{"id":6186,"date":"2026-06-25T16:52:29","date_gmt":"2026-06-25T20:52:29","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6186"},"modified":"2026-06-25T17:33:53","modified_gmt":"2026-06-25T21:33:53","slug":"atencao-animais-na-pista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/atencao-animais-na-pista\/","title":{"rendered":"Aten\u00e7\u00e3o! Animais na pista"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Atropelamento de animais silvestres em rodovias de Mato Grosso do Sul exp\u00f5e falhas na seguran\u00e7a vi\u00e1ria e \u00e9 intensificado pela expans\u00e3o de vias na Rota Bioce\u00e2nica<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-d92440af72c0a1670272a6fa4a43fa1d\"><strong>Texto: Jamille Gomes | Vict\u00f3ria Costacurta<br>Ilustra\u00e7\u00e3o: Carolina Toffanetto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-1024x819.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6342\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-1024x819.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-300x240.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-768x614.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-1536x1229.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-1200x960.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-1980x1584.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-1250x1000.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927-400x320.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/72927.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Edemir Rodrigues \/ SECOM MS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O atropelamento de animais silvestres tornou-se um dos principais impactos ambientais associados \u00e0 expans\u00e3o da malha rodovi\u00e1ria em Mato Grosso do Sul (MS), especialmente em trechos que integram a Rota Bioce\u00e2nica. Em meio ao avan\u00e7o das obras e ao aumento esperado no fluxo de cargas entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, mortes frequentes de fauna t\u00eam sido registradas em \u00e1reas de elevada sensibilidade ecol\u00f3gica, como o Pantanal e regi\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o com o Cerrado. Um monitoramento do Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o de Animais Silvestre (Icas), entre 2017 e 2020, registrou uma m\u00e9dia de 180 colis\u00f5es com fauna por m\u00eas, o que corresponde a seis notifica\u00e7\u00f5es por dia, em um trecho de 339 km da BR-262. Dos 6.650 indiv\u00edduos, 316 eram amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fase final de implementa\u00e7\u00e3o, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (Semadesc), a Rota Bioce\u00e2nica deve intensificar o fluxo de caminh\u00f5es e ve\u00edculos pesados em rodovias sul-mato-grossenses, especialmente ap\u00f3s a conclus\u00e3o da ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (PY), pelo Rio Paraguai. O corredor log\u00edstico, que conecta pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul aos portos do Chile no Oceano Pac\u00edfico, permitir\u00e1 reduzir entre 12 e 20 dias o transporte de cargas entre o Brasil e mercados asi\u00e1ticos, ao substituir percursos mais longos pelo Oceano Atl\u00e2ntico e pelo Canal do Panam\u00e1 por rotas com acesso direto aos portos chilenos. Com maior volume de ve\u00edculos todos os dias, ser\u00e1 necess\u00e1rio cuidado redobrado com os animais que atravessam as pistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das rodovias diretamente impactadas pela intensifica\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos pesados \u00e9 a BR-262, que liga Tr\u00eas Lagoas a Corumb\u00e1 (MS), e atravessa munic\u00edpios como a capital Campo Grande, Aquidauana, Anast\u00e1cio e Miranda, em meio a \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, matas ciliares e regi\u00f5es sazonalmente alag\u00e1veis no Pantanal. Considerada uma das vias com maior incid\u00eancia de atropelamentos de fauna no pa\u00eds, conforme dados de monitoramento divulgados em janeiro de 2025 pelo Icas, a rodovia registra ocorr\u00eancias frequentes envolvendo esp\u00e9cies como cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), tamandu\u00e1-mirim (Tamandua tetradactyla), capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), on\u00e7a-pintada (Panthera onca) e tatu-canastra (Priodontes maximus).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"6443\" height=\"23862\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/PLACA.