{"id":5994,"date":"2026-07-02T17:21:33","date_gmt":"2026-07-02T21:21:33","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=5994"},"modified":"2026-07-07T18:49:03","modified_gmt":"2026-07-07T22:49:03","slug":"campo-dividido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/campo-dividido\/","title":{"rendered":"Campo dividido"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Enquanto amplia sua produ\u00e7\u00e3o e o impacto ambiental, setores do agroneg\u00f3cio sul-mato-grossense buscam se adaptar a pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, mas ainda h\u00e1 d\u00favidas sobre a efetividade dessas mudan\u00e7as<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><mark style=\"background-color:#000000\" class=\"has-inline-color has-accent-color\">Texto: Allan Klinsmann | Anna Bruschi | Sophia Lescano<br>Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o Famasul<\/mark><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\">A agricultura brasileira h\u00e1 muito deixou de ser apenas um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o para se tornar tamb\u00e9m um territ\u00f3rio de embates econ\u00f4micos, ambientais e simb\u00f3licos. Em meio \u00e0 expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio (Agro) e \u00e0 crescente press\u00e3o global por sustentabilidade, o Brasil se posiciona em um cen\u00e1rio de contrastes: ao mesmo tempo em que se consolida como pot\u00eancia agr\u00edcola, enfrenta questionamentos sobre os impactos ambientais associados a esse crescimento. Essa dualidade n\u00e3o se limita aos n\u00fameros, se expressa tamb\u00e9m na forma como o pr\u00f3prio setor se apresenta ao mercado e \u00e0 sociedade. \u00c9 nesse contexto que o pa\u00eds passa a projetar, para dentro e para fora, uma imagem que nem sempre se sustenta de forma homog\u00eanea: a de um segmento produtivo em transi\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Nos \u00faltimos quatro anos, essa tens\u00e3o ganhou maior visibilidade em eventos internacionais realizados no pr\u00f3prio territ\u00f3rio brasileiro: a Confer\u00eancia das Partes (COP30), em Bel\u00e9m do Par\u00e1, em novembro de 2025 e a Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Conserva\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias de Animais Silvestres (COP15), em mar\u00e7o de 2026 em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O agro esteve no centro das discuss\u00f5es, sendo apresentado, ao mesmo tempo, como parte do problema e potencial parte da solu\u00e7\u00e3o. Essa dualidade, longe de ser pontual, reflete uma caracter\u00edstica estrutural do setor no Brasil.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert\">Os n\u00fameros ajudam a compreender essa complexidade. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) indicam que, entre 2022 e 2025, o setor apresentou crescimento na produ\u00e7\u00e3o de 5,8%, al\u00e9m de expans\u00e3o significativa da \u00e1rea plantada em 2024 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Esse avan\u00e7o consolida o pa\u00eds como um dos principais exportadores globais de commodities agr\u00edcolas. Ao mesmo tempo, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), em 2024, a Agropecu\u00e1ria foi respons\u00e1vel por mais de 25% das emiss\u00f5es no Brasil, em fun\u00e7\u00e3o do desmatamento associado \u00e0 abertura de novas \u00e1reas para cultivo e pastagem e com destaque para a cria\u00e7\u00e3o bovina, respons\u00e1vel pela libera\u00e7\u00e3o de g\u00e1s metano. A rela\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o e impacto ambiental tamb\u00e9m se evidencia no uso da terra. De acordo com o MapBiomas, cerca de 90% do desmatamento registrado no Brasil em 2024 est\u00e1 associado ao setor, principalmente pela convers\u00e3o de \u00e1reas naturais em pasto e lavouras. Esse processo ocorre de forma desigual entre os biomas, mas mant\u00e9m uma caracter\u00edstica comum, a expans\u00e3o territorial como estrat\u00e9gia de crescimento.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">No paralelo, o Agro tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo consumo consider\u00e1vel de recursos h\u00eddricos. Segundo dados apresentados por Andr\u00e9 Luiz Siqueira, diretor de Programas e Projetos da ONG Ecologia e A\u00e7\u00e3o (ECOA), o setor consome mais de 50% da \u00e1gua no pa\u00eds. \u201cE voc\u00ea tem, inclusive, o desrespeito completo das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs) \u2013 s\u00e3o \u00e1reas da natureza protegidas por legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, cujo objetivo \u00e9 garantir a manuten\u00e7\u00e3o de ecossistemas essenciais para o equil\u00edbrio ambiental \u2013, onde tem soja e cana chegando at\u00e9 o espelho d\u2019\u00e1gua\u201d. Isso amplia o debate sobre a gest\u00e3o de recursos naturais em larga escala.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Dentro do campo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Em termos de legisla\u00e7\u00e3o, na percep\u00e7\u00e3o de quem vive no campo, o Brasil aparece como um dos principais instrumentos e tamb\u00e9m um dos principais pontos de tens\u00e3o desse processo. Produtor rural no Pantanal de Aquidauana, Mauro Ribeiro Corr\u00eaa, afirma que a preserva\u00e7\u00e3o ambiental faz parte da rotina produtiva h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es. Sua fam\u00edlia atua na pecu\u00e1ria desde 1840, e, segundo ele, o cumprimento das normas ambientais \u00e9 uma exig\u00eancia constante da atividade. &#8220;O Pantanal \u00e9 um dos biomas mais preservados do pa\u00eds e, por lei, temos que manter entre 20% e 30% de reserva dentro de cada propriedade&#8221;, explica Mauro Ribeiro Corr\u00eaa.