{"id":4945,"date":"2025-07-10T16:29:34","date_gmt":"2025-07-10T20:29:34","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4945"},"modified":"2025-07-10T16:29:34","modified_gmt":"2025-07-10T20:29:34","slug":"a-prostituicao-saiu-da-esquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/a-prostituicao-saiu-da-esquina\/","title":{"rendered":"A prostitui\u00e7\u00e3o saiu da esquina"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-07fecc17b7965fdf1bac7b8040b7dddb\"><strong>Texto: <a href=\"mailto:rafaela.mendes@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:rafaela.mendes@ufms.br\">Rafaela Palieraqui<\/a><br>Ilustra\u00e7\u00f5es: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/belletopias\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/belletopias\/\">Isabelle Aquino<\/a> <\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Prostitui\u00e7\u00e3o. A escolha do assunto aprofundado nas reportagens deste jornal \u00e9 feita a partir de um tema geral, que direciona a edi\u00e7\u00e3o. A equipe composta por Gyovana e eu &#8211; estudantes de Jornalismo &#8211; decidiu compreender e aprofundar a vida das mulheres trabalhadoras do sexo e as dimens\u00f5es da sexualidade humana. Achei que seria simples: contatar fontes, conversar com elas respeitosamente e, a partir de um interesse genu\u00edno, levantar percep\u00e7\u00e3o, impress\u00f5es e sentimentos. Est\u00e1vamos interessadas nessa camada social. Por\u00e9m, entramos em contato com mais de trinta garotas de programa e nenhuma topou conversar conosco. <\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"750\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-1-EM-RGB.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5001\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-1-EM-RGB.jpg 750w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-1-EM-RGB-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-1-EM-RGB-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-1-EM-RGB-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-1-EM-RGB-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Algumas por motivos pessoais, outras para n\u00e3o expor suas hist\u00f3rias. Havia tamb\u00e9m quem simplesmente n\u00e3o quisesse vincular sua imagem \u00e0 profiss\u00e3o. Uma delas, apesar de n\u00e3o ter aceitado dar entrevista, contou que precisou se prostituir aos 13 anos para conseguir se alimentar. Outra, chegou a demonstrar entusiasmo com a proposta, dizendo que queria se tornar conhecida na internet para atrair mais clientes, mas tamb\u00e9m desistiu. <\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"750\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-2-EM-RGB-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5002\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-2-EM-RGB-1.jpg 750w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-2-EM-RGB-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-2-EM-RGB-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-2-EM-RGB-1-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ARTE-2-EM-RGB-1-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante quase dois meses de apura\u00e7\u00e3o, recorremos sem muito sucesso a personagens, e tamb\u00e9m a especialistas. Entrevistamos um antrop\u00f3logo que pesquisa prostitui\u00e7\u00e3o masculina, um linguista que nos explicou as origens dos termos ligados \u00e0 pr\u00e1tica, e dois psic\u00f3logos, que nos ajudaram a entender quest\u00f5es emocionais e sa\u00fade f\u00edsica relacionadas \u00e0 ela. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar das dificuldades, a pesquisa nos rendeu descobertas e conhecimentos interessantes. Um desses aprendizados \u00e9 o de que uma das profiss\u00f5es mais antigas da humanidade, ao longo dos s\u00e9culos, foi moldada por vis\u00f5es religiosas, morais e pol\u00edticas, principalmente no contexto do cristianismo e do mundo ocidental. Os s\u00e9culos XX e XXI acrescentaram novas mudan\u00e7as com as novas tecnologias\u00a0 de comunica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu tinha outra vis\u00e3o. Achava que a prostitui\u00e7\u00e3o estava sendo completamente romantizada &#8211; especialmente por meninas jovens nas redes sociais. Por\u00e9m, tanto o linguista Marlon Leal, quanto o antrop\u00f3logo Guilherme Passamani e a psic\u00f3loga Karin Schroeder concordam que algumas dessas mulheres apenas desejam ter prazer sem precisar se encaixar em uma rela\u00e7\u00e3o monog\u00e2mica e querem ganhar dinheiro como em qualquer outra profiss\u00e3o. Por outro lado, outras mulheres est\u00e3o nessa profiss\u00e3o por quest\u00f5es econ\u00f4micas e sociais. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o importa o meio de trabalho &#8211; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">OnlyFans<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Privacy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ou presencial &#8211; todas sofrem julgamento. H\u00e1 um olhar cr\u00edtico da sociedade sobre a sexualidade feminina, quando \u00e9 preciso assegurar o direito de falar abertamente sobre o pr\u00f3prio corpo e de sentir prazer. Por que o julgamento incide apenas sobre as mulheres e n\u00e3o em quem consome? Por que, ainda, a moral religiosa e proposi\u00e7\u00f5es conservadoras interferem tanto na sexualidade das mulheres?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu tinha outra vis\u00e3o, ao achar que todas as mulheres se prostituem porque est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade econ\u00f4mica, o que implicaria em considerar que apenas pessoas de baixa renda e sem oportunidades se prostitu\u00edssem. Puro preconceito, puro desconhecimento. Os motivos para entrar nesse mundo s\u00e3o v\u00e1rios: algumas precisam pagar a faculdade, cuidar dos filhos, dar melhores oportunidades para a fam\u00edlia, uma casa melhor e confort\u00e1vel, entre outros.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu tinha outra vis\u00e3o. Achava que ir\u00edamos entrevistar mulheres no meio da noite, talvez no centro da cidade, ou em alguma boate, mas descobri que isso \u00e9 um estere\u00f3tipo. Como diria Monique Prada, trabalhadora sexual, ativista, feminista e escritora, em 2023, a figura da prostituta nunca ocupa lugar neutro no debate. E, talvez, a gente tenha se proposto abordar um dos mais antigos preconceitos. Me incluo a\u00ed, nesse grupo que s\u00f3 via a prostitui\u00e7\u00e3o a partir das lentes dos clich\u00eas, chav\u00f5es e preconceitos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu tinha outra vis\u00e3o. Achava que poderia observar a prostitui\u00e7\u00e3o pelo binarismo do bom e do ruim, pela ideia da justificativa plaus\u00edvel, segundo minhas pr\u00f3prias percep\u00e7\u00f5es limitadas de mundo. S\u00f3 que aprendi que n\u00e3o h\u00e1 lugar-comum quando a prostitui\u00e7\u00e3o sai da esquina e assume a pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-104\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 104<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Rafaela PalieraquiIlustra\u00e7\u00f5es: Isabelle Aquino Prostitui\u00e7\u00e3o. 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