{"id":4975,"date":"2025-07-14T17:45:43","date_gmt":"2025-07-14T21:45:43","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4975"},"modified":"2025-07-16T19:33:07","modified_gmt":"2025-07-16T23:33:07","slug":"o-que-veste-meu-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-que-veste-meu-corpo\/","title":{"rendered":"O que veste meu corpo?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Como a ind\u00fastria da moda pensa e inclui mulheres negras&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-dd9c678dcc6bc9de0bc6ccd212851832\"><strong>Texto: Ninfa Eug\u00eania | Pietra Vasconcelos <\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"3000\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5736\" style=\"width:430px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1.png 2000w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-200x300.png 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-683x1024.png 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-768x1152.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-1024x1536.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-1365x2048.png 1365w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-1200x1800.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-1980x2970.png 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-1250x1875.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-1-EDITADA-1-400x600.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Saber expressar a pr\u00f3pria identidade atrav\u00e9s da roupa \u00e9, ao mesmo tempo, sobre resist\u00eancia e autenticidade | Foto: Ninfa Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O visual chega antes dela. Veem o cabelo, \u00e0s vezes com seu black \u201cquanto mais volume melhor\u201d, \u00e0s vezes experimentando diferentes penteados e estilos de tran\u00e7as. Os acess\u00f3rios se destacam e comp\u00f5em um estilo \u00fanico, ao mesmo tempo que carregam muita hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Maria Carolina Ferreira, mestra em Psicologia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), escritora e ativista em movimentos de moda, arte e resist\u00eancia negra, entendeu desde cedo o poder da moda para uma mulher preta. Com 26 anos, ela n\u00e3o se veste ao acaso, e sempre tem a inten\u00e7\u00e3o de comunicar algo com as escolhas que faz em cada item que comp\u00f5e sua maneira de se apresentar para o mundo.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o com o universo da moda come\u00e7ou na tentativa de se encaixar em seus pr\u00f3prios padr\u00f5es e aqueles impostos pela sociedade. \u201cFoi muito uma insatisfa\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o gostar de como eu era e de como as pessoas me viam, a\u00ed a moda e a escrita foram ferramentas para eu conseguir existir\u201d.<\/p>\n<p>Um exemplo foi a rela\u00e7\u00e3o com seu cabelo, e a falta de refer\u00eancias e produtos que a levaram a alis\u00e1-lo ainda crian\u00e7a. Ela sofreu com as rea\u00e7\u00f5es adversas e efeitos colaterais dos produtos qu\u00edmicos agressivos utilizados.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o mudou quando o letramento e reconhecimento racial passaram a fazer parte de sua vida. Ent\u00e3o, procurou elementos que valorizavam e real\u00e7avam seus tra\u00e7os. Percorreu longo caminho at\u00e9 (se) encontrar. Assim como muitas meninas negras na \u00e9poca da sua juventude, as poucas refer\u00eancias com quem pudesse se identificar e a aus\u00eancia de itens espec\u00edficos para a beleza negra foram obst\u00e1culo para sua aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Roupas, acess\u00f3rios, maquiagens e outros elementos podem ser usados para definir a mesma palavra: moda. Mas, esse conceito abrange infinitos fatores, da matem\u00e1tica \u00e0 sociologia. Pensar e estudar moda para entender a sociedade pode ser, de fato, relevante. Em especial, se considerarmos os primeiros registros da moda na antiguidade e o caminho que ela percorreu at\u00e9 os dias atuais, em contextos e grupos diversos, tra\u00e7ando desta forma, um paralelo com a racialidade, classe, exclus\u00e3o e inclus\u00e3o, entre outras quest\u00f5es.