{"id":5055,"date":"2025-07-10T17:14:28","date_gmt":"2025-07-10T21:14:28","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5055"},"modified":"2025-07-16T18:42:18","modified_gmt":"2025-07-16T22:42:18","slug":"quando-a-lideranca-tem-nome-de-mulher-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/quando-a-lideranca-tem-nome-de-mulher-indigena\/","title":{"rendered":"Quando a lideran\u00e7a tem nome de mulher ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">No Brasil, apesar de lenta, \u00e9 crescente a presen\u00e7a de mulheres ind\u00edgenas em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-2f128bdebc6998d2a3020722521d5964\"><strong>Juliana de Menezes| Marianne Amorim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>O cocar \u00e9 um ornamento tradicional usado pelos povos ind\u00edgenas. Cada cocar \u00e9 uma obra \u00fanica, que reflete a identidade, o status e a hist\u00f3ria de quem o usa. N\u00e3o \u00e9 apenas uma pe\u00e7a de vestu\u00e1rio ou decorativa, \u00e9 uma express\u00e3o visual e simb\u00f3lica da cultura e da sabedoria transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. A variedade de penas, cores e formatos carrega significados relacionados \u00e0 for\u00e7a, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o espiritual e \u00e0 conex\u00e3o com os ancestrais.<\/p>\n<p><br \/>Lourdes Marques Terena se apresenta como \u201ccacique\u201d da Associa\u00e7\u00e3o H\u00edutik\u00f3ti e carrega esses s\u00edmbolos. Aos 62 anos, traz no cocar e na pr\u00f3pria trajet\u00f3ria a for\u00e7a das mulheres ind\u00edgenas que lutam para existir, resistir e florescer, mesmo fora da aldeia. No Brasil, apesar do progresso ainda lento, observa-se um crescimento significativo da presen\u00e7a de mulheres ind\u00edgenas em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, o que fortalece as vozes origin\u00e1rias e contribui para a valoriza\u00e7\u00e3o das culturas e direitos ind\u00edgenas. \u00c9 o caso da ministra dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil, S\u00f4nia Guajajara (PSOL), primeira ministra ind\u00edgena do pa\u00eds, e de outras mulheres que tamb\u00e9m atuam na pol\u00edtica, como Inaye Lopes, vereadora no munic\u00edpio de Ant\u00f4nio Jo\u00e3o, pelo PSDB.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/MARIANNE-AMORIM-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5215\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/MARIANNE-AMORIM-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/MARIANNE-AMORIM-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/MARIANNE-AMORIM-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/MARIANNE-AMORIM-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/MARIANNE-AMORIM.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cacique Lourdes se prepara para iniciar a reuni\u00e3o mensal da associa\u00e7\u00e3o |Foto: Marianne Amorim<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o liderada por Lourdes \u00e9 formada por mulheres que vivem em Campo Grande. A l\u00edder representa n\u00e3o s\u00f3 sua comunidade, mas uma luta coletiva por respeito, visibilidade e preserva\u00e7\u00e3o cultural. Nascida na capital de Mato Grosso do Sul (MS) e filha da L\u00eddia Polidorio, ind\u00edgena da aldeia Cachoeirinha, no munic\u00edpio de Miranda, Lourdes cresceu entre dois mundos: o urbano e o da aldeia. <br>Desde pequena, acompanhava o trabalho da m\u00e3e com a cer\u00e2mica e nas visitas frequentes \u00e0 comunidade Terena, onde aprendeu a falar a l\u00edngua e a preservar os costumes. \u201cEu cresci vendo minha m\u00e3e lutar. Ela fazia cer\u00e2mica, trabalhava na casa dos outros e, ainda assim, nunca deixou de ajudar quem vinha da aldeia para vender na cidade. A casa da minha m\u00e3e sempre foi um porto seguro pr\u00e1 quem precisava\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Associa\u00e7\u00e3o H\u00edutik\u00f3ti, que em terena significa \u201cflor\u201d, Lourdes coordena cerca de 30 mulheres ind\u00edgenas que vivem na cidade e buscam manter vivas suas tradi\u00e7\u00f5es, enquanto enfrentam as dificuldades impostas pela vida urbana e o preconceito. O nome da associa\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da delicadeza aparente. Representa todas as mulheres h\u00edutik\u00f3ti em suas diversidades comportamentais e hist\u00f3ricas. Rosas, let\u00f4nias, girass\u00f3is, cada uma com suas caracter\u00edsticas.