{"id":5406,"date":"2025-07-14T18:00:29","date_gmt":"2025-07-14T22:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5406"},"modified":"2025-07-16T19:41:17","modified_gmt":"2025-07-16T23:41:17","slug":"1-4-milhao-de-mulheres-em-um-puta-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/1-4-milhao-de-mulheres-em-um-puta-trabalho\/","title":{"rendered":"1.4 MILH\u00c3O de mulheres em um puta trabalho"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">A luta hist\u00f3rica das trabalhadoras sexuais por reconhecimento, dignidade e direitos trabalhistas<\/h4>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Texto: Rafaela Ancel | Rafaela Ribeiro<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>Ao caminhar pelo centro de Campo Grande, pessoas se cruzam, apressadas para seus compromissos. O com\u00e9rcio n\u00e3o para e os trabalhadores seguem para suas obriga\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um trabalho, no entanto, que passa despercebido no meio da vida cotidiana. \u201cPuta\u201d, \u201cgarota da vida\u201d, \u201cmeretriz\u201d, \u201cdestruidora de lares\u201d s\u00e3o algumas das express\u00f5es pejorativas carregadas de preconceitos e utilizadas para denominar as profissionais do sexo. A profiss\u00e3o, conhecida como uma das mais antigas do mundo, ainda \u00e9 tratada com desprezo, mas sustenta milhares de mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde 2015, pela Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira de Ocupa\u00e7\u00f5es (CBO), profissionais do sexo s\u00e3o reconhecidas pelo Minist\u00e9rio do Trabalho. No documento, os verbetes n\u00famero 5198 e 5198-05 descrevem como profissionais e trabalhadores do sexo aqueles\/as que \u201cbuscam programas sexuais; atendem e acompanham clientes. As atividades s\u00e3o exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam a vulnerabilidade da profiss\u00e3o\u201d. Em Forma\u00e7\u00e3o e Experi\u00eancia, explica-se que \u201cpara o exerc\u00edcio profissional requer-se que os trabalhadores participem de oficinas sobre sexo seguro; o acesso \u00e0 profiss\u00e3o \u00e9 restrito aos maiores de dezoito anos\u201d. Ainda assim, dez anos depois, n\u00e3o existe regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5411\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-1-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em 2016, foi aberta uma Ideia Legislativa para a profiss\u00e3o com o objetivo de atingir 20.000 apoios, por\u00e9m, foram alcan\u00e7ados apenas 45 assinaturas | Foto: Rafaela Ancel<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2012, o ent\u00e3o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) prop\u00f4s um projeto de lei intitulado Lei Gabriela Leite para regulamentar a profiss\u00e3o no Brasil.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A lei buscava diferenciar prostitui\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o sexual, al\u00e9m de garantir direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios para as profissionais do sexo, incluindo o registro no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como aut\u00f4nomas, e acesso \u00e0 aposentadoria especial. A lei recebeu esse nome em homenagem a Gabriela Leite, prostituta e ativista pioneira pelos direitos das trabalhadoras sexuais, falecida no mesmo ano. O projeto foi protocolado e, em 2025, segue parado no Congresso Nacional. No sentido contr\u00e1rio, este ano, o deputado federal Kim Kataguiri (Uni\u00e3o-SP) prop\u00f4s um projeto de lei que criminaliza a prostitui\u00e7\u00e3o, prevendo pris\u00e3o simples de 15 dias a tr\u00eas meses para quem praticar o servi\u00e7o em via p\u00fablica, al\u00e9m do pagamento de multa.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para as mulheres que se prostituem, os desafios trabalhistas s\u00e3o not\u00f3rios e di\u00e1rios. Falta de garantia \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 seguran\u00e7a, condi\u00e7\u00f5es adequadas do local de trabalho, licen\u00e7a m\u00e9dica e prote\u00e7\u00e3o contra qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o s\u00e3o inexistentes na \u00e1rea. N\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros exatos &#8211; e esse \u00e9 um outro problema importante de ser observado -, a \u00faltima pesquisa realizada foi em 2013, pelo Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/AIDS (UNAIDS), que contabilizou cerca de 546.848 prostitutas no Brasil.