{"id":5249,"date":"2025-07-10T16:21:39","date_gmt":"2025-07-10T20:21:39","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5249"},"modified":"2025-07-16T21:35:47","modified_gmt":"2025-07-17T01:35:47","slug":"entre-memorias-e-esquecimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/entre-memorias-e-esquecimentos\/","title":{"rendered":"Entre mem\u00f3rias e esquecimentos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">O dif\u00edcil processo de tentar desvendar as resist\u00eancias por tr\u00e1s da constru\u00e7\u00e3o da cultura brasileira<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-2e7a1e403426db9d13728fe2a4b1d542\"><strong>Texto: <a href=\"mailto:dayranny.amorim@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:dayranny.amorim@ufms.br\">Dayranny Amorim<\/a> | <a href=\"mailto:gabriel_b@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:gabriel_b@ufms.br\">Gabriel Barbosa<\/a> | <a href=\"mailto:grazielly.marangon@ufms.br\" data-type=\"mailto\" data-id=\"mailto:grazielly.marangon@ufms.br\">Grazielly Marangon<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando pensamos em cultura, neste caso a brasileira, \u00e9 comum pensarmos em estilos musicais populares, comidas t\u00edpicas e algumas outras produ\u00e7\u00f5es relacionadas, em geral, a entretenimento. Mas, efetivamente, o que \u00e9 cultura? A Declara\u00e7\u00e3o Universal da UNESCO afirma que \u201ca cultura deve ser considerada como o conjunto dos tra\u00e7os distintivos [&#8230;] que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange [&#8230;] os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradi\u00e7\u00f5es e as cren\u00e7as\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir dessa defini\u00e7\u00e3o, podemos nos perguntar: Ser\u00e1 que uma na\u00e7\u00e3o tem apenas uma cultura? Como a definimos? Uma \u00fanica cultura \u00e9 capaz de dar conta da mistura diversa e complexa dos povos que comp\u00f5em nosso pa\u00eds? E para al\u00e9m disso, como podemos identificar, descrever ou apresentar nossa cultura?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o sabemos as respostas, e, n\u00e3o sei se somos capazes de definir a estrutura &#8211; cultural &#8211; da sociedade brasileira. Mas, quando n\u00e3o pensamos nessa pluralidade cultural brasileira, e n\u00e3o tentamos entend\u00ea-la, \u00e9 dif\u00edcil compreender o que chamamos de Brasil.\u00a0 \u00c9 nesse momento que a s\u00edndrome do vira-lata <\/span><span style=\"font-weight: 400\">(veja no <a href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/glossario\/\">gloss\u00e1rio<\/a>)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, descrita pelo jornalista Nelson Rodrigues, aparece.\u00a0 A dificuldade que a\/o brasileira\/o tem em se definir talvez esteja na escancarada desvaloriza\u00e7\u00e3o da cultura nacional. N\u00f3s conhecemos pouco, entendemos pouco, valorizamos pouco nosso pr\u00f3prio pa\u00eds. Da geografia, passando pela hist\u00f3ria, pelas particularidades ambientais, pela cultura.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando nos aproximamos da nossa cultura, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o acessar a hist\u00f3ria nacional e as pr\u00e1ticas ligadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena. Muitas dessas pr\u00e1ticas, narrativas, conhecimentos, foram negados ou apagados ao longo dos anos, em prol\u00a0 de um suposto Brasil hegem\u00f4nico.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O passado e o presente, n\u00e3o s\u00f3 da cultura, como da hist\u00f3ria brasileira, est\u00e3o ligados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, \u00e0 escravid\u00e3o e \u00e0s relac\u00f5es interraciais do pa\u00eds, anteriores e posteriores a aboli\u00e7\u00e3o. As tentativas de embranquecimento racial, como aconteceu, por exemplo, durante o governo Vargas, foram al\u00e9m do mito da \u201cdemocracia racial\u201d <\/span><span style=\"font-weight: 400\">(veja no <a href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/glossario\/\">gloss\u00e1rio<\/a>)<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> e afetaram, tamb\u00e9m, a forma\u00e7\u00e3o da(s) cultura(s) nacional(is).<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ff0000\">O passado e o presente, n\u00e3o s\u00f3 da cultura, como da hist\u00f3ria brasileira, est\u00e3o ligados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, \u00e0 escravid\u00e3o e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es interraciais, anteriores e posteriores a aboli\u00e7\u00e3o.