<br>Durante as reuni\u00f5es que acontecem mensalmente na casa de Lourdes, elas produzem artesanato, como bolsas e pe\u00e7as tradicionais, que, al\u00e9m de resgatar saberes ancestrais, geram renda extra. \u201cN\u00f3s, mulheres, temos que ser fortes, enfrentar a realidade e n\u00e3o deixar que a maldade do mundo nos derrube. A nossa uni\u00e3o \u00e9 o que nos fortalece\u201d. Lourdes conta que, mesmo depois das reuni\u00f5es, n\u00e3o deixa de cumprir um gesto de acolhimento que aprendeu desde cedo. \u201cNingu\u00e9m sai da minha casa com fome. \u00c9 assim que aprendi com minha m\u00e3e. E \u00e9 isso que eu fa\u00e7o at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">N\u00f3s, mulheres, temos que ser fortes, enfrentar a realidade e n\u00e3o deixar que a maldade do mundo nos derrube. A nossa uni\u00e3o \u00e9 o que nos fortalece<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Em 2024, as mulheres da associa\u00e7\u00e3o participaram da Marcha do Marco Temporal, em Bras\u00edlia &#8211; um dos maiores atos em defesa dos territ\u00f3rios dos povos origin\u00e1rios. Entre os cocares, as faixas e os cantos de resist\u00eancia, Lourdes fazia ecoar n\u00e3o s\u00f3 sua voz, mas a de toda comunidade que luta diariamente pelo direito de existir. Para ela, estar nesses espa\u00e7os n\u00e3o \u00e9 apenas um ato simb\u00f3lico, \u00e9 uma miss\u00e3o. Sua presen\u00e7a refor\u00e7a que a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de decis\u00e3o, seja nas ruas, nas assembleias ou nos gabinetes, \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de proteger os territ\u00f3rios, as culturas e as futuras gera\u00e7\u00f5es.<br>Revela que foi acompanhando as idas e vindas de sua m\u00e3e que n\u00e3o apenas aprendeu a l\u00edngua terena, mas tamb\u00e9m cultivou um profundo respeito e valoriza\u00e7\u00e3o pela aldeia e pelo seu povo. Foi com esses saberes ancestrais e esse amor pelas ra\u00edzes que ela criou sua filha, que hoje cursa medicina. <br>A passagem de conhecimentos e valores de m\u00e3e para filha \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o nas comunidades, o que fortalece a identidade cultural e preserva as ra\u00edzes ancestrais. Assim, as mulheres carregam e renovam saberes que v\u00e3o desde a l\u00edngua materna at\u00e9 as pr\u00e1ticas cotidianas, fortalecendo v\u00ednculos afetivos e sociais. <br>A trajet\u00f3ria de Lourdes mostra que, apesar dos muitos desafios, as mulheres ind\u00edgenas t\u00eam ocupado mais espa\u00e7os de protagonismo social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Constroem redes de apoio, preservam seus idiomas e reafirmam todos os dias que suas exist\u00eancias s\u00e3o atos de resist\u00eancia.<br><br><\/p>\n\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Primeira ministra ind\u00edgena busca mais diversidade<\/strong><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>A crescente presen\u00e7a de mulheres ind\u00edgenas em cargos de lideran\u00e7a no Brasil marca uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica que desafia mais de 500 anos de marginaliza\u00e7\u00e3o. Esse movimento ganhou mais visibilidade com a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas, atualmente liderado por S\u00f4nia Guajajara, a primeira mulher ind\u00edgena a assumir um minist\u00e9rio no pa\u00eds. Em entrevista via e-mail ao Proj\u00e9til, a ministra Guajajara exp\u00f4s o orgulho do cargo que ocupa. \u201cTenho muito orgulho de ser a primeira ministra ind\u00edgena do Estado na hist\u00f3ria do Brasil. Al\u00e9m de estar neste espa\u00e7o como representante da luta dos povos ind\u00edgenas pelos seus direitos, tamb\u00e9m cheguei neste cargo conhecendo na pele os desafios das mulheres ind\u00edgenas brasileiras.