{"id":5083,"date":"2025-07-14T17:19:16","date_gmt":"2025-07-14T21:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5083"},"modified":"2025-07-16T19:26:03","modified_gmt":"2025-07-16T23:26:03","slug":"mulheres-feitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/mulheres-feitas\/","title":{"rendered":"Mulheres Feitas?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-primary-color has-text-color has-link-color wp-elements-a41df2e7820a08b4797a168bfeb7673c\">A padroniza\u00e7\u00e3o e o controle dos corpos femininos ao longo dos s\u00e9culos<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-668e2efc37cc09ac1e619d8021d5291c\"><strong>Texto: Camille Filetto | Rebeca Ferro | Sarai Brauna<br>Ilustra\u00e7\u00f5es: Let\u00edcia Vit\u00f3ria Alves<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-6edd9edaa0e512339e03f877fe570e82\"><strong>De onde v\u00eam as mulheres?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">N\u00e3o aquela mulher real, com desejos e falhas, mas a que foi moldada para agradar, obedecer e servir, feita para caber em regras preestabelecidas aqu\u00e9m delas. Sociedade, religi\u00e3o, ci\u00eancia, cultura, mercado desenharam um ideal feminino: a mulher bonita, forte, recatada, sempre calada. Quando ela sai do papel esperado, \u00e9 julgada. Quando tenta cumpri-lo, se machuca.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5114\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-1-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-1-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Nesta reportagem, propomos andar entre alguns estere\u00f3tipos e encaixes for\u00e7ados ao g\u00eanero feminino. A histeria, por s\u00e9culos, foi o r\u00f3tulo usado para chamar de louca qualquer mulher que ousasse reclamar. A mulher perfeita, criada como exemplo, nunca existiu, e continua sendo cobrada. A sexualidade, de pecado \u00e0 perigo, virou ferramenta de controle, embora tamb\u00e9m seja nela que muitas encontram liberdade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Portanto, a pergunta nunca foi de onde vem ou quem s\u00e3o as mulheres, mas quem determinou o que elas deveriam ser e com quais inten\u00e7\u00f5es. Entender isso \u00e9 o come\u00e7o da mudan\u00e7a.<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-fb6722bb19cda795aa33608a217f0053\"><strong>Triste, louca ou m\u00e1<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Assim \u00e9 qualificada toda mulher que se recusa a seguir a velha receita. A mulher que nega o papel de esposa perfeita, filha d\u00f3cil ou namorada equilibrada logo \u00e9 vista como amea\u00e7a. Se chorar, \u00e9 fr\u00e1gil demais. Se gritar, \u00e9 descontrolada. Se questionar, \u00e9 ingrata. A sociedade n\u00e3o sabe lidar com as mulheres sem enquadr\u00e1-las. A hist\u00e9rica. A louca. A fria. A m\u00e1. Funcionam como um selo, moldado para conter aquilo que ainda n\u00e3o est\u00e1 submetido ou n\u00e3o se submete \u00e0s normas estabelecidas. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">A m\u00fasica de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Francisco, El Hombre,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 um bom come\u00e7o da hist\u00f3ria. Da hist\u00f3ria da histeria como uma oportunidade de vilaniza\u00e7\u00e3o da figura feminina. Entre o final dos anos 1960 e come\u00e7o dos anos 1970, uma moradora da rua Engenheiro Al\u00edrio de Matos, no bairro Taquarussu, foi capa e manchete de v\u00e1rias mat\u00e9rias de jornais da cidade de Campo Grande, como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Di\u00e1rio da Serra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Correio do Estado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><b>C\u00e9lia de Souza<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, na \u00e9poca, tinha entre 40 e 50 anos e\u00a0 trabalhava como bab\u00e1 de filhos de fam\u00edlias da regi\u00e3o que passavam longas horas fora de casa. Algo bem comum na periferia da cidade.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">A madeira descascada e o aspecto abandonado da casa onde C\u00e9lia vivia, pareciam, para muitos, carregar um ar assombrado. Ali, diziam, ocorreu um crime terr\u00edvel: quatro crian\u00e7as mortas num suposto ritual de sacrif\u00edcio. O lugar onde ficava a casa era uma regi\u00e3o pantanosa da capital sul-mato-grossense, conhecida como Sapol\u00e2ndia. Essa hist\u00f3ria se transformou em lenda urbana, e tornou C\u00e9lia, uma trabalhadora negra, pobre e analfabeta, uma figura quase m\u00edtica no imagin\u00e1rio campo-grandense: a<\/span><b> bruxa da Sapol\u00e2ndia<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">A <\/span><b>desumaniza\u00e7\u00e3o <\/b><span style=\"font-weight: 400\">das mulheres, contudo, n\u00e3o se inicia nos anos 1960, ela ocorre desde a Idade M\u00e9dia, no m\u00ednimo. Desde ent\u00e3o, muitas delas s\u00e3o retratadas como monstros, agentes do mal, mulheres que buscam a beleza f\u00edsica por meio de rituais ou como servas de figuras vilanescas superiores. Essa viol\u00eancia simb\u00f3lica de associ\u00e1-las \u00e0 loucura ou \u00e0 <\/span><b>feiti\u00e7aria <\/b><span style=\"font-weight: 400\">serve muito bem para aqueles que pretendem control\u00e1-las. <\/span><b>Incontrol\u00e1veis, <\/b><span style=\"font-weight: 400\">s\u00e3o uma amea\u00e7a \u00e0 ordem estabelecida.&nbsp;<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">As mulheres bruxas est\u00e3o inseridas em diversos contextos ao longo da hist\u00f3ria. Seja por uma decis\u00e3o que ela tomou e n\u00e3o gostaram, por um conhecimento espec\u00edfico que possui ou quando ela se prioriza no lugar dos outros. De acordo com a psic\u00f3loga Karina Brum, as mulheres sempre s\u00e3o alvo de <\/span><b>julgamento<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">\u201cPrincipalmente, se estiverem no papel de defender-se, de se justificar; o que tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 algo saud\u00e1vel. Toda vez que a mulher for fazer algo e tiver que se justificar, o contexto que ela est\u00e1 envolvida tem que ser reavaliado. Mas a mulher bruxa, isso n\u00e3o \u00e9 de agora. Isso \u00e9 desde sempre\u201d, argumenta a psic\u00f3loga.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">C\u00e9lia foi inocentada pela justi\u00e7a, assim como seu marido que mal foi mencionado no processo judicial ou pela imprensa da \u00e9poca. No entanto, a cidade n\u00e3o esqueceu o nome de C\u00e9lia at\u00e9 hoje. A \u201cBruxa da Sapol\u00e2ndia\u201d continua sendo relembrada em mat\u00e9rias jornal\u00edsticas sensacionalistas e descontextualizadas.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A doutoranda em hist\u00f3ria pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Giovanna Trevelin, explica como o papel da mulher passou por uma transforma\u00e7\u00e3o significativa no s\u00e9culo XIX, especialmente durante a Era Vitoriana.