<\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A professora e doutoranda em Antropologia Social, Priscila Lini, aprofunda a discuss\u00e3o a partir da maneira racista com que a \u201cideia de na\u00e7\u00e3o brasileira\u201d foi constru\u00edda. \u201cN\u00f3s tivemos primeiro uma tentativa de branqueamento do fen\u00f3tipo brasileiro, e depois o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">whitewashing<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400\">(veja no <a href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/glossario\/\">gloss\u00e1rio<\/a>)<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> cultural. Um exemplo \u00e9 o futebol, que n\u00e3o \u00e9 mais uma forma de sociabilidade, e era um esporte predominantemente negro. A partir de agora o futebol \u00e9 um produto brasileiro. Isso at\u00e9 como forma de apaziguar eventuais problemas sociais que o racismo de fato trazia, mas que n\u00e3o se queria reconhecer\u201d, aponta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><b>Z\u00e9 Cariocas e Jecas Tatus\u00a0<\/b><\/p>\n\n\n\n<p>Monteiro Lobato criou o Jeca Tatu em 1914, um homem do interior, pregui\u00e7oso, miser\u00e1vel, ignorante e doente. Lobato representava o estere\u00f3tipo de parte da oligarquia paulista \u2014 aquela que, para ele, tinha grande responsabilidade pelo atraso do progresso brasileiro. Jeca Tatu exp\u00f5e como a classe privilegiada do pa\u00eds enxergava a popula\u00e7\u00e3o marginalizada, sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida. Aqueles que n\u00e3o eram seus iguais e que n\u00e3o ocupavam o mesmo espa\u00e7o que eles \u2014 ou seja, a maioria do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9 Carioca aparece pela primeira vez em 1942. Sua cria\u00e7\u00e3o aconteceu depois de uma visita de Walt Disney ao Brasil, em 1941. Z\u00e9 \u00e9 um papagaio antropom\u00f3rfico, (veja no <a href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/glossario\/\">gloss\u00e1rio<\/a>) extremamente pregui\u00e7oso, malandro, que engana pessoas com facilidade. Gosta de festas, principalmente do samba, n\u00e3o paga suas d\u00edvidas e flerta com muitas mulheres. Walt Disney o apresenta, numa confus\u00e3o entre cr\u00edtica e homenagem, como representa\u00e7\u00e3o do povo brasileiro e, principalmente, da cultura brasileira acessada fora do pa\u00eds. Para ele, Z\u00e9 Carioca era a representa\u00e7\u00e3o do brasileiro m\u00e9dio, bonach\u00e3o, alegre, receptivo, rotineiro nas ruas do Rio de Janeiro, centro do pa\u00eds na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da diferen\u00e7a de momentos hist\u00f3ricos e de quase 30 anos entre os personagens, ambos representam ideias muito fortes da suposta persona \u201ctipicamente\u201d brasileira e de caracter\u00edsticas nacionais acessadas at\u00e9 hoje. Um povo descompromissado, que ri da pr\u00f3pria desgra\u00e7a, jocoso, comunicativo, boa-vida, criativo, oper\u00e1rio\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Definir a cultura como uma s\u00f3, como um conglomerado nacional, sem pensarmos na diversidade dos Brasis, \u00e9 quase imposs\u00edvel. Por\u00e9m, podemos destrinchar alguns aspectos que a estruturam.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><b>A ra\u00edz da f\u00e9<\/b><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As cren\u00e7as e as estruturas religiosas do Brasil, frutos do sincretismo religioso <\/span><span style=\"font-weight: 400\">(veja no <a href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/glossario\/\">gloss\u00e1rio<\/a>) <\/span><span style=\"font-weight: 400\">s\u00e3o elementos culturais importantes do nosso pa\u00eds. Ao debater esse tema, \u00e9 importante ressaltar a disputa hist\u00f3rica que existia, e ainda existe, entre o catolicismo \u2013 a maior, em quantidade de fi\u00e9is; segundo o Censo Demogr\u00e1fico de 2022, 56.75% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 cat\u00f3lica &#8211; e as religi\u00f5es de matrizes africanas \u2013 perseguidas desde os tempos da escravid\u00e3o. O pai Juan S\u00e1ng\u00f2, da Casa de Caridade Dona Tida, em Campo Grande \u2013 MS, explica a origem do sincretismo no Brasil. \u201cOs primeiros escravizados trazidos para c\u00e1 foram pessoas de alto escal\u00e3o do povo banto. Eles usaram da sua intelig\u00eancia para poder cultuar as suas divindades, porque, quando chegaram, entenderam que tinha um