{"id":4954,"date":"2025-07-10T16:20:08","date_gmt":"2025-07-10T20:20:08","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4954"},"modified":"2025-07-16T21:37:20","modified_gmt":"2025-07-17T01:37:20","slug":"entre-sanfonas-e-fronteiras-o-som-da-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/entre-sanfonas-e-fronteiras-o-som-da-resistencia\/","title":{"rendered":"Entre sanfonas e fronteiras, o som da resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">A tradi\u00e7\u00e3o musical que atravessa o tempo e sustenta a identidade de MS<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-391fa60309b9c368a133c9a52b1e391e\"><strong>Texto: <a href=\"mailto:nayane.aleixo@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:nayane.aleixo@ufms.br\">Nayane Aleixo<\/a> | <a href=\"mailto:mileny.rodrigues@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:mileny.rodrigues@ufms.br\">Mileny Barros<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>No Pantanal sul-mato-grossense, a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 arte e divers\u00e3o, \u00e9 heran\u00e7a. Um fio condutor de mem\u00f3rias e territ\u00f3rios. Em cada acorde de chamam\u00e9, em cada verso da polca paraguaia e em cada dan\u00e7a do rasqueado, existe uma identidade forjada entre a poeira das estradas de terra vermelha e os ecos das influ\u00eancias fronteiri\u00e7as. \u00c9 m\u00fasica de encontros, marcada por s\u00e9culos de trocas culturais que ainda reverberam nos ritmos e nas vozes do presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e territ\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 apenas sensorial, \u00e9 tamb\u00e9m hist\u00f3rica e pol\u00edtica. Os ritmos que ainda hoje ecoam nos sal\u00f5es e nas r\u00e1dios do estado carregam narrativas de pertencimento, resist\u00eancia e mesti\u00e7agem cultural. Entender como esses sons se fixaram na alma sul-mato-grossense \u00e9 mergulhar em processos de forma\u00e7\u00e3o social e fronteiri\u00e7a que ultrapassam o campo art\u00edstico-musical.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 sobre esse enraizamento que se debru\u00e7a o jornalista e pesquisador Waldir Rosa. Ele explica que esses estilos est\u00e3o entre os mais executados por artistas locais e se tornaram os principais marcadores dessa identidade musical. Em seu estudo, destaca o peso das influ\u00eancias fronteiri\u00e7as, sobretudo do Paraguai, na constru\u00e7\u00e3o da cultura local. \u201cApesar do preconceito hist\u00f3rico com os paraguaios, principalmente ap\u00f3s a Guerra [do Paraguai], a m\u00fasica vinda de l\u00e1 encontrou solo f\u00e9rtil aqui\u201d, comenta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 no rasqueado que a maneira de tocar o viol\u00e3o, deslizando os dedos sobre as cordas mais agudas, se materializa em tradi\u00e7\u00e3o de forma mais visceral. \u201cO rasqueado \u00e9 a maneira como o chamam\u00e9, a guar\u00e2nia e a polca s\u00e3o tocados por aqui\u201d, explica Waldir. Mais do que um estilo musical, ele representa um modo de manipular os instrumentos e sentir o que foi sendo transmitido de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos sal\u00f5es de baile, essa \u00e9 uma heran\u00e7a que ainda vive com for\u00e7a. Debaixo das lonas ou no piso de madeira das associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, os casais se encontram ao som da sanfona, da viola, do viol\u00e3o e do acordeon. As melodias carregam o peso das hist\u00f3rias locais: falam da terra, do rio, do povo. Trazem nas letras o amor \u00e0s belezas naturais e \u00e0 regi\u00e3o. S\u00e3o versos que cantam o pertencimento e transformam a m\u00fasica em territ\u00f3rio, tamb\u00e9m, emocional.