{"id":497,"date":"2020-07-15T15:42:34","date_gmt":"2020-07-15T19:42:34","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=497"},"modified":"2020-07-28T16:48:10","modified_gmt":"2020-07-28T20:48:10","slug":"um-desafio-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/um-desafio-coletivo\/","title":{"rendered":"Um desafio coletivo"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><em>Em tempos de pandemia, pessoas comuns encaram o desafio de pensar coletivamente e se prop\u00f5em a ajudar o pr\u00f3ximo de diferentes formas<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-text-align-center has-accent-color\"><strong>Texto: Al\u00edria Aristides, Gl\u00f3ria Maria Pinho e Ludmila Rodrigues<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"515\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-513\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-2.jpg 900w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-2-300x172.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-2-768x439.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/principal-2-400x229.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption><span style=\"color:#7c7c7c\" class=\"tadv-color\">Foto: Acervo de Izabel Arruda<\/span><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quarentena, circula\u00e7\u00e3o restrita, rotina modificada, isolamento social, colapso dos sistemas de sa\u00fade, economia em suspenso. O cen\u00e1rio descrito se propagou em uma velocidade aterradora assim como sua origem: a Covid-19. A doen\u00e7a que colocou o mundo todo em estado de alerta \u00e9 causada por um novo tipo de coronav\u00edrus descoberto em dezembro de 2019. O v\u00edrus, que n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o entre etnias, credos ou status social, mostrou-se capaz de revelar diversas facetas humanas, do individualismo \u00e0 solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de fatores como a vulnerabilidade social, a amea\u00e7a da doen\u00e7a, a imprevisibilidade do futuro e o distanciamento f\u00edsico potencializam o surgimento de problemas em diferentes esferas da sociedade. Em meio ao turbilh\u00e3o de sentimentos, medos e dificuldades, surge a necessidade de agir para amenizar dificuldades sociais, psicol\u00f3gicas e financeiras que se tornam ainda mais evidentes em tempos de pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 percept\u00edvel que as incertezas e a falta de respostas foram capazes de mostrar a import\u00e2ncia do apoio por meio de la\u00e7os comunit\u00e1rios j\u00e1 que, entre os poss\u00edveis caminhos a serem tomados, o da uni\u00e3o e solidariedade se mostra a melhor sa\u00edda. As a\u00e7\u00f5es podem se manifestar de diversas formas e em diferentes escalas: campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o s\u00e3o organizadas, pessoas se oferecem para ajudar quem est\u00e1 no grupo de risco, vizinhos se re\u00fanem para cantar na sacada de pr\u00e9dios e espantar a solid\u00e3o, redes de apoio psicol\u00f3gico s\u00e3o criadas, entre outras atitudes.<\/p>\n\n\n\n<p>Tempos de crise revelam que a vida \u00e9 coletiva e que os desafios precisam ser enfrentados em conjunto. Os exemplos trazidos nesta reportagem ilustram a\u00e7\u00f5es promovidas por pessoas comuns que buscaram agir visando o pr\u00f3ximo apesar das mudan\u00e7as impostas pela realidade atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 11 de mar\u00e7o, quando a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) declarou oficialmente estado de pandemia, a popula\u00e7\u00e3o mundial acompanha at\u00f4nita o avan\u00e7o da doen\u00e7a. Em pouco tempo a Covid-19 alterou o modo de viver em escala global, obrigando a sociedade a lidar com mudan\u00e7as profundas na normalidade a que estava acostumada. No Brasil, a nova realidade imposta pelo coronav\u00edrus \u00e9 assimilada &#8211; no momento em que a mat\u00e9ria \u00e9 escrita &#8211; ainda em ritmo lento, \u00e0 medida que o n\u00famero de casos aumenta e a amea\u00e7a passa a residir na proximidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar o colapso dos sistemas de sa\u00fade, devido \u00e0 alta demanda de hospitaliza\u00e7\u00e3o, diversos governos municipais e estaduais decidiram fechar escolas, universidades, igrejas e estabelecimentos comerciais. Uma parcela dos trabalhadores passou a realizar suas atividades remotamente, a partir de suas casas. Fam\u00edlias, que antes se reuniam apenas em parte do dia, foram obrigadas ao conv\u00edvio em tempo integral. A internet se tornou aliada e ferramenta para aproximar o que se encontra distante fisicamente. Outros indiv\u00edduos, no entanto, impossibilitados de aderir \u00e0 quarentena, arriscam-se diariamente para garantir o sustento do m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O distanciamento social, uma das principais medidas para frear a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, corrobora tamb\u00e9m para o isolamento dos indiv\u00edduos.<em> <\/em>Tais circunst\u00e2ncias nos fazem enxergar e refletir a respeito de fatos que, por vezes, eram deixados \u00e0s margens: a import\u00e2ncia de saber estar s\u00f3; o poder estar em casa, e ter o essencial para isto; o papel das lideran\u00e7as em coer\u00eancia com suas fun\u00e7\u00f5es; e o comportamento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Surge tamb\u00e9m a oportunidade para repensar as rela\u00e7\u00f5es entre membros de uma mesma comunidade, j\u00e1 que iniciativas que envolvem a coletividade t\u00eam se mostrado essenciais para amenizar dificuldades que se acentuam durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os cuidados necess\u00e1rios durante a pandemia v\u00e3o al\u00e9m de n\u00e3o sair de casa e lavar bem as m\u00e3os. O estado de isolamento e a tens\u00e3o deste momento podem tamb\u00e9m acarretar outras consequ\u00eancias. A psic\u00f3loga Marina Paludo, 27, relata que a experi\u00eancia de isolamento pode trazer \u00e0 tona sentimentos que antes eram mascarados pela rotina. \u201cA principal consequ\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de isolamento \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o de estar conosco, no sentido de ter que lidar com n\u00f3s mesmos. E isso pode ser bom ou ruim, dependendo de como anda a nossa sa\u00fade mental\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"220\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/marina-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-517\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/marina-3.jpg 350w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/marina-3-300x189.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption>Diante das novas necessidades, Marina adapta seu trabalho para a plataforma digital<br><span style=\"color:#7c7c7c\" class=\"tadv-color\">Foto: Acervo de Marina Paludo<\/span><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e atuante na \u00e1rea de sa\u00fade mental h\u00e1 cinco anos, ela ressalta a import\u00e2ncia de trabalhos que beneficiem a sociedade, n\u00e3o apenas por ter se graduado com recursos p\u00fablicos, mas por acreditar no compromisso da pr\u00f3pria profiss\u00e3o. \u201cPara Freud, toda psicologia \u00e9 uma psicologia social. Porque n\u00e3o existe indiv\u00edduo isolado, sem contato com um contexto social\u201d, diz. Ela ainda acrescenta que em fun\u00e7\u00e3o disso os profissionais dessa \u00e1rea precisam se adaptar \u00e0 demanda atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo esses pensamentos, Marina, e outras tr\u00eas psic\u00f3logas &#8211; Aline Cantini, Daniele Xavier e Raquel Wahl &#8211; deram vida ao projeto Escuta Aberta, que visa acolher pessoas que tenham se sentido psicologicamente afetadas pelas mudan\u00e7as radicais e sem precedentes. \u201cN\u00f3s estamos realizando de maneira volunt\u00e1ria, para quem tiver necessidade. Porque sabemos que os atendimentos presenciais est\u00e3o restritos, impossibilitados, e nem todo mundo tem condi\u00e7\u00f5es ou disp\u00f5e dos meios para receber algum aux\u00edlio psicol\u00f3gico agora\u201d, conta [fonte].