ancestral nessa terra que precisava ser cultuado \u2014 e assim surge o culto caboclo\u201d, conta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa fus\u00e3o de diferentes doutrinas religiosas \u00e9 descrita pelo escritor, professor e mestre em Hist\u00f3ria Social, Luiz Ant\u00f4nio Simas, em seu livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Almanaque Brasilidades \u2013 Um invent\u00e1rio do Brasil popular<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, como uma forma de constru\u00e7\u00e3o cultural. O sincretismo pode ser entendido como um fen\u00f4meno de m\u00e3o dupla, funcionando tanto como estrat\u00e9gia de resist\u00eancia e controle \u2013 com nuances complexas \u2013\u00a0 quanto como uma express\u00e3o de f\u00e9.\u00a0 Simas acrescenta que a incorpora\u00e7\u00e3o de deuses e cren\u00e7as de outra doutrina \u00e9 vista, por muitos povos, como acr\u00e9scimo, e n\u00e3o, necessariamente, dilui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a espiritual. O fen\u00f4meno evidencia a resist\u00eancia de descendentes dos povos origin\u00e1rios e africanos que precisaram ressignificar, diariamente, a catequiza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de seus ancestrais, revivendo a pot\u00eancia da f\u00e9 e a luta dos que vieram antes deles. Grande parte da cultura, assim como da religi\u00e3o, oriundas dos n\u00e3o-europeus, foram s\u00edmbolos de resist\u00eancias e lutas contra o embranquecimento sociocultural. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><b>A M\u00fasica<\/b><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O samba, manifesta\u00e7\u00e3o das comunidades afro-brasileiras e derivado de ritmos africanos e ind\u00edgenas, desceu os morros e se instaurou nas coberturas da elite, reinterpretado com o\u00a0 nome de Bossa Nova. O novo g\u00eanero musical surgiu na zona sul carioca, fruto da fus\u00e3o do samba com o jazz norte americano. Foi criado por e para brancos da classe m\u00e9dia alta. Rapidamente, ficou conhecido no exterior como \u201cA cara do Brasil\u201d. Por\u00e9m, no pa\u00eds, esse estilo musical n\u00e3o chegou a metade da popula\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O professor e doutor em M\u00fasica, Evandro Higa, aborda o processo de domestica\u00e7\u00e3o dos primeiros sambas gravados. \u201cQuando o samba come\u00e7a a ser gravado, j\u00e1 vai sendo configurado de acordo com as normas da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica. Uma das das quest\u00f5es \u00e9 que, mesmo sendo sambas compostos por pessoas negras, quem gravava e quem conseguia espa\u00e7o eram os cantores e cantoras brancas\u201d, explica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O samba \u00e9 um exemplo de como aspectos da cultura brasileira s\u00e3o influenciados por fatores diversos e enredados. Historicamente, \u00e9 um ritmo que conecta saberes ind\u00edgenas e, em especial, deriva\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es de ritmos e dan\u00e7as africanas. Nasce, efetivamente, de um choque cultural, uma fus\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es e compassos diversos, importantes para sua pr\u00f3pria populariza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o ao longo dos anos; e a concretiza\u00e7\u00e3o de um dos principais s\u00edmbolos culturais brasileiros.<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\" \/>\n\n\n\n<p><b>O mito da unifica\u00e7\u00e3o brasileira: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">O falso sentimento de nacionalidade criado por Get\u00falio Vargas e as consequ\u00eancias desse ato<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A busca por uma defini\u00e7\u00e3o e um reconhecimento da identidade brasileira n\u00e3o \u00e9 um tema recente. A fr\u00e1gil, mas pertinente, ideia de que o brasileiro n\u00e3o se reconhece como um povo unificado virou tema de planos governamentais e de jogadas de poder que circularam o Brasil durante os anos. Uma delas aconteceu em 1937, quando Get\u00falio Vargas criou a \u201cCampanha de Nacionaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No momento, o pa\u00eds se encontrava no que ficou conhecido como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Era Vargas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Iniciado em 1930, o governo de Get\u00falio se estabeleceu de forma contradit\u00f3ria, com um golpe de estado, que foi definido por ele mesmo como \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de 