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ff0000\">Nos sal\u00f5es de baile, essa \u00e9 uma heran\u00e7a que ainda vive com for\u00e7a. Debaixo das lonas ou no piso de madeira das associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, os casais se encontram ao som da sanfona, da viola, do viol\u00e3o e do acordeon<\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>O pesquisador e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Evandro Higa, refor\u00e7a que essa musicalidade fronteiri\u00e7a se consolidou no estado como uma marca identit\u00e1ria profunda. Segundo ele, a presen\u00e7a dos paraguaios na regi\u00e3o desde o s\u00e9culo XIX, foi intensificada no per\u00edodo da Guerra do Paraguai e trouxe para o estado a polca paraguaia, g\u00eanero que passou a ser praticado em fazendas, bailes e em pequenas cidades. \u201cIsso a\u00ed vai acabar se tornando uma marca de Mato Grosso do Sul, uma marca das nossas fronteiras com o Paraguai\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da polca paraguaia, um dos primeiros estilos musicais no estado, \u00e9 que surgiu um leque de influ\u00eancias e novas formas de express\u00e3o. O chamam\u00e9, que nasce no nordeste da Argentina, e o rasqueado brasileiro, que foi criado por m\u00fasicos caipiras encantados com as polcas aqui nas fronteiras, s\u00e3o desdobramentos dessa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mescla de g\u00eaneros configura o que Higa chama de m\u00fasica fronteiri\u00e7a: um conjunto que carrega tra\u00e7os do Paraguai, da Argentina e do Brasil, mais especificamente do estado, onde os estilos s\u00e3o praticados at\u00e9 hoje. Na capital sul-mato-grossense, as tradi\u00e7\u00f5es resistem. Programas de r\u00e1dio como A Hora do Chamam\u00e9, da r\u00e1dio Educativa, tocam cl\u00e1ssicos que embalaram gera\u00e7\u00f5es e conectam o passado ao presente.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Z\u00e9 Corr\u00eaa foi um dos primeiros artistas a interpretar e gravar o chamam\u00e9 com elementos regionais sul-mato-grossenses. Nasceu em Nioaque e nunca teve um professor que o ensinasse a tocar qualquer instrumento, mas aos 15 anos j\u00e1 era um ex\u00edmio musicista. Foi em Campo Grande que sua arte transcendeu. Em uma carreira profissional de cerca de 10 anos, lan\u00e7ou quase 40 \u00e1lbuns e comp\u00f4s 72 m\u00fasicas. Essa produ\u00e7\u00e3o inclui trabalhos solos, compactos e participa\u00e7\u00f5es com duplas como Milion\u00e1rio &amp; Jos\u00e9 Rico, D\u00e9lio &amp; Delinha, Crione &amp; Barreirito, entre outras.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e1rcio Filho, que hoje ajuda a regar essas ra\u00edzes. M\u00fasico, bandoneonista e pesquisador, ele v\u00ea no chamam\u00e9 muito mais que uma heran\u00e7a familiar, um eixo de constru\u00e7\u00e3o cultural e emocional do povo pantaneiro. Destaca que, nos anos 1960, seu av\u00f4 teve papel essencial na naturaliza\u00e7\u00e3o desse ritmo no estado. \u201cN\u00e3o trouxe o chamam\u00e9 como algo estrangeiro, mas como a revela\u00e7\u00e3o de uma alma musical que j\u00e1 existia no povo do lado de c\u00e1 da fronteira, ainda que latente\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse ambiente de conflu\u00eancia que nasceu e cresceu o m\u00fasico Evanio Vargas, o Guarany, da dupla com Tost\u00e3o. Natural de Campo Grande, mas criado no bairro Dom Bosco, em Corumb\u00e1, e musicalmente moldado pelas tardes no Porto Geral. \u201cAli no Porto a gente tinha a oportunidade de ver de tudo. Vinha o pessoal do Paraguai, da Bol\u00edvia, do interior. Era sanfoneiro, violeiro, era o cara com bumbo\u2026 e tudo se misturava. Ouvia-se muita polca, guar\u00e2nia, chamam\u00e9. Muita m\u00fasica paraguaia, mesmo\u201d, conta. Guarany se lembra com carinho da inf\u00e2ncia vivida \u00e0s margens do rio Paraguai e afirma que foi em Corumb\u00e1 que ele se formou m\u00fasico, cidad\u00e3o e ser humano.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Guarani-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5008\" style=\"width:610px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Guarani-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Guarani-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Guarani-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Guarani-400x225.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Guarani.