{"id":5863,"date":"2026-07-02T16:54:41","date_gmt":"2026-07-02T20:54:41","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5863"},"modified":"2026-07-07T18:42:15","modified_gmt":"2026-07-07T22:42:15","slug":"voce-jovem-tem-servido-no-enfrentamento-a-crise-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/voce-jovem-tem-servido-no-enfrentamento-a-crise-climatica\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea, jovem, t\u00eam \u201cservido&#8221; no enfrentamento \u00e0 crise clim\u00e1tica?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-50394ca304062a7a0126b84ede2880dc\"><strong>Texto: <a href=\"eduarda.amorim@ufms.br\">Maria Eduarda Amorim<\/a>|<a href=\"paloma_rainho@ufms.br\">Paloma Maldonado<\/a>|<a href=\"silva.vitoria@ufms.br\">Vit\u00f3ria Santos<\/a><br>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"http:\/\/@porangaba_pedro\">Pedro Porangaba<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"950\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ILUSTRACAO-FINAL-ONLINE-PNG-1-1024x950.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6114\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ILUSTRACAO-FINAL-ONLINE-PNG-1-1024x950.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ILUSTRACAO-FINAL-ONLINE-PNG-1-300x278.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ILUSTRACAO-FINAL-ONLINE-PNG-1-768x713.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ILUSTRACAO-FINAL-ONLINE-PNG-1-400x371.png 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ILUSTRACAO-FINAL-ONLINE-PNG-1.png 1086w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fingir que a juventude est\u00e1 salvando o mundo pode ser uma forma conveniente de adiar o enfrentamento ao problema. Enquanto enchentes, desmatamentos, ondas de calor e secas extremas, evidenciam o avan\u00e7o do aquecimento global no Brasil, a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 sofre com esses impactos no cotidiano. A juventude, contudo, tende a ser a mais impactada, pois herdar\u00e1 um planeta em crise como resultado das escolhas de agora. Mas afinal, os jovens est\u00e3o conscientes desses impactos e possuem condi\u00e7\u00f5es reais de se engajar no enfrentamento \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/p>\n\n\n\n<p>Embora pesquisas como a Juventudes, Meio Ambiente e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (JUMA), de 2023, apontem que a juventude \u00e9 uma grande aliada na recupera\u00e7\u00e3o dos biomas brasileiros, diversos fatores ainda limitam sua participa\u00e7\u00e3o ativa. Entre eles, est\u00e3o a desinforma\u00e7\u00e3o, o desconhecimento dos impactos e a exclus\u00e3o dos espa\u00e7os de decis\u00e3o. Nesse contexto, a ideia de que jovens podem salvar o planeta funciona bem no discurso, mas n\u00e3o se sustenta na pr\u00e1tica. Mesmo quando participam de conven\u00e7\u00f5es internacionais como a COP30 e a COP15, sua presen\u00e7a raramente se traduz em poder real de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A juventude acaba ocupando, assim, um lugar simb\u00f3lico nos espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o e com pouca influ\u00eancia na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas clim\u00e1ticas. De acordo com o relat\u00f3rio Try Harder! (Esforce-se mais!), de 2023, realizado pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF), sete em cada dez jovens ativistas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe nunca foram consultados na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e planos clim\u00e1ticos e ambientais em seus pa\u00edses. As Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDCs), por exemplo, est\u00e3o entre os documentos menos abertos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o juvenil, com apenas 5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor de Geografia e Educa\u00e7\u00e3o Ambiental da Universidade Federal de Mato do Sul (UFMS), Marcos Campos, essa exclus\u00e3o decorre de estruturas hier\u00e1rquicas e adultoc\u00eantricas, que ainda valorizam o tempo de vida como marcador de legitimidade. \u201cQuando o jovem toma consci\u00eancia do seu lugar na sociedade, ele vai receber retalia\u00e7\u00e3o e preconceito. Por conta daquela sociedade que enxerga que o marcador tempo \u00e9 importante. \u00c9 necess\u00e1rio considerar que o jovem, no seu lugar de fala, vai conseguir apontar elementos que o adulto, dentro da sua perspectiva de vida, n\u00e3o vai conseguir considerar, porque ele n\u00e3o viveu o que o jovem est\u00e1 vivendo hoje\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de ativistas como Greta Thunberg nesses espa\u00e7os, por exemplo, evidencia que h\u00e1 consci\u00eancia e potencial na juventude, mas muitos jovens n\u00e3o possuem conhecimento sobre o que s\u00e3o as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou como elas se manifestam no dia a dia. Nesse cen\u00e1rio, a educa\u00e7\u00e3o ambiental surge como uma ferramenta essencial para formar jovens conscientes, cr\u00edticos e engajados. No entanto, embora prevista como tema transversal, ela ainda aparece de forma superficial nas escolas, restrita muitas vezes a a\u00e7\u00f5es pontuais como o Dia da \u00c1rvore ou do Meio Ambiente. Sem aprofundar causas estruturais ou estimular o pensamento cr\u00edtico. Quando esse debate se aprofunda, costuma ocorrer em espa\u00e7os elitizados, distantes das parcelas mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o, desconsiderando que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tamb\u00e9m intensificam desigualdades sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcadores sociais como ra\u00e7a, g\u00eanero, etnia e territ\u00f3rio influenciam diretamente na forma com que esses impactos s\u00e3o vividos. Jovens de periferias expostos \u00e0 vulnerabilidade, por exemplo, enfrentam com mais intensidade o calor extremo, enchentes, inseguran\u00e7a alimentar e a falta de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, enquanto aqueles em contextos privilegiados tendem a estar mais distantes desses efeitos. Essas diferen\u00e7as tamb\u00e9m moldam o tipo e o n\u00edvel de engajamento. Quem luta diariamente para sobreviver, apesar de muitas vezes viver os desastres com mais intensidade, dificilmente disp\u00f5e de tempo ou recursos para lutar pelo planeta. Ao serem exclu\u00eddos dos espa\u00e7os de debate, seja por falta de acesso, informa\u00e7\u00e3o ou oportunidades, os jovens acabam refor\u00e7ando estruturas de poder que silenciam suas vozes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-106\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 106<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Maria Eduarda Amorim|Paloma Maldonado|Vit\u00f3ria SantosIlustra\u00e7\u00e3o: Pedro Porangaba Fingir que a juventude est\u00e1 salvando o mundo pode ser uma forma conveniente de adiar o enfrentamento ao problema. 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