{"id":6128,"date":"2026-06-25T16:56:30","date_gmt":"2026-06-25T20:56:30","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6128"},"modified":"2026-06-25T17:29:05","modified_gmt":"2026-06-25T21:29:05","slug":"nem-luxo-nem-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/nem-luxo-nem-lixo\/","title":{"rendered":"Nem luxo, nem lixo"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Descarte irregular de lixo em Campo Grande afeta meio ambiente, sa\u00fade p\u00fablica e catadores<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-a215108c6877f957bdc66849256778af\"><strong>Texto: Emelyn Gomes | Kamilly Fernandes | Wandril Martins<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6131\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-1980x1320.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site1editada-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gilda Macedo, presidente da Atmaras\/MS, destaca que majoritariamente o trabalho na cooperativa \u00e9 realizado por mulheres | Foto: Wandril Martins<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O descarte irregular de res\u00edduos cresce no Mato Grosso do Sul (MS), acompanhando uma tend\u00eancia nacional de consumismo e aumento na produ\u00e7\u00e3o de lixo. Dados do Relat\u00f3rio de Indicadores de Res\u00edduos S\u00f3lidos nos Munic\u00edpios de MS, de 2023, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE\/MS), indicam que o estado produz cerca de 795 mil toneladas de res\u00edduos por ano, com uma m\u00e9dia de 0,72 quilo por habitante diariamente. Apesar dos avan\u00e7os no destino final, com 87% dos munic\u00edpios utilizando aterros sanit\u00e1rios, a destina\u00e7\u00e3o incorreta ainda \u00e9 frequente e persistem fragilidades na gest\u00e3o, especialmente relacionadas ao controle e \u00e0 reciclagem adequada dos rejeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Campo Grande (MS), apesar da exist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas e estrutura formal de coleta, a reincid\u00eancia do ac\u00famulo de lixo em determinadas regi\u00f5es associadas \u00e0 destina\u00e7\u00e3o incorreta aparece na presen\u00e7a de micro lix\u00f5es urbanos. Segundo o Secret\u00e1rio Especial de Articula\u00e7\u00e3o Regional, Darci Caldo, existem, em pleno 2026, entre 40 ou 50 pontos sist\u00eamicos de descarte irregular de lixo, onde independente da quantidade de vezes que s\u00e3o limpos pela prefeitura, a aglomera\u00e7\u00e3o de detritos volta a acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>A alta produ\u00e7\u00e3o do lixo, como consequ\u00eancia do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, acarreta uma maior demanda de descarte, frequentemente desassociada da separa\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o correta destes res\u00edduos. Isso contribui diretamente para o desdobramento de diversas problem\u00e1ticas socioambientais, que envolvem a sa\u00fade p\u00fablica e o trabalho dos catadores, respons\u00e1veis pela maior parte da coleta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lixo \u00e9 sa\u00fade <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Relat\u00f3rio de Estado de Las Especies migratorias en el mundo: Informe Interino (Relat\u00f3rio de Estado das Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias no Mundo: Informe Interino &#8211; 2026) das Organiza\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o ac\u00famulo de lixo contamina o solo e a \u00e1gua, al\u00e9m de expor animais \u00e0 ingest\u00e3o de materiais t\u00f3xicos e \u00e0 altera\u00e7\u00e3o de seus ambientes naturais. Para a bi\u00f3loga especializada em saneamento ambiental e recursos h\u00eddricos, Karina Righi, o descarte incorreto de eletr\u00f4nicos (pilhas, l\u00e2mpadas, baterias, etc.) pode levar \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do solo ou de algum corpo d&#8217;\u00e1gua pr\u00f3ximo. \u201cEssa contamina\u00e7\u00e3o do solo vai infiltrando e pode chegar \u00e0 contaminar \u00e1guas subterr\u00e2neas e de abastecimento\u201d. Karina ainda destaca os impactos na fauna como uma quest\u00e3o preocupante. \u201cHoje \u00e9 bem comum ver a problem\u00e1tica do pl\u00e1stico nos corpos d&#8217;\u00e1gua, onde peixes e tartarugas se alimentam e acabam morrendo por conta do contato com esses res\u00edduos\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio reflete um problema ambiental mais amplo. No mesmo relat\u00f3rio, \u00e9 indicado que a perda e a degrada\u00e7\u00e3o de habitats, a polui\u00e7\u00e3o e outras a\u00e7\u00f5es humanas, t\u00eam provocado decl\u00ednios significativos na fauna