<\/p>\n\n\n\n<p>O Escuta Aberta, apesar de n\u00e3o se tratar de um programa de atendimento psicoter\u00e1pico, prop\u00f5e uma escuta qualificada, que se difere daquela que ocorre entre amigos e familiares, pois al\u00e9m de ser reconhecida pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP), acontece sem ju\u00edzo de valor, de forma sigilosa e embasada no conhecimento constru\u00eddo ao longo da carreira profissional. \u201cPassar por isso, sem o devido apoio, pode ser uma experi\u00eancia realmente dif\u00edcil para muitas pessoas. Cada um de n\u00f3s tem a nossa vida, a nossa hist\u00f3ria, o nosso modo de reagir diante das situa\u00e7\u00f5es\u201d, aponta a psic\u00f3loga Marina.<\/p>\n\n\n\n<p>A modalidade de atendimento online, via Skype, j\u00e1 existia antes da situa\u00e7\u00e3o pand\u00eamica, por\u00e9m ficou mais popular ao se tornar a principal alternativa para os psic\u00f3logos enfrentarem esta realidade. Os encontros do Escuta Aberta s\u00e3o agendados previamente e podem se repetir, de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o profissional sobre as necessidades e particularidades de cada indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto defende que, neste momento, pensar coletivamente \u00e9 sin\u00f4nimo de vida. \u201cTodos n\u00f3s estamos inseridos numa sociedade, numa cultura, numa \u00e9poca. Ent\u00e3o tentar viver de forma alheia a isso, \u00e9 uma ignor\u00e2ncia. Uma ignor\u00e2ncia no sentido de n\u00e3o saber, realmente. E de uma aliena\u00e7\u00e3o que pode se tornar letal\u201d, conclui Paludo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Crises como a atual podem aprofundar ainda mais vulnerabilidades sociais j\u00e1 existentes. No Brasil, grande parcela da popula\u00e7\u00e3o vive em situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica prec\u00e1ria, sem acesso \u00e0 itens b\u00e1sicos como \u00e1gua encanada, liga\u00e7\u00e3o \u00e0 rede de esgoto, alimenta\u00e7\u00e3o e moradia adequadas, situa\u00e7\u00f5es que &#8211; mesmo indiretamente &#8211; favorecem a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Nas campanhas de preven\u00e7\u00e3o contra a Covid-19, a\u00e7\u00f5es como distanciamento social e higieniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o as mais enfatizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, medidas de prote\u00e7\u00e3o b\u00e1sicas se tornam invi\u00e1veis para indiv\u00edduos que n\u00e3o possuem sequer as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia. A preocupa\u00e7\u00e3o com quem vive \u00e0 margem da sociedade tem sido uma das molas propulsoras a mobilizar pessoas que decidiram agir visando minimizar as dificuldades do pr\u00f3ximo. Em Campo Grande, um dos movimentos criados com essa finalidade \u00e9 o Quarentena Solid\u00e1ria que, financiado por meio de vaquinha online, realizou a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas nas comunidades mais necessitadas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho que todos precisam se conscientizar de que n\u00e3o adianta ficar em casa esperando passar, pois enquanto essas comunidades carentes estiverem em situa\u00e7\u00e3o de risco, todos n\u00f3s estamos. O que me fez agir foi justamente essa consci\u00eancia de que para chegar do outro lado n\u00f3s precisamos nos ajudar, n\u00e3o d\u00e1 para ficar isolado&#8221;. A frase dita pela tradutora Izabel Arruda, 30, uma das organizadoras da campanha Quarentena Solid\u00e1ria, demonstra a import\u00e2ncia do fortalecimento do senso de coletividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao perceberem a necessidade dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o na capital, um grupo formado por oito amigos de longa data foi respons\u00e1vel por criar a campanha que arrecadou R$12.630. Encerrada oficialmente no come\u00e7o de abril, a a\u00e7\u00e3o realizada no per\u00edodo de duas semanas superou a meta inicial proposta pelo grupo, que era de R$7.500. Com o valor, foram adquiridas cestas que beneficiaram 182 fam\u00edlias carentes de Campo Grande.