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Posse-ministra-fotos-_-Matheus-alves-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5218\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Posse-ministra-fotos-_-Matheus-alves-1.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Posse-ministra-fotos-_-Matheus-alves-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Posse-ministra-fotos-_-Matheus-alves-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Posse-ministra-fotos-_-Matheus-alves-1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">No dia 11 de janeiro de 2023, Sonia Guajajara tomou posse como a primeira ministra dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil | Foto: Matheus Alves<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para ela, esse avan\u00e7o representa o in\u00edcio de um verdadeiro aldeamento da pol\u00edtica nacional, uma forma de levar as vozes dos povos origin\u00e1rios para o centro das decis\u00f5es do Estado. Apesar das conquistas, ela destaca que ainda h\u00e1 muitos obst\u00e1culos. \u201cS\u00e3o mais de 500 anos de marginaliza\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es municipais, estaduais e nacionais. Sempre foi dito para n\u00f3s, mulheres ind\u00edgenas, que n\u00e3o poder\u00edamos protagonizar nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">S\u00e3o mais de 500 anos de marginaliza\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es municipais, estaduais e nacionais. Sempre foi dito para n\u00f3s, mulheres ind\u00edgenas, que n\u00e3o poder\u00edamos protagonizar nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Os dados refletem essa desigualdade. Atualmente, o Brasil conta com tr\u00eas deputadas federais ind\u00edgenas, uma prefeita e 38 vereadoras. Pode parecer expressivo, mas, em 2024, foram eleitos mais de 58 mil vereadores no pa\u00eds, o que evidencia a sub-representa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, especialmente das mulheres.<br>No Executivo federal, h\u00e1 sinais de mudan\u00e7a: as mulheres representam, em 2025, 55,7% dos v\u00ednculos ativos no Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas, um n\u00famero in\u00e9dito e simb\u00f3lico do avan\u00e7o da presen\u00e7a feminina ind\u00edgena na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. \u00c9 uma estrutura que levou mais de cinco s\u00e9culos para ser consolidada, e n\u00e3o se transforma do dia para a noite. Por isso, s\u00e3o fundamentais iniciativas como as da vereadora Inaye Lopes e outras tantas lideran\u00e7as que continuam na luta.<br>Desde que assumiu o Minist\u00e9rio, Guajajara tem implementado pol\u00edticas para ampliar o protagonismo das mulheres ind\u00edgenas. Entre elas, destacam-se a realiza\u00e7\u00e3o da primeira Confer\u00eancia Nacional das Mulheres Ind\u00edgenas; o edital Mulheres Ind\u00edgenas: Tecendo o Bem Viver, voltado a projetos liderados por mulheres; o edital Karo\u00e1, com foco na gest\u00e3o socioambiental de territ\u00f3rios no bioma Caatinga; e a cria\u00e7\u00e3o da Casa da Mulher Ind\u00edgena, em parceria com o Minist\u00e9rio das Mulheres, voltada \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e ao enfrentamento da viol\u00eancia nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas. \u201c\u00c9 importante que as mulheres ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas sejam vistas como fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds e n\u00e3o apenas como n\u00famero de cota eleitoral\u201d, refor\u00e7a a ministra. <\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">\u00c9 importante que as mulheres ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas sejam vistas como fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds e n\u00e3o apenas como n\u00famero de cota eleitoral<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o de Sonia, Inaye e Lourdes mostra que o caminho est\u00e1 sendo tra\u00e7ado. E, ainda que a estrada seja longa, cada passo dado por essas mulheres \u00e9 tamb\u00e9m um ato de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e de afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"320\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Plenaria-do-Acampamento-Terra-Livre-_-Fotos_-Diogo-Zacarias.