infi\u00e9is. Emily faz uma ressalva: &#8220;O que parece \u00e9 que as pessoas esquecem o \u2018b\u2019 da sigla LGBT+, muitas vezes nem mencionam. O \u2018b\u2019 s\u00f3 \u00e9 lembrado em discurso de palanque. Na vida real homens gays e mulheres l\u00e9sbicas tem medo de se relacionarem com bissexuais. Primeiro que ser bissexual n\u00e3o quer dizer infidelidade e segundo que n\u00e3o somos pe\u00e7as para fetiches&#8221;, diz ela referindo-se a uma parcela de homens heterossexuais que enxerga na rela\u00e7\u00e3o l\u00e9sbica um instrumento para fantasias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Skarlatty reitera que n\u00e3o fala tanto sobre sua sexualidade porque \u00e9 comum conclu\u00edrem que bissexualidade e pansexualidade s\u00e3o a mesma coisa. Escolhe se preservar para n\u00e3o sofrer discrimina\u00e7\u00e3o, como ocorre com outras pessoas. \u201cEu vejo que uma boa parcela da comunidade LGBT+ n\u00e3o nos leva a s\u00e9rio, tanto como trans, quanto como pan. Parece que est\u00e3o com \u2018medo\u2019 da gente. Eles deveriam parar para realmente nos escutar, sem sarcasmo ou menosprezo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel firmar la\u00e7os dentro da comunidade LGBT+? Skarlatty possui uma vis\u00e3o positiva: embora sua pansexualidade ainda seja n\u00e3o validada por muitos, v\u00ea ali um lugar onde as pessoas v\u00e3o gostar de voc\u00ea pelo que voc\u00ea \u00e9 e pelo que pensa, dessa forma retribuindo o sentimento do outro. \u201cApenas um ser humano gostando do outro. Apenas sentimentos e pensamentos. E eu sei que a minha orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que isso, mas eu a vejo como a liberdade para amar e ser voc\u00ea mesmo sem medo de julgamentos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/ed-94\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 94<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que muita gente n\u00e3o sabe \u00e9 que os bissexuais e pansexuais s\u00e3o parte da comunidade LGBT+ e que o preconceito n\u00e3o permeia apenas fora, mas tamb\u00e9m dentro dela Texto: Ayanne Gladstone, Beatriz Salt\u00e3o e Roberta Martins Bissexuais e pansexuais s\u00e3o parte da comunidade LGBT+ \u2013 ela re\u00fane l\u00e9sbicas, gays, transg\u00eaneros, transexuais, travestis, assexuais, intersexos, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[10],"class_list":["post-478","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem-94","tag-10"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=478"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/478\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":809,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/478\/revisions\/809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}