{"id":5400,"date":"2025-07-14T18:10:26","date_gmt":"2025-07-14T22:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5400"},"modified":"2025-07-16T17:58:01","modified_gmt":"2025-07-16T21:58:01","slug":"sete-dias-de-impureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/sete-dias-de-impureza\/","title":{"rendered":"Sete dias de impureza"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Texto: Bruna Melo&nbsp;<\/strong><\/span><br><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: Armando Neto<\/strong><\/span><\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cQuando uma mulher tiver o fluxo de sangue da menstrua\u00e7\u00e3o, ficar\u00e1 impura por sete dias, e quem nela tocar ficar\u00e1 impuro\u201d. Nessa preconcep\u00e7\u00e3o b\u00edblica de Mois\u00e9s, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">est\u00e1 a origem dos estere\u00f3tipos <\/span><span style=\"font-weight: 400\">sobre o corpo feminino no per\u00edodo menstrual. Os sete dias de \u201cimpureza\u201d ainda permanecem como tabu. Nojo, medo e at\u00e9 pecado s\u00e3o alguns dos r\u00f3tulos atribu\u00eddos pelos homens.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre as brasileiras, a maioria menstrua pela primeira vez por volta dos 12 anos, e n\u00e3o sabe o que est\u00e1 acontecendo com seu corpo. Em geral, as m\u00e3es comentam &#8211; \u201cvoc\u00ea virou mocinha!\u201d &#8211; e sentimos certa vergonha da situa\u00e7\u00e3o. Na escola, escondemos nossos absorventes e os casacos amarrados na cintura viram parte do uniforme. A vergonha engaveta muitas conversas necess\u00e1rias sobre o tema.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Isso j\u00e1 deveria ser o suficiente para que os homens entendam as complica\u00e7\u00f5es desse per\u00edodo e como o discurso mis\u00f3gino afeta a sa\u00fade das mulheres. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em 2022, uma a cada dez brasileiras sofre com endometriose, uma das doen\u00e7as ginecol\u00f3gicas que interferem no ciclo menstrual. H\u00e1 ainda a s\u00edndrome do ov\u00e1rio polic\u00edstico (SOP), o mioma uterino e a adenomiose. Essas doen\u00e7as provocam dores, desmaios, n\u00e1useas e c\u00f3licas que afetam drasticamente a rotina e o humor das mulheres.&nbsp; Ainda assim, h\u00e1 quem critique: \u201c\u00e9 s\u00f3 uma c\u00f3lica, pra que esse drama todo?\u201d ou ent\u00e3o \u201ca menstrua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desculpa para faltar ao trabalho ou \u00e0 escola\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"474\" height=\"600\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Bruna-Ilustracao-Opinativo-RGB.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5401\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Bruna-Ilustracao-Opinativo-RGB.jpg 474w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Bruna-Ilustracao-Opinativo-RGB-237x300.jpg 237w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Bruna-Ilustracao-Opinativo-RGB-400x506.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 474px) 100vw, 474px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O mais assustador, \u00e9 que existem mulheres que n\u00e3o sabem o porqu\u00ea sofrem mais durante seus ciclos, e n\u00e3o procuram o ginecologista. Segundo estudo de 2019 da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo), cerca de 4 milh\u00f5es de brasileiras com 16 anos ou mais nunca foram ao ginecologista, e 20% delas podem ter problemas de sa\u00fade sem ter conhecimento. O estudo revelou, ainda, que o h\u00e1bito de se consultar com um\/a especialista varia de acordo com a faixa de renda e o grau de escolaridade. Quanto maior o grau de instru\u00e7\u00e3o da mulher, mais comum \u00e9 a sua visita m\u00e9dica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa vergonha est\u00e1 ancorada em um processo natural, por\u00e9m socialmente condenado. At\u00e9 as consultas com ginecologistas muitas vezes s\u00e3o tabu, pois h\u00e1 pais que acreditam que suas filhas s\u00f3 precisam de um\/a especialista no in\u00edcio de sua vida sexual, e por vezes nem isso. O julgamento social sobre o que deve ou n\u00e3o ser feito com o corpo feminino persiste, e nos afeta tanto &#8211; e com tanta frequ\u00eancia &#8211; que pode prejudicar nossa sa\u00fade e nossa vida inteira.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Preconcep\u00e7\u00f5es como a formulada por Mois\u00e9s est\u00e3o enraizadas no corpo social e fazem com que os homens nos considerem dram\u00e1ticas, loucas e pecadoras em raz\u00e3o de um processo natural e involunt\u00e1rio. \u00c9 absurdo que homens n\u00e3o conhe\u00e7am, compreendam e tenham empatia pelas mulheres, por quest\u00f5es espec\u00edficas do corpo feminino. Principalmente quanto \u00e0 quest\u00f5es de sa\u00fade. Endometriose, SOP, miomas uterinos e outras quest\u00f5es biol\u00f3gicas relacionadas ao corpo da mulher precisam ser conhecidas, diagnosticadas e tratadas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Muito tempo se passou desde o conceito preconcebido dos \u201csete dias de impureza\u201d, mas o tempo n\u00e3o foi o melhor rem\u00e9dio. As mulheres ainda s\u00e3o invisibilizadas, suas quest\u00f5es continuam engavetadas e as implica\u00e7\u00f5es menstruais ainda n\u00e3o s\u00e3o tratadas como deveriam. Lutamos para ganhar espa\u00e7o e direitos, mas o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 receptivo conosco da maneira que \u00e9 para os homens. A exist\u00eancia feminina ainda n\u00e3o \u00e9 encarada como deveria, falta compreens\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o dos problemas femininos. Nossas quest\u00f5es espec\u00edficas continuam no final da fila.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-105\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 105<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Bruna Melo&nbsp;Ilustra\u00e7\u00e3o: Armando Neto \u201cQuando uma mulher tiver o fluxo de sangue da menstrua\u00e7\u00e3o, ficar\u00e1 impura por sete dias, e quem nela tocar ficar\u00e1 impuro\u201d. Nessa preconcep\u00e7\u00e3o b\u00edblica de Mois\u00e9s, est\u00e1 a origem dos estere\u00f3tipos sobre o corpo feminino no per\u00edodo menstrual. Os sete dias de \u201cimpureza\u201d ainda permanecem como tabu. 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