{"id":5450,"date":"2025-07-14T17:38:25","date_gmt":"2025-07-14T21:38:25","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5450"},"modified":"2025-07-16T18:45:06","modified_gmt":"2025-07-16T22:45:06","slug":"mulheres-de-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/mulheres-de-fe\/","title":{"rendered":"Mulheres de f\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Como mulheres religiosas, por meio da f\u00e9,&nbsp; conquistam espa\u00e7os de lideran\u00e7a no dia a dia de suas comunidades<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-21c83ac59e771e09833fcb4e020fe187\"><strong>Texto: Ana Carla de Souza | Mariana Azevedo <\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A ben\u00e7\u00e3o! Essa \u00e9 a primeira sauda\u00e7\u00e3o que as mulheres entrevistadas nesta reportagem costumam ouvir no dia. Elas levam a sina de rezar, diariamente, por pedidos de todas as causas, at\u00e9 mesmo por aquelas que n\u00e3o conhecem. Madre Neiva costuma orar por essas inten\u00e7\u00f5es na missa da manh\u00e3. A ekedi Ana Paula e a m\u00e3e de santo Vilma fazem suas rezas durante as celebra\u00e7\u00f5es \u00e0 noite. A evangelista Marilene, al\u00e9m dos cultos noturnos, visita os irm\u00e3os da igreja em suas casas.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"930\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ILUSTRACAO-2-930x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5451\" style=\"width:610px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ILUSTRACAO-2-930x1024.jpg 930w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ILUSTRACAO-2-273x300.jpg 273w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ILUSTRACAO-2-768x846.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ILUSTRACAO-2-400x440.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/ILUSTRACAO-2.jpg 1090w\" sizes=\"auto, (max-width: 930px) 100vw, 930px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Neiva, Vilma (\u00e0 esquerda) e Ana Paula, Marilene (\u00e0 direita) s\u00e3o lideran\u00e7as femininas em suas religi\u00f5es | Colagem feita por Maria Clara Assis<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Madre, pastora, m\u00e3e-de-santo, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">ialorix\u00e1<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, irm\u00e3, evangelista e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">ekedi<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Elas disseram sim ao chamado de suas cren\u00e7as e assumiram a lideran\u00e7a que, na maioria das vezes, \u00e9 atribu\u00edda aos homens. A miss\u00e3o, voca\u00e7\u00e3o e espiritualidade s\u00e3o a base de suas vidas e, al\u00e9m de suas comunidades de f\u00e9, invocam a gra\u00e7a divina sobre algu\u00e9m e exercem um papel essencial e, que faz a diferen\u00e7a na vida de quem as reconhece como parte da fam\u00edlia.&nbsp;<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Autodescobertas<\/strong><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na Vila Bandeirantes, pr\u00f3xima ao centro de Campo Grande, a casa de Vilma Moreira, 83 anos, sempre est\u00e1 rodeada por filhos e netos. Ao som dos p\u00e1ssaros na gaiola e o entra e sai de pessoas, a casa, que j\u00e1 tem alma de gente, tornou-se um local de acolhimento para os umbandistas do terreiro da m\u00e3e de santo. No fundo do terreno, o Templo Paz, Amor e Caridade (TUFAC) foi constru\u00eddo por Vilma para acolher os seus filhos de santo e realizar as giras e celebra\u00e7\u00f5es.\u201cTenho prazer em atender e \u00e0s vezes at\u00e9 choro junto com a pessoa porque sei como \u00e9 duro caminhar nesta estrada\u201d, desabafa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0s sextas-feiras, os preparativos no templo s\u00e3o voltados para receber visitas de entidades chamadas de Caboclos e Pombas-Giras. Para a <\/span><b>Umbanda,<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 um dia de cura \u00e0queles que buscam por respostas para o sofrimento, um dos motivos que levou a pr\u00f3pria Vilma a uma gira pela primeira vez. \u201cMinha entidade chama Cabocla Jurema, ela que \u00e9 dona, \u00e9 uma m\u00e3e e eu j\u00e1 tenho ela h\u00e1 muitos anos aqui comigo\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde jovem, j\u00e1 sentia os sinais da mediunidade. Frequentou a igreja cat\u00f3lica, mas foi na Umbanda onde passou a compreender mais sua espiritualidade e atua como lideran\u00e7a h\u00e1 mais de 50 anos.