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Mato Grosso do Sul, 3% da popula\u00e7\u00e3o entrou na classifica\u00e7\u00e3o de extrema pobreza em 2018, com renda mensal inferior a R$ 145, sendo ao todo 73.470 mil pessoas. Os dados fazem parte da pesquisa de S\u00edntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). \u201cEssas pessoas t\u00eam muito pouco poder de escolha e por vezes sequer informa\u00e7\u00e3o da gravidade da situa\u00e7\u00e3o, sobre como se proteger e a import\u00e2ncia delas nesse cen\u00e1rio&#8221;, explica Izabel. Para a tradutora, o atual cen\u00e1rio \u00e9 uma oportunidade para refletir sobre a necessidade de pensar como comunidade. \u201cN\u00e3o adianta voc\u00ea ter uma parcela da sociedade que est\u00e1 bem, que tem condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, higiene e comida e a outra parcela n\u00e3o ter, porque estamos todos dentro desse mesmo ecossistema, todos seremos afetados\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"343\" height=\"400\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/entrega.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-519\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/entrega.jpg 343w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/entrega-257x300.jpg 257w\" sizes=\"auto, (max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><figcaption>Moradoras da Comunidade do Mandela recebem cestas basicas<br><span style=\"color:#7c7c7c\" class=\"tadv-color\">Foto: Acervo de Izabel Arruda<\/span><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os amigos, espalhados por diversas cidades do Brasil e do exterior, utilizaram a internet e os telefones como ferramentas para mover a a\u00e7\u00e3o. \u201cMetade do grupo est\u00e1 fora, metade mora em Campo Grande. T\u00eam pessoas em S\u00e3o Paulo, tem um amigo na Alemanha, uma amiga que est\u00e1 no Esp\u00edrito Santo. Ent\u00e3o a gente fez essa a\u00e7\u00e3o praticamente toda virtual, ligando para as pessoas. Fizemos tudo respeitando a quarentena\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para concretizar a a\u00e7\u00e3o, foi necess\u00e1ria uma verdadeira rede de solidariedade: o Quarentena Solid\u00e1ria contou com o aux\u00edlio de quem contribuiu com doa\u00e7\u00f5es de dinheiro para a arrecada\u00e7\u00e3o online, com a divulga\u00e7\u00e3o feita por ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o locais, al\u00e9m da media\u00e7\u00e3o de assistentes sociais e organiza\u00e7\u00f5es, que indicaram os lares com necessidade de aux\u00edlio e ajudaram na distribui\u00e7\u00e3o. Para evitar aglomera\u00e7\u00f5es ou contamina\u00e7\u00e3o durante a entrega, os volunt\u00e1rios fizeram a distribui\u00e7\u00e3o das cestas aos poucos e seguiram as recomenda\u00e7\u00f5es de higiene.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do encerramento da campanha do grupo, Izabel afirma que pretende continuar buscando formas de ajudar. \u201c\u00c9 importante que as pessoas tomem consci\u00eancia que existir\u00e3o mais fam\u00edlias passando por dificuldades, passando fome, sem ter sabonete para lavar as m\u00e3os, e que isso afeta a todos\u201d, ressalta. A tradutora comenta que como a a\u00e7\u00e3o conseguiu encontrar uma forma de aplacar a pr\u00f3pria ansiedade ocasionada pelo momento. \u201cIsso certamente acalma os \u00e2nimos, deixa a gente se sentindo \u00fatil, com mais esperan\u00e7a tamb\u00e9m. Mesmo que voc\u00ea reduza o impacto s\u00f3 para uma pessoa, \u00e9 uma vida, \u00e9 v\u00e1lido. E existem a\u00ed infinitas formas de fazer alguma coisa para ajudar, n\u00e3o d\u00e1 para continuar olhando s\u00f3 para a gente\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na crise causada pelo coronav\u00edrus, h\u00e1 uma parte da popula\u00e7\u00e3o que precisa de aten\u00e7\u00e3o redobrada. A simples sa\u00edda ao mercado se torna arriscada para idosos, pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas, mulheres gr\u00e1vidas e todos que