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2025, por\u00e9m, no dia dois de junho, para celebrar o Dia da Profissional do Sexo, a Fatal Model, plataforma voltada para usu\u00e1rios encontrarem acompanhantes, fez um levantamento de acordo com a quantidade de cadastros e chegou a 1,4 milh\u00e3o de profissionais. \u00c9 importante ressaltar que a maioria das mulheres que se denominam como acompanhantes, n\u00e3o se identificam como profissionais do sexo, pois ser acompanhante n\u00e3o significa necessariamente realizar o ato sexual. Algumas apenas trabalham com a venda de conte\u00fado online, como imagens, v\u00eddeos e \u00e1udios. O levantamento afirma, ainda, que 58% das mulheres sustentam outras pessoas al\u00e9m de si e estima que o mercado do sexo no Brasil pode movimentar at\u00e9 R$ 5 bilh\u00f5es por ano.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por indica\u00e7\u00e3o de uma amiga, Let\u00edcia come\u00e7ou a trabalhar como garota de programa. Hoje, atende seus clientes a domic\u00edlio e esta \u00e9 sua principal fonte de renda. Ela diz que n\u00e3o sente falta de ter o registro na Carteira de Trabalho e Previd\u00eancia Social, mas deseja que o acesso a tratamentos voltados \u00e0 sa\u00fade feminina seja mais acess\u00edvel. \u201cA quest\u00e3o da sa\u00fade \u00e9 super interessante. Uma amiga comentou que tem um [passo a passo], como se fosse um protocolo. Voc\u00ea faz pra se prevenir de todas as doen\u00e7as [sexualmente transmiss\u00edveis], como s\u00edfilis&#8230; todas as outras milh\u00f5es de coisas que existem\u201d, ressalta.<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>&#8220;Voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o bonita, por que n\u00e3o estuda?&#8221;<\/strong><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde o in\u00edcio na profiss\u00e3o, Leticia recebeu coment\u00e1rios como \u201cvoc\u00ea \u00e9 t\u00e3o bonita, por que n\u00e3o estuda?\u201d ou \u201cmas voc\u00ea n\u00e3o sente medo?\u201d Por\u00e9m, a opini\u00e3o alheia parou de lhe incomodar e o maior preconceito que enfrenta hoje acaba vindo de si mesma. \u201c\u00c9 diferente. S\u00e3o quest\u00f5es de cobran\u00e7as pessoais. Por que eu fiz isso? Sabe, aquela coisa que parece que n\u00e3o cumpri tudo que queria. Tenho 30 anos, o que fiz da minha vida? [&#8230;] Eu tinha medo de me envolver na minha vida pessoal. Que iria chegar num lugar e iriam falar \u2018ser\u00e1 que aquele cara t\u00e1 pagando pra ficar com ela?\u2019. Parece que eu chegava nos lugares e as pessoas iriam me olhar, n\u00e3o por estar bem vestida, bonita, ou cheirosa, mas porque sabiam o que eu fazia e eu pensava: \u2018gente, mas eu n\u00e3o sou ningu\u00e9m\u2019\u201d.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Leticia-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5408\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Leticia-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Leticia-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Leticia-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Leticia-1-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Leticia-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Let\u00edcia conta que n\u00e3o tem interesse em trabalhar em casas de show, pois teve contato com uma exposi\u00e7\u00e3o excessiva dos corpos femininos nos locais | Foto: Rafaela Ancel<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em Campo Grande, a prostitu\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um tabu. Um levantamento do Instituto de Pesquisa DataSenado, de 2024, revela que 31% da popula\u00e7\u00e3o de Mato Grosso do Sul se intitula como cidad\u00e3os de direita e 38% se define como \u201cnenhum lado\u201d, o que pode resultar em um pensamento conservador predominante. O preconceito com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, muitas vezes, surge de um pensamento conservador relacionado \u00e0 pureza da mulher e \u00e0 ideia de que o sexo \u00e9 algo que deve existir apenas dentro do matrim\u00f4nio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por conta disso, as trabalhadoras sexuais s\u00e3o vistas como mulheres que n\u00e3o s\u00e3o dignas de respeito e dignidade. \u201cS\u00e3o os pr\u00f3prios conservadores que me procuram. \u00c9 uma hipocrisia. Se a gente posta na internet falando sobre o assunto, s\u00e3o os primeiros a fazer coment\u00e1rios do tipo \u2018vagabundas\u2019, \u2018n\u00e3o valem nada\u2019, \u2018destruidoras de lares\u2019. At\u00e9 mulheres falam coisas assim. Eu estou aqui prestando um servi\u00e7o, quem me procura s\u00e3o eles. N\u00e3o vou atr\u00e1s, ent\u00e3o por que elas falam t\u00e3o mal da gente?\u201d, desabafa.