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Segundo ela, \u201cse antes, na Idade M\u00e9dia, os corpos femininos eram queimados na ca\u00e7a \u00e0s bruxas por desafiar normas sociais e religiosas, no s\u00e9culo XIX esses corpos passaram a ser controlados de outra forma. Agora, n\u00e3o se trata mais de eliminar, mas de domesticar\u201d. Isso porque a sociedade e o sistema econ\u00f4mico capitalista passaram a precisar das mulheres para manter a ordem social. Assim, seus corpos foram moldados para servir \u00e0 na\u00e7\u00e3o e ao capital, principalmente atrav\u00e9s do papel dom\u00e9stico e materno. Para Trevelin, esse processo est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do que significa \u2018ser mulher\u2019 na sociedade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Se antes, na Idade M\u00e9dia, os corpos femininos eram queimados na ca\u00e7a \u00e0s bruxas por desafiar normas sociais e religiosas, no s\u00e9culo XIX esses corpos passaram a ser controlados de outra forma. Agora, n\u00e3o se trata mais de eliminar, mas de domesticar<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o cause esc\u00e2ndalos, especialmente em p\u00fablico. Seja a esposa dedicada, resignada, que cuida da casa e dos filhos, enquanto o marido, a quem deve completa devo\u00e7\u00e3o, n\u00e3o volta do trabalho. Supere as expectativas do homem, nunca reclame. Esse era o ideal feminino burgu\u00eas<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">ocidental do s\u00e9culo XIX, respons\u00e1vel por moldar a \u201cmulher de verdade\u201d: branca, saud\u00e1vel, discreta, sexualmente contida e sempre funcional \u00e0 ordem dom\u00e9stica.&nbsp;<\/span><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-3-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5115\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-3-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-3-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-3-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-3-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-3-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-3-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-3.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A psic\u00f3loga Karina diz que muitas mulheres casadas com homens buscam ajuda psicol\u00f3gica no seu consult\u00f3rio, em especial, porque acreditam que n\u00e3o desempenham bem o papel em suas casas ou por n\u00e3o serem reconhecidas por suas atividades dom\u00e9sticas. Por \u201cn\u00e3o trabalharem\u201d fora, existe uma expectativa de que elas coordenem tudo. \u201cQual o papel das mulheres? Onde est\u00e1 o homem neste contexto? Ele \u00e9 provedor, trabalha, sai de casa, traz o sustento para essa fam\u00edlia. Ent\u00e3o, tem todo o direito de chegar em casa, sentar no sof\u00e1, assistir a TV e ser servido\u201d, ironiza.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Giovana complementa que isso acontece porque, historicamente, as mulheres foram afastadas da chance de entender e decidir por si mesmas o que significa ser mulher. Esse afastamento ajuda a manter o homem no centro da sociedade, com mais poder. Segundo ela, as regras da pol\u00edtica, da religi\u00e3o e da cultura em geral fortalecem a ideia de que o homem precisa ser forte, viril e o principal dentro da casa e da sociedade.<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-1872894ef0097f6d5cde303489bb3092\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 HIST\u00c9RICA<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Toda essa sobrecarga feminina ao longo da hist\u00f3ria humana est\u00e1 acompanhada da ideia de insanidade, em especial, do excesso de emotividade, sensibilidade e descontrole, que leva \u00e0 histeria. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A mulher hist\u00e9rica: um termo essencialmente feminino. O conceito de histeria surgiu na Gr\u00e9cia Antiga, relacionado \u00e0 palavra \u00fatero. Acreditava-se que ele era um corpo dentro de outro corpo e causava comportamentos estranhos em mulheres cisg\u00eanero: desejo sexual elevado, n\u00e3o performar feminilidade, demonstrar sentimentos demais ou at\u00e9 mesmo tonturas, dores e paralisias, que podiam ser todos levados em considera\u00e7\u00e3o para o diagn\u00f3stico. M\u00e9dicos da \u00e9poca tratavam as mulheres a partir de um \u00fanico diagn\u00f3stico, n\u00e3o levando em conta suas particularidades.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">O conceito de histeria surgiu na Gr\u00e9cia Antiga, relacionado \u00e0 palavra \u00fatero. Acreditava-se que ele era um corpo dentro de outro corpo e causava comportamentos estranhos em mulheres cisg\u00eanero: desejo sexual elevado, n\u00e3o performar feminilidade, demonstrar sentimentos demais ou at\u00e9 mesmo tonturas, dores e paralisias, que podiam ser todos levados em considera\u00e7\u00e3o para o diagn\u00f3stico<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Sigmund Freud, mais adiante, come\u00e7ou a relacionar a repress\u00e3o sexual com traumas inconscientes, ainda ligando a situa\u00e7\u00e3o ao conflito das mulheres com sua feminilidade. Ao longo dos s\u00e9culos surgiram alguns tratamentos para a histeria, entre eles, a massagem p\u00e9lvica realizada pelos pr\u00f3prios m\u00e9dicos, o que levou \u00e0 inven\u00e7\u00e3o do vibrador como instrumento cl\u00ednico e estabeleceu a ideia de que a histeria era um problema de descontrole nervoso, uma \u201cdoen\u00e7a\u201d dos nervos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Existem coisas que n\u00e3o podem ser ditas por mulheres. Ser feitas por mulheres. Barreiras que n\u00e3o podem ser ultrapassadas por mulheres. At\u00e9 mesmo seguir profiss\u00f5es que tratam de assuntos considerados tabus, rompe com as expectativas de feminilidade. \u201cFalar abertamente sobre eu ser sex\u00f3loga era assustador, ia passar uma imagem ruim. E claro que isso foi quebrado. Hoje, sou respeitada profissionalmente e obviamente vou ser considerada louca porque fujo dos padr\u00f5es. Todas as mulheres que fogem dos padr\u00f5es, s\u00e3o loucas\u201d, critica Karina.