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"331\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulher-sentada-e-homem.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5452\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulher-sentada-e-homem.jpg 500w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulher-sentada-e-homem-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulher-sentada-e-homem-400x265.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os umbandistas cumprimentam a m\u00e3e-de-santo e pedem pela ben\u00e7\u00e3o em sinal de respeito a Vilma, que recebe todos com um sorriso no rosto | Foto: Ana Carla de Souza<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais adiante, na regi\u00e3o central da cidade, uma casa com arquitetura antiga, em tons de rosa, que adentram at\u00e9 a sala de estar do convento das irm\u00e3s do Instituto Jesus Adolescente. As paredes com fotografias penduradas mostram todas as madres que j\u00e1 estiveram \u00e0 frente do Instituto e, o quadro de Neiva do Cora\u00e7\u00e3o, 67 anos, \u00e9 o mais recente da fileira. H\u00e1 43 anos, a irm\u00e3 define ter como miss\u00e3o sustentar o mundo com a\u00e7\u00f5es e ora\u00e7\u00f5es, sendo consagrada como freira da<\/span> Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Neiva foi escolhida como Madre da casa em 2022, por meio de uma assembleia entre as irm\u00e3s que ocorre a cada quatro anos. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu sempre quis ser irm\u00e3. Quando eu tinha 5 anos de idade, duas coisas eu tinha certeza na minha vida: que eu ia ser irm\u00e3 e professora.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"755\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulher-veu.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5454\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulher-veu.jpg 500w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulher-veu-199x300.jpg 199w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulher-veu-400x604.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Momento de adora\u00e7\u00e3o da irm\u00e3 Neiva na missa de domingo | Foto: Mariana Azevedo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante a semana, ela d\u00e1 aulas aos estudantes da Escola Estadual Cora\u00e7\u00e3o de Maria, local onde passou mais tempo em jornada religiosa. Aos 23 anos, ap\u00f3s pedir demiss\u00e3o de seu emprego enquanto ainda cursava a gradua\u00e7\u00e3o, ela atendeu ao chamado de f\u00e9 e viu que poderia ser freira e conciliar outros objetivos. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Minha vida inteira est\u00e1 muito ligada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, eu j\u00e1 dei aula na faculdade, fiz projeto numa universidade, trabalhei em escola. Ent\u00e3o,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> faz parte da nossa identidade estar a servi\u00e7o dos que precisam, estar alegre e contente com a vida<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, comenta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">\u00c9 Deus quem nos escolhe, a gente atende esse chamado porque queima no cora\u00e7\u00e3o<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em outro ponto da cidade, no bairro universit\u00e1rio, Marilene Guedes, 55 anos, recebe os irm\u00e3os na porta da igreja evang\u00e9lica Nosso Senhor Jesus Cristo. Com um sorriso no rosto, convida todos com as b\u00edblias em m\u00e3os a refletirem a palavra de Deus e rezarem. Nos bancos da igreja, os fi\u00e9is escutam com aten\u00e7\u00e3o a prega\u00e7\u00e3o da evangelista, que sempre foi convicta da sua escolha religiosa. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 Deus quem nos escolhe, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">a gente atende esse chamado porque queima no cora\u00e7\u00e3o<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, define.