<br \/><br \/><\/p>\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Da ancestralidade at\u00e9 aqui<\/strong><\/span><\/h5>\n<p>Historiadores que estudam a influ\u00eancia de Mansa Musa, d\u00e9cimo l\u00edder do imp\u00e9rio Isl\u00e2mico do Mali, conhecido pelo seu gigantesco imp\u00e9rio e dono da maior foturna da hist\u00f3ria mundial e exuberante estilo de vida, apontam como ele reafirmava sua riqueza por meio de sua imagem, em roupas e joias impactantes. A ostenta\u00e7\u00e3o e a vaidade iam al\u00e9m de suas vestimentas, alcan\u00e7ando tamb\u00e9m quem estava no seu entorno.<\/p>\n<p>O uso da vestimenta para refor\u00e7ar uma identidade social ajuda a ilustrar e a pensar o impacto atual desses elementos identit\u00e1rios, que posteriormente foram compreendidos como parte da moda. A pesquisadora e coordenadora de N\u00facleo de Estudos Afro-brasileiros e Ind\u00edgenas (NEABI) da UFMS, Eug\u00eania Portela, explica que a rela\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e dos movimentos negros com a moda \u00e9 principalmente como ferramenta de pertencimento e afirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, coletiva e\/ou individual, pois a defini\u00e7\u00e3o de movimento negro vai al\u00e9m da exist\u00eancia de um grupo de pessoas.<\/p>\n<p>Com o apagamento hist\u00f3rico da cultura, religi\u00e3o, costumes e outras caracter\u00edsticas dos povos origin\u00e1rios negros, surge a necessidade de resgate ancestral como forma de resisist\u00eancia a opress\u00e3o. \u00c9 quando passam a se comunicar atrav\u00e9s das roupas. Segundo Gustavo Antoniuk e Marcela Luiza Casagrande no artigo \u201cO ato de vestir: o negro entre a moda e a sobreviv\u00eancia\u201d, a moda passa a atuar contra as pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias. \u201cFoi fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o de algo que havia se perdido nas centenas de anos da escravid\u00e3o: a identidade desse povo.\u201d<\/p>\n<p>No Mato Grosso do Sul, a moda que busca prestigiar a ancestralidade existe, ainda que escassa. Karla Velasco, produtora cultural e respons\u00e1vel por eventos de moda inclusiva na regi\u00e3o, acompanha diariamente esse cen\u00e1rio, e sabe que, apesar da import\u00e2ncia, a evolu\u00e7\u00e3o acontece aos poucos. \u201cDesafios a gente j\u00e1 est\u00e1 deixando para tr\u00e1s, acho que agora a gente precisa estimular as pessoas [&#8230;] Estamos em um linguajar onde a moda africana e a moda ancestral est\u00e3o muito em pauta\u201d.<\/p>\n<p>Este ano, o MET Gala, um dos eventos mais prestigiados e importantes no mundo da alta costura, teve como foco a cultura cheia de hist\u00f3ria e ativismo do povo preto. O <em>Superfine: Tailoring Black Style <\/em>(Superfino: Alfaiataria do Estilo Negro) reuniu celebridades, como a cantora Lauryn Hill e a rapper Doechii, demonstrando a resist\u00eancia e for\u00e7a da identidade negra. Na hist\u00f3ria, a ascens\u00e3o das vestimentas e do alfaiate fino na comunidade surgiu pelo dandismo, um movimento que buscava transmitir eleg\u00e2ncia e excel\u00eancia por meio da apar\u00eancia.<\/p>\n<p>Nos holofotes, a presen\u00e7a de mulheres influentes no meio art\u00edstico complementando a moda com o cabelo afro e acess\u00f3rios como o durag, fez do MET Gala 2025 um momento de reuni\u00e3o entre a moda hist\u00f3rica e a atual. A quebra de padr\u00f5es at\u00e9 a inser\u00e7\u00e3o na moda, inicialmente esteve ligada a uma elite europeia, realizada pelo dandismo negro, simboliza hoje o que seria a inclus\u00e3o constru\u00edda por meio da resist\u00eancia.<\/p>\n<p>S\u00edmbolo de cultura e de movimentos que lutam por direitos de igualdade para toda uma comunidade, o cabelo crespo solto e com muito volume, as tran\u00e7as e os acess\u00f3rios que se popularizaram devido a cultura da popula\u00e7\u00e3o negra, ultrapassam a ideia de busca pela autenticidade, pois carregam o uso que traduz identidade, for\u00e7a e reafirma\u00e7\u00e3o racial. O termo <em>Black Power<\/em> \u00e9 at\u00e9 hoje usado para definir cabelos crespos volumosos, de formato arredondado e com menos defini\u00e7\u00e3o, mas na verdade representa for\u00e7a, luta, um movimento que surgiu na d\u00e9cada de 60, nos Estados Unidos, como protesto e revolu\u00e7\u00e3o de grupos afrodescendentes que buscavam direitos civis e equidade. Esse movimento influenciou n\u00e3o somente a pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m a cultura e, principalmente, a moda. Criando uma marca e o forte resgate cultural e social da cultura afro-americana, que posteriormente tornou-se mundial.