{"id":6122,"date":"2026-07-02T17:16:46","date_gmt":"2026-07-02T21:16:46","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6122"},"modified":"2026-07-07T18:38:22","modified_gmt":"2026-07-07T22:38:22","slug":"quando-o-clima-pesa-para-elas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/quando-o-clima-pesa-para-elas\/","title":{"rendered":"Quando o clima pesa   para elas"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Seca, fuma\u00e7a, enchente e fome n\u00e3o atingem todos da mesma forma, revelam como g\u00eanero, ra\u00e7a e territ\u00f3rio definem quem mais sofre com a crise clim\u00e1tica<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-63bcad5cfb07139c36a86e549276d839\"><strong>Texto: <strong>Clara Dia<\/strong>s | Evelyn Fernandes| <strong>Helena Fuzineli<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Quando o ar se torna intoxicante e idosos e crian\u00e7as adoecem, s\u00e3o as mulheres que assumem o cuidado. Quando o acesso ao alimento falha, s\u00e3o elas que reorganizam a subsist\u00eancia familiar. Quando temporais e enchentes impactam as cidades, s\u00e3o elas que precisam garantir a seguran\u00e7a do n\u00facleo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relat\u00f3rio Gender Snapshot 2024, estima-se que at\u00e9 2050, 158 milh\u00f5es de mulheres e meninas podem ser levadas para a pobreza decorrente das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O mesmo documento indica que h\u00e1 47,8 milh\u00f5es de mulheres a mais do que homens enfrentando inseguran\u00e7a alimentar e fome.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa estat\u00edstica ganha rosto e territ\u00f3rio na Barra do S\u00e3o Louren\u00e7o, em Corumb\u00e1. Considerada uma das regi\u00f5es mais preservadas da plan\u00edcie pantaneira, a comunidade vive em um isolamento que a protege, mas tamb\u00e9m a deixa vulner\u00e1vel. Ali, onde o acesso \u00e9 restrito a barcos ou pequenos avi\u00f5es, a alimenta\u00e7\u00e3o depende diretamente da terra e, sobretudo, das m\u00e3os femininas. S\u00e3o as mulheres as respons\u00e1veis pelos quintais produtivos e pelos armaz\u00e9ns de sementes que garantem a subsist\u00eancia local.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, essa autonomia foi devastada pelas queimadas de 2019, 2020 e 2021. Segundo Nath\u00e1lia Ziolkowski, Diretora Presidenta da Organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o Governamental Ecologia e A\u00e7\u00e3o (Ecoa), o impacto foi profundo. As camadas de cinza eram t\u00e3o espessas que impediram qualquer novo plantio por um grande per\u00edodo. Para essas mulheres o fogo n\u00e3o destruiu apenas a vegeta\u00e7\u00e3o, mas o futuro da alimenta\u00e7\u00e3o de suas fam\u00edlias. Sem a produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, a crise clim\u00e1tica passou a ser sentida diretamente no prato. O transporte de alimentos de fora, al\u00e9m de levar dias, encarece um custo de vida que antes era simples.<\/p>\n\n\n\n<p>A sobrecarga recai sobre as mulheres. S\u00e3o elas, muitas vezes, que assumem o papel da lideran\u00e7a, que precisam buscar alternativas para alimentar suas fam\u00edlias, que precisam lidar com a inconsist\u00eancia do clima e, ao mesmo tempo, manter o cuidado com crian\u00e7as, idosos, da casa e do pr\u00f3prio territ\u00f3rio. A crise n\u00e3o apenas destr\u00f3i os recursos naturais, mas reorganiza toda a din\u00e2mica social dessas comunidades.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-frente-tratada-rgb-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6132\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-frente-tratada-rgb-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-frente-tratada-rgb-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-frente-tratada-rgb-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-frente-tratada-rgb-1-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-frente-tratada-rgb-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mulheres do Mandela lideram a gest\u00e3o da escassez e a reconstru\u00e7\u00e3o do cotidiano onde a infraestrutura p\u00fablica falha (Foto: Alicce Rodrigues\/ Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Diferentes cen\u00e1rios, a mesma sobrecarga<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora as paisagens de Mato Grosso do Sul mudem drasticamente entre a imensid\u00e3o das \u00e1guas pantaneiras e o asfalto das periferias urbanas, o impacto da crise clim\u00e1tica segue um padr\u00e3o, sendo mais severo onde a infraestrutura \u00e9 escassa e o trabalho de cuidado recai sobre as mulheres. A compara\u00e7\u00e3o entre os dados da Rede de Mulheres Produtoras do Cerrado e Pantanal (CerraPan), fornecidos pela Ecoa em primeira m\u00e3o para o Proj\u00e9til, e o cotidiano das favelas em Campo Grande revela uma emerg\u00eancia ambiental que ataca a autonomia feminina em diferentes frentes.