{"id":5457,"date":"2025-07-14T17:39:07","date_gmt":"2025-07-14T21:39:07","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5457"},"modified":"2025-07-16T18:00:08","modified_gmt":"2025-07-16T22:00:08","slug":"atencao-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/atencao-meninas\/","title":{"rendered":"Aten\u00e7\u00e3o meninaS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-3123ec94c5fc8f14f4a039151c8eabe7\"><strong>Texto e ilustra\u00e7\u00e3o: Mariana Viana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>A vida \u00e9 perigosa para mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais e panssexuais. Aten\u00e7\u00e3o, menina, ao dar as m\u00e3os na rua, um beijo discreto assombra, aten\u00e7\u00e3o \u00e0s roupas&nbsp; que n\u00e3o performam feminilidade, colocando a cara \u00e0 tapa. \u00c9 preciso estar atenta e forte ao sair na rua com roupas que n\u00e3o s\u00e3o esperadas para uma mulher, n\u00e3o temos tempo de temer a morte. Ana Caroline, uma mulher l\u00e9sbica, foi morta de forma brutal, com sua orelha, couro cabeludo, olhos e pele do rosto arrancados em janeiro de 2024. Ela era uma mulher de cabelo curto e que usava bermuda e camisa de bot\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aten\u00e7\u00e3o, menina. Al\u00e9m do preconceito expl\u00edcito que atinge milhares de brasileiras como Ana Carolina, a repress\u00e3o pode vir de outra forma. A performance da feminilidade \u00e9 uma expectativa, um estere\u00f3tipo, uma ideia mantida socialmente. O termo est\u00e1 relacionado ao conjunto de caracter\u00edsticas, atitudes e jeitos de agir exigidos das mulheres. Ser mulher n\u00e3o est\u00e1 ligado apenas \u00e0 determina\u00e7\u00e3o do g\u00eanero ou do sexo, mas tamb\u00e9m \u00e0 constru\u00e7\u00e3o social.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A sociedade patriarcal imp\u00f5e \u00e0s mulheres, a maneira como elas devem se vestir, se portar, com quem se relacionar, que lugares ocupar, onde ir, o que comprar, os hobbies que podem ter, entre muitas outras formas de controle e opress\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas e se elas n\u00e3o quiserem seguir as imposi\u00e7\u00f5es? E se elas n\u00e3o se encaixarem na heteronormatividade? Se elas quiserem se vestir de um jeito particular que n\u00e3o acessa um, algum ou todos os estere\u00f3tipos femininos? O termo \u201cdesfem\u201d \u00e9 uma abrevia\u00e7\u00e3o de desfeminilizada ou desfeminiliza\u00e7\u00e3o, e \u00e9 utilizado para descrever mulheres que n\u00e3o performam a tal da feminilidade idealizada.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"708\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilustracao-Mariana-Viana-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5458\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilustracao-Mariana-Viana-2.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilustracao-Mariana-Viana-2-300x266.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilustracao-Mariana-Viana-2-768x680.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/Ilustracao-Mariana-Viana-2-400x354.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desviar desse caminho j\u00e1 tra\u00e7ado desde seu nascimento \u00e9 um ato de rebeldia. Como se cada mulher que escolhesse outro caminho estivesse tentando&nbsp; romper uma corda amarrada a um poste, em pra\u00e7a p\u00fablica. Exposta, julgada e instantaneamente condenada. Sua imagem, ent\u00e3o, \u00e9 empacotada em caixinhas delicadas, coberta de la\u00e7os cor-de-rosa e florzinhas e detalhes delicados. Aquela tal feminilidade imposta, n\u00e3o escolhida.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde a inf\u00e2ncia, o sonho da fam\u00edlia ao chegar uma menina \u00e9 que ela seja uma princesinha que usa rosa, depois salto alto, maquiagem e vestido. Os ferimentos parecem pequenos, mas s\u00e3o incur\u00e1veis. Em um evento social, qual roupa usar? A resposta imediata para uma mulher \u00e9, um vestido. \u201cMas m\u00e3e, eu n\u00e3o quero usar vestido\u201d. A opini\u00e3o da menina n\u00e3o importa.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A sociedade imp\u00f5e a expectativa e a mulher, correndo atr\u00e1s do ideal, a compra.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com outros tipos de roupa seus olhos brilham. Mas ao mesmo tempo vem a sensa\u00e7\u00e3o de julgamento, de estar fazendo algo errado, de decep\u00e7\u00e3o, mais uma vez, daquela tal expectativa. Ter direito de escolha na vestimenta tem a ver com ter direito a expressar a pr\u00f3pria personalidade sem medo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A percep\u00e7\u00e3o de crescer e perceber que existe um mundo de possibilidades \u00e9 libertador, e talvez venha da\u00ed a verdadeira sensa\u00e7\u00e3o de liberdade. Sair desse preconceito enraizado em casa e voar para o mundo, entender que todas as pessoas &#8211; sem distin\u00e7\u00e3o &#8211; merecem afeto e acolhimento e que a vulnerabilidade n\u00e3o te rebaixa. Talvez isso seja o que as pessoas chamam de liberdade. E a\u00ed voc\u00ea se abre para sentir,&nbsp; idealizar e principalmente viver como seria namorar uma mulher. Ent\u00e3o, em um relacionamento entre duas mulheres n\u00e3o deve existir o homem da rela\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A heteronormatividade assombra as rela\u00e7\u00f5es s\u00e1ficas, aquelas entre mulheres. Ainda hoje, em um casal no qual uma \u00e9 fem e outra desfem, quem paga a conta? Quem d\u00e1 as flores? Quem abre a porta do carro? Quem dirige? Quem faz os trabalhos bra\u00e7ais?&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A resposta \u00e9: tanto faz. Para uma mulher desfem, o posto de \u201chomem da rela\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 doloroso, cansativo e uma agress\u00e3o \u00edntima. Amar \u00e9 uma via de m\u00e3o dupla, e n\u00e3o um fardo que deve ser carregado apenas por um dos lados. O afeto para quem \u00e9 desfem n\u00e3o pode ser apenas dado, deve ser recebido. Mesmo que ela n\u00e3o esteja de vestido.\u00a0 <\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-105\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 105<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e ilustra\u00e7\u00e3o: Mariana Viana A vida \u00e9 perigosa para mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais e panssexuais. 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