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6338\" style=\"aspect-ratio:0.2700123110121312;width:110px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Segundo o presidente do Icas, Arnaud Desbiez, a recorr\u00eancia de atropelamentos na \u00e1rea est\u00e1 associada tanto \u00e0s caracter\u00edsticas da via quanto \u00e0 aus\u00eancia de estruturas voltadas \u00e0 travessia segura da fauna. O instituto, que monitora esp\u00e9cies como tamandu\u00e1-bandeira e tatu-canastra por meio de programas de conserva\u00e7\u00e3o, aponta que o trecho da BR-262 entre Aquidauana e Corumb\u00e1 atravessa uma das \u00e1reas de maior biodiversidade do Pantanal e foi constru\u00edda sobre aterros com pontes de \u00e1gua nas laterais, o que aumenta a presen\u00e7a de animais pr\u00f3ximos \u00e0 pista e, consequentemente, o risco de colis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">&#8220;A grande preocupa\u00e7\u00e3o que temos com a Rota Bioce\u00e2nica \u00e9 o aumento do fluxo, especialmente de caminh\u00f5es, que pode levar \u00e0 morte de muitas esp\u00e9cies e mais colis\u00f5es. \u00c9 importante lembrar que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os animais que morrem, h\u00e1 tamb\u00e9m pessoas envolvidas nesses acidentes&#8221; &#8211; Arnauld Desbiez<\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Apesar do in\u00edcio da implementa\u00e7\u00e3o de novas estruturas e da instala\u00e7\u00e3o de sinaliza\u00e7\u00e3o em trechos da rodovia, Desbiez afirma que a medida mais eficaz de mitiga\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 o cercamento integral ao longo das vias. \u201cAs cercas s\u00e3o a melhor medida para prevenir colis\u00f5es dos animais silvestres porque apenas instalar passagens para fauna n\u00e3o resolve. N\u00f3s monitoramos tamandu\u00e1s com colares e observamos que apenas cerca de 1% utilizava passagens subterr\u00e2neas, como bueiros e t\u00faneis de drenagem. Pelos nossos dados, podemos concluir que a passagem segura necessita do cercamento adequado\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os colares utilizados no monitoramento s\u00e3o equipamentos de rastreamento, geralmente com tecnologia GPS, que, em conjunto com armadilhas fotogr\u00e1ficas, permitem acompanhar os deslocamentos dos animais em tempo real. A partir desses dados, pesquisadores conseguem identificar padr\u00f5es de movimenta\u00e7\u00e3o, h\u00e1bitos, \u00e1reas de risco e a efetividade de medidas de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos impactos sobre a fauna, o presidente ressalta que os acidentes tamb\u00e9m representam risco \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. No Brasil, cerca de 1.062 pessoas s\u00e3o v\u00edtimas, anualmente, de colis\u00f5es com animais em rodovias, conforme dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), a partir dos indicadores da ferramenta \u201cAtropel\u00f4metro\u201d em 2021. &nbsp;\u201cA grande preocupa\u00e7\u00e3o que temos com a Rota Bioce\u00e2nica \u00e9 o aumento do fluxo, especialmente de caminh\u00f5es, que pode levar \u00e0 morte de muitas esp\u00e9cies e mais colis\u00f5es. \u00c9 importante lembrar que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os animais que morrem, h\u00e1 tamb\u00e9m pessoas envolvidas nesses acidentes. Por isso, usamos o termo \u2018colis\u00e3o veicular\u2019, que evidencia essa rela\u00e7\u00e3o entre humanos e fauna e, como esse aumento no tr\u00e1fego, tende a elevar o n\u00famero de v\u00edtimas&#8221;, comenta Desbiez.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">&#8220;Eu vi uma anta atravessando a pista, e por ser um animal escuro, n\u00e3o deu para ver de longe. Quando vi, j\u00e1 estava em cima. Eu desviei, sa\u00ed da via e o carro capotou&#8221; &#8211; Arnaldo Perenhas<\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"675\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3-1024x675.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6347\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3-1024x675.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3-300x198.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3-768x506.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3-1536x1012.png 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3-1200x791.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3-1250x824.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3-400x264.png 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ROTA-3.png 1545w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A constru\u00e7\u00e3o da Rota Bioce\u00e2nica percorre o Pantanal e o Chaco Paraguayo, cruzando o rio Paraguai por uma ponte de 1.294 metros | Foto: Saul Schramm\/Governo de MS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT), a BR-262 \u00e9 a rodovia que mais recebe investimentos p\u00fablicos do pa\u00eds em mitiga\u00e7\u00e3o de fauna \u2013 aproximadamente R$ 30 milh\u00f5es. Est\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o o contrato de implanta\u00e7\u00e3o de 170 quil\u00f4metros de cercas condutoras, passagens superiores e subterr\u00e2neas, al\u00e9m de sinaliza\u00e7\u00f5es verticais e redutores de velocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o plano de mitiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente para conter o elevado n\u00famero de mortes de animais em colis\u00f5es com ve\u00edculos \u2013 o trecho, que corta o Pantanal, \u00e9 caracterizado pela enorme diversidade de esp\u00e9cies e movimenta\u00e7\u00e3o de fauna. Este cen\u00e1rio torna a ocorr\u00eancia de colis\u00f5es mais frequente e mostra a necessidade de ampliar e tornar mais efetivas as medidas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rodovias avan\u00e7am e faunas recuam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O bioma do Pantanal, apesar de contemplar mais de 4,7 mil esp\u00e9cies de flora e fauna, n\u00e3o est\u00e1 a salvo dos riscos da extin\u00e7\u00e3o de animais silvestres. O Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) atrav\u00e9s do Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o do Risco de Extin\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, o Salve, revela que pelo menos 60 dessas esp\u00e9cies, especialmente na parte sul-mato-grossense do bioma, est\u00e3o amea\u00e7adas. Entre elas, a on\u00e7a-pintada, o tamandu\u00e1-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e a anta (Tapirus terrestris). Esses mam\u00edferos de grande porte necessitam de \u00e1reas extensas para garantir a exist\u00eancia &#8211; deslocamento, alimenta\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o &#8211; tornando-os mais vulner\u00e1veis a atropelamentos em rodovias como a BR-262.