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Esse diagn\u00f3stico foi usado por muitos anos para invalidar a\u00e7\u00f5es ou decis\u00f5es de mulheres em relacionamentos, no mercado de trabalho ou no dia a dia com suas fam\u00edlias, amigos, entorno. \u201cA pauta desse movimento [feminista] no final do s\u00e9culo XIX n\u00e3o era a histeria. Mas, embutido nessa quest\u00e3o das sufragistas, a gente pode considerar que essa forma de repress\u00e3o sexual vai tamb\u00e9m se dedicar \u00e0 autonomia dos corpos. As mulheres querem autonomia social\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-2-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5116\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-2-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-2-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-2-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-2-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/HISTERIA-2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Carolina Toffanetto passou por um relacionamento de sete anos com Matheus, conhecido como \u201cbom-mo\u00e7o\u201d pela sua fam\u00edlia e pela cidade. A fam\u00edlia dele a adorava, at\u00e9 o t\u00e9rmino, em outubro de 2022. Ele morava em outro estado e espalhou que Carolina era louca, hist\u00e9rica e n\u00e3o o deixava em paz durante seus meses de relacionamento \u00e0 dist\u00e2ncia. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">A m\u00e3e de Matheus dizia que Carolina tinha magoado seu filho, e o restante da fam\u00edlia tinha a mesma opini\u00e3o. \u201cO discurso dos tios era: \u2018N\u00e3o, ela n\u00e3o era para ele, ela era muito <\/span><b>desajustada<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, gostava de festa, bebida, tinha um cabelo colorido, piercing, essas coisas assim\u2019\u201d, relata.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Os gostos das mulheres, em especial se fogem \u00e0 norma, s\u00e3o usados para desqualific\u00e1-las, sempre que preciso. Como um homem com boa imagem causaria algum mal? Principalmente se ela n\u00e3o agiu como se espera de uma mulher comprometida.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A interseccionalidade, ou seja, as diversas camadas que determinam a exist\u00eancia de uma pessoa, tamb\u00e9m tem um peso diferente para as mulheres de diferentes classes econ\u00f4micas. As mulheres com menor renda, as trabalhadoras, n\u00e3o t\u00eam a mesma cobran\u00e7a moral que as mulheres com mais recursos financeiros. Giovana explica que \u201cas mulheres de classe alta s\u00e3o o ideal a seguir na sociedade\u201d e as menos abastadas \u201cs\u00e3o muitas vezes deixadas de lado. Elas est\u00e3o ali para servir, em certo sentido\u201d. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estat\u00edstica (IBGE), em 2022, 49,1% dos lares brasileiros eram chefiados por mulheres. \u201cTenho muito orgulho e felicidade em dizer que trabalho firmemente em conjunto com as pacientes, para que elas n\u00e3o ajam dessa forma, para que sejam livres, independentes e fr\u00e1geis se quiserem, sem cobran\u00e7a\u201d, afirma Karina.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Apesar das diferen\u00e7as sociais e econ\u00f4micas entre as mulheres, h\u00e1 um ponto em comum que atravessa todas essas experi\u00eancias: a press\u00e3o constante para atender a um padr\u00e3o ideal de comportamento e apar\u00eancia. Essa expectativa, muitas vezes silenciosa, cria um modelo de feminilidade que se imp\u00f5e de forma sutil, mas poderosa. \u00c9 nesse contexto que se consolida a figura da \u201cmulher complicada e perfeitinha\u201d, um ideal constru\u00eddo ao longo do tempo, que continua influenciando como as mulheres devem se portar, se vestir e at\u00e9 sentir.<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-67836c3b9197cb8124a40da5242100eb\"><strong>\u201cComplicada e Perfeitinha\u201d<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A figura da mulher ideal carrega uma s\u00e9rie de exig\u00eancias que foram transformadas ao longo dos anos, mas mant\u00e9m alguns padr\u00f5es: ser bonita, mas discreta; manter a casa em ordem; ter filhos e cuidar dos filhos; ser desej\u00e1vel, sem ser provocante. A apar\u00eancia deve ser impec\u00e1vel, o comportamento contido, a vida sob controle. Apesar dos avan\u00e7os sociais, o modelo de perfei\u00e7\u00e3o feminina ainda \u00e9 uma regra silenciosa, mas presente.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Essas imposi\u00e7\u00f5es v\u00e3o al\u00e9m do desejo de agradar e viram padr\u00f5es que moldam escolhas, a autoestima e o comportamento de milhares de mulheres, e cobram uma conformidade exaustiva. Susan Tirloni, 29 anos, \u00e9 modelo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">plus size <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e sente o peso das exig\u00eancias sobre as mulheres. \u201cEu tentei ser perfeita para a minha fam\u00edlia, para o meu pai, e n\u00e3o conseguia\u201d, afirma a modelo.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5118\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-1-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-1-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Susan conta que sofreu <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">bullying <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">familiar por estar acima do peso, o que afetou sua autoestima na adolesc\u00eancia. Ela tentou mudar o corpo para agradar parentes e parceiros, aderindo a dietas extremas para emagrecer r\u00e1pido, mas isso tamb\u00e9m gerou cr\u00edticas. \u201cN\u00e3o queria fazer dieta, n\u00e3o queria ir na nutricionista, n\u00e3o queria fazer exerc\u00edcio. Queria, para ontem, perder 10 quilos. Quando isso veio a p\u00fablico, tive muito<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> feedback <\/span><span style=\"font-weight: 400\">negativo de pessoas vindo no meu<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> direct <\/span><span style=\"font-weight: 400\">me xingar. Mas tamb\u00e9m teve outras pessoas que super entenderam o que eu estava passando\u201d, compartilhou Susan.<br><\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">N\u00e3o queria fazer dieta, n\u00e3o queria ir na nutricionista, n\u00e3o queria fazer exerc\u00edcio. Queria, para ontem, perder 10 quilos. Quando isso veio a p\u00fablico, tive muito feedback negativo de pessoas vindo no meu direct me xingar. Mas tamb\u00e9m teve outras pessoas que super entenderam o que eu estava passando<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo enfrentando rejei\u00e7\u00f5es e julgamentos, Susan conquistou espa\u00e7o em campanhas de marcas como<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Ashua Curve, da Renner; Bonjour e Dove<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">; al\u00e9m de algumas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">boutiques<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> em Campo Grande. Ela enxerga avan\u00e7os na moda quanto \u00e0 inclus\u00e3o de corpos diversos, mas ainda v\u00ea muita coisa que precisa mudar. \u201cSe a grande maioria est\u00e1 um pouco acima do peso, como vai vestir s\u00f3 cabide?\u201d, questiona a modelo.