1930\u201d. Vargas s\u00f3 deixou o poder em 1945 \u2014 maior tempo de governo na hist\u00f3ria do Brasil Rep\u00fablica. Seu mandato que, segundo a professora e Doutoranda em Antropologia Social, Priscila Lini, se estabeleceu em um vi\u00e9s populista e com flertes com o nazismo ascendente da \u00e9poca, teve altos e baixos dentro dessa ideia\u00a0 de constru\u00e7\u00e3o de um Brasil que se reconhecesse como na\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos primeiros sete anos de presid\u00eancia, Get\u00falio governou de forma menos autorit\u00e1ria, apesar das tentativas de centraliza\u00e7\u00e3o de poder. Entre 1937 e 1945, por\u00e9m,\u00a0 iniciou o Estado Novo, momento em que o governo tornou-se ditatorial. Ele conseguiu centralizar o poder governamental e adotar a\u00e7\u00f5es que refor\u00e7aram essa posi\u00e7\u00e3o, como decretar o estado de s\u00edtio e fechar o Congresso Nacional. Junto disso, construiu uma ideia de na\u00e7\u00e3o e do que acreditava que deveria ser o Brasil.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Priscila, a Campanha de Nacionaliza\u00e7\u00e3o estava ligada tanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma suposta identidade e cultura \u201cverdadeiramente\u201d brasileira, quanto \u00e0 imagem de um presidente que se importava \u201cverdadeiramente\u201d com seu povo. Considerando, \u00e9 claro, que este verdadeiramente era baseado na perspectiva de Vargas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o Centro de Pesquisa e Documenta\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea do Brasil da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (CPDOC\/FGV), ele criou, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de reformas em departamentos anteriormente criados, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Por meio desse aparato de propaga\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias ideias, Vargas iniciou as propagandas de nacionaliza\u00e7\u00e3o. A divulga\u00e7\u00e3o de um \u00fanico Brasil foi difundida pelo DIP por meio dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, como as r\u00e1dios e cartazes, que refor\u00e7avam a bandeira nacional e a exist\u00eancia de uma s\u00f3 na\u00e7\u00e3o. Outro fato marcante aconteceu em 1937, quando Get\u00falio mandou queimar as bandeiras estaduais para evidenciar o sentimento nacionalista no lugar do regionalismo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, a campanha de nacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 reconhecida como uma das formas mais efetivas de homogeneiza\u00e7\u00e3o brasileira. Para o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">professor e Doutor <\/span><span style=\"font-weight: 400\">em Hist\u00f3ria e Sociedade, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Fabio Souza, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Get\u00falio promoveu em seu governo o que \u00e9 denominado embranquecimento cultural <\/span><span style=\"font-weight: 400\">(veja no <a href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/glossario\/\">gloss\u00e1rio<\/a>)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">; j\u00e1 que o seu ideal de cultura \u201cverdadeiramente\u201d brasileira era baseado em pensamentos j\u00e1 formulados na hist\u00f3ria do Brasil que colocavam como foco principal a popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 estava em privil\u00e9gio.\u00a0 Ou seja, essa pol\u00edtica aproveitava-se da ideia de promover uma identidade brasileira \u201cverdadeira\u201d, que \u201crealmente representasse\u201d o nosso povo. Por\u00e9m, foi de fato utilizada para extinguir l\u00ednguas origin\u00e1rias, abolir comunidades multiculturais e proibir express\u00f5es culturais diversas. Por consequ\u00eancia, retirou do brasileiro sua caracter\u00edstica mais forte: a pluralidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-104\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 104<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dif\u00edcil processo de tentar desvendar as resist\u00eancias por tr\u00e1s da constru\u00e7\u00e3o da cultura brasileira Texto: Dayranny Amorim | Gabriel Barbosa | Grazielly Marangon Quando pensamos em cultura, neste caso a brasileira, \u00e9 comum pensarmos em estilos musicais populares, comidas t\u00edpicas e algumas outras produ\u00e7\u00f5es relacionadas, em geral, a entretenimento. 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