{"id":4938,"date":"2025-07-10T16:23:55","date_gmt":"2025-07-10T20:23:55","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4938"},"modified":"2025-07-16T21:40:15","modified_gmt":"2025-07-17T01:40:15","slug":"carnaval-em-hollywood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/carnaval-em-hollywood\/","title":{"rendered":"Carnaval em Hollywood"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-89a84ad6b182d50523713c456298e743\"><strong>Texto e colagem: <a href=\"mailto:lorenaana944@gmail.com\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:lorenaana944@gmail.com\">Ana Lorena Franco<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>Quase meia noite de 2 de mar\u00e7o de 2025. Noite da premia\u00e7\u00e3o mais famosa da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica mundial, o Oscar, no domingo de Carnaval. Nas ruas do Brasil, como esperado, as pessoas fantasiadas carregavam r\u00e9plicas da famosa estatueta e, bandeiras nacionais estilizadas com o rosto da atriz Fernanda Torres apareciam penduradas em bares, lanchonetes e nas fachadas das casas. O motivo, o filme &#8211; e a repercuss\u00e3o que criou &#8211; Ainda estou aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda estou aqui \u00e9 o primeiro filme brasileiro a ser citado logo ap\u00f3s a famosa frase \u201ce o Oscar vai para\u2026\u201d. O filme ganhou um lugar na Hist\u00f3ria brasileira. Hist\u00f3ria tamb\u00e9m contada no enredo e hist\u00f3ria com H mai\u00fasculo. Walter Salles, diretor da produ\u00e7\u00e3o, apresenta um dos per\u00edodos mais sangrentos do Brasil. Com pris\u00f5es, ex\u00edlios e mortes, a ditadura \u00e9 um marco da hist\u00f3ria nacional, nos \u00faltimos anos constantemente questionada. Entre os mortos, o ent\u00e3o deputado do Rio de Janeiro, Rubens Paiva, interpretado por Selton Mello.<\/p>\n\n\n\n<p>Congressista assassinado pelas m\u00e3os dos militares, por tentar resistir \u00e0s restri\u00e7\u00f5es impostas pelo regime, nesta hist\u00f3ria ele representa todas as pessoas desaparecidas e mortas durante esse per\u00edodo de repress\u00e3o, tortura, censura, restri\u00e7\u00e3o de direitos pol\u00edticos e persegui\u00e7\u00e3o a opositores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"805\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/colagemFINALp23232hot4444232oshop.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4989\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/colagemFINALp23232hot4444232oshop.png 850w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/colagemFINALp23232hot4444232oshop-300x284.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/colagemFINALp23232hot4444232oshop-768x727.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/colagemFINALp23232hot4444232oshop-400x379.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Resistir, no sentido mais denso da palavra, foi, tamb\u00e9m, o que Eunice Paiva fez. Vi\u00fava de Rubens, preso e desaparecido na ditadura, e com cinco filhos, Eunice tamb\u00e9m foi presa pelos militares e lidou com o vazio do incerto por 25 anos at\u00e9 a certid\u00e3o de \u00f3bito do marido ser entregue em suas m\u00e3os, em 1996. Formou-se em Direito e lutou ativamente pelos direitos humanos e se tornou s\u00edmbolo da luta contra o regime autorit\u00e1rio. O filme mostra, em Eunice, a hist\u00f3ria de tantas fam\u00edlias que lidaram com o luto de um familiar ou amigo sem nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre seus paradeiros. Ainda hoje, muitos dos mortos e desaparecidos s\u00e3o apenas n\u00fameros, sem nome, sem l\u00e1pides.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernanda Torres, atriz que interpreta Eunice, recebeu o carinho de brasileiros e brasileiras ao aparecer em entrevistas da divulga\u00e7\u00e3o do filme dentro e fora do territ\u00f3rio nacional. Nesse momento, Fernanda n\u00e3o era apenas uma atriz, era um pa\u00eds. Pa\u00eds nosso que vem sendo deixado de lado, mesmo com obras cinematogr\u00e1ficas dignas de aplauso. N\u00e3o era apenas uma brasileira, uma mulher, mas um legado. Legado de sua m\u00e3e, Fernanda Montenegro, uma das atrizes mais renomadas da dramaturgia e cinema brasileiros, e que h\u00e1 25 anos atuou no filme \u201cCentral do Brasil\u201d, tamb\u00e9m dirigido por Walter e indicado ao Oscar. Filha que subiu aos palcos do Golden Globe, 25 anos ap\u00f3s sua m\u00e3e, dessa vez com o pr\u00eamio em m\u00e3os, e selou n\u00e3o apenas uma conquista pessoal, mas um feito in\u00e9dito para o cinema nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de discursos que relativizam ou negam os crimes cometidos na ditadura, levar para as plateias internacionais o quadro que d\u00f3i mais na parede da nossa mem\u00f3ria, mostra que o cinema \u00e9 mais que entretenimento, \u00e9 espa\u00e7o de mem\u00f3ria e de resist\u00eancia. Ainda estou aqui, ent\u00e3o, assim como Fernanda Torres, deixa de ser apenas uma fic\u00e7\u00e3o, para se tornar um manifesto de den\u00fancia. Ainda estou aqui fez Carnaval em Hollywood, se tornou heran\u00e7a &#8211; art\u00edstica e pol\u00edtica. E apesar daqueles que amam o passado &#8211; porque ele n\u00e3o pode ser esquecido e define o que somos agora &#8211; nos reunimos e celebramos o cheiro da nova esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A ditadura militar terminou em 1985. Eunice faleceu com Alzheimer em 2018. Muitos desaparecidos durante a ditadura continuam desaparecidos. Muitos brasileiros e brasileiras continuam negando as atrocidades desse golpe militar. Apesar da luta, as cicatrizes da viol\u00eancia n\u00e3o se apagam. E talvez nem devam. Lembrar \u00e9 muitas vezes o que faz resistir. O Brasil ganhou os holofotes do mundo e os dias de luta continuam nesse peda\u00e7o de terra continental e complexo que \u00e9 o nosso pa\u00eds. Continuamos aqui.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-subtle-background-color has-text-color has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-104\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 104<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e colagem: Ana Lorena Franco Quase meia noite de 2 de mar\u00e7o de 2025. Noite da premia\u00e7\u00e3o mais famosa da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica mundial, o Oscar, no domingo de Carnaval. 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