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Para ela, promover diversidade n\u00e3o \u00e9 romantizar a obesidade, mas normalizar corpos reais, uma pessoa que tem gordura, culote, estrias e celulites. A mulher perfeita n\u00e3o existe &#8211; o essencial \u00e9 o respeito e o cuidado com a sa\u00fade. A ca\u00e7ada pelo corpo perfeito acaba adoecendo diversas pessoas na tentativa de estarem bem consigo mesmas. A beleza n\u00e3o \u00e9 uma verdade \u00fanica. Ela muda de acordo com a \u00e9poca, a cultura, o lugar e a classe social.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A modelo observa que o que hoje se chama de harmonia ou equil\u00edbrio do corpo \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o da sociedade, e n\u00e3o algo natural. N\u00e3o \u00e9 o formato do corpo, a cor da pele, o cabelo, o peso ou a altura que definem o valor de uma pessoa. A pergunta que fica \u00e9: beleza para quem e para qu\u00ea? O padr\u00e3o existe mais para controlar do que para aceitar a diversidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A ideia de perfei\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparece quando se fala do comportamento das mulheres. Susan admira a for\u00e7a de quem consegue dar conta de tudo. Para ela, sua av\u00f3 \u00e9 o maior exemplo. Ela \u201cmorava na ro\u00e7a, cozinhava para todo mundo, deu educa\u00e7\u00e3o para a minha m\u00e3e, para o meu tio, cuidou do marido\u201d. Como muitas mulheres, Susan v\u00ea nesse modelo, que junta trabalho, fam\u00edlia e autocuidado, o ideal a ser seguido. Isso mostra como o padr\u00e3o de perfei\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da apar\u00eancia e imp\u00f5e cobran\u00e7as no modo de viver.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A press\u00e3o por um padr\u00e3o \u00fanico de beleza e comportamento afeta diretamente a autoestima feminina, impondo a busca constante pela perfei\u00e7\u00e3o. No trabalho, espera-se que sejam competentes e bem-sucedidas, mas tamb\u00e9m carinhosas e gentis.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Kiohara Schwaab, 30 anos, \u00e9 modelo, atriz, jornalista e m\u00e3e. Mesmo dentro dos padr\u00f5es tradicionais de beleza &#8211; mulher branca, magra e de cabelos lisos -, enfrentou os desafios impostos pela sociedade. Possui quadril largo e para sua carreira de modelo, de acordo com ela, isso era inadmiss\u00edvel. \u201cComo que se perde o quadril? N\u00e3o tem como, s\u00f3 se eu lixasse meu osso. Entrei em uma paranoia. Fiquei pensando que precisava emagrecer, emagrecer, emagrecer, at\u00e9 que fiquei um palito mesmo\u201d, lembra a atriz.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Como que se perde o quadril? N\u00e3o tem como, s\u00f3 se eu lixasse meu osso. Entrei em uma paranoia. Fiquei pensando que precisava emagrecer, emagrecer, emagrecer, at\u00e9 que fiquei um palito mesmo<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A press\u00e3o social \u00e9 algo t\u00e3o expressivo que mesmo estando no padr\u00e3o considerado ideal, a mulher ainda \u00e9 julgada. Se \u00e9 muito bonita, se torna uma amea\u00e7a aos relacionamentos alheios. Se \u00e9 magra, branca, loira, em 2025 ser\u00e1 questionada pela press\u00e3o social. Quem estava confort\u00e1vel ou se esfor\u00e7ou a vida inteira para acessar o padr\u00e3o, hoje pode ter que lidar com o questionamento desses mesmos estere\u00f3tipos. Esse foi o caso de Kiohara, que j\u00e1 perdeu empregos por conta dessa press\u00e3o que muda de tempos em tempos, a depender da localidade, idade, cultura, classe social.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Como m\u00e3e, se preocupa com o impacto desses padr\u00f5es na filha. Desde cedo, meninas s\u00e3o educadas para cuidar de si e dos outros, e estarem sempre arrumadas. Kiohara diz que sua filha j\u00e1 expressa ideias sobre beleza com as quais ela n\u00e3o se identifica, e tenta ensin\u00e1-la a questionar esses conceitos. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A atriz conta que um dia sua filha comentou que n\u00e3o queria mais ter cabelo curto, porque era \u201cfeio\u201d. Kiohara, ent\u00e3o, questionou a filha sobre achar cabelo curto feio e ela apenas respondeu que cabelo comprido \u00e9 mais bonito. Para mudar o pensamento da menina, a m\u00e3e perguntou sobre a origem de tais ideias.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Como jornalista, tamb\u00e9m foi julgada pela apar\u00eancia e precisou reafirmar seu valor profissional. Atuando com assessoria de imprensa, geralmente assessorava homens e ouvia frases como: \u201cvoc\u00ea \u00e9 bonita, por que voc\u00ea n\u00e3o aproveita isso para fazer mais dinheiro?\u201d ou \u201cpor que voc\u00ea n\u00e3o aproveita isso para vender seu servi\u00e7o, uma foto ou um v\u00eddeo para tal pessoa?\u201d Kiohara desabafa que \u00e9 sempre um homem que faz esses questionamentos, como uma demanda.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A constru\u00e7\u00e3o dessa mulher \u201cperfeita\u201d vem desde a Antiguidade, com normas sociais, religiosas e culturais que limitaram sua autonomia e refor\u00e7aram a submiss\u00e3o aos homens. Segundo a historiadora Giovanna Trevelin, esse processo est\u00e1 ligado ao patriarcado &#8211; sistema social baseado na supremacia masculina, em que os homens centralizam o poder e definem normas que moldam a vida das mulheres. \u201cEssas perspectivas do patriarcado acabam refor\u00e7ando e modificando esses padr\u00f5es nas mulheres&#8221;, afirma a historiadora.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-2-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5119\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-2-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-2-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-2-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-2-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Tanto Susan quanto Kiohara j\u00e1 se sentiram inseguras com seus corpos por buscarem aceita\u00e7\u00e3o masculina. Susan queria ser perfeita para o pai e o ex-namorado. Kiohara queria se manter valorizada em um ambiente dominado por homens. \u201cEssas quest\u00f5es j\u00e1 entraram em mim, de tentar atingir esse padr\u00e3o que na verdade \u00e9 totalmente masculino\u201d, define Kiohara.<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-def41f30d9e457aa27425f307e8aab9d\"><strong>\u201cPra nos oprimir?\u201d<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Al\u00e9m do patriarcado, a moral cat\u00f3lica criou uma figura feminina idealizada e, muitas vezes, inating\u00edvel. Esperava-se que a mulher fosse casta, obediente, recatada e dedicada aos outros, baseada na moral religiosa de Maria, a virgem m\u00e3e de Jesus. Com a crescente influ\u00eancia da Igreja, as mulheres passaram a ser vistas como moralmente inferiores, submetidas a um modelo que restringia sua atua\u00e7\u00e3o ao papel de m\u00e3e e esposa. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">O patriarcado se utiliza dessa concep\u00e7\u00e3o religiosa e a adapta \u00e0s mudan\u00e7as sociais, mantendo o controle sobre a vida das mulheres e refor\u00e7ando um comportamento social adoecido. A psic\u00f3loga Karina Brum percebe essa adapta\u00e7\u00e3o, quando escuta mulheres em sua cl\u00ednica dizendo que o papel da mulher \u00e9 cuidar da casa, ser uma boa m\u00e3e e uma boa esposa, servindo ao marido.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Na era digital, essas imposi\u00e7\u00f5es se tornaram mais acess\u00edveis e potencializam a compara\u00e7\u00e3o e a autocobran\u00e7a, afetando a sa\u00fade mental. \u201cPor pertencer a uma realidade financeira, social ou pol\u00edtica diferente, ela se sente fracassada, porque n\u00e3o \u00e9 igual as pessoas que vendem as imagens [perfeitas] na internet\u201d, analisa Brum.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Os estere\u00f3tipos afetam a sa\u00fade mental feminina, provocando altos \u00edndices de depress\u00e3o, ansiedade e dist\u00farbios alimentares. O estudo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Calend\u00e1rio da Sa\u00fade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do Instituto de Setor de Opini\u00e3o P\u00fablica de Sondagem (Ipsos), de 2024, aponta que 45% dos entrevistados sofrem de ansiedade, sendo 55% destes, mulheres. Os que relataram depress\u00e3o somam 19%, sendo 24% mulheres e 13% homens.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A psic\u00f3loga explica que autoestima e a sa\u00fade mental est\u00e3o ligadas \u00e0 apar\u00eancia e \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o, sobretudo familiar, buscando ser a filha que o pai e a m\u00e3e sempre desejaram. Essa cobran\u00e7a vem desde a inf\u00e2ncia, como no caso de Susan. A psic\u00f3loga aponta que mulheres que tentam agradar a todos e se encaixar em padr\u00f5es irreais sofrem emocionalmente, pois n\u00e3o querem decepcionar a quem amam. \u201c\u00c9 muito complicado para algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 ouvida dentro da pr\u00f3pria casa, e convive socialmente com as pessoas, se respeitar e entender que ela n\u00e3o tem que ser igual\u201d, acrescenta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Padr\u00f5es est\u00e9ticos, portanto, influenciam o comportamento feminino, e qualquer desvio \u00e9 tratado como falha. Um exemplo \u00e9 a expectativa sobre as meninas terem que sentar de pernas fechadas e usarem roupas ditas femininas. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o define a feminilidade de nenhuma mulher.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A press\u00e3o por uma exist\u00eancia ideal afeta as mulheres em todos os campos: no trabalho, nos v\u00ednculos sociais e nas escolhas de carreira, entre outros. Assustadoramente, meninas ainda s\u00e3o induzidas a profiss\u00f5es vistas como femininas. \u201cEla n\u00e3o pode ser uma ortopedista, uma urologista, tem que trabalhar com algo mais feminino\u201d, explica Brum.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">As redes sociais amplificam essas cobran\u00e7as. Imagens filtradas de m\u00e3es empreendedoras e mulheres \u201cque d\u00e3o conta de tudo\u201d refor\u00e7am um ideal inalcan\u00e7\u00e1vel. \u201cVoc\u00ea vai fazer o seu melhor dentro da sua realidade, porque voc\u00ea consegue fazer. Vai ser muito bem feito, mas dentro da sua realidade, respeitando a sua viv\u00eancia atual, a sua exist\u00eancia\u201d, \u00e9 o que ela fala para suas pacientes.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Voc\u00ea vai fazer o seu melhor dentro da sua realidade, porque voc\u00ea consegue fazer. Vai ser muito bem feito, mas dentro da sua realidade, respeitando a sua viv\u00eancia atual, a sua exist\u00eancia<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Esses estere\u00f3tipos alimentam a viol\u00eancia f\u00edsica, emocional, sexual e patrimonial contra a mulher. Brum explica que antes da viol\u00eancia f\u00edsica, geralmente a mulher j\u00e1 sofreu outros tipos de abuso. A falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o contribui para a aceita\u00e7\u00e3o dessas situa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 estrutural e cultural, alimentada por padr\u00f5es patriarcais. Segundo dados das Secretarias Estaduais de Seguran\u00e7a, com base no Censo 2022 do IBGE, MS \u00e9 o segundo estado com maior \u00edndice de feminic\u00eddio. De 2015 a 2025, o estado registrou 346 casos, segundo o Monitor da Viol\u00eancia Contra a Mulher. <span style=\"font-weight: 400\">Nesse sentido, Brum defende a import\u00e2ncia da psicoeduca\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o sexual e conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os direitos das mulheres para combater a viol\u00eancia.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo ela, a educa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o para viver. \u201cN\u00e3o \u00e9 trabalhar em cima do vitimismo ou do assistencialismo, mas sim de uma cultura onde as pessoas, principalmente as mulheres, saibam o que significa o estupro marital (quando o parceiro n\u00e3o se importa se a mulher est\u00e1 acordada, consciente ou preparada para o ato sexual e a penetra sem consentimento). Porque na cabe\u00e7a dele, voc\u00ea \u00e9 mulher dele. E qual \u00e9 o problema? T\u00f4 fazendo sexo com a minha esposa\u201d. <\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Tain\u00e1 Jara, jornalista e pesquisadora de estudos de g\u00eanero, destaca que a imprensa refor\u00e7a o desprezo e o controle sobre corpos e vidas femininas. A mulher \u00e9 atacada em sua intimidade, e os marcadores de feminilidade se tornam alvos, muitas vezes resultando em feminic\u00eddio.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-3-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5120\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-3-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-3-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-3-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-3-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-3-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-3-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/PERFEITA-3.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">De acordo com a jornalista, essas viol\u00eancias s\u00e3o incorporadas sutilmente pelo capitalismo para estimular o consumo midi\u00e1tico, moldando n\u00e3o s\u00f3 os corpos, com estere\u00f3tipos de magreza e diversas formas de padroniza\u00e7\u00e3o, mas atingindo tamb\u00e9m a subjetividade feminina. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A press\u00e3o est\u00e9tica, somada a desigualdades de etnia, classe, localiza\u00e7\u00e3o e defici\u00eancia, dificulta uma representa\u00e7\u00e3o justa das mulheres, segundo Jara. \u201cTodo esse ac\u00famulo pode levar a uma esp\u00e9cie de neutraliza\u00e7\u00e3o, apesar dos in\u00fameros eventos hist\u00f3ricos de resist\u00eancia das mulheres. Sobrevivemos at\u00e9 hoje por eles\u201d, refor\u00e7a.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Para ela, a imprensa e as redes sociais podem se tornar aliadas da transforma\u00e7\u00e3o feminista se, houver compromisso com a mudan\u00e7a cultural. \u201cEnvolve um pacto social em torno do feminismo, ou seja, de todas as iniciativas no sentido de buscar a equidade entre homens e mulheres\u201d, afirma a jornalista.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A luta por liberdade e autenticidade segue, mas o movimento que rejeita o ideal da mulher perfeita cresce. Em vez de trocar um padr\u00e3o por outro, prop\u00f5e-se romper com a l\u00f3gica da norma \u00fanica e valorizar a pluralidade das experi\u00eancias. O futuro da feminilidade est\u00e1 na diversidade, sem imposi\u00e7\u00f5es que limitem ou silenciem. Como cantava Elza Soares para que n\u00e3o nos calemos, pra que explorar? Pra que destruir? Por que obrigar? Por que coagir? Pra que abusar? Pra que iludir? E violentar, pra nos oprimir?<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-f458a95f107ceae2e943615732d3cd84\"><strong>\u201cN\u00e3o sou freira, nem sou puta\u201d<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">As discuss\u00f5es sobre a sexualidade feminina sempre estiveram presentes nas diferentes sociedades. De acordo com a historiadora Gabriela Trevelin, durante a Era Vitoriana (1837 a 1901), n\u00e3o existia a sexualidade feminina, uma vez que as mulheres eram consideradas incapazes de sentir prazer. Mas esse entendimento, como explica a historiadora, era baseado em um mito sobre o \u00f3rg\u00e3o reprodutor feminino, no qual o \u00fatero seria um parasita respons\u00e1vel por todos os desejos e que as mulheres n\u00e3o tinham nenhum controle sobre ele.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">O controle do corpo das mulheres foi um dos pilares para a manuten\u00e7\u00e3o do sistema patriarcal, n\u00e3o apenas na quest\u00e3o est\u00e9tica, mas tamb\u00e9m em como as mulheres teriam acesso ao sexo, ou poderiam se expressar sexualmente. Como explica a historiadora, a mulher passou a ser considerada adequada apenas quando agia de acordo com a moral crist\u00e3. \u201cA sexualidade feminina \u00e9 voltada para essa moral religiosa, sempre repreendida e reprimida, servindo para atender ao homem e aos seus desejos sexuais, sempre colocado hierarquicamente como superior\u201d, ela comenta.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A press\u00e3o pela perfei\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m gera sobrecarga no campo sexual. A psic\u00f3loga Karina Brum explica que as delimita\u00e7\u00f5es do que \u00e9 ser mulher e qual papel \u00e9 preciso desempenhar sempre foram um fardo para as mulheres, que afeta, em especial, as jovens. Por\u00e9m, atualmente, parece que h\u00e1 maior liberdade para lidar com a sexualidade e de maneira mais permissiva.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Brum, geralmente mulheres que est\u00e3o em relacionamentos h\u00e1 muito tempo, raramente t\u00eam orgasmos, e sempre desempenham um papel de serventia \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o do outro. \u201cA<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> maioria das m\u00e3es e mulheres que t\u00eam entre 45 e 60 anos tiveram uma educa\u00e7\u00e3o mais moralista e tradicional. O que acarreta uma ansiedade muito grande e isso gera, ao longo dos anos, doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas, como artrite, artrose, lupus, etc.\u201d, pontua a psic\u00f3loga.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">O problema \u00e9 que o universo sexual sempre foi um campo muito restrito \u00e0s mulheres. T\u00e3o restrito que nem mesmo a sa\u00fade ginecol\u00f3gica e sexual p\u00f4de ser conversada. Quando jovens, as mulheres, hoje com mais de 40 anos, enfrentaram ainda mais obst\u00e1culos para obter informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5121\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-1-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-1-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">\u00c9 o caso de Maria*, 46 anos, criada em uma fam\u00edlia cat\u00f3lica no interior do estado, que nunca conversou sobre educa\u00e7\u00e3o sexual em casa. \u201cA primeira vez que fui ao ginecologista foi quando tive a minha filha mais velha, aos 19&nbsp; anos. Ent\u00e3o, comecei a ter algum tipo de ensinamento sobre o assunto com as mulheres da minha fam\u00edlia\u201d, lembra.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Al\u00e9m de nunca ter tido algum tipo de esclarecimento sobre sua sa\u00fade sexual e ginecol\u00f3gica, Maria lembra que desde pequena foi ensinada a esconder sua menstrua\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Mesmo com vinte anos de diferen\u00e7a, a hist\u00f3ria da cineasta Lorena Scarpel, 26 anos, tem um ponto em comum com a gera\u00e7\u00e3o de Maria: a primeira vez que se consultou com um\/a ginecologista foi aos 19 anos. Apesar de tamb\u00e9m ter nascido em uma fam\u00edlia cat\u00f3lica, ela se desvinculou da religi\u00e3o. Ainda que sua fam\u00edlia fosse menos r\u00edgida, n\u00e3o foi o suficiente para que ela tivesse acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual em casa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Depois de muito tempo de uma, praticamente, autodescoberta, Lorena se define com uma mulher assexual e arrom\u00e2ntica (que sente pouca ou nenhuma atra\u00e7\u00e3o sexual e rom\u00e2ntica). Foi a falta de conhecimento sobre sexulidade e espa\u00e7os para conversar sobre sexo que dificultaram esse entendimento. Por esse motivo, passou por constrangimentos durante a adolesc\u00eancia, e se sentia coagida a responder \u00e0s expectativas sociais. Mentir foi a solu\u00e7\u00e3o encontrada para se encaixar. Enquanto suas amigas expressavam abertamente suas atra\u00e7\u00f5es e desejos por outras pessoas, ela mesma nem entendia o que sentia.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">O medo de n\u00e3o pertencer \u00e0 um grupo fez com que ela tivesse a sua primeira rela\u00e7\u00e3o sexual apenas por vontade de pertencimento. \u201cA todo o momento, at\u00e9 eu transar com um garoto, eu pensava que tinha um roteiro para seguir e precisava seguir at\u00e9 o final. Mas n\u00e3o me sentia atra\u00edda por ele, e a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o foi legal para mim, ainda que eu tivesse consentido\u201d.