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Let\u00edcia sente falta de uma rede de apoio e da uni\u00e3o entre as trabalhadoras sexuais na cidade. Ao ficar conhecida, chegou a sentir vontade de lan\u00e7ar um \u2018manual\u2019 para ajudar mulheres iniciantes na profiss\u00e3o. \u201cAs meninas entraram em contato comigo, no Instagram, pedindo dicas e tirando d\u00favidas. J\u00e1 ouvi muitas hist\u00f3rias de meninas que quando assumiram a profiss\u00e3o foram abandonadas pela fam\u00edlia. E isso acaba gerando uma solid\u00e3o, sabe? Como se elas fossem algo contagioso que precisa ficar longe, l\u00e1 no cantinho\u201d, finaliza.<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>A luta \u00e9 coletiva<\/strong><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em contraste com a capital sul-mato-grossense, a regi\u00e3o Sudeste possui grande diversidade de grupos de pesquisas, associa\u00e7\u00f5es e coletivos que, al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, servem como rede de apoio \u00e0s mulheres que realizam servi\u00e7os sexuais. Em Minas Gerais, a Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Profissionais do Sexo (Anprosex), trabalha com projetos em prol da luta pelos direitos trabalhistas de trabalhadoras sexuais. Na capital de S\u00e3o Paulo \u00e9 ainda mais f\u00e1cil encontrar pontos populares e hist\u00f3ricos, entre dezenas de movimentos sociais. No Rio de Janeiro, entre muitos outros, h\u00e1 o Puta Davida, principal coletivo que acolhe prostitutas desde 1992.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre as mulheres que fazem parte do Puta Davida, est\u00e1 Naara Maritza. Pedagoga, com mestrado em Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, Naara foi prostituta por dez anos e foi com esse dinheiro que pagou a faculdade. Agora, \u00e9 uma das coordenadoras do coletivo, que conheceu na pandemia, quando uma professora lhe deu o livro de Gabriela Leite.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ela conta que no seu \u00faltimo programa sofreu uma viol\u00eancia sexual, que a fez parar com a prostitui\u00e7\u00e3o e, ao ler o livro, os gatilhos emocionais a fizeram abrir os olhos para uma quest\u00e3o: a prostitui\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica devem andar juntas. \u201cSempre fui envolvida com pol\u00edtica, fui presidente do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE), e sempre achei que estava fazendo uma coisa super errada, que tinha que esconder isso. Com o livro, entendi o lado pol\u00edtico e as quest\u00f5es dos direitos humanos. Inclusive, no dia que sofri a viol\u00eancia, n\u00e3o precisava ter passado pelo o que eu passei, sozinha\u201d, ela desabafa.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rfaas-Fonte-Naara-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5409\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rfaas-Fonte-Naara-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rfaas-Fonte-Naara-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rfaas-Fonte-Naara-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rfaas-Fonte-Naara-400x600.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rfaas-Fonte-Naara.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Naara tamb\u00e9m explica que ap\u00f3s entrar na profiss\u00e3o, sua rela\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero masculino come\u00e7ou a ser mais genu\u00edna | Foto: Luca Meola<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Naara enfatiza que \u00e9 diferente ser uma mulher negra na prostitui\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 a primeira vez que a gente tem uma lideran\u00e7a negra no coletivo. \u00c9 lindo, mas \u00e9 complexo, porque na hora de ir para uma Marie Claire n\u00e3o s\u00e3o as prostitutas negras que v\u00e3o, n\u00e9? Primeiro porque elas t\u00eam muito mais a perder, ent\u00e3o elas n\u00e3o querem se expor. \u00c9 muito arriscado. Segundo porque a sociedade n\u00e3o tem a mesma empatia com a prostituta negra\u201d.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com projetos de leis estagnados e oposi\u00e7\u00f5es surgindo cada vez mais fortes, as profissionais tamb\u00e9m se sentem sozinhas na pol\u00edtica, e de acordo com ela, independente de esquerda ou direita, ningu\u00e9m est\u00e1 ao lado das prostitutas. \u201cNingu\u00e9m quer se envolver com essa problematica, nem politicos de direita e nem de esquerda, ningu\u00e9m quer se comprometer. \u00c9 algo que est\u00e1 sempre ali, todo mundo sabe e todos fingem n\u00e3o ver e jogam para baixo do tapete\u201d, explica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Ningu\u00e9m quer se envolver com essa problem\u00e1tica, nem pol\u00edticos de direita e nem de esquerda, ningu\u00e9m quer se comprometer. \u00c9 algo que est\u00e1 