<br \/><br \/><\/p>\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Do l\u00e1pis \u201ccor de pele\u201d ao tom de nude rosa claro<\/strong><\/span><\/h5>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de produtos que atendem especificamente \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o negra, \u00e9 algo muito recente. As op\u00e7\u00f5es atuais para o cuidado com todas as curvaturas de cabelo e os itens de maquiagem, como alguns contornos at\u00e9 para a pele mais retinta, s\u00f3 est\u00e3o nas prateleiras do mercado devido \u00e0 lutas sociais e \u00e0 demanda do p\u00fablico consumidor. Por muito tempo, as possibilidades eram escassas ou inexistentes. O foco das marcas eram produtos que buscassem amenizar tra\u00e7os que estivessem fora do padr\u00e3o euroc\u00eantrico hegem\u00f4nico. Em artigo publicado em 2024 por pesquisadores da Escola de Humanidades da PUCRS, sobre as representa\u00e7\u00f5es da pessoa negra na publicidade brasileira nos s\u00e9culos XX e XXI, foi demonstrado que os primeiros fabricantes de produtos capilares que pensaram nos cuidados com o cabelo cacheado e crespo s\u00f3 surgiram a partir de 1986.<\/p>\n<p>Em 2024, a empres\u00e1ria e influenciadora Bianca Andrade, mais conhecida como Boca Rosa, lan\u00e7ou a base multifuncional com 50 tons, atualmente a maior cartela de cores do Brasil. Sua f\u00f3rmula ainda se adapta a diferentes subtons, acolhendo as in\u00fameras nuances e particularidades de cada pele. No mesmo ano, a empres\u00e1ria Mariana Saad, lan\u00e7ou produtos que n\u00e3o atendiam peles retintas e gerou insatisfa\u00e7\u00e3o nas redes sociais, levando a marca e a propriet\u00e1ria a se redimir publicamente.<\/p>\n<p>Os casos retratam que quando se trata de inclus\u00e3o de pessoas pretas como p\u00fablico alvo de um produto de beleza, o mercado pode possuir vertentes diferentes, mas a demanda existe e os posicionamentos da marca definem seu consumo.<\/p>\n<p>A limita\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias de mulheres pretas e a nega\u00e7\u00e3o da beleza de suas caracter\u00edsticas e tra\u00e7os naturais, fizeram com que personalidades como Grace Jones fossem uma quebra dos ideais impostos no cen\u00e1rio da moda. A pele retinta, nariz negroide e l\u00e1bios carnudos e hiperpigmentados, o corte de cabelo <em>Flat Top<\/em> crespo e o conjunto de alfaiataria com ombreira compuseram a capa de seu \u00e1lbum <em>Nightclubbing<\/em>, de 1981.\u00a0 Essa imagem \u00e9, at\u00e9 hoje, uma das refer\u00eancias mais fortes e populares da moda afro.<\/p>\n<p>Para mulheres negras, que durante a inf\u00e2ncia n\u00e3o poderiam se sentir representadas no universo de filmes de princesa, que s\u00f3 gostavam do cabelo quando alisado, e que n\u00e3o encontravam maquiagens que valorizassem sua beleza, ver as pequenas e grandes mudan\u00e7as para as novas gera\u00e7\u00f5es \u00e9 um motivo de esperan\u00e7a. Essas transforma\u00e7\u00f5es podem parecer insignificantes aos olhos de quem n\u00e3o vive o preconceito, mas em uma realidade onde ser negro \u00e9, constantemente, resistir a um sistema excludente, quem sente na pele, nos pelos, na modelagem, sabe.<br \/><br \/><\/p>\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Quanto custa a inclus\u00e3o?<\/strong><\/span><\/h5>\n<p>Al\u00e9m da ideia de constru\u00e7\u00e3o de uma imagem intencional e da demonstra\u00e7\u00e3o de personalidade por meio do vestu\u00e1rio, a moda, quando entendida como uma ind\u00fastria e potencial ferramenta de inclus\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o de uma comunidade, torna-se a causa da presen\u00e7a ou aus\u00eancia do sentimento de perten\u00e7a de um p\u00fablico.