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo, essa vulnerabilidade manifesta-se no silenciamento da renda e da pr\u00f3pria terra. O diagn\u00f3stico CerraPan, que ouviu mulheres de 12 comunidades, aponta que a totalidade das entrevistadas j\u00e1 percebe mudan\u00e7as dr\u00e1sticas no clima: 100% delas notam o aumento das secas, o calor mais intenso e, consequentemente, queimadas mais severas com presen\u00e7a constante de fuma\u00e7a. Al\u00e9m disso, 75% das produtoras observam que os per\u00edodos de chuva foram alterados, o que dificulta o plantio de alimentos de onde tiram sua subsist\u00eancia. As entrevistadas destacam que as principais \u00e1reas atingidas em suas vidas s\u00e3o a sa\u00fade das crian\u00e7as, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e a pr\u00f3pria sa\u00fade f\u00edsica. Embora toda a comunidade seja afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, elas refor\u00e7am que o impacto as atinge de forma diferente, j\u00e1 que a gest\u00e3o da escassez no dia a dia \u00e9 uma tarefa majoritariamente feminina.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-3ae9574a287d462f9db66b786f71b2ca\"><strong>&#8220;Para essas mulheres o fogo n\u00e3o destruiu apenas a vegeta\u00e7\u00e3o, mas o futuro da alimenta\u00e7\u00e3o de suas fam\u00edlias. Sem a produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, a crise clim\u00e1tica passou a ser sentida diretamente no prato&#8221;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Essa realidade de sobrecarga atravessa a fronteira rural e chega aos centros urbanos. Nas favelas da capital sul-mato-grossense, onde o asfalto e a vegeta\u00e7\u00e3o s\u00e3o prec\u00e1rios, a vulnerabilidade clim\u00e1tica \u00e9 moldada pela arquitetura da exclus\u00e3o. Segundo relatos de volunt\u00e1rias colhidos na Central \u00danica das Favelas de Mato Grosso do Sul (Cufa-MS), a maioria dos barracos \u00e9 constru\u00edda com materiais que absorvem calor, como lat\u00e3o, pl\u00e1stico e madeira, o que torna o interior das casas extremamente quente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de calor extremo e infraestrutura prec\u00e1ria culminou no caso emblem\u00e1tico da favela do Mandela, em 2023. Tratava-se de um ano muito quente, com ventanias intensas. Come\u00e7ou ali um inc\u00eandio que devastou as habita\u00e7\u00f5es, onde a causa prov\u00e1vel foi um curto circuito devido aos problemas na fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, frequentemente sobrecarregada em comunidades. Nesses momentos, as mulheres tornam-se a linha de frente, lidando com a perda de eletrodom\u00e9sticos e cuidando de filhos que desenvolvem doen\u00e7as e alergias cr\u00f4nicas pela seca e exposi\u00e7\u00e3o a fuma\u00e7a intensa.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia do clima, por\u00e9m, n\u00e3o escolhe esta\u00e7\u00e3o. Leticia Nunes Silva, presidente da Cufa, relata o caso de Lina, que veio para Campo Grande sozinha, e na madrugada em que deu \u00e0 luz, uma enxurrada assolou seu barraco. A chuva n\u00e3o perdoou o nascimento de seu filho, e quando Lina chegou em casa, as roupas do bebe haviam sido contaminadas pela \u00e1gua polu\u00edda que arrastou a favela abaixo. O relato refor\u00e7a que, seja na plan\u00edcie pantaneira ou no barraco de madeira, a crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 neutra; ela tem endere\u00e7o e g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Do Corpo ao territ\u00f3rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, a crise clim\u00e1tica se manifesta no ambiente, por outro, seus efeitos atravessam diretamente corpos e consci\u00eancias, especialmente a das mulheres. S\u00e3o elas que sentem o peso das consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Essas experi\u00eancias n\u00e3o se limitam apenas ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, mas tamb\u00e9m se expandem para o territ\u00f3rio, para as rela\u00e7\u00f5es sociais e na busca por direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora aposentada de Geografia da UFMS e doutora em meio ambiente e desenvolvimento, Icl\u00e9ia Albuquerque de Vargas destaca que, para sobreviver, os seres humanos e n\u00e3o humanos necessitam de um ambiente saud\u00e1vel. Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas acelerando e amea\u00e7ando sistematicamente o meio ambiente, a manuten\u00e7\u00e3o da vida no planeta torna-se invi\u00e1vel. Isso se traduz na fragilidade do atendimento aos direitos b\u00e1sicos da vida, caracterizando-se em viola\u00e7\u00e3o sist\u00eamica de direitos humanos, acentuando as desigualdades sociais, transformando o meio ambiente saud\u00e1vel em um privil\u00e9gio, em vez de um direito universal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse ponto que a justi\u00e7a clim\u00e1tica feminista \u00e9 impulsionada. O ecofeminismo se trata de uma cosmovis\u00e3o que entende os seres humanos como parte da natureza, n\u00e3o uma entidade separada dela. Icl\u00e9ia ressalta que natureza e mulheres s\u00e3o seres vivos e aut\u00f4nomos, n\u00e3o objetos inertes passivos, explorados e violados pelo poder masculino. A professora evidencia que o movimento destaca que a criatividade e a produtividade da natureza e das mulheres s\u00e3o os fundamentos de todos os sistemas de conhecimento e de todas as economias. A vis\u00e3o de mundo da sociedade brasileira contempor\u00e2nea, como sistema de conhecimento e forma de organiza\u00e7\u00e3o da economia foi constitu\u00edda por s\u00e9culos sob o efeito do colonialismo, do industrialismo, do uso da viol\u00eancia, da cobi\u00e7a e da destrui\u00e7\u00e3o da natureza e culturas.