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5221\" style=\"width:609px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Plenaria-do-Acampamento-Terra-Livre-_-Fotos_-Diogo-Zacarias.jpg 480w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Plenaria-do-Acampamento-Terra-Livre-_-Fotos_-Diogo-Zacarias-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Plenaria-do-Acampamento-Terra-Livre-_-Fotos_-Diogo-Zacarias-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A ministra Sonia Guajajara participa da 20\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Acampamento Terra Livre, que teve como slogan \u201cNosso marco \u00e9 ancestral, sempre estivemos aqui\u201d. Encontro que re\u00fane lideran\u00e7as ind\u00edgenas para reivindicar direitos, discutir pol\u00edticas p\u00fablicas e denunciar casos de viol\u00eancia | Foto: Diogo Zacarias<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Pilar social<\/strong><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Pilar, segundo o dicion\u00e1rio, \u00e9 aquilo que sustenta ou serve de base para algo n\u00e3o material, como uma ideia, um movimento, uma institui\u00e7\u00e3o ou um valor. Em sentido figurado, representa aquilo ou aquele que d\u00e1 suporte, estrutura e firmeza a uma constru\u00e7\u00e3o coletiva. E quem, sen\u00e3o a mulher, poderia encarnar t\u00e3o plenamente esse papel? Aquela que carrega a vida no ventre \u00e9 tamb\u00e9m quem sustenta, organiza e transforma o mundo ao seu redor.<br \/>Entre os povos ind\u00edgenas, essa for\u00e7a \u00e9 ancestral. As mulheres ind\u00edgenas sempre exerceram pap\u00e9is centrais em suas comunidades, como guardi\u00e3s do saber, da terra, da sa\u00fade e da continuidade da vida. Para a professora e antrop\u00f3loga Maria Raquel Duran, elas s\u00e3o verdadeiros pilares de suas sociedades. Segundo ela, como fazedoras de corpos, de gentes, elas t\u00eam um papel social evidente e relevante.<br \/>Os obst\u00e1culos que as mulheres ind\u00edgenas enfrentam como lideran\u00e7a v\u00eam da raiz de uma sociedade sexista e preconceituosa que tradicionalmente molda o pensar da sociedade. Quando falam de caciques, pol\u00edticos ou l\u00edderes, a primeira imagem que v\u00eam \u00e0 mente \u00e9, quase sempre, a de um homem branco. \u201cHistoricamente, ao contactarmos povos ind\u00edgenas requeremos deles uma representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica masculina, preferencialmente, devido ao modo ocidental de compreender a pol\u00edtica como \u00e2mbito masculino\u201d, explica Maria Raquel.<br \/>Refor\u00e7a ainda a import\u00e2ncia da cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas e o destaque que a ministra S\u00f4nia ganhou. \u201cAs lideran\u00e7as ind\u00edgenas (masculinas e femininas) sempre existiram, como disse, mas com ensejo atual elas t\u00eam aparecido para n\u00f3s, que n\u00e3o t\u00ednhamos este olhar atento para elas. O peso dos nomes citados na pergunta, como a ministra Sonia Guarajara (PSOL) e a vereadora Inaye Lopes Kaiow\u00e1 (PSDB), \u00e9 significativo, porque descortina um futuro diferente do atual, tanto nas mentes das mulheres ind\u00edgenas quanto nas mentes das mulheres e homens como um todo\u201d, conta.