s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0s complica\u00e7\u00f5es causadas pela Covid-19. Para evitar a contamina\u00e7\u00e3o, a restri\u00e7\u00e3o do contato social para esse grupo deve ser seguida ao m\u00e1ximo, o que pode impossibilitar simples a\u00e7\u00f5es do cotidiano. Nesse contexto, \u00e9 poss\u00edvel perceber a multiplica\u00e7\u00e3o de apoio dado por pessoas que oferecem seu tempo, seu ve\u00edculo e sua disponibilidade para ajudar os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O bombeiro civil Jean Lescano, 20, \u00e9 uma dessas pessoas. Morador de Campo Grande, ele tem dedicado parte dos seus dias a oferecer servi\u00e7os para quem precisa permanecer em casa. Foi a vontade de ajudar que levou o jovem a publicar em suas redes sociais que estava disposto a ajudar pessoas dos grupos de risco e, desde ent\u00e3o, Jean n\u00e3o parou. \u201cEu busco umas compras aqui, entrego um alimento ali e assim vai. Tem pessoas que eu consigo ajudar muito, tem outras que eu consigo ajudar s\u00f3 um pouco. As a\u00e7\u00f5es s\u00e3o diversas, mas eu acho que o trabalho de formiguinha pode ajudar muito\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"331\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/mercado.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-626\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/mercado.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/mercado-300x142.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/mercado-400x189.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Foto: Lidiane Antunes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com Lescano, a liga\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria fam\u00edlia \u00e9 um dos fatores que inspiram a dedica\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo. Convivendo com seus av\u00f3s, Jean passou a se preocupar com outros idosos se expondo ao risco para realizar atividades necess\u00e1rias do cotidiano. \u201cPensei nas pessoas que n\u00e3o tem algu\u00e9m jovem por perto pra ajudar, um amigo, um vizinho. Aqui em casa fa\u00e7o tudo por eles porque os idosos j\u00e1 precisam de ajuda. Agora ir no banco, lot\u00e9rica, mercados passou a ser muito perigoso para quem est\u00e1 no grupo de risco\u201d, explica. Desde que se voluntariou nas redes sociais, todos os dias Lescano vai em supermercados, farm\u00e1cias, lot\u00e9ricas a pedidos de pessoas que entram em contato. Tamb\u00e9m resolveu organizar arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos para fam\u00edlias que est\u00e3o passando por dificuldades financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da disposi\u00e7\u00e3o atual para prestar ajuda, Jean j\u00e1 participava de outros trabalhos volunt\u00e1rios anteriormente, como em campanhas promovidas pela Cruz Vermelha. \u201cEu me sinto muito mais ligado \u00e0 comunidade. \u00c0s vezes eu n\u00e3o consigo ajudar quem eu quero porque n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es, mas sei que a minha rede de amigos pode ajudar. Esse la\u00e7o que eu tenho com a comunidade me deixa mais forte\u201d, afirma. Para ele, prestar servi\u00e7os a quem precisa ficar em casa durante a epidemia \u00e9 uma forma de se blindar contra a tristeza. \u201c\u00c9 como se eu n\u00e3o deixasse meu cora\u00e7\u00e3o esfriar no meio dessa situa\u00e7\u00e3o. Depois que voc\u00ea come\u00e7a n\u00e3o consegue parar. Voc\u00ea entende que o seu pouco \u00e9 muito para o outro\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/ed-94\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 94<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de pandemia, pessoas comuns encaram o desafio de pensar coletivamente e se prop\u00f5em a ajudar o pr\u00f3ximo de diferentes formas Texto: Al\u00edria Aristides, Gl\u00f3ria Maria Pinho e Ludmila Rodrigues Quarentena, circula\u00e7\u00e3o restrita, rotina modificada, isolamento social, colapso dos sistemas de sa\u00fade, economia em suspenso. 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