{"id":4950,"date":"2025-07-10T16:23:48","date_gmt":"2025-07-10T20:23:48","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4950"},"modified":"2025-11-20T22:41:54","modified_gmt":"2025-11-21T02:41:54","slug":"o-passaporte-da-bola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-passaporte-da-bola\/","title":{"rendered":"O passaporte da bola"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-8dde9421c92a2984976cefadb097129a\"><strong>Texto: <a href=\"mailto:breno.kaoru@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:breno.kaoru@ufms.br\">Breno Kaoru<\/a><br>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/eliel.dias_\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/eliel.dias_\/\">Eliel Dias<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\" \/>\n\n\n\n<p>No m\u00edtico est\u00e1dio de Wembley, em Londres, torcedores celebravam a vit\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o italiana na Eurocopa de 2020 &#8211; que por conta da Pandemia de Covid-19 s\u00f3 foi realizada em 2021. Enquanto o trof\u00e9u era levantado, gritos de \u201cIt\u00e1lia!, It\u00e1lia!\u201d eram ouvidos em un\u00edssono. Em meio a esse nacionalismo, por\u00e9m, o meio-campo Jorginho que levantava a ta\u00e7a e corria com ela em m\u00e3os n\u00e3o era um italiano, era um brasileiro. Em 2024, no confronto entre Jord\u00e2nia e Catar na grande final da Copa da \u00c1sia em Lusail, ao final do jogo no mesmo gramado que presenciou a vit\u00f3ria catari, tr\u00eas jogadores naturalizados tamb\u00e9m comemoravam a vit\u00f3ria. Dois deles nascidos no Brasil e outro no Sud\u00e3o correram a volta ol\u00edmpica como parte da sele\u00e7\u00e3o campe\u00e3. Todos esses casos envolvem um tema comum no futebol, a naturaliza\u00e7\u00e3o de jogadores. Quando um jogador opta por representar uma sele\u00e7\u00e3o distinta de seu pa\u00eds de nascen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Vistas como s\u00edmbolo nacional, as sele\u00e7\u00f5es carregam muito mais do que apenas uma camisa ou uma institui\u00e7\u00e3o, elas carregam a cultura do pa\u00eds e representam um povo, um grupo que compartilha uma identidade cultural e hist\u00f3rica, criando um senso de pertencimento e de destino coletivo, uma na\u00e7\u00e3o. Em pa\u00edses divididos por alguma quest\u00e3o complexa, pol\u00edtica, por exemplo, a sele\u00e7\u00e3o nacional une as pessoas para torcer pela na\u00e7\u00e3o. Uma simples vit\u00f3ria numa partida de Copa do Mundo, ent\u00e3o, pode ser motivo de festa para pessoas com ideias ou percep\u00e7\u00f5es diferentes. Por\u00e9m, quando aquele que veste a camisa vem de outro pa\u00eds, surge uma pergunta: afinal, o que define a \u201ccidadania\u201d de um jogador? O passaporte? O sangue? A cultura?<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura pode ser um fator determinante, mas nem sempre o \u00fanico fator. Matheus Nunes, por exemplo, \u00e9 um caso de identifica\u00e7\u00e3o cultural. O jogador do Manchester City, nasceu no Rio de Janeiro, mas cresceu em Lisboa. Ao se destacar pelo Sporting, teve que enfrentar um dilema, defender sua terra m\u00e3e ou defender a terra que o acolheu. No final, optou por defender os europeus, motivado pela identifica\u00e7\u00e3o com o pa\u00eds lusitano.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Denis Cheryshev, nascido na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mas criado na Espanha, nunca escondeu a prefer\u00eancia por seu pa\u00eds de cria\u00e7\u00e3o. \u201cSou mais espanhol que russo\u201d, declarou em entrevistas. Por isso, aguardou um convite espanhol que nunca veio. Restou-lhe jogar pela R\u00fassia. Sem espa\u00e7o no pa\u00eds com o qual se identificava, optou pela oportunidade no pa\u00eds natal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilsutracao-RGB-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4951\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilsutracao-RGB-1024x1024.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilsutracao-RGB-300x300.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilsutracao-RGB-150x150.png 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilsutracao-RGB-768x768.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilsutracao-RGB-400x400.png 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilsutracao-RGB-200x200.png 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilsutracao-RGB.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Filhos de imigrantes se destacam e viram her\u00f3is nas sele\u00e7\u00f5es europeias, um exemplo \u00e9 Mbapp\u00e9, \u00edcone do futebol franc\u00eas com origem camaronesa. No entanto, essa exalta\u00e7\u00e3o na vit\u00f3ria vira segrega\u00e7\u00e3o na derrota. \u00d6zil sabia: cada gol seu vestia a Alemanha de festa. Mas quando o gol era contra, o mesmo pa\u00eds lhe devolvia um sobrenome turco como recado. Hoje esses jogadores vivem em uma linha t\u00eanue entre o pertencimento e o peso da exclus\u00e3o, os mesmos pa\u00edses que celebram suas vit\u00f3rias s\u00e3o os que os negam na derrota e, ainda, recusam passaportes para milhares de imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os chamados filhos da di\u00e1spora, indo na contram\u00e3o da hist\u00f3ria e do fluxo migrat\u00f3rio, s\u00e3o atletas europeus filhos de imigrantes, buscando oportunidade nas sele\u00e7\u00f5es do pa\u00eds de origem de seus pais. Sele\u00e7\u00f5es como Arg\u00e9lia e Marrocos recrutam jogadores europeus com descend\u00eancia africana em pa\u00edses como a Espanha. Brahim Diaz e Gouiri, s\u00e3o exemplos, o primeiro nascido em M\u00e1laga na Espanha defende Marrocos e o segundo, franc\u00eas de nascen\u00e7a, joga pela Arg\u00e9lia.<\/p>\n\n\n\n<p>No final, a busca por melhores oportunidades sempre foi o grande objetivo de todos que migram de uma terra para outra, e no futebol n\u00e3o \u00e9 diferente. Assim como um imigrante que sai de seu pa\u00eds visando melhores condi\u00e7\u00f5es, os jogadores vestem outra camisa tamb\u00e9m com essa inten\u00e7\u00e3o, a busca por holofotes e maiores chances, uma oportunidade de se destacar e mudar suas carreiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja por identifica\u00e7\u00e3o, seja por condi\u00e7\u00f5es de vida, de qualquer forma, a naturaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma escolha simples, \u00e9 uma tentativa e \u00e9, muitas vezes, um redirecionamento. Jorginho correndo pela It\u00e1lia, Cheryshev cantando o hino russo com sotaque espanhol, Matheus Nunes carregando Portugal nos bra\u00e7os, eles sabem que a camisa que vestem \u00e9 uma rota recalculada, n\u00e3o jogam por bandeiras e hinos. Afinal a bola n\u00e3o tem p\u00e1tria.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-104\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 104<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Breno KaoruIlustra\u00e7\u00e3o: Eliel Dias No m\u00edtico est\u00e1dio de Wembley, em Londres, torcedores celebravam a vit\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o italiana na Eurocopa de 2020 &#8211; que por conta da Pandemia de Covid-19 s\u00f3 foi realizada em 2021. Enquanto o trof\u00e9u era levantado, gritos de \u201cIt\u00e1lia!, It\u00e1lia!\u201d eram ouvidos em un\u00edssono. 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