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A f\u00e9 que guia Marilene est\u00e1 presente em sua vida desde muito nova. Apesar do desejo de estar \u00e0 frente dos cultos da igreja, a parte que mais gosta \u00e9 a dos bastidores, onde pode aconselhar de forma individual aqueles que a buscam por ajuda espiritual. Atrav\u00e9s da terapia, Marilene j\u00e1 realizou v\u00e1rios cursos relacionados \u00e0 \u00e1rea de sa\u00fade mental para oferecer acolhimento mais direcionado \u00e0s mulheres que est\u00e3o na igreja. \u201cQuando eu estou conversando com a mulher e ela est\u00e1 abrindo o cora\u00e7\u00e3o dela, eu estou vendo que ela n\u00e3o confiaria mais em ningu\u00e9m para falar aquilo. Ent\u00e3o eu acredito que ali, Deus est\u00e1 me usando para poder ouvir, curar, sarar.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"331\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulheres-igreja.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5453\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulheres-igreja.jpg 500w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulheres-igreja-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulheres-igreja-400x265.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marilene e as irm\u00e3s da igreja durante encontro semanal de mulheres | Foto: Ana Carla de Souza <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 na casa<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> de Ana Paula Espindola, 37 anos, a recep\u00e7\u00e3o calorosa e acolhedora com aqueles que chegam invade o ambiente e exibe um pouco do significado do seu cargo para o candombl\u00e9. A lideran\u00e7a surgiu na vida de Ana Paula com apenas um ano de casa e assim foi escolhida pelo seu Orix\u00e1 Xang\u00f4 como ekedi do terreiro que frequenta. Alguns h\u00e1bitos foram deixados para tr\u00e1s e deram espa\u00e7o para uma nova vida como l\u00edder da comunidade. \u201c\u00c9 muito bonito e gratificante, mas \u00e9 uma coisa que eu nunca esperei, foi uma surpresa para mim\u201d, afirma.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">\u00c9 como maternar, porque no final das contas a gente materna de alguma forma<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por muito tempo foi c\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 e, inclusive, passou pelo catolicismo at\u00e9 chegar ao Candombl\u00e9. O primeiro passo estava dado e, para ser iniciada no terreiro, a celebra\u00e7\u00e3o exigiu algumas restri\u00e7\u00f5es como: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">n\u00e3o usar roupas de cor preta, evitar bebidas alco\u00f3licas, algumas sa\u00eddas noturnas, uma alimenta\u00e7\u00e3o restritiva e o que a marcou para sempre<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, a raspagem total do cabelo<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo com as mudan\u00e7as em seu estilo de vida, o chamado do orix\u00e1 para ser ekedi a faz mais completa. Sua filha Maria Luiza Espindola tamb\u00e9m entrou para a religi\u00e3o e a ajudou a construir uma rela\u00e7\u00e3o mais \u00edntima com os filhos do <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Candombl\u00e9<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201c\u00c9 como maternar, porque no final das contas a gente materna de alguma forma.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> A Ekedi tem o papel de cuidar, do cuidado. \u00c9 o cuidar no sentido total do cuidar, como a sua m\u00e3e cuidou de voc\u00ea.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"755\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulheres-abracadas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5455\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulheres-abracadas.jpg 500w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulheres-abracadas-199x300.jpg 199w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/mulheres-abracadas-400x604.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Antes de todas as celebra\u00e7\u00f5es, Ana Paula e sua filha Maria Luiza costumam se paramentar com as mulheres do terreiro | Foto: Ana Carla de Souza&nbsp;<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><b>Vestidas de corpo e alma<\/b><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em junho de 2025, dados divulgados no \u00faltimo Censo das religi\u00f5es do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mostram que as mulheres s\u00e3o a maioria dos fi\u00e9is no Brasil. Esses n\u00fameros expressam uma crescente diversifica\u00e7\u00e3o do campo religioso do pa\u00eds que n\u00e3o se condiciona apenas \u00e0s estat\u00edsticas; os evang\u00e9licos, por exemplo, triplicaram seu crescimento em todas as regi\u00f5es e possuem cerca de 55% de presen\u00e7a feminina. Cat\u00f3licos Apost\u00f3licos Romanos seguem sendo mais da metade do pa\u00eds, com 51% dessa estimativa sendo composta de mulheres.