<\/p>\n<p>Conforme Miguel Gon\u00e7alo, mestre em <em>Design Management<\/em>, a moda precisa refletir mais sobre as possibilidades de inclus\u00e3o. \u201cO termo Inclus\u00e3o, no ponto de vista da ind\u00fastria da moda, \u00e9 visto como uma tend\u00eancia pesada e influente, que normalmente \u00e9 utilizado de forma negligente pelas marcas sem que estas tenham a no\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de responsabilidade que ela tem\u201d.<\/p>\n<p>A neglig\u00eancia das empresas quanto ao tamanho da responsabilidade pode ser vista por exemplo em campanhas publicit\u00e1rias, com estrat\u00e9gias que s\u00e3o normalmente pensadas e constru\u00eddas de acordo com seus valores \u00e9ticos. Em 2017, a Dove, por exemplo, foi respons\u00e1vel por uma propaganda que levantou s\u00e9rias pautas raciais devido ao seu conte\u00fado question\u00e1vel. O comercial apresentava uma mulher negra se \u201ctransformando\u201d em mulher de pele clara, ap\u00f3s fazer o uso do produto corporal divulgado.<\/p>\n<p>Em 2024, lan\u00e7ou outra linha de cosm\u00e9ticos espec\u00edficos para pessoas de pele preta, e a campanha de divulga\u00e7\u00e3o focou intensamente na inclus\u00e3o e na preocupa\u00e7\u00e3o com esse p\u00fablico espec\u00edfico. Essa nova postura pode ser um exemplo de como o mercado adapta seus discursos de acordo com necessidades e demandas capitais e sociais.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora Eug\u00eania Portela, o mercado \u00e9 movido pelo capitalismo, um sistema que age de forma intencional. Ele busca enxergar onde h\u00e1 demanda que gere potenciais lucros. Quando o mercado se modifica para atender as necessidades de um determinado grupo, na maioria das vezes, passa a vender essa estrat\u00e9gia como inclus\u00e3o, quando na verdade \u00e9 apenas a amplia\u00e7\u00e3o do mercado, visando impulsionar o consumo de outros p\u00fablicos e lucros ainda maiores. Entretanto, apesar do foco central ser o capital, isso demonstra a necessidade da ind\u00fastria reconhecer a exist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra como p\u00fablico e seu potencial poder socioecon\u00f4mico.<\/p>\n<p>A cultura dos brech\u00f3s e a moda autoral, por exemplo, aparecem como alternativas que al\u00e9m do lucro, buscam enaltecer as identidades por meio da reutiliza\u00e7\u00e3o e customiza\u00e7\u00e3o com elementos, formas e cores muitas vezes identit\u00e1rias. Neste cen\u00e1rio, que se preocupa mais com a valoriza\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas da cultura de diferentes povos, a identidade da mulher preta e a sua representa\u00e7\u00e3o, parecem bem mais definidas.<\/p>\n<p>Para a ind\u00fastria, esse processo que inclui, de fato, elementos estil\u00edsticos que tornam cada mulher negra \u00fanica, ainda \u00e9 cont\u00ednuo e constante, principalmente ap\u00f3s tanto tempo a mulher sendo socialmente exclu\u00edda e desvalorizada. Ver tantos nomes importantes e influentes na m\u00eddia resgatando a cultura ancestral por meio dos eventos e a\u00e7\u00f5es\u00a0 da moda, tamb\u00e9m pode ser uma forma de criar e ampliar as boas refer\u00eancias para que haja identifica\u00e7\u00e3o, cada vez maior, de sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1920\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-7-EDITADA.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5734\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-7-EDITADA.png 1080w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-7-EDITADA-169x300.png 169w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-7-EDITADA-576x1024.png 576w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-7-EDITADA-768x1365.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-7-EDITADA-864x1536.png 864w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/FOTO-7-EDITADA-400x711.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Al\u00e9m da criatividade, a customiza\u00e7\u00e3o de roupas carregam identidade e autenticidade | Foto: Pietra Vasconcelos<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-105\/\">voltar para a edi\u00e7\u00e3o 105<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a ind\u00fastria da moda pensa e inclui mulheres negras&nbsp; Texto: Ninfa Eug\u00eania | Pietra Vasconcelos O visual chega antes dela. 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