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">&#8220;Estamos tirando bichos da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sabemos a que taxa que essas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o conseguindo se repor. Pode ser que, a longo prazo, a taxa de reposi\u00e7\u00e3o v\u00e1 caindo e as popula\u00e7\u00f5es diminuam&#8221; &#8211; P\u00e2mela Castro<\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>De acordo com o bi\u00f3logo e diretor de comunica\u00e7\u00e3o do Instituto SOS Pantanal, Gustavo Figueir\u00f4a, a dimens\u00e3o atual do problema das colis\u00f5es veiculares \u00e9 s\u00e9ria, pois a maioria das estradas nos entornos ou dentro do bioma pantaneiro carece de medidas de mitiga\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3rias. Ele comenta que, embora a BR-262 seja um exemplo de rodovia que passou a adotar medidas apropriadas recentemente, h\u00e1 diversas outras que foram ou s\u00e3o constru\u00eddas sem crit\u00e9rio de prote\u00e7\u00e3o contra colis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A colis\u00e3o veicular pode trazer consequ\u00eancias a longo prazo \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que habitam pr\u00f3ximas \u00e0s rodovias, seja por efeitos diretos, como o aumento na mortalidade que causa desequil\u00edbrio populacional, ou indiretos, como a fragmenta\u00e7\u00e3o de habitats cortados pelas estradas. A mastozo\u00f3loga (bi\u00f3loga especializada em mam\u00edferos) P\u00e2mela Castro explica que os mam\u00edferos de grande porte, como os tamandu\u00e1s-bandeira e as antas, est\u00e3o entre as esp\u00e9cies mais vulner\u00e1veis, pois correm o risco de desaparecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, possuem reprodu\u00e7\u00e3o lenta, com poucos filhotes e longos intervalos entre gesta\u00e7\u00f5es, o que os torna mais suscet\u00edveis \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. \u2018\u2018\u00c9 pela reprodu\u00e7\u00e3o que entram novos indiv\u00edduos e a\u00ed entramos em um cen\u00e1rio em que os animais morrem de uma maneira artificial, antr\u00f3pica, pelas colis\u00f5es. Estamos tirando bichos da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sabemos a que taxa que essas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o conseguindo se repor. Pode ser que, a longo prazo, a taxa de reposi\u00e7\u00e3o v\u00e1 caindo e as popula\u00e7\u00f5es diminuam\u2019\u2019, projeta.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">&#8220;Entre os principais efeitos dessas obras est\u00e3o a fragmenta\u00e7\u00e3o dos habitats e o isolamento das popula\u00e7\u00f5es, o que compromete a conectividade e dificulta o deslocamento da fauna&#8221; &#8211; Stefania Oliveira<\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Um outro exemplo \u00e9 o tatu-canastra (Priodontes maximus), cuja f\u00eamea geralmente tem apenas um filhote a cada tr\u00eas ou quatro anos. Al\u00e9m da baixa taxa reprodutiva, a esp\u00e9cie apresenta maturidade tardia e depende de grandes \u00e1reas preservadas para sobreviver, o que a torna mais vulner\u00e1vel a press\u00f5es como atropelamentos. Esse conjunto de fatores dificulta a recupera\u00e7\u00e3o populacional diante de perdas constantes e aumenta o risco de decl\u00ednio ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio se agrava quando s\u00e3o considerados os impactos da Rota Bioce\u00e2nica e de outras rodovias sobre os habitats naturais do Pantanal, que afetam diretamente a din\u00e2mica ecol\u00f3gica das esp\u00e9cies. Segundo a coordenadora t\u00e9cnico-cient\u00edfico do Instituto SOS Pantanal, Stefania Oliveira, a expans\u00e3o de infraestrutura log\u00edstica, com a abertura de novas vias e a consolida\u00e7\u00e3o de corredores de transporte, gera efeitos que ultrapassam a \u00e1rea diretamente ocupada pela obra, atingindo o entorno e at\u00e9 regi\u00f5es mais amplas do bioma. \u201cEntre os principais efeitos dessas obras est\u00e3o a fragmenta\u00e7\u00e3o dos habitats e o isolamento das popula\u00e7\u00f5es, o que compromete a conectividade e dificulta o deslocamento da fauna. H\u00e1 tamb\u00e9m as perturba\u00e7\u00f5es causadas pela pr\u00f3pria rodovia, como ru\u00eddo, luz e polui\u00e7\u00e3o sonora, mas, na minha avalia\u00e7\u00e3o, o principal impacto \u00e9 o aumento do acesso humano e a intensifica\u00e7\u00e3o do uso do solo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m as perturba\u00e7\u00f5es causadas pela pr\u00f3pria rodovia, como ru\u00eddo, luz e