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Evanio Vargas &#8211; o Guarany, da dupla <em>Tost\u00e3o e Guarany<\/em> | Foto: Daniel Batista<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Entre as r\u00e1dios AM e os bailes de bairro, Guarany ouviu as vozes de Z\u00e9 Corr\u00eaa, Dino Rocha, Almir Sater e tantos outros artistas que ajudaram a formar sua identidade musical. \u201cAquilo foi uma escola. A gente ia nos bailes do Z\u00e9 Corr\u00eaa, mesmo crian\u00e7a, ficava do lado de fora s\u00f3 pra ouvir. A m\u00fasica vinha de dentro do sal\u00e3o e batia direto no nosso peito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Naquela \u00e9poca, as festas de comadres e compadres no pr\u00f3prio Dom Bosco eram alimentadas por essas refer\u00eancias. Guarany lembra que os eventos familiares, religiosos e comunit\u00e1rios da cidade sempre foram marcados por essa m\u00fasica de fronteira, que circulava sem pedir passaporte. \u201cA m\u00fasica aqui sempre foi esse am\u00e1lgama. O cara que tocava chamam\u00e9 tamb\u00e9m tocava samba, \u00e0s vezes tocava at\u00e9 um bolero. Era tudo muito livre\u201d. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Capital do chamam\u00e9&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Campo Grande, considerada por lei federal a Capital Nacional do Chamam\u00e9, parece respirar o ritmo fronteiri\u00e7o que nasceu entre os rios Paran\u00e1 e Uruguai, atravessou a Argentina e chegou ao cora\u00e7\u00e3o de Mato Grosso do Sul. A san\u00e7\u00e3o presidencial ao Projeto de Lei n\u00ba 4.528\/2019 n\u00e3o fez mais que colocar em letras oficiais o que h\u00e1 muito ecoava nas esquinas, nos r\u00e1dios e nas pistas de madeira: aqui, cada acorde \u00e9 territ\u00f3rio.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Campo Grande, considerada por lei federal a Capital Nacional do Chamam\u00e9, parece respirar o ritmo fronteiri\u00e7o que nasceu entre os rios Paran\u00e1 e Uruguai, atravessou a Argentina e chegou ao cora\u00e7\u00e3o de Mato Grosso do Sul<\/strong><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 no chamam\u00e9 onde se entrela\u00e7am heran\u00e7as guarani, afro-americanas e europeias; \u00e9 onde a polca correntina, a guar\u00e2nia paraguaia e o rasqueado sul-mato-grossense trocam sotaques e formam uma l\u00edngua musical \u00fanica. Quando o bandone\u00f3n, ou a sanfona se alinham a dois viol\u00f5es, nasce o t\u00edpico \u201cconjunto chamamezeiro\u201d, pequeno suporte de orquestra que p\u00f5e o corpo em movimento e a mem\u00f3ria em festa. Foi por essa for\u00e7a que, em 2020, a Unesco cravou o chamam\u00e9 como patrim\u00f4nio cultural da humanidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, ao anunciar a honraria, definiu-a como tributo \u00e0 \u201ccomunidade campo-grandense e a todos quantos se permitem dan\u00e7ar\u201d. E lembrou o nome mais antigo desse sopro guarani: \u201cchamam\u00e9\u201d, que seria um chamamento para a dan\u00e7a, improviso, a vontade s\u00fabita que faz o casal se erguer da cadeira e insinuar um primeiro passo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Clube Bom Demais<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, endere\u00e7o onde a noite se veste de luzes coloridas e os campo-grandenses aproveitam para dan\u00e7ar, Justina Moura desliza h\u00e1 trinta anos. Foi ali que o chamam\u00e9 lhe apresentou Jos\u00e9 Lopes, convite de dan\u00e7a primeiro, namoro de olhares depois, e amor para a vida inteira. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cDan\u00e7ar me deixa animada, me faz feliz. Aqui conheci o amor, fiz amigos e vivi minha vida\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, confessa, enquanto o acorde\u00e3o gira feito um rel\u00f3gio de lembran\u00e7as.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-3-edt-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5009\" style=\"width:610px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-3-edt-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-3-edt-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-3-edt-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-3-edt-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-3-edt.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O casal Justina Moura e Jos\u00e9 Lopes, frequentam o clube h\u00e1 trinta anos h\u00e1 trinta anos | Foto: Nayane Aleixo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Alguns passos adiante, Edemir C\u00e2ndido dos Reis, 67 anos, encontra na cad\u00eancia do chamam\u00e9 rem\u00e9dio contra a tristeza. Chegou ao baile por um acaso, procurando por alegria e descanso, e ficou por uma vida inteira. \u201c\u00c9 terapia\u201d, resume. \u201cQuando a depress\u00e3o apertou, foi a m\u00fasica que me abriu a porta\u201d, define alegre. <\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/IMG-6-edt-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5010\" style=\"width:426px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/IMG-6-edt-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/IMG-6-edt-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/IMG-6-edt-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/IMG-6-edt-400x600.