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A falta de controle sobre suas pr\u00f3prias sexualidades faz com que as mulheres se vejam obrigadas a desempenhar um comportamento padr\u00e3o, que em grande parte das vezes n\u00e3o condiz com o que elas s\u00e3o. A psic\u00f3loga explica que mulheres criadas nesse ideal de perfei\u00e7\u00e3o podem entrar em conflito com os seus pr\u00f3prios desejos, que n\u00e3o condizem com o que foi ensinado a elas. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Em diferentes situa\u00e7\u00f5es, mulheres como Lorena, acabam agindo para corresponder \u00e0s expectativas do outro ao inv\u00e9s de suas pr\u00f3prias. \u201cUma mulher veio ao meu consult\u00f3rio porque estava com dificuldade de ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com seu marido, porque toda vez ela lembrava de como o pai a considerava uma princesinha. E por ser a princesinha dos olhos dele, ela n\u00e3o podia decepcionar e tinha que morrer virgem\u201d, conta a psic\u00f3loga. \u00c9 absurdo, mas a sexualidade feminina \u00e9, por muito tempo, mais um dom\u00ednio social do que uma quest\u00e3o individual.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Boa parte das quest\u00f5es que cercam os estere\u00f3tipos femininos est\u00e3o ligadas \u00e0 sexualidade feminina. Brum ressalta que um dos mitos que mais causam sofrimento para as mulheres atualmente \u00e9 o de jamais demonstrar desejo e querer procurar algu\u00e9m, para n\u00e3o ficarem mal faladas. Essa \u00e9 uma realidade que Maria conhece muito bem, mesmo ap\u00f3s ter criado duas filhas, ter um emprego est\u00e1vel e ser uma mulher solteira. Ela n\u00e3o se sente livre para ter parceiros sexuais.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Morando no interior de MS, antes de pensar em seus desejos sexuais, Maria pensa no que podem pensar dela. \u201cMesmo que hoje falar sobre sexo tenha se tornado algo natural, ainda sinto receio do julgamento das pessoas de uma cidade pequena. Mas j\u00e1 me privei [sexualmente] muito mais, e com o tempo consegui deixar de ligar tanto para a opini\u00e3o das pessoas\u201d, explica.&nbsp;<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-bb0675a3be8b9aea9986dc98f1c4b293\"><strong>Educa\u00e7\u00e3o sexual: ferramenta de resili\u00eancia<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Mas o que \u00e9 esperado da sexualidade feminina quando h\u00e1 tantas barreiras? A historiadora Giovanna Trevelin explica que a separa\u00e7\u00e3o da mulher dos seus pr\u00f3prios desejos sexuais foi necess\u00e1ria para que ela pudesse ser encaixada no papel de m\u00e3e. Uma outra mulher, da devo\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o das filhas e filhos e \u00e0 fam\u00edlia. Ela explica que ser mulher \u00e9 algo que foi sempre atrelado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, e que os estere\u00f3tipos que surgem a partir disso refor\u00e7am esse papel reprodutor.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Por isso, o sexo foi visto, ao longo da hist\u00f3ria, como uma ferramenta de dom\u00ednio, e a sexualidade feminina foi tratada como algo a ser suprimido. A historiadora conta ainda que na Alemanha Nazista, por exemplo, o dever estabelecido para a mulher era o de casar, \u201cpassar da m\u00e3o do pai para a m\u00e3o do esposo\u201d.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Nem sempre fazer parte de&nbsp; fam\u00edlias mais liberais significa mais liberdade para as mulheres. A jornalista Ta\u00eds W\u00f6lfert, 25 anos, \u00e9 um exemplo de que n\u00e3o d\u00e1 para escapar de algo enraizado na sociedade. Criada por sua m\u00e3e, que sempre fez quest\u00e3o de que as duas filhas e o filho soubessem sobre educa\u00e7\u00e3o sexual, Ta\u00eds enfrentou um relacionamento abusivo entre seus 16 e 17 anos, e sofreu abuso sexual. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Apesar do di\u00e1logo aberto com a m\u00e3e, ela n\u00e3o tinha a mesma rela\u00e7\u00e3o com o pai. \u201cNaquela \u00e9poca, meu pai nunca usou essas palavras, mas deixava claro que pensava que eu n\u00e3o me dava o respeito. Eu me questionava o que era se dar ao respeito\u201d, conta a jornalista.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Naquela \u00e9poca, meu pai nunca usou essas palavras, mas deixava claro que pensava que eu n\u00e3o me dava o respeito. Eu me questionava o que era se dar ao respeito<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Ta\u00eds demorou anos para se relacionar sexualmente com outros homens, e a educa\u00e7\u00e3o sexual que recebeu a ajudou a n\u00e3o se privar de seus desejos. Ela entendeu que sua sexualidade e seus desejos n\u00e3o precisavam de um outro algu\u00e9m para existir, muito menos precisavam ser escondidos ou ignorados.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A educa\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 um escudo que protege as mulheres de serem v\u00edtimas de crimes como abusos sexuais. Na verdade, permite que as mulheres entendam n\u00e3o apenas pelo o que passam, mas tamb\u00e9m seu pr\u00f3prio prazer e tamb\u00e9m a ganhar confian\u00e7a para seguir as suas rela\u00e7\u00f5es. Em sua ess\u00eancia, a educa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 um passo fundamental para que toda a misoginia estrutural do Brasil possa ser revertida, e para que os homens n\u00e3o sejam criados em ideias de supremacia masculina.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-3-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5123\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-3-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-3-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-3-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-3-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-3-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-3-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-3.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Apesar do relacionamento abusivo ter impactado seu comportamento, tornando-a \u201ctensa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica sexual\u201d, Ta\u00eds usou da masturba\u00e7\u00e3o como uma forma de se conhecer, se entender melhor e ficar mais confort\u00e1vel com a sua pr\u00f3pria sexualidade. \u201cHoje em dia, consigo olhar de forma ego\u00edsta para o meu lado, ent\u00e3o antes de querer causar prazer para ele, preciso sentir o meu prazer primeiro\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Brum conta que muitas mulheres nem mesmo conseguem entrar em um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sex shop <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">sem se sentirem culpadas por estarem ali e n\u00e3o usando o tempo para estudar ou cuidar da casa, por exemplo. \u201cEu escuto com mais frequ\u00eancia do que gostaria, mulheres falando que \u00e9 normal para o homem frequentar um puteiro, mas quando falamos de uma mulher em um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sex shop,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> a resposta \u00e9 sempre preocupada em ser vista e o que podem pensar\u201d, comenta. <\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">As conven\u00e7\u00f5es sociais ditam que as mulheres devem ser mais passivas e submissas quando o assunto \u00e9 sexo, porque os homens possuem desejos latentes e institivos. \u201cEssa conven\u00e7\u00e3o n\u00e3o funciona, porque se a gente fala isso, afirmamos que o homem \u00e9 animalesco, porque s\u00f3 os animais possuem um c\u00e9rebro n\u00e3o desenvolvido que pensa apenas em saciar o instinto\u201d, esclarece.