{"id":4940,"date":"2025-07-10T16:24:30","date_gmt":"2025-07-10T20:24:30","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4940"},"modified":"2025-07-10T16:24:31","modified_gmt":"2025-07-10T20:24:31","slug":"deus-me-abencoou-quando-me-fez-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/deus-me-abencoou-quando-me-fez-trans\/","title":{"rendered":"\u201cDeus me aben\u00e7oou quando me fez trans\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-6a11fe86362c2d28a5dd36d7648a7ecf\"><strong>Texto: <a href=\"mailto:gabrielle_lima@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:gabrielle_lima@ufms.br\">Emelin Gabrielle<\/a> | <a href=\"mailto:sanny.duarte@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:sanny.duarte@ufms.br\">Sanny Duarte<\/a><br>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"mailto:leticia.furtado@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:leticia.furtado@ufms.br\">Let\u00edcia Furtado<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>Aos 15 anos, em plena adolesc\u00eancia, uma fase em que as emo\u00e7\u00f5es se intensificam e aprender a lidar com a vida se torna inevit\u00e1vel, Lucas se reconheceu um homem trans. Antes disso, j\u00e1 se identificava como bissexual, mas o desconforto com o pr\u00f3prio corpo o fez passar por um processo de questionamento de g\u00eanero. \u201c\u00c9 meio maravilhoso a gente se dar conta de quem realmente somos, ainda mais sendo adolescente, mas eu sabia que seria dif\u00edcil\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao revelar sua identidade, Lucas Pirat recebeu apoio da maioria dos amigos e colegas. Para os familiares, o processo foi mais gradual. Sempre morou com o pai e os av\u00f3s paternos, e foi \u00e0 av\u00f3 a quem primeiro contou, por meio de uma cartinha. \u201cEla guarda at\u00e9 hoje, na b\u00edblia\u201d, lembra com carinho. Foi ela tamb\u00e9m quem comprou suas primeiras roupas masculinas e o acompanhou em cada passo da transi\u00e7\u00e3o. \u201cEla sempre foi uma m\u00e3e para mim.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 16 anos, um pouco antes do in\u00edcio da pandemia e um ano depois de se reconhecer, Pirat se assumiu como homem trans em sua nova escola e fez um pedido essencial, que passassem a usar seu nome social. \u201cTodos os professores lidaram muito bem, eu fiquei muito feliz.\u201d No entanto, esse per\u00edodo tamb\u00e9m trouxe grandes desafios. A pandemia foi uma fase dif\u00edcil para muitos. Ele enfrentou momentos delicados e chegou a fazer uso de antidepressivos. Nesse momento conturbado, seu pai descobriu que ele era trans.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 17 anos, ingressou na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Inicialmente, decidiu cursar Pedagogia. \u201cSempre gostei de ensinar e tem mais mil motivos, mas principalmente porque sofri muita transfobia da diretora da escola. Eu tinha todos os meus professores do meu lado. A educa\u00e7\u00e3o acolhe e transforma\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 21 anos, Pirat \u00e9 estudante de Psicologia. Seis anos ap\u00f3s se reconhecer, est\u00e1 em um relacionamento transcentrado com uma jovem de 24 anos e diz que a maior parte de sua fam\u00edlia o trata com muito afeto e respeito. \u201cNunca tive vontade de destransicionar\u201d, afirma com convic\u00e7\u00e3o. Para ele, ser trans \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o que lhe proporcionou aprendizados \u00fanicos. Cita um trecho do livro O ato da cria\u00e7\u00e3o, que o marcou profundamente. &#8220;Deus me aben\u00e7oou quando me fez trans, pelo mesmo motivo que fez o trigo, mas n\u00e3o o p\u00e3o, a fruta, mas n\u00e3o o vinho: para que toda a humanidade pudesse compartilhar do ato da cria\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"869\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/iustracao-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5025\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/iustracao-2.jpg 900w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/iustracao-2-300x290.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/iustracao-2-768x742.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/iustracao-2-400x386.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Pirat conta que as maiores dificuldades enfrentadas durante sua transi\u00e7\u00e3o foram financeiras. \u201c\u00c9 muito caro tomar testosterona. Precisei parar por um per\u00edodo. O Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) n\u00e3o estava fornecendo e eu n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de pagar\u201d, lembra. Realiza exames e consultas peri\u00f3dicas h\u00e1 tr\u00eas anos no Hospital Universit\u00e1rio, onde recebe as inje\u00e7\u00f5es mensais.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o do preconceito ainda \u00e9 delicada. Ele lembra de situa\u00e7\u00f5es constrangedoras no ensino m\u00e9dio e quando tentou doar sangue, ambas envolvendo o uso do nome social. J\u00e1 na faculdade, esse reconhecimento melhorou muito. A retifica\u00e7\u00e3o do nome e do g\u00eanero em documentos oficiais tamb\u00e9m foi um processo desafiador, principalmente pelos custos envolvidos. \u201cDemorei para fazer. Retifiquei s\u00f3 a certid\u00e3o de nascimento por enquanto, um dia antes do meu anivers\u00e1rio. Era muito complexo e caro. Mas aconteceu um mutir\u00e3o de cart\u00f3rios pelo pa\u00eds inteiro, e consegui fazer gratuitamente\u201d. Sua namorada tamb\u00e9m aproveitou para retificar seus documentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um espa\u00e7o importante no processo de transi\u00e7\u00e3o e reconhecimento foi o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), refer\u00eancia no atendimento a pessoas LGBTQIAPN+ e em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade. \u201cO CTA \u00e9 incr\u00edvel. Eles s\u00e3o muito bem treinados para lidar com a gente, sem tabu, com acolhimento de verdade\u201d, elogia.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas Pirat \u00e9 um homem trans que trilhou sua jornada desde jovem. Sua trajet\u00f3ria \u00e9 marcada pela coragem, pela for\u00e7a das conex\u00f5es afetivas e pela certeza de que a identidade \u00e9, antes de tudo, um ato de cria\u00e7\u00e3o e amor.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-104\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 104<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Emelin Gabrielle | Sanny DuarteIlustra\u00e7\u00e3o: Let\u00edcia Furtado Aos 15 anos, em plena adolesc\u00eancia, uma fase em que as emo\u00e7\u00f5es se intensificam e aprender a lidar com a vida se torna inevit\u00e1vel, Lucas se reconheceu um homem trans. 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