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">&nbsp;<mark style=\"background-color:#000000\" class=\"has-inline-color has-accent-color\">\u201cO Pantanal \u00e9 um dos biomas mais preservados do pa\u00eds e, por lei, temos que manter entre 20% e 30% de reserva dentro de cada propriedade\u201d, explica Mauro Ribeiro Corr\u00eaa<\/mark><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert\">As pr\u00e1ticas adotadas, como a manuten\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas e a proibi\u00e7\u00e3o de ca\u00e7a, seguem diretamente o que determinam as regras. Apesar disso, Corr\u00eaa reconhece que a ado\u00e7\u00e3o dessas medidas n\u00e3o ocorreu por iniciativa pr\u00f3pria, mas por imposi\u00e7\u00e3o legal. Ele avalia que o Brasil possui \u201cuma das legisla\u00e7\u00f5es mais restritivas do planeta\u201d. Para ele, embora o cumprimento das normas ambientais seja obrigat\u00f3rio, o apoio governamental ainda \u00e9 limitado. \u201cO nosso estado come\u00e7ou, h\u00e1 pouco tempo, a remunerar por servi\u00e7os ambientais, e \u00e9 o primeiro no pa\u00eds. N\u00e3o temos incentivo federal algum e nem cr\u00e9dito nessa \u00e1rea\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">A fala do produtor se relaciona com a implementa\u00e7\u00e3o do PSA Bioma Pantanal (2025), considerado o maior programa de conserva\u00e7\u00e3o ambiental do pa\u00eds, que surgiu como uma inova\u00e7\u00e3o por remunerar produtores que mant\u00eam vegeta\u00e7\u00e3o nativa excedente ao exigido por lei e prevenir inc\u00eandios, utilizando recursos do Fundo Clima Pantanal. O Mato Grosso do Sul compra licen\u00e7as j\u00e1 emitidas de produtores que preservam, consolidando o entendimento de que &#8220;preservar compensa&#8221;, unindo conserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0 renda no campo. Apesar desse avan\u00e7o em n\u00edvel estadual, a aus\u00eancia de pol\u00edticas federais mais abrangentes de incentivo, como linhas de cr\u00e9dito espec\u00edficas ou subs\u00eddios diretos vinculados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 vista como um dos desafios \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas. Em compara\u00e7\u00e3o com modelos adotados em outras regi\u00f5es do mundo, onde a sustentabilidade \u00e9 fortemente apoiada por investimentos econ\u00f4micos, o caso brasileiro se divide entre o rigor das exig\u00eancias legais e a oferta de mecanismos de apoio financeiro.<\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><span style=\"font-weight: 400\">Nos Estados Unidos, a legisla\u00e7\u00e3o ambiental agr\u00edcola \u00e9 estruturada de forma distinta. Programas como o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Conservation Reserve Program<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (CRP), administrado pelo Departamento de Agricultura, incentivam a preserva\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea por meio de compensa\u00e7\u00e3o financeira aos produtores que retiram \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o para recupera\u00e7\u00e3o ambiental. No Canad\u00e1, pol\u00edticas como o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Environmental Farm Plan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (EFP) funcionam com base em ades\u00e3o volunt\u00e1ria e incentivos t\u00e9cnicos e financeiros, priorizando a adequa\u00e7\u00e3o progressiva das propriedades. Em ambos os casos, a prote\u00e7\u00e3o ambiental tende a estar mais associada a pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo do que a obriga\u00e7\u00f5es diretas sobre o uso da terra privada. <\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert\">O professor da Faculdade de Engenharias, Arquitetura, Urbanismo e Geografia&nbsp; (FAENG) da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Ariel Ortiz Gomes afirma que a exist\u00eancia de leis e normas t\u00e9cnicas \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o suficiente. Segundo ele, projetos ambientais vinculados ao agroneg\u00f3cio precisam seguir par\u00e2metros internacionais, como a s\u00e9rie de normas ISO 14000, que correspondem a um Sistema de Gest\u00e3o Ambiental (SGA) editado pela ISO, sigla em ingl\u00eas para Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Padroniza\u00e7\u00e3o. \u201cA certifica\u00e7\u00e3o exige que a empresa comprove, por meio de indicadores, que suas pr\u00e1ticas ambientais s\u00e3o reais e acompanhadas ao longo do tempo\u201d, explica.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" data-id=\"6024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Placa-P-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6024\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Placa-P-1.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Placa-P-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Placa-P-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Placa-P-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Placa-P-1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" data-id=\"6025\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Alto-P.