global. Outro problema alarmante \u00e9 a emiss\u00e3o de gases como o metano, proveniente da decomposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos org\u00e2nicos descartados de forma irregular, que colaboram para o efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos impactos ambientais, os lix\u00f5es representam riscos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica ao contribu\u00edrem na prolifera\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as e ao agravarem problemas sanit\u00e1rios. \u201cA gente pode tamb\u00e9m pensar em sa\u00fade p\u00fablica. O ac\u00famulo de lixo em local inadequado acaba atraindo vetores que consequentemente podem transmitir doen\u00e7as. De forma gen\u00e9rica, a gente pode pensar na leptospirose, dengue, chikungunya\u201d, lista Karina.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar, ainda, que h\u00e1 uma diferencia\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 considerado res\u00edduo e o que \u00e9 lixo. O res\u00edduo \u00e9 definido pela separa\u00e7\u00e3o adequada de suas partes, considerado o potencial econ\u00f4mico de cada uma. O lixo refere-se ao material acumulado, caracterizado pela mistura de org\u00e2nico, recicl\u00e1vel e dejetos, sem a destina\u00e7\u00e3o correta de cada um. \u201cEssa falta de separa\u00e7\u00e3o e a recusa do cidad\u00e3o em mudar o seu costume, associado \u00e0 n\u00e3o preocupa\u00e7\u00e3o de onde vai ser feito o descarte, acaba por criar amontoados de lixo. Essa aglomera\u00e7\u00e3o irregular vai criar o que pode ser chamado de micro lix\u00f5es urbanos\u201d, ela comenta. Vale ressaltar que, mesmo com a separa\u00e7\u00e3o adequada por parte dos cidad\u00e3os, o sistema de coleta e comercializa\u00e7\u00e3o deste material ainda desempenha um forte papel na destina\u00e7\u00e3o correta dos res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Karina, a produ\u00e7\u00e3o de lixo e res\u00edduos n\u00e3o vai diminuir na conjuntura atual, levando em considera\u00e7\u00e3o a forma de vida da popula\u00e7\u00e3o mundial e os processos industriais de produ\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o importante \u00e9 entender a relev\u00e2ncia de segregar a quantidade, pois a maioria dos res\u00edduos que hoje s\u00e3o mandados para o aterro sanit\u00e1rio podem ser reduzidos drasticamente. \u201cHoje o nosso aterro \u00e9 uma problem\u00e1tica real do nosso munic\u00edpio. Ele j\u00e1 aumentou o n\u00famero de c\u00e9lulas v\u00e1rias vezes para conseguir atender a demanda de gera\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio e a gente j\u00e1 tem uma nova \u00e1rea licenciada e o in\u00edcio de uma constru\u00e7\u00e3o de uma outra \u00e1rea para dep\u00f3sito de lixo\u201d, alerta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u00fanico aterro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Anu\u00e1rio Estadual de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, publicado pelo Centro Brasil no Clima (CBC) em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), em 2025, o MS est\u00e1 entre os maiores produtores de Res\u00edduos S\u00f3lidos Urbanos (RSU), com um volume de produ\u00e7\u00e3o de cerca de 336 quilos por habitante. O estado fica atr\u00e1s somente do Cear\u00e1, Rio de Janeiro e Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender a discuss\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar aterros sanit\u00e1rios (ambientes controlados de descarte de res\u00edduos s\u00f3lidos), e lix\u00f5es \u00e0 c\u00e9u aberto, (locais de surgimento espont\u00e2neo, produto do descarte irregular de lixo). <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Os aterros s\u00e3o a \u00fanica via de descarte regular na capital sul-mato-grossense, e em atividade h\u00e1 apenas um, o Aterro Sanit\u00e1rio Dom Ant\u00f4nio Barbosa II<\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O aterro sanit\u00e1rio Dom Ant\u00f4nio Barbosa II \u00e9 o maior do estado e recebe n\u00e3o s\u00f3 o lixo da popula\u00e7\u00e3o de Campo Grande, mas tamb\u00e9m de outras cidades pr\u00f3ximas \u00e0 Capital. Em 2026, existem conv\u00eanios para receber res\u00edduos dos munic\u00edpios de Figueir\u00e3o, Jaraguari, Bandeirantes e Corguinho, conforme extratos publicados no Di\u00e1rio Oficial de Campo Grande (Diogrande).<\/p>\n\n\n\n<p>Em funcionamento para a destina\u00e7\u00e3o final adequada de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos, o local encontra-se pr\u00f3ximo ao limite total de capacidade segundo previs\u00f5es estabelecidas pela Solu\u00e7\u00f5es Ambientais &#8211; SPE Ltda (CG Solurb), empresa de saneamento respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o do aterro. Por esse motivo, a organiza\u00e7\u00e3o prev\u00ea a implanta\u00e7\u00e3o de um novo local de descarte, o Aterro Sanit\u00e1rio de Res\u00edduos N\u00e3o Perigosos Eregua\u00e7u.