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/IMG-6-edt.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Edemir C\u00e2ndido dos Reis de 67 anos frequenta o Clube h\u00e1 anos | Foto: Nayane Aleixo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Felicidade essa compartilhada por Maria Marielle e Iracy Sampaio, que tamb\u00e9m marcam presen\u00e7a com passos afinados e olhares c\u00famplices. Moram no mesmo condom\u00ednio h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada e frequentam juntas o sal\u00e3o quase todo fim de semana e feriado. \u201cA gente escuta uma m\u00fasica, conversa, dan\u00e7a. \u00c9 gostoso\u201d, conta Iracy. \u201cDesde menina que eu dan\u00e7o\u201d, emenda Maria, enquanto enumera os estilos preferidos: chamam\u00e9, vaneira, sertanejo. \u201cQualquer coisa que tocar, a gente dan\u00e7a. At\u00e9 o Tchaka Tchaka!\u201d, brincam. Foi no boca a boca, de amiga em amiga, que conheceram o clube. O sal\u00e3o virou casa. E a m\u00fasica virou rotina.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"5016\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-2-editada-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5016\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-2-editada-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-2-editada-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-2-editada-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-2-editada-1-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-2-editada-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Casal dan\u00e7ando m\u00fasicas tradicionais no <em>Clube Bom D+<\/em> | Foto: Nayane Aleixo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" data-id=\"5018\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-4-edt-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5018\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-4-edt-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-4-edt-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-4-edt-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-4-edt-400x600.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/img-4-edt.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Baterista do <em>Clube Bom D+<\/em> I Foto: Nayane Aleixo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"738\" height=\"1024\" data-id=\"5017\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-1-editada-738x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5017\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-1-editada-738x1024.jpg 738w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-1-editada-216x300.jpg 216w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-1-editada-768x1065.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-1-editada-400x555.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/imagem-1-editada.jpg 865w\" sizes=\"auto, (max-width: 738px) 100vw, 738px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cantor e guitarrista tocando no <em>Clube Bom D+<\/em> I Foto: Nayane Aleixo<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O anfitri\u00e3o de tudo isso \u00e9 Alan Tunis. Inventou o clube para equilibrar a vida de pai com o desejo de trabalhar. Antes trabalhava numa empresa privada durante a semana toda e s\u00f3 lhe restavam os finais de semana para aproveitar. Agora, \u00e9 o contr\u00e1rio, trabalha somente aos s\u00e1bados e domingos, quando o local funciona. Apesar de ser um amante do rock, escolheu o bail\u00e3o quando percebeu que a cidade pedia pelo cora\u00e7\u00e3o da sanfona. \u201cTodo s\u00e1bado e domingo a casa enche. \u00c9 maravilhoso\u201d, conta, observando a pista fluir, no bairro Tijuca.