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6025\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Alto-P.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Alto-P-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Alto-P-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Alto-P-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Alto-P-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" data-id=\"6023\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Agua-P4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6023\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Agua-P4.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Agua-P4-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Agua-P4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Agua-P4-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Agua-P4-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" data-id=\"6026\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Mato-P-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6026\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Mato-P-1.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Mato-P-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Mato-P-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Mato-P-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Foto-Mato-P-1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00c1reas preservadas contribuem para a regula\u00e7\u00e3o do clima e a manuten\u00e7\u00e3o do ciclo de chuvas.<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Bola em campo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert\">A dist\u00e2ncia entre norma e pr\u00e1tica fica mais evidente quando se observa a rotina das propriedades rurais. O engenheiro agrimensor e t\u00e9cnico em agropecu\u00e1ria M\u00e1rcio Sales Palmeira acompanha processos de regulariza\u00e7\u00e3o ambiental e destaca que a busca pela regulariza\u00e7\u00e3o ambiental ainda acontece, em muitos casos, de forma reativa. \u201cNa maioria das vezes, o produtor nos procura quando h\u00e1 a notifica\u00e7\u00e3o de algum il\u00edcito pelo \u00f3rg\u00e3o fiscalizador\u201d, explica. Ele aponta que esse comportamento come\u00e7a a mudar, impulsionado por maior conscientiza\u00e7\u00e3o e pela exig\u00eancia de instrumentos como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que se tornou obrigat\u00f3rio para a regulariza\u00e7\u00e3o das propriedades. \u201cExiste uma evolu\u00e7\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o, mas ela ainda n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Uma iniciativa que surgiu a partir das obriga\u00e7\u00f5es ambientais se v\u00ea na propriedade do produtor rural F\u00e1bio Reis, o projeto de prote\u00e7\u00e3o das nascentes do Guariroba, respons\u00e1vel por parte do abastecimento de \u00e1gua de Campo Grande. Ele afirma que o debate sobre pr\u00e1ticas de menor impacto ambiental ganhou for\u00e7a a partir de a\u00e7\u00f5es locais, como essa. \u201cFoi quando come\u00e7aram a exigir mais cuidado com as fontes. Ali, a gente viu que precisava preservar mesmo\u201d, relata. Segundo Reis, medidas como o cercamento de \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs) e a restri\u00e7\u00e3o do acesso do gado \u00e0s nascentes passaram a fazer parte da rotina produtiva. \u201cHoje, a gente tamb\u00e9m faz curva de n\u00edvel nas invernadas para evitar eros\u00e3o\u201d, explica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores est\u00e1 a recomposi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de reserva legal. &#8220;A maior dificuldade \u00e9 compatibilizar o desenvolvimento econ\u00f4mico com os conceitos de sustentabilidade ambiental&#8221;, destaca o engenheiro agrimensor.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><mark style=\"background-color:#000000\" class=\"has-inline-color has-accent-color\">\u201cA maior dificuldade \u00e9 compatibilizar o desenvolvimento econ\u00f4mico com os conceitos de sustentabilidade ambiental\u201d, destaca o engenheiro agrimensor<\/mark><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ele aponta que pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis j\u00e1 v\u00eam sendo adotadas, especialmente em biomas como o Pantanal, onde h\u00e1 maior atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico na regulamenta\u00e7\u00e3o do uso sustent\u00e1vel. E ainda ressalta que essas atividades precisam ser ampliadas. \u201cExistem a\u00e7\u00f5es em andamento, mas \u00e9 necess\u00e1ria maior integra\u00e7\u00e3o do produtor rural nessas pol\u00edticas\u201d, afirma M\u00e1rcio Palmeira. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ele tamb\u00e9m observa uma mudan\u00e7a gradual na forma como o tema \u00e9 percebido no campo. Se antes a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental era vista predominantemente como uma obriga\u00e7\u00e3o, hoje come\u00e7a a ser associada a ganhos econ\u00f4micos e valoriza\u00e7\u00e3o da propriedade. \u201cAtualmente, muitos produtores j\u00e1 entendem que estar regularizado agrega valor \u00e0 atividade e cumpre a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade\u201d, explica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert\">Seguindo esse racioc\u00ednio, o produtor Mauro Corr\u00eaa acrescenta que o rigor da fiscaliza\u00e7\u00e3o e das penalidades pode impactar diretamente a continuidade da produ\u00e7\u00e3o, o descumprimento das normas pode resultar em multas que chegam a milhares de reais por hectare, al\u00e9m de san\u00e7\u00f5es como embargo da propriedade, impedindo qualquer atividade produtiva. \u201cSem produ\u00e7\u00e3o, como o produtor vai arcar com essas penalidades?