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-17f200ce33f3c89b1c9a2a3b200cf913\">&#8220;<strong>Ao mesmo tempo em que enfrentam os impactos da crise clim\u00e1tica, essas mulheres constroem alternativas para resistir a ela<\/strong>&#8220;<\/h5>\n\n\n\n<p>Mais do que apenas um conceito, esse movimento \u00e9 revelado na organiza\u00e7\u00e3o cotidiana dessas mulheres. Em diversas comunidades do Cerrado e do Pantanal, o combate \u00e0 crise clim\u00e1tica tem impulsionado a cria\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es femininas. Embora surjam focadas na produ\u00e7\u00e3o, essas frentes rapidamente ganham contornos pol\u00edticos, como \u00e9 o caso da CerraPan. A rede articula o trabalho coletivo de mulheres que aliam o extrativismo sustent\u00e1vel \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas associa\u00e7\u00f5es passam a atuar n\u00e3o apenas na gera\u00e7\u00e3o de renda, mas tamb\u00e9m na defesa do territ\u00f3rio, no acesso \u00e0 \u00e1gua, na seguran\u00e7a alimentar e na garantia de direitos b\u00e1sicos. Ao mesmo tempo em que enfrentam os impactos da crise clim\u00e1tica, essas mulheres constroem alternativas para resistir a ela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dura indiferen\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o debate sobre ecofeminismo ainda \u00e9 tratado como secund\u00e1rio ou banal. Frequentemente, setores da extrema direita empenham-se em retroceder tanto nos direitos das mulheres quanto nas pol\u00edticas ambientais. Nath\u00e1lia Ziolkowski, que integra o movimento feminista e ambientalista em organiza\u00e7\u00f5es mistas e femininas h\u00e1 alguns anos, esclarece que, em sua vis\u00e3o, a pauta de g\u00eanero ainda caminha a passos lentos e enfrenta resist\u00eancia, sendo muitas vezes estigmatizada como \u201cradicalismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a origem dos recursos destinados a iniciativas que articulam clima e g\u00eanero. Na pr\u00e1tica, grande parte dos financiamentos ainda vem de fora do pa\u00eds para a Ecoa e outras institui\u00e7\u00f5es. Fundos internacionais e organismos multilaterais t\u00eam assumido protagonismo no incentivo a projetos que colocam as mulheres no centro das a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, muitas vezes exigindo, inclusive, a inclus\u00e3o da perspectiva de g\u00eanero como crit\u00e9rio obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo pr\u00e1tico \u00e9 o recente aporte do governo do Canad\u00e1 que chegou a Ecoa via Fundo de Parceria para Ecossistemas Cr\u00edticos (CEPF) para o Cerrado. Ao financiar esse hotspot (bioma com mais de 50% de degrada\u00e7\u00e3o), o fundo n\u00e3o apenas supre a falta de investimento estatal no pa\u00eds, mas exerce uma press\u00e3o positiva ao exigir a inclus\u00e3o da perspectiva de g\u00eanero como crit\u00e9rio obrigat\u00f3rio para os projetos ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa press\u00e3o externa \u00e9 vis\u00edvel um avan\u00e7o nacional importante. Por exemplo, o Plano Clima 2024\u20132035, que pela primeira vez incorpora a Estrat\u00e9gia Transversal para A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica Mulheres e Clima (ETMC) como um de seus eixos. Um marco hist\u00f3rico ao reconhecer, de forma institucional, que a crise clim\u00e1tica precisa ser enfrentada tamb\u00e9m a partir da perspectiva de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-favela-meio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6136\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-favela-meio.