{"id":5520,"date":"2025-07-14T17:07:16","date_gmt":"2025-07-14T21:07:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5520"},"modified":"2025-07-16T18:38:51","modified_gmt":"2025-07-16T22:38:51","slug":"olha-e-uma-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/olha-e-uma-mulher\/","title":{"rendered":"\u201cOlha, \u00e9 uma mulher!\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">A vida de uma mulher que trocou de profiss\u00e3o para seguir o seu sonho nas estradas<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-2c041eb2dce0f2e974dd4eede9e953c5\"><strong>Texto: Camille Filetto | Rebeca Ferro | Sarai Brauna <\/strong><br><strong>Fotos: Sarai Brauna<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-SORRINDO-perfil-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5521\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-SORRINDO-perfil-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-SORRINDO-perfil-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-SORRINDO-perfil-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-SORRINDO-perfil-400x600.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-SORRINDO-perfil-rotated.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lembrar do come\u00e7o faz Regina olhar para o caminh\u00e3o com carinho <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu empre quis ser caminhoneira, mas a primeira vez que subi em um caminh\u00e3o, com 8 anos, chorei porque estava com medo. Um motorista parou e ofereceu carona. Quando vi aquela vis\u00e3o de frente, pensei: \u2018Um dia eu vou ser motorista\u2019\u201d. Regina Aparecida da Silva, 44 anos, \u00e9 caminhoneira da empresa Comber, e n\u00e3o passa dispercebida pelas estradas do Brasil j\u00e1 que o seu instrumento de trabalho, assim como a sua marca registrtada, \u00e9 o caminh\u00e3o<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">rosa que dirige. \u200b Desde crian\u00e7a, Regina sonhava em ser motorista. Apesar de casar jovem e inicialmente seguir outra carreira, como enfermeira, ela decidiu ingressar na \u00e1rea de transporte, come\u00e7ando como pipeira em uma usina.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Regina enfrentou dificuldades para conseguir seu primeiro emprego como caminhoneira, mas sua persist\u00eancia foi decisiva. Ligava diariamente para a empresa at\u00e9 ser contratada. &#8220;\u200bUm dia ele [o gestor] falou bem assim: \u2018Chama aquela mulher porque eu n\u00e3o aguento mais ela me ligando\u2019&#8221;, conta Regina, que se tornou a primeira mulher em duas empresas onde trabalhou. Sua entrada no setor foi marcada tamb\u00e9m por conquistas. \u200bEm uma das empresas, ela ajudou a abrir espa\u00e7o para outras mulheres, deixando um legado de 24 caminhoneiras contratadas quando saiu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Regina, seu caminh\u00e3o \u00e9 mais do que uma ferramenta de trabalho; \u00e9 sua casa e seu companheiro. Ela valoriza o apoio da empresa, que garante postos de abastecimento com estrutura adequada para motoristas, como banheiros limpos e seguran\u00e7a para pernoitar. No entanto, reconhece que ainda h\u00e1 postos que n\u00e3o est\u00e3o preparados para receber mulheres, o que reflete os desafios de inclus\u00e3o no setor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u200b<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"800\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-NO-CAMINHAO-perfil-rotated.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5522\" style=\"width:368px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-NO-CAMINHAO-perfil-rotated.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-NO-CAMINHAO-perfil-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/07\/REGINA-NO-CAMINHAO-perfil-400x533.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Casa e companheiro, o caminh\u00e3o rosa de Regina<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A caminhoneira tamb\u00e9m enfrenta preconceitos e ass\u00e9dios ao longo de sua carreira. \u200bComent\u00e1rios depreciativos sobre sua capacidade de manobrar e atitudes desrespeitosas s\u00e3o comuns. &#8220;Quanto mais vezes eu for fazer um trabalho e um homem falar que n\u00e3o vou conseguir, eu fa\u00e7o de prop\u00f3sito, s\u00f3 para ver se eu n\u00e3o consigo&#8221;, revela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de gostar de sua rotina na estrada, ela admite que a solid\u00e3o \u00e9 um dos aspectos mais dif\u00edceis de sua profiss\u00e3o. \u200bA dist\u00e2ncia de sua fam\u00edlia, incluindo seu filho que mora no Paran\u00e1 e seus pais em S\u00e3o Paulo, muitas vezes traz saudade e momentos de vulnerabilidade. &#8220;Bate aquela dor no peito que d\u00e1 vontade de ir embora para casa&#8221;, confessa. \u200bNo entanto, ela encontra for\u00e7a na f\u00e9 e no orgulho que sua fam\u00edlia tem dela. Seu filho, por exemplo, envia mensagens di\u00e1rias expressando admira\u00e7\u00e3o por sua m\u00e3e. &#8220;O \u00e1udio do meu filho de bom dia \u00e9: \u2018M\u00e3e, bom dia e boa tarde. Tenho orgulho de voc\u00ea&#8221;, compartilha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Regina tamb\u00e9m \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o para outras mulheres que desejam ingressar na profiss\u00e3o, como foi o caso de sua irm\u00e3, que se tornou caminhoneira por influ\u00eancia dela. \u200bEla acredita que \u00e9 necess\u00e1rio que as empresas ofere\u00e7am mais oportunidades e apoio para que as mulheres se sintam confiantes e permane\u00e7am na \u00e1rea. &#8220;As mulheres t\u00eam que confiar nelas mesmas. \u200b Muitas ainda t\u00eam medo. E as empresas precisam dar mais oportunidade e ajudar tamb\u00e9m&#8221;, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O caminh\u00e3o rosa, que inicialmente n\u00e3o era sua cor favorita, acabou se tornando um s\u00edmbolo de sua identidade e uma atra\u00e7\u00e3o nas estradas, onde crian\u00e7as e adultos frequentemente pedem para tirar fotos com o ve\u00edculo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com 17 anos de experi\u00eancia na estrada, Regina \u00e9 uma das milhares de mulheres que enfrentam lutas di\u00e1rias por seu g\u00eanero, mas que provam, todos os dias, que as mulheres podem ser o que quiserem onde quiserem. &#8220;Eu me olho aqui, eu trabalho aqui, eu sinto um orgulho do caramba de mim mesma.\u200b Eu consegui, n\u00e3o foi f\u00e1cil, mas eu t\u00f4 orgulhosa de mim mesma&#8221;, conclui.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-105\/\">voltar para a edi\u00e7\u00e3o 105<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida de uma mulher que trocou de profiss\u00e3o para seguir o seu sonho nas estradas Texto: Camille Filetto | Rebeca Ferro | Sarai Brauna Fotos: Sarai Brauna \u201cEu empre quis ser caminhoneira, mas a primeira vez que subi em um caminh\u00e3o, com 8 anos, chorei porque estava com medo. 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