\u201d, questiona. A situa\u00e7\u00e3o evidencia como a aplica\u00e7\u00e3o das normas, ao mesmo tempo em que busca garantir a preserva\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m interfere na din\u00e2mica econ\u00f4mica das propriedades rurais.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert\">Com forte presen\u00e7a da pecu\u00e1ria e da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, o estado se consolidou como um dos principais polos do Agroneg\u00f3cio nacional. Dados do IBGE, compilados pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o de MS (Semadesc), indicam que a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sul-mato-grossense passou de cerca de 70 milh\u00f5es de toneladas, em 2023, para uma estimativa superior a 75 milh\u00f5es, em 2025, acompanhada pela expans\u00e3o da \u00e1rea plantada, que j\u00e1 ultrapassa 7 milh\u00f5es de hectares. Esse crescimento refor\u00e7a a import\u00e2ncia econ\u00f4mica do setor e evidencia o avan\u00e7o cont\u00ednuo sobre o territ\u00f3rio. A amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o ocorre, em parte, sobre \u00e1reas j\u00e1 abertas, mas ainda levanta questionamentos sobre os limites ambientais dessa expans\u00e3o, especialmente em biomas sens\u00edveis como o Cerrado e o Pantanal.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;color: #ffffff\">Entre as alternativas em discuss\u00e3o, o mercado de carbono se apresenta como uma possibilidade de alinhar interesses econ\u00f4micos e ambientais \u201cO produtor rural tem de ser reconhecido n\u00e3o apenas como parte da solu\u00e7\u00e3o, mas como protagonista na transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono\u201d, opina Lucas Galvan, superintendente do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar\/MS) e membro da&nbsp; Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grosso do Sul (Famasul). Nesse sistema de negocia\u00e7\u00e3o, empresas e pa\u00edses compram e vendem &#8220;cr\u00e9ditos de carbono&#8221; para compensar suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. \u00c9 importante considerar que n\u00e3o h\u00e1 consenso em rela\u00e7\u00e3o ao tema. Para Andr\u00e9 Luiz, diretor do ECOA, o mecanismo funciona mais como vitrine do que como ferramenta real de conserva\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma grande bancada de neg\u00f3cios para que empresas consigam se eximir de outras responsabilidades&#8221;, critica Andr\u00e9 Luiz<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><mark style=\"background-color:#000000\" class=\"has-inline-color has-accent-color\">&nbsp;\u201c\u00c9 uma grande bancada de neg\u00f3cios para que empresas consigam se eximir de outras responsabilidades\u201d, critica Andr\u00e9 Luiz<br><\/mark><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert;\">Ao observar esse conjunto de fatores, crescimento econ\u00f4mico, legisla\u00e7\u00e3o rigorosa, desafios de implementa\u00e7\u00e3o e impactos ambientais, torna-se evidente que o agroneg\u00f3cio brasileiro opera em um cen\u00e1rio de m\u00faltiplos caminhos e tens\u00f5es. A sustentabilidade, nesse contexto, n\u00e3o se apresenta como um conceito \u00fanico, mas como um campo em constru\u00e7\u00e3o, permeado por interesses, limites e possibilidades.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert;\">O campo segue dividido. N\u00e3o apenas entre \u00e1reas produtivas e de preserva\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m entre diferentes formas de entender o que significa produzir, de maneira sustent\u00e1vel, em um pa\u00eds que combina protagonismo agr\u00edcola e desafios ambientais de grande escala.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-106\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 106<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto amplia sua produ\u00e7\u00e3o e o impacto ambiental, setores do agroneg\u00f3cio sul-mato-grossense buscam se adaptar a pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, mas ainda h\u00e1 d\u00favidas sobre a efetividade dessas mudan\u00e7as Texto: Allan Klinsmann | Anna Bruschi | Sophia LescanoFotos: Divulga\u00e7\u00e3o Famasul A agricultura brasileira h\u00e1 muito deixou de ser apenas um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o para se tornar tamb\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-5994","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem106"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5994","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5994"}],"version-history":[{"count":25,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5994\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6851,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5994\/revisions\/6851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}