sempre ali, todo mundo sabe e todos fingem n\u00e3o ver e jogam para baixo do tapete<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m do apagamento na pol\u00edtica, os coment\u00e1rios pejorativos carregados de preconceito s\u00e3o os principais fatores que levam \u00e0 vitimiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o. A hist\u00f3ria mostra que mulheres cis e transexuais s\u00e3o maioria, e isto est\u00e1 ligado ao sexismo e \u00e0 transfobia que levam \u00e0 exclus\u00e3o social. A Associac\u0327a\u0303o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), realizou uma pesquisa, em 2020, que aponta que cerca de 90% da populac\u0327a\u0303o trans no Brasil t\u00eam a prostituic\u0327a\u0303o como profiss\u00e3o \u00fanica ou principal fonte de renda, devido a falta de oportunidade de empregos por conta da transfobia. Em 2010, segundo o programa A Liga, 87% das mulheres estavam na prostitui\u00e7\u00e3o de rua. Por\u00e9m, existe escolha no trabalho sexual, e isto n\u00e3o pode ser apagado.<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Putafeminismo<\/strong><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu gosto muito da palavra puta. Um dia espero que se torne uma palavra bonita, porque voc\u00ea n\u00e3o faz movimento nenhum debaixo da mesa\u201d, advertiu Gabriela Leite em 2010, durante sua campanha eleitoral para o cargo de deputada federal pelo estado do Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com origem na d\u00e9cada de 90, o putafeminismo \u00e9 um movimento dedicado \u00e0 luta das trabalhadoras sexuais por direitos e \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o dos estigmas relacionados ao trabalho sexual. O movimento defende que as prostitutas podem ser feministas, lutar pelos seus direitos e que n\u00e3o precisam se envergonhar da profiss\u00e3o. Gabriela Leite foi pioneira no ativismo pelo direito das profissionais do sexo e acreditava que ser prostituta n\u00e3o era motivo de pena ou de ser vista como \u201cv\u00edtima\u201d. Para Gabriela, ser prostituta \u00e9 uma escolha.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anos ap\u00f3s a morte de Gabriela, o movimento voltou a ter destaque nas discuss\u00f5es por meio do lan\u00e7amento, em 2018, do livro \u201cPutafeminista\u201d, de Monique Prada. A escritora reflete sobre o uso da palavra \u201cputa\u201d e como ela est\u00e1 presente na sociedade, sempre remetendo ao que h\u00e1 de ruim e impuro. Tamb\u00e9m questiona o apagamento das prostitutas em pauta de feministas liberais e radicais; o moralismo, quando pessoas levantam quest\u00f5es religiosas e tentam separar garotas de programa de outras mulheres; e explica que a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga e s\u00f3lida quanto o matrim\u00f4nio. A autora aborda a aceita\u00e7\u00e3o e naturaliza\u00e7\u00e3o do comportamento do homem que paga por sexo, atribuindo isso \u00e0 \u201cnatureza masculina\u201d, ao mesmo tempo em que desumaniza e inferioriza as mulheres que se prostituem.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5413\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-2-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Reportagem-Rafas-Fonte-Personagem-2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">N\u00e3o h\u00e1 dados regionais exatos, mas no Primeiro Encontro Estadual de Mulheres Profissionais do Sexo, realizado em 2004 no Mato Grosso do Sul, h\u00e1 registros da participa\u00e7\u00e3o de 200 profissionais | Foto: Rafaela Ancel<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os n\u00fameros mostram que o trabalho sexual \u00e9 uma realidade e milhares de mulheres t\u00eam a prostitui\u00e7\u00e3o como principal ocupa\u00e7\u00e3o. No entanto, h\u00e1 uma persist\u00eancia de muitos em se recusarem em o enxergar como profiss\u00e3o, devido aos preconceitos e estigmas enraizados na sociedade. Ainda assim, \u00e9 ineg\u00e1vel a exist\u00eancia das profissionais do sexo, e como todas as mulheres, elas tamb\u00e9m merecem respeito e dignidade. E tal como em todas as profiss\u00f5es, tamb\u00e9m merecem ter seus direitos garantidos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-105\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 105<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta hist\u00f3rica das trabalhadoras sexuais por reconhecimento, dignidade e direitos trabalhistas Texto: Rafaela Ancel | Rafaela Ribeiro Ao caminhar pelo centro de Campo Grande, pessoas se cruzam, apressadas para seus compromissos. O com\u00e9rcio n\u00e3o para e os trabalhadores seguem para suas obriga\u00e7\u00f5es. 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