<\/p>\n\n\n\n<p>A localidade pretendida para a constru\u00e7\u00e3o do Eregua\u00e7u, ao lado do atual aterro, \u00e9 mais do que duas vezes maior que o Dom Ant\u00f4nio Barbosa II, comportando uma \u00e1rea de cerca de 99 hectares, localizada na sa\u00edda para Sidrol\u00e2ndia. A indica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para implanta\u00e7\u00e3o do novo aterro se estende desde 2012. A expectativa era que entrasse em opera\u00e7\u00e3o em 2018, pois a previs\u00e3o inicial do fim da vida \u00fatil do atual aterro determinava o funcionamento at\u00e9 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o do atraso na libera\u00e7\u00e3o do local, o Dom Ant\u00f4nio Barbosa II passou por diversas readequa\u00e7\u00f5es para suportar a demanda de descarte e deve funcionar at\u00e9 2027.<\/p>\n\n\n\n<p>A demora est\u00e1 ligada aos conflitos entre a concession\u00e1ria CG Solurb, a Prefeitura de Campo Grande e a Brasil Empreendimentos Ltda, propriet\u00e1ria da \u00e1rea. A Brasil Empreendimentos ingressou com uma a\u00e7\u00e3o judicial e obteve uma liminar para suspender a licen\u00e7a pr\u00e9via do local em 2023, alegando que as terras estavam alocadas para o cultivo de soja at\u00e9 2028 e que n\u00e3o haviam documentos comprobat\u00f3rios que designassem a posse da \u00e1rea \u00e0 CG Solurb. A a\u00e7\u00e3o foi encerrada em 5 de setembro de 2024, com a revoga\u00e7\u00e3o da liminar e a desist\u00eancia da Brasil Empreendimentos, resultando no destravamento do processo administrativo de licenciamento.<br>Em janeiro de 2026, houve um avan\u00e7o para a implanta\u00e7\u00e3o do novo aterro sanit\u00e1rio. A CG Solurb publicou no Diogrande um requerimento de Licen\u00e7a Ambiental para a constru\u00e7\u00e3o do Eregua\u00e7u.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As cooperativas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as entre um lix\u00e3o e um aterro, al\u00e9m de considerar os impactos ambientais, levam em conta a maneira como os trabalhadores respons\u00e1veis pela gest\u00e3o do lixo s\u00e3o tratados. Segundo a presidente da cooperativa de catadores Associa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores de Materiais Recicl\u00e1veis nos Aterros Sanit\u00e1rios de Mato Grosso do Sul (Atmaras) e representante do Movimento Nacional de Catadores (MNCR), Gilda Macedo, n\u00e3o existem mais catadores em lix\u00e3o na capital, mas em um aterro controlado com os rejeitos da coleta convencional. \u201cA diferen\u00e7a entre o catador trabalhar dentro do lix\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a de um trabalho insalubre para um totalmente formalizado. Formalizados, podemos buscar pol\u00edticas p\u00fablicas e ter melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, diferencia.<\/p>\n\n\n\n<p>O antigo lix\u00e3o era localizado no bairro Dom Ant\u00f4nio Barbosa e foi desativado em dezembro de 2012, um ano ap\u00f3s o caso de Maikon Corr\u00eaa de Andrade, um menino de nove anos que morreu v\u00edtima de um soterramento de lixo ap\u00f3s um deslizamento. A fatalidade exp\u00f4s os riscos da perman\u00eancia do lix\u00e3o no lugar. Mesmo assim, inicialmente, os catadores que trabalhavam no local foram contra a decis\u00e3o, sob a justificativa de perder a fonte de sustento. Anos depois, em 2015, a inaugura\u00e7\u00e3o da Unidade de Triagem de Res\u00edduos (UTR), com mais estrutura, forneceu melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e dignidade a estes trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A Atmaras \u00e9 uma rede de cooperativas de catadores de materiais recicl\u00e1veis do estado, que atua na UTR, na regi\u00e3o do Lageado, pr\u00f3ximo ao \u00fanico aterro da capital. Em 2026, a rede abriga 110 catadoras e catadores, sendo que 70% correspondem a mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do comprometimento com a luta pela causa, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho realizado por elas ainda \u00e9 uma realidade tang\u00edvel. Os sal\u00e1rios baixos e a aus\u00eancia de cuidado com a integridade f\u00edsica das trabalhadoras, manifestada na recusa \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de res\u00edduos perigosos, s\u00e3o exemplos concretos desse descaso. \u201cTem o recicl\u00e1vel e o que \u00e9 realmente lixo. O recicl\u00e1vel \u00e9 retorn\u00e1vel. Se metade desse material \u00e9 rejeito, acaba reduzindo a renda dos catadores aqui porque praticamente metade vai para o aterro. N\u00e3o gera renda\u201d, destaca Gilda sobre a import\u00e2ncia da segrega\u00e7\u00e3o adequada dos res\u00edduos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6134\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-1980x1320.