<br \/>\u201cPenso que por mais que tenhamos come\u00e7ado este caminho de mudan\u00e7a, ainda \u00e9 um trilhar titubeante, sempre amea\u00e7ado por retrocessos, por perdas de direitos, por agendas n\u00e3o inclusivas\u201d, completa a antrop\u00f3loga. Seja na pol\u00edtica, nas associa\u00e7\u00f5es ou nas comunidades, as mulheres ind\u00edgenas reafirmam sua for\u00e7a, resist\u00eancia e compromisso com a cultura e a justi\u00e7a social. As hist\u00f3rias dessas mulheres ind\u00edgenas entrevistadas nesta reportagem exemplificam a import\u00e2ncia de movimentos coletivos que quebram paradigmas e abrem caminhos para as futuras gera\u00e7\u00f5es. <br \/>Apesar dos desafios, a presen\u00e7a de Lourdes, Inaye e S\u00f4nia, e outras tantas mulheres na lideran\u00e7a, \u00e9 um sinal poderoso de que a voz ind\u00edgena, sobretudo feminina, est\u00e1 cada vez mais forte e presente na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/JULIANA-MENEZES-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5219\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/JULIANA-MENEZES-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/JULIANA-MENEZES-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/JULIANA-MENEZES-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/JULIANA-MENEZES-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/JULIANA-MENEZES.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A pintura no rosto da Cacique \u00e9 feita por sua sobrinha, Maria Luiza, uma das poucas pessoas que podem realizar a grafia tradicional | Foto: Juliana Menezes<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Na pol\u00edtica local<\/strong><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Campo Grande \u00e9 uma das capitais com maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do pa\u00eds. Em Mato Grosso do Sul, mais de 115 mil ind\u00edgenas vivem em 79 munic\u00edpios, espalhados por mais de 350 km\u00b2. Apesar dessa forte presen\u00e7a, a representatividade pol\u00edtica ainda \u00e9 m\u00ednima. Poucos ind\u00edgenas ocupam cargos de lideran\u00e7a em prefeituras ou c\u00e2maras municipais. Essa aus\u00eancia nos espa\u00e7os de decis\u00e3o evidencia uma exclus\u00e3o hist\u00f3rica. Mas como ampliar vozes, visibilidade e relev\u00e2ncia a um grupo social que sempre foi deixado de lado? <br \/>Inaye \u00e9 uma palavra carregada de significados. Que dizer liderar, aquele ou aquela que se destaca e guia com coragem e for\u00e7a. N\u00e3o por acaso, \u00e9 o nome de Inaye Lopes Kaiow\u00e1 (PSDB), vereadora da cidade de Ant\u00f4nio Jo\u00e3o, uma das regi\u00f5es mais marcadas por conflitos entre povos ind\u00edgenas e fazendeiros. <br \/>Educadora do povo Kaiow\u00e1, sua presen\u00e7a no poder rompe sil\u00eancios hist\u00f3ricos e desafia estruturas excludentes. Ao lado de outras lideran\u00e7as femininas, Inaye integra movimentos como o Gua\u00e7u Guarani Kaiow\u00e1 e a Bancada do Cocar, reafirmando que a presen\u00e7a de mulheres na pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 apenas uma conquista individual, mas um avan\u00e7o coletivo de todo um povo. \u201cN\u00f3s s\u00f3 somos vistas porque tem representante\u201d, define.<\/p>\n<p>Como vereadora, conseguiu viabilizar pol\u00edticas p\u00fablicas essenciais como infraestrutura escolar, abastecimento de \u00e1gua e sa\u00fade. Mais do que ocupar cadeiras, Inaye constr\u00f3i pontes entre o poder p\u00fablico e as aldeias, rompendo estere\u00f3tipos e reafirmando a centralidade das mulheres ind\u00edgenas na luta por justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-105\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 105<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, apesar de lenta, \u00e9 crescente a presen\u00e7a de mulheres ind\u00edgenas em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a Juliana de Menezes| Marianne Amorim O cocar \u00e9 um ornamento tradicional usado pelos povos ind\u00edgenas. Cada cocar \u00e9 uma obra \u00fanica, que reflete a identidade, o status e a hist\u00f3ria de quem o usa. N\u00e3o \u00e9 apenas uma pe\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-5055","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem105"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5055"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5745,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5055\/revisions\/5745"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}