polui\u00e7\u00e3o sonora, mas, na minha avalia\u00e7\u00e3o, o principal impacto \u00e9 o aumento do acesso humano e a intensifica\u00e7\u00e3o do uso do solo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, al\u00e9m da perda imediata provocada pela supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e pela ocupa\u00e7\u00e3o f\u00edsica das \u00e1reas, h\u00e1 tamb\u00e9m a fragmenta\u00e7\u00e3o dos ambientes e a altera\u00e7\u00e3o do entorno. Embora exista previs\u00e3o legal de compensa\u00e7\u00e3o ambiental, ela n\u00e3o garante a recomposi\u00e7\u00e3o das mesmas fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas no local original. No caso do Pantanal, onde a intera\u00e7\u00e3o entre vegeta\u00e7\u00e3o, regime de cheias, fauna e din\u00e2mica hidrol\u00f3gica \u00e9 altamente integrada, essas altera\u00e7\u00f5es tendem a ser, em grande parte, duradouras ou permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A especialista tamb\u00e9m ressalta que em projetos de infraestrutura log\u00edstica de grande porte, a prote\u00e7\u00e3o e o bem-estar da fauna ainda costumam ser incorporados apenas em etapas posteriores do planejamento, com a ado\u00e7\u00e3o de medidas de mitiga\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a defini\u00e7\u00e3o do tra\u00e7ado e dos objetivos econ\u00f4micos, tratando a quest\u00e3o como um problema a ser corrigido, e n\u00e3o como um elemento estruturante desde o in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Humanos ao volante, risco constante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, esse modelo de implementa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m reflete na seguran\u00e7a durante viagens, onde situa\u00e7\u00f5es de risco s\u00e3o recorrentes para quem trafega por esses trechos. O bombeiro militar, Arnaldo Perenhas, relata que sofreu um acidente que ocasionou no atropelamento de uma anta. A colis\u00e3o aconteceu na madrugada do dia 26 de julho de 2025, na BR-262, entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. &nbsp;\u201cEu vi uma anta atravessando a pista, e por ser um animal escuro, n\u00e3o deu para ver de longe. Quando vi, j\u00e1 estava em cima. Eu desviei, sa\u00ed da via e o carro capotou\u201d, relembra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O acidente ocasionou em les\u00f5es s\u00e9rias na cervical do motorista e na perda total do ve\u00edculo. O bombeiro ainda comenta que, por diversas vezes, avistou outros animais atravessando aquela rodovia, como lobinhos e capivaras. Como s\u00e3o \u00e1geis e t\u00eam a pelagem mais clara, s\u00e3o esp\u00e9cies mais f\u00e1ceis de identificar e desviar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em casos de atropelamento ou avistamento de animais na pista, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzir a velocidade com seguran\u00e7a, evitar desvios bruscos e n\u00e3o tentar capturar ou remov\u00ea-los, j\u00e1 que isso pode representar risco tanto para o condutor quanto para as esp\u00e9cies. Em rodovias, o recomendado \u00e9 acionar os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela via ou equipes de resgate, informando o local exato da ocorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas rodovias federais que cortam Mato Grosso do Sul, como a BR-262 e a BR-267, o contato deve ser feito discando 191 para a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal. Nas rodovias estaduais, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 acionar a Pol\u00edcia Militar pelo n\u00famero 190. Ao se deparar com animais silvestres feridos ou \u00e0s margens da pista, a Pol\u00edcia Militar Ambiental deve ser procurada pelo telefone (67) 3941-0141. Em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia com necessidade de resgate, o Corpo de Bombeiros Militar tamb\u00e9m pode ser acionado pelo n\u00famero 193.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"9089\" height=\"11976\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/PATINHAS-BASE.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6343\" style=\"aspect-ratio:0.7589424572317263;width:123px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background has-text-align-left wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-107\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 107<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atropelamento de animais silvestres em rodovias de Mato Grosso do Sul exp\u00f5e falhas na seguran\u00e7a vi\u00e1ria e \u00e9 intensificado pela expans\u00e3o de vias na Rota Bioce\u00e2nica Texto: Jamille Gomes | Vict\u00f3ria CostacurtaIlustra\u00e7\u00e3o: Carolina Toffanetto O atropelamento de animais silvestres tornou-se um dos principais impactos ambientais associados \u00e0 expans\u00e3o da malha rodovi\u00e1ria em Mato Grosso do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[49],"tags":[],"class_list":["post-6186","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem107"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6186"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6186\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6676,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6186\/revisions\/6676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}