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-favela-meio-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-favela-meio-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/foto-favela-meio-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">No Mandela a resist\u00eancia feminina se manifesta na recusa em abandonar o lar mesmo ap\u00f3s o inc\u00eandio (Foto: Alicce Rodrigues\/ Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em entrevista com a presidente da Cufa, Leticia Nunes da Silva, ela falou sobre como o poder p\u00fablico se demonstra omisso e distante da situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade das moradoras perif\u00e9ricas. Em Campo Grande, ainda h\u00e1 resist\u00eancia em reconhecer as favelas, o que inviabiliza e exclui seus moradores, que s\u00e3o em sua maioria mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta adota uma abordagem interseccional, considerando fatores como ra\u00e7a, classe e territ\u00f3rio na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, al\u00e9m de prever a\u00e7\u00f5es como a cria\u00e7\u00e3o de protocolos de prote\u00e7\u00e3o para mulheres em situa\u00e7\u00f5es de desastres ambientais, a capacita\u00e7\u00e3o de agentes comunit\u00e1rios em territ\u00f3rios vulner\u00e1veis e a produ\u00e7\u00e3o de dados desagregados por g\u00eanero, fundamentais para orientar decis\u00f5es mais eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio \u00e9 garantir que esse avan\u00e7o n\u00e3o permane\u00e7a apenas no campo do planejamento, mas que se traduza em pol\u00edticas efetivas nos territ\u00f3rios onde os impactos j\u00e1 s\u00e3o realidade. Afinal, mais do que n\u00fameros ou diretrizes, a crise clim\u00e1tica tem nome, rotina e corpo e, nesses locais, s\u00e3o as mulheres que permanecem como as mais afetadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resist\u00eancia semeia o futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio de Mato Grosso do Sul reflete uma tend\u00eancia global alarmante. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), as mulheres representam hoje cerca de 80% dos deslocados por cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas. Seja no interior do estado ou nas periferias da capital, elas s\u00e3o as primeiras a sentir o impacto quando o equil\u00edbrio se rompe. Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas as mais afetadas, s\u00e3o as primeiras que se levantam diante do desafio.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-3b2bc93026845d7c7e2a153072bc4cc0\"><strong>&#8220;Seja na plan\u00edcie pantaneira ou no barraco de madeira, a crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 neutra; ela tem endere\u00e7o e g\u00eanero&#8221;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Nas comunidades rurais e ind\u00edgenas, essa resist\u00eancia se manifesta na prote\u00e7\u00e3o das sementes crioulas e no dom\u00ednio de t\u00e9cnicas ancestrais de regenera\u00e7\u00e3o do solo. Mesmo quando o clima altera o ciclo das \u00e1guas, s\u00e3o elas que insistem em manter vivos os saberes tradicionais, garantindo que a biodiversidade do Cerrado e do Pantanal n\u00e3o se perca sob as cinzas. J\u00e1 nas favelas de Campo Grande, a resili\u00eancia assume a face da reconstru\u00e7\u00e3o imediata. Ap\u00f3s inc\u00eandios ou enchentes que invadem os barracos, s\u00e3o em maioria as mulheres que limpam a lama, reorganizam o cotidiano em meio aos escombros e garantem a prote\u00e7\u00e3o dos filhos onde a infraestrutura p\u00fablica insiste em falhar.<\/p>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a que move essas mulheres nasce da experi\u00eancia coletiva e da necessidade imperativa de sustentar a vida, seja na terra ou no asfalto. Mais do que v\u00edtimas de uma crise que n\u00e3o criaram, elas aparecem como as arquitetas de novas formas de existir. Afinal, se o clima pesa nelas, \u00e9 por meio de suas organiza\u00e7\u00f5es e capacidades inesgot\u00e1veis de resistir que reside a \u00fanica semente poss\u00edvel de futuro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"532\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/FOTO-ECOA.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6137\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/FOTO-ECOA.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/FOTO-ECOA-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/FOTO-ECOA-768x511.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/FOTO-ECOA-400x266.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Crian\u00e7as ribeirinhas contemplam o territ\u00f3rio onde o isolamento protege e ao mesmo tempo deixa a comunidade vulner\u00e1vel (Foto: Acervo Ecoa)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-106\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 106<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seca, fuma\u00e7a, enchente e fome n\u00e3o atingem todos da mesma forma, revelam como g\u00eanero, ra\u00e7a e territ\u00f3rio definem quem mais sofre com a crise clim\u00e1tica Texto: Clara Dias | Evelyn Fernandes| Helena Fuzineli Quando o ar se torna intoxicante e idosos e crian\u00e7as adoecem, s\u00e3o as mulheres que assumem o cuidado. Quando o acesso ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-6122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem106"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6122"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6122\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6836,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6122\/revisions\/6836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}