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A maior express\u00e3o do g\u00eanero, no entanto, est\u00e1 nas religi\u00f5es de matriz africana, como o Candombl\u00e9 e a Umbanda, que declaram o equivalente a 57% de religiosas mulheres em suas comunidades. Historicamente, essas s\u00e3o religi\u00f5es consideradas matriarcais, pois t\u00eam a figura feminina como o centro das celebra\u00e7\u00f5es. Ana Paula e Vilma compartilham seu pertencimento feminino como principal motivador nas fun\u00e7\u00f5es que conquistaram espiritualmente. \u201cL\u00e1, todo mundo me chama de m\u00e3e porque a rela\u00e7\u00e3o que elas nos passam \u00e9 assim, da gente ter harmonia entre nosso irm\u00e3o. A troca de carinho e aten\u00e7\u00e3o. Todos que entram aqui, geralmente, querem falar com a m\u00e3e Vilma\u201d,<\/span> fala a m\u00e3e de santo.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ana de Xang\u00f4 ainda explica que o Candombl\u00e9 urbano teve grande dissemina\u00e7\u00e3o no pa\u00eds pelas adapta\u00e7\u00f5es \u00e0 vida na cidade do ponto de vista feminino. \u201cO Candombl\u00e9 me ensinou muito sobre o meu eu feminino, meu papel como mulher socialmente falando, sobre me empoderar por carregar essa bandeira. A gente sabe que o patriarcado est\u00e1 a\u00ed, mas a mulher carrega \u00fatero, carrega vida! E isso eles n\u00e3o podem tirar da gente.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Marilene, por sua vez, representa um grupo religioso que est\u00e1 em crescimento por todo o territ\u00f3rio nacional. Como evang\u00e9lica, pertence a uma corrente do evangelicalismo chamada neopentecostal, que experimenta o contato com o divino a partir de outras correntes, como a batista e pentecostal.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ela \u00e9 avaliada e faz um curso na igreja para ser consagrada. \u201cTem casos que o l\u00edder indica. Casos e casos, \u00e9 muito pessoal\u201d. A evangelista ainda n\u00e3o possui o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">t\u00edtulo de pastora, mas acompanha seu marido neste minist\u00e9rio. Segundo ela, h\u00e1 mais ou menos dez anos, a inclus\u00e3o de mulheres no pastoreio foi determinante para levar a uni\u00e3o da presen\u00e7a feminina na igreja. \u201cPara pastorear, primeiro voc\u00ea tem que liderar. Para eu conseguir aben\u00e7oar a vida delas, trabalhar mais com elas.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Da mesma forma que outras religi\u00f5es est\u00e3o em ritmo de mudan\u00e7as, a presen\u00e7a feminina com o papado de Francisco, indicou que a Igreja Cat\u00f3lica abrisse mais espa\u00e7os para a representa\u00e7\u00e3o de mulheres, mas o car\u00e1ter masculinizado vem desde as escrituras b\u00edblicas.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cQuando a gente est\u00e1 numa par\u00f3quia, faz todas as fun\u00e7\u00f5es dentro daquilo que \u00e9 permitido. Oficializamos casamentos, todos os sacramentos, menos a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e a Confiss\u00e3o\u201d, <\/span>conta a irm\u00e3. <span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu nasci para ser irm\u00e3, eu gosto de fazer o meu trabalho como irm\u00e3 e n\u00e3o nasci para ser padre\u201d, declara a madre Neiva sobre a voca\u00e7\u00e3o que assumiu como mulher religiosa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa f\u00e9 que ultrapassa a hist\u00f3ria e as tradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 vista dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a nessas mulheres, com o uso de cores e estilos de pe\u00e7as especiais do guarda-roupa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vilma: nas giras de esquerda, pode usar preto ou vermelho e dependendo da incorpora\u00e7\u00e3o, cal\u00e7a de tecidos leves ou saia longa s\u00e3o as suas prefer\u00eancias.