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resiste entre gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: left\">\u201cAqui no meu Mato Grosso do Sul<br>O c\u00e9u \u00e9 mais azul<br>A natureza \u00e9 mais bela\u201d&nbsp;<br><span style=\"font-weight: 400\">Assim come\u00e7a a m\u00fasica de Thauanne Castro, cantora sul-matogrossense de apenas 23 anos. Ela descobriu a m\u00fasica ainda menina, quando seus dedos pequenos aprenderam os primeiros acordes no viol\u00e3o aos seis anos. Quando tinha apenas oito, j\u00e1 levava sua voz aos palcos, \u00e0s r\u00e1dios e \u00e0 televis\u00e3o com uma naturalidade impressionante. Desde ent\u00e3o, sua presen\u00e7a passou a ser notada como promessa viva de uma nova gera\u00e7\u00e3o da m\u00fasica pantaneira.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ff0000\"><i>\u201cAqui no meu Mato Grosso do Sul<br><\/i><\/span><\/strong><strong><span style=\"color: #ff0000\"><i>O c\u00e9u \u00e9 mais azul<br><\/i><\/span><\/strong><strong><span style=\"color: #ff0000\"><i>A natureza \u00e9 mais bela\u201d&nbsp;<\/i><\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Inspirada pelas melodias profundas de Almir Sater, mestre das cordas e das paisagens sonoras do Pantanal, Thauanne floresceu n\u00e3o s\u00f3 como int\u00e9rprete, mas tamb\u00e9m como compositora. Aos 10 anos, gravou seu primeiro trabalho, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Canto dos Passarinhos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, um voo de estreia que mesclava composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias com interpreta\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, revelando maturidade rara em t\u00e3o pouca idade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2016, conquistou os jurados e o p\u00fablico no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Festival Fesmorena<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">,&nbsp; e quatro anos mais tarde, o lan\u00e7amento do clipe <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hist\u00f3ria de Amor<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> firmou seu nome entre as grandes vozes da m\u00fasica sertaneja e pantaneira contempor\u00e2nea.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2024, brindou seu p\u00fablico com a composi\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pantanal Sul-mato-grossense<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, uma ode em forma de chamam\u00e9 ao ch\u00e3o onde nasceu. A can\u00e7\u00e3o, suave e vibrante como o voo de uma arara ao entardecer, exalta a riqueza da fauna e da flora do estado, traduzindo em melodia o amor profundo que a artista sente por sua terra. Com versos que convocam \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o e ao encantamento, Thauanne se firma como uma voz que ecoa n\u00e3o apenas can\u00e7\u00f5es, mas a riqueza da cultura sul-mato-grossense.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ela que vem de uma fam\u00edlia de m\u00fasicos e sempre recebeu apoio para seguir seu sonho na m\u00fasica, nunca pensou em estilos diferentes, sua voz sempre seguiu o verdadeiro \u2018mod\u00e3o raiz\u2019. \u201cEu sou apaixonada pelo nosso estado. Tudo que tem aqui \u00e9 lindo demais. Gosto muito de trazer nas minhas m\u00fasicas as belezas da natureza, da nossa cultura. N\u00e3o tinha como eu ser diferente\u201d. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais do que tradi\u00e7\u00e3o, a m\u00fasica relembra o que foi vivido e projeta o que ainda pode ser sonhado. Das mem\u00f3rias constru\u00eddas por antigos artistas\u00a0 aos novos nomes como Thauanne Castro, o que se ouve \u00e9 uma cultura que pulsa no presente, feita de encontros, mem\u00f3ria e paix\u00e3o. Porque no Mato Grosso do Sul, o que se canta tamb\u00e9m se espalha, se transforma, e a melodia se mant\u00e9m. Viva onde for sentida.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-104\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 104<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tradi\u00e7\u00e3o musical que atravessa o tempo e sustenta a identidade de MS Texto: Nayane Aleixo | Mileny Barros No Pantanal sul-mato-grossense, a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 arte e divers\u00e3o, \u00e9 heran\u00e7a. Um fio condutor de mem\u00f3rias e territ\u00f3rios. 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