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/site3editada-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cNo compactador voc\u00ea traz pra c\u00e1 2 a 3 mil quilos de material. A\u00ed acaba quebrando bastante vidro, as mulheres sofrem bastante acidente\u201d, lamenta Gilda. | Foto: Kamilly Fernandes<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das solu\u00e7\u00f5es ao problema do descarte irregular citado pelos entrevistados foi o investimento em educa\u00e7\u00e3o ambiental nas escolas. Apesar das iniciativas j\u00e1 existentes, a falta de acesso a esse tipo de forma\u00e7\u00e3o de base impacta diretamente a maneira como a popula\u00e7\u00e3o lida com o descarte no dia a dia. Al\u00e9m disso, o desconhecimento dos locais adequados de descarte, como os ecopontos de coleta espalhados pela cidade (destinados ao despejo de res\u00edduos que a coleta comum n\u00e3o recolhe), tamb\u00e9m favorece a forma\u00e7\u00e3o dos micro lix\u00f5es urbanos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"856\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-1024x856.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6135\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-1024x856.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-300x251.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-768x642.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-1536x1284.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-2048x1712.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-1200x1003.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-1980x1655.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-1250x1045.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/mapa-400x334.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ecopontos: lugares destinados ao descarte de res\u00edduos | Foto: Print Google Maps | Reprodu\u00e7\u00e3o Wandril Martins<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Projetos que atuam diretamente com a popula\u00e7\u00e3o encontram limita\u00e7\u00f5es na ades\u00e3o. O Atmaras possui grupos que realizam o trabalho de orienta\u00e7\u00e3o de porta em porta, explicando sobre o processo de descarte dos res\u00edduos e do lixo. Ainda com orienta\u00e7\u00e3o direta, a mudan\u00e7a de comportamento n\u00e3o \u00e9 suficiente para reduzir o volume de descarte inadequado. \u201cMesmo fazendo esse trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental, ainda vem 40% de rejeito, org\u00e2nico, materiais de cirurgia. O pessoal faz tratamento de sa\u00fade em casa, acaba vindo pra c\u00e1, fazem o descarte incorretamente e acaba indo l\u00e1 pro aterro sanit\u00e1rio\u201d, repreende Gilda.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o, no entanto, n\u00e3o se limita \u00e0 separa\u00e7\u00e3o do lixo. Para Shirley Cruz, atriz brasileira que interpretou uma catadora de recicl\u00e1veis no filme &#8220;A Melhor M\u00e3e do Mundo\u201d, a preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 indissoci\u00e1vel do debate social. A artista aponta que \u00e9 essencial levar em considera\u00e7\u00e3o as realidades materiais da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 incompleto porque a gente tem que falar de moradia, emprego e de educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. Segundo ela, a base educacional \u00e9 necess\u00e1ria nesse processo e que n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7o poss\u00edvel sem uma atua\u00e7\u00e3o integrada entre pol\u00edticas p\u00fablicas e sociedade. \u201cA educa\u00e7\u00e3o ambiental tinha que estar na escola, tinha que estar na creche. Ent\u00e3o, \u00e9 tudo realmente uma quest\u00e3o de base\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 preocupa\u00e7\u00e3o individual<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o ambiental e dos esfor\u00e7os individuais na separa\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o correta dos res\u00edduos, \u00e9 necess\u00e1rio considerar que o problema do lixo vai al\u00e9m do \u00e2mbito dom\u00e9stico. Existe uma diferen\u00e7a significativa entre os res\u00edduos produzidos nas resid\u00eancias e aqueles gerados pelas atividades industriais, tanto em volume quanto em composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os chamados res\u00edduos industriais s\u00e3o provenientes dos processos produtivos das ind\u00fastrias e muitas vezes incluem subst\u00e2ncias contaminantes ou t\u00f3xicas, dependendo da atividade desenvolvida pela empresa. Segundo o Departamento de Res\u00edduos S\u00f3lidos do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (DGR), em 2013 apenas 13% desses res\u00edduos foram reciclados no Brasil, o que evidencia os desafios relacionados ao manejo. Em 2026, a aus\u00eancia de uma base de informa\u00e7\u00f5es abrangente sobre o fluxo de res\u00edduos s\u00f3lidos industriais dificulta a consolida\u00e7\u00e3o de dados abrangentes sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Norma Regulamentadora 25 (NR-25), atualizada pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia (MTP), em vigor desde janeiro de 2023, esse tipo de res\u00edduo n\u00e3o se assemelha aos res\u00edduos residenciais produzidos pela popula\u00e7\u00e3o em geral. A norma define como res\u00edduos industriais aqueles derivados dos processos produtivos, que podem se apresentar nas formas s\u00f3lida, l\u00edquida ou gasosa, ou ainda em combina\u00e7\u00e3o entre elas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Diferentemente do lixo dom\u00e9stico, esses res\u00edduos possuem caracter\u00edsticas f\u00edsicas, qu\u00edmicas ou microbiol\u00f3gicas, incluindo subst\u00e2ncias como cinzas, \u00f3leos, lodos, materiais \u00e1cidos ou alcalinos, esc\u00f3rias e poeiras, al\u00e9m de efluentes l\u00edquidos e emiss\u00f5es gasosas.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Isso evidencia que os res\u00edduos industriais s\u00e3o mais complicados e potencialmente mais prejudiciais, exigindo formas de manejo, tratamento e descarte adequado para evitar impactos ambientais e riscos \u00e0 sa\u00fade<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a gest\u00e3o desses res\u00edduos \u00e9 regulamentada por um conjunto de leis, como a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS), intitulada pela Lei n\u00b0 12.305\/2010, al\u00e9m das diretrizes estabelecidas pela pr\u00f3pria NR-25. No mundo empresarial, h\u00e1 uma tend\u00eancia em atuar de acordo com a Enviromental Social and Governance (ESG &#8211; Pr\u00e1ticas Ambientais, Sociais e de Governan\u00e7a de uma organiza\u00e7\u00e3o) por motiva\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Estar de acordo com PNRS e se mostrar como uma empresa \u201csustent\u00e1vel\u201d impacta positivamente na imagem dessas empresas e no valor das a\u00e7\u00f5es no mercado financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma como os dados sobre a produ\u00e7\u00e3o de lixo \u00e9 disponibilizada ainda dificulta a compreens\u00e3o mais precisa da responsabilidade de cada setor. Informa\u00e7\u00f5es sobre a produ\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos costumam ser apresentadas de maneira generalizada, sem distin\u00e7\u00e3o clara entre o que \u00e9 gerado pelos indiv\u00edduos e o que \u00e9 gerado por grandes empresas. N\u00fameros estat\u00edsticos dos res\u00edduos s\u00f3lidos produzidos no Brasil e no estado do MS se apresentam de forma geral e colocam os setores dom\u00e9sticos e empresariais equivocadamente no mesmo patamar.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso da responsabilidade compartilhada precisa ser analisado com cautela. Por mais que a popula\u00e7\u00e3o tenha um papel importante na redu\u00e7\u00e3o e no descarte correto dos res\u00edduos, n\u00e3o se pode ignorar o peso das atividades industriais na gera\u00e7\u00e3o de grandes volumes de materiais, muitas vezes mais prejudiciais. O problema do descarte irregular de lixo em Campo Grande \u00e9 uma quest\u00e3o que atravessa diversos setores da sociedade: a separa\u00e7\u00e3o individual do lixo, a coleta seletiva adequada, a comercializa\u00e7\u00e3o e a reciclagem do que for poss\u00edvel e a destina\u00e7\u00e3o correta dos res\u00edduos industriais. \u00c9 necess\u00e1rio pensar o manejo do lixo para repensar o planeta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-107\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 107<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descarte irregular de lixo em Campo Grande afeta meio ambiente, sa\u00fade p\u00fablica e catadores Texto: Emelyn Gomes | Kamilly Fernandes | Wandril Martins O descarte irregular de res\u00edduos cresce no Mato Grosso do Sul (MS), acompanhando uma tend\u00eancia nacional de consumismo e aumento na produ\u00e7\u00e3o de lixo. 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