\u201cN\u00e3o tem essa de divis\u00e3o de g\u00eanero\u201d.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Neiva: faz uso do h\u00e1bito, que inclui um v\u00e9u e um escapul\u00e1rio, joia que simboliza f\u00e9 e prote\u00e7\u00e3o. \u201cQuem quer usar h\u00e1bito, usa. Quem n\u00e3o quer, usa roupa civil dentro daquilo que condiz com uma vida religiosa\u201d.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ana Paula: a escolha das vestimentas brancas no uso do quebra-gomo e bata v\u00eam da \u201chist\u00f3ria do tecido, porque existe hist\u00f3ria em tudo\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Marilene: \u00e9 adepta a moda evang\u00e9lica, costuma adotar saias, vestidos longos e vestimentas adequadas aos valores crist\u00e3os orientados por sua cren\u00e7a.<br><br><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5><span style=\"color: #ff0000\"><b>A minha f\u00e9 \u00e9 o que me guia<\/b><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e3e Vilma descreve a sua f\u00e9 como o amor que tem pela sua fam\u00edlia e o encontro pela paz que tanto desejou. Orgulhosa do trabalho que realiza no templo, j\u00e1 perdeu as contas de quantos filhos-de-santo passaram pela sua casa e levaram consigo o sentimento de pertencimento. \u201cPara mim valeu a pena, tudo foi bom para eu criar minha fam\u00edlia. Foi muito importante, acho que vim para cumprir essa finalidade.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a madre Neiva, a f\u00e9 se faz presente em todas as \u00e1reas da vida. A irm\u00e3 exemplifica em um momento de dificuldade em sala de aula, que a f\u00e9 a conduziu para acolher os alunos da melhor forma poss\u00edvel. \u201cEu acredito muito que Deus inspira, que Deus p\u00f5e a m\u00e3o, que Deus protege. Ent\u00e3o, tudo precisa ser feito com esse esp\u00edrito de f\u00e9. Porque se n\u00e3o for, n\u00e3o tem como voc\u00ea acreditar que d\u00e1 para levar um trabalho adiante.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Marilene define a f\u00e9 como a for\u00e7a que a move e acredita que sem ela \u00e9 imposs\u00edvel agradar a Deus. Firme no seu prop\u00f3sito como l\u00edder, acredita que Deus se faz presente em tudo, seja em casa, no trabalho ou nos encontros com os irm\u00e3os da igreja. \u201cA <\/span><span style=\"font-weight: 400\">f\u00e9 nos move todo dia para aquilo que eu acredito ser poss\u00edvel e imposs\u00edvel. As experi\u00eancias que voc\u00ea tem com Deus, ningu\u00e9m tira de voc\u00ea.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">A f\u00e9, para mim \u00e9 como o amor, \u00e9 um sentimento que te move e, ao mesmo tempo, \u00e9 um sentimento de conflito. Porque a f\u00e9 \u00e9 conflituosa, mas ela te gera isso: paci\u00eancia<br><br><\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ana Paula afirma que seu olhar sobre a vida mudou, principalmente no contexto feminino, no papel da mulher e na maternidade. Apesar do tamanho do cargo, os conflitos internos e questionamentos n\u00e3o deixaram de existir, mas proporcionam a paci\u00eancia para ser quem ela \u00e9 hoje. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA f\u00e9, para mim, \u00e9 como o amor, \u00e9 um sentimento que te move <\/span><span style=\"font-weight: 400\">e, ao mesmo tempo, \u00e9 um sentimento de conflito. Porque a f\u00e9 \u00e9 conflituosa, mas ela te gera isso: paci\u00eancia.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A f\u00e9 na religi\u00e3o \u00e9 o que guia essas mulheres a levarem consigo a responsabilidade de ser um canal de gra\u00e7as entre o divino e o terreno e passarem esses conhecimentos adiante. Al\u00e9m de l\u00edderes, elas s\u00e3o m\u00e3es, esposas, av\u00f3s, trabalhadoras, sempre atentas ao chamado de suas cren\u00e7as, cada uma dentro da religi\u00e3o que professa. Em nome de Deus, Exu ou Olorum.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-105\/\"><span style=\"text-decoration: underline\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 105<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como mulheres religiosas, por meio da f\u00e9,&nbsp; conquistam espa\u00e7os de lideran\u00e7a no dia a dia de suas comunidades Texto: Ana Carla de Souza | Mariana Azevedo A ben\u00e7\u00e3o! 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