{"id":5991,"date":"2026-07-02T16:59:49","date_gmt":"2026-07-02T20:59:49","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5991"},"modified":"2026-07-07T18:49:25","modified_gmt":"2026-07-07T22:49:25","slug":"sustentavel-para-quem-o-verde-de-fachada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/sustentavel-para-quem-o-verde-de-fachada\/","title":{"rendered":"Sustent\u00e1vel para quem? O &#8220;verde de fachada&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><mark style=\"background-color:#000000\" class=\"has-inline-color has-accent-color\">Texto: Allan Klinsmann | Anna Bruschi | Sophia Lescano<br>Ilustra\u00e7\u00e3o: Pedro Porangaba<\/mark><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"538\" data-id=\"6019\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/file_0000000068e471f7bbe50b9281275586-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6019\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/file_0000000068e471f7bbe50b9281275586-4.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/file_0000000068e471f7bbe50b9281275586-4-300x269.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/file_0000000068e471f7bbe50b9281275586-4-400x359.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\">Quando o desmatamento passa a ser chamado de \u201cuso produtivo da terra\u201d, ocorre uma mudan\u00e7a de linguagem que n\u00e3o altera o impacto real. De acordo com o MapBiomas, cerca de 90% do desmatamento registrado no Brasil em 2024 est\u00e1 associado ao setor agropecu\u00e1rio, o que evidencia a rela\u00e7\u00e3o direta entre a expans\u00e3o produtiva e o avan\u00e7o sobre a vegeta\u00e7\u00e3o nativa.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Esse contraste real\u00e7a um ponto central, embora o discurso da sustentabilidade ganhe for\u00e7a em eventos como a Confer\u00eancia das Partes (COP30) e a Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Conserva\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias de Animais Silvestres (COP 15), os indicadores estruturais pouco se alteram ano a ano. Pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis existem, mas ainda aparecem de forma pontual e sem escala suficiente para reverter os impactos do agroneg\u00f3cio. Assim, mesmo com a presen\u00e7a de iniciativas, sua abrang\u00eancia e efic\u00e1cia s\u00e3o question\u00e1veis: trata-se de uma mudan\u00e7a estrutural ou apenas de uma adapta\u00e7\u00e3o do discurso diante de novas exig\u00eancias de mercado?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">O uso de termos como \u201cprodu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel\u201d e \u201cbaixo carbono\u201d refor\u00e7a essa l\u00f3gica. Muitas vezes, essas express\u00f5es n\u00e3o v\u00eam acompanhadas de metas claras, indicadores verific\u00e1veis ou transpar\u00eancia sobre resultados. Sem esses elementos, o risco \u00e9 que a sustentabilidade se torne apenas uma narrativa de <em>marketing<\/em> para agradar investidores e, fundamentalmente, iludir o consumidor final, que busca, cada vez mais, fazer escolhas respons\u00e1veis.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Nesse contexto, o chamado <em>greenwashing,<\/em> ou \u201cmentira verde\u201d, ocorre justamente quando empresas manipulam, omitem ou inventam informa\u00e7\u00f5es para construir uma imagem de responsabilidade socioambiental. O professor da Faculdade de Engenharias, Arquitetura, Urbanismo e Geografia&nbsp; (FAENG) da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Ariel Ortiz Gomes, explica a pr\u00e1tica. \u201cO <em>greenwashing<\/em> \u00e9 uma pr\u00e1tica de propaganda e marketing em que empresas afirmam adotar pol\u00edticas de sustentabilidade, responsabilidade social e redu\u00e7\u00e3o de impactos ambientais, mas que na pr\u00e1tica, n\u00e3o possuem programas e a\u00e7\u00f5es concretas nessa \u00e1rea.\u201d Trata-se de uma estrat\u00e9gia para aparentar compromisso ambiental e ganhar competitividade no mercado, mesmo sem mudan\u00e7as reais. Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), isso viola direitos b\u00e1sicos do consumidor, especialmente o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, ao induzir decis\u00f5es baseadas em percep\u00e7\u00f5es distorcidas da realidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">\u201cSustent\u00e1vel\u201d, \u201cnatural\u201d ou \u201camigo do meio ambiente\u201d, quando n\u00e3o est\u00e3o acompanhados de comprova\u00e7\u00e3o, confundem e enganam em vez de informar. Selos que parecem certifica\u00e7\u00f5es independentes, mas n\u00e3o s\u00e3o, refor\u00e7am essa l\u00f3gica. Uma pesquisa do Idec, de 2019, com 509 produtos com alega\u00e7\u00f5es socioambientais em seus r\u00f3tulos revelou que 47,7% n\u00e3o deveriam apresent\u00e1-las. Isso \u00e9 preocupante porque o interesse do consumidor por pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis s\u00f3 cresce. Dados da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) indicam que a parcela de brasileiros que se preocupa com h\u00e1bitos sustent\u00e1veis passou de 74% para 81% entre 2024 e 2025. Al\u00e9m disso, 86% afirmam preferir produtos de empresas ambientalmente respons\u00e1veis. No entanto, sem acesso a informa\u00e7\u00f5es claras e confi\u00e1veis, esse esfor\u00e7o individual se torna limitado e, muitas vezes, explorado pelo pr\u00f3prio mercado.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #ffffff;\">O problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na comunica\u00e7\u00e3o das empresas, mas na maneira como o consumo vem sendo apresentado como solu\u00e7\u00e3o. Ao refor\u00e7ar a ideia de que consumir \u201cmelhor\u201d \u00e9 suficiente, apaga-se o foco em mudan\u00e7as estruturais mais profundas, como a revis\u00e3o de modelos produtivos, responsabiliza\u00e7\u00e3o de grandes emissores e o fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas. Nesse contexto, o <em>greenwashing<\/em> deixa de ser uma pr\u00e1tica pontual e passa a operar como l\u00f3gica de mercado, e ao destacar a\u00e7\u00f5es isoladas e ampli\u00e1-las como s\u00edmbolo de sustentabilidade, constr\u00f3i-se uma narrativa positiva que nem sempre reflete a realidade.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-106\/\">Voltar para edi\u00e7\u00e3o 106<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Allan Klinsmann | Anna Bruschi | Sophia LescanoIlustra\u00e7\u00e3o: Pedro Porangaba Quando o desmatamento passa a ser chamado de \u201cuso produtivo da terra\u201d, ocorre uma mudan\u00e7a de linguagem que n\u00e3o altera o impacto real. 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