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">A<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> sexualidade feminina, ou a forma como ela \u00e9 expressada, n\u00e3o \u00e9 apenas suprimida pela sociedade patriarcal que precisa reafirmar a masculinidade tamb\u00e9m por esse caminho, ela \u00e9 usada como ferramenta de agress\u00e3o contra a pr\u00f3pria mulher. No Brasil h\u00e1 um vasto vocabul\u00e1rio de ofensas que tem como base o sexo e o feminino.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Maria \u00e9 mais uma, entre milhares de mulheres, que em um momento de discuss\u00e3o teve a moral atacada por conta da sexualidade. Diz que durante seu casamento, nas brigas, foi chamada de vagabunda, puta e outros xingamentos. Essa viol\u00eancia \u00e9 um dos resultados da opress\u00e3o \u00e0s mulheres.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">O \u00e1pice da viol\u00eancia de g\u00eanero, seja para mulheres cisgenero ou transg\u00eanero, transexuais e travestis, \u00e9 o feminic\u00eddio (saiba mais no infogr\u00e1fico na p\u00e1gina 20). No Brasil, a m\u00e9dia \u00e9 de dez feminic\u00eddios por dia, segundo o Atlas da Viol\u00eancia de 2025. Em dez anos (2013 a 2023), 47.463 mulheres foram assassinadas no pa\u00eds. Em Mato Grosso do Sul, o Monitor da Viol\u00eancia Contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, apontou que entre 2015 e 2025, 346 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-2-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5122\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-2-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-2-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-2-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-2-200x200.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/SEXUALIDADE-2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">A jornalista e doutoranda em comunica\u00e7\u00e3o, Rafaela Fl\u00f4r, explica que \u00e9 poss\u00edvel perceber, nesses crimes, o controle sobre o corpo feminino. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Em casos mais violentos, mais brutais, existe essa demonstra\u00e7\u00e3o de poder sobre aquele corpo. Ent\u00e3o, virilha, seio, rosto s\u00e3o atacados e as roupas s\u00e3o arrancadas. Os corpos s\u00e3o ali deixados \u00e0 vergonha\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Em casos mais violentos, mais brutais, existe essa demonstra\u00e7\u00e3o de poder sobre aquele corpo. Ent\u00e3o, virilha, seio, rosto s\u00e3o atacados e as roupas s\u00e3o arrancadas. Os corpos s\u00e3o ali deixados \u00e0 vergonha<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Por\u00e9m, se a sexualidade feminina foi constru\u00edda pela sociedade patriarcal como um instrumento de controle e de coer\u00e7\u00e3o, com o passar do tempo, as mulheres reivindicaram o direito a uma sexualidade saud\u00e1vel, consciente e empoderada de suas pr\u00f3prias vontades e necessidades sexuais. \u00c9 preciso refor\u00e7ar, ainda, que essa energia er\u00f3tica n\u00e3o \u00e9 apenas gasta no ato sexual, existem diversas formas de sentir prazer.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Para Lorena, ser uma mulher assexual ainda n\u00e3o \u00e9 algo totalmente resolvido, mas ela descobriu que conhecer seus limites foi fundamental para entender e come\u00e7ar a viver uma vida mais confort\u00e1vel consigo mesma. \u201cDesde o ano passado, estou me relacionando com uma pessoa e est\u00e1 sendo bem legal <\/span><span style=\"font-weight: 400\">entender os meus limites, os limites da pessoa, o que me sinto confort\u00e1vel ou n\u00e3o de fazer, e conversar sobre tudo isso com ela\u201d, conta.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Ta\u00eds <\/span><span style=\"font-weight: 400\">tamb\u00e9m enxerga o autoconhecimento e a compreens\u00e3o sobre o pr\u00f3prio corpo como essenciais para que as mulheres n\u00e3o acabem se deixando de lado para agradar os outros. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Os homens est\u00e3o sempre acostumados a serem agradados, mas eu tamb\u00e9m tenho que sentir prazer na hora do sexo. As mulheres tamb\u00e9m t\u00eam o direito de sentir prazer sexual\u201d, finaliza.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Os homens est\u00e3o sempre acostumados a serem agradados, mas eu tamb\u00e9m tenho que sentir prazer na hora do sexo. As mulheres tamb\u00e9m t\u00eam o direito de sentir prazer sexual<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">A fala de Ta\u00eds resume o que atravessa todas as hist\u00f3rias contadas neste caderno: a busca pela liberdade de sentir, escolher, mudar e existir. A sexualidade das mulheres sempre foi vigiada, reprimida ou usada contra elas, assim como o controle sobre seus corpos e comportamentos. Por tr\u00e1s de todos os estere\u00f3tipos que citamos, est\u00e1 o mesmo sistema: um que dita como elas devem agir, se vestir, falar, sentir e at\u00e9 o que devem calar.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Romper com esse sistema \u00e9 um ato coletivo. Ser dona do pr\u00f3prio corpo, da pr\u00f3pria sexualidade e das pr\u00f3prias decis\u00f5es ainda \u00e9 um direito que precisa ser defendido diariamente. As mulheres s\u00e3o plurais, diversas em corpos, desejos, trajet\u00f3rias e formas de existir. Nenhuma deve ser medida por um padr\u00e3o e nenhuma sociedade ser\u00e1 justa enquanto continuar pressionando e controlando os corpos femininos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-105\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 105<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A padroniza\u00e7\u00e3o e o controle dos corpos femininos ao longo dos s\u00e9culos Texto: Camille Filetto | Rebeca Ferro | Sarai BraunaIlustra\u00e7\u00f5es: Let\u00edcia Vit\u00f3ria Alves De onde v\u00eam as mulheres? N\u00e3o aquela mulher real, com desejos e falhas, mas a que foi moldada para agradar, obedecer e servir, feita para caber em regras preestabelecidas aqu\u00e9m delas. 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