{"id":6187,"date":"2026-06-25T16:55:22","date_gmt":"2026-06-25T20:55:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6187"},"modified":"2026-06-25T17:49:14","modified_gmt":"2026-06-25T21:49:14","slug":"na-mira-do-desequilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/na-mira-do-desequilibrio\/","title":{"rendered":"Na mira do desequil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A expans\u00e3o do javali-europeu em Mato Grosso do Sul exp\u00f5e desafios no controle da esp\u00e9cie e coloca em debate o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-8e535d1138f27582e8c16f2647731511\"><strong>Texto: <a href=\"iasmin.rodrigues@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"iasmin.rodrigues@ufms.br\">Iasmin Rodrigues<\/a>|<a href=\"pietro.vargas@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"pietro.vargas@ufms.br\"> Pietro Vargas<\/a> | <a href=\"theoangelo.cruz@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"theoangelo.cruz@ufms.br\">Theoangelo Cruz<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"agatha.francelino@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"agatha.francelino@ufms.br\"><br><\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>Imagine um conjunto organizado como uma orquestra, com cada parte cumprindo seu papel de maneira perfeita, onde qualquer dist\u00farbio pode desalinhar toda a sinfonia, principalmente quando esse inc\u00f4modo vem de fora. O ecossistema \u00e9 essa orquestra e, no Mato Grosso do Sul (MS), ela \u00e9 composta por mais de 5.195 animais vertebrados, de acordo com relat\u00f3rio de 2018 da Biota-MS, todos trabalhando em sintonia.<\/p>\n<p>A interfer\u00eancia externa \u00e9 um problema que pode resultar na destrui\u00e7\u00e3o completa da harmonia, ou at\u00e9 da vida de certas esp\u00e9cies, e embora o ser humano seja um dos maiores respons\u00e1veis, \u00e0s vezes, essa interven\u00e7\u00e3o vem em quatro patas, focinho achatado e grandes presas.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff\">Trata-se do javali-europeu (Sus scrofa) uma esp\u00e9cie su\u00edna nativa da Europa, \u00c1sia e da regi\u00e3o norte da \u00c1frica, que foi introduzida no Brasil por volta de 1960, para o consumo da carne, principalmente na regi\u00e3o sul do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p><span style=\"color: #ff0000\">Trata-se do javali-europeu (Sus scrofa) uma esp\u00e9cie su\u00edna nativa da Europa, \u00c1sia e da regi\u00e3o norte da \u00c1frica, que foi introduzida no Brasil por volta de 1960, para o consumo da carne, principalmente na regi\u00e3o sul do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>Wagner Fischer, bi\u00f3logo e pesquisador do Instituto Brasileiro de Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica (Ibict), ficou conhecido por sua atua\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 ecologia de mam\u00edferos e \u00e0 din\u00e2mica dessas esp\u00e9cies invasoras. Com experi\u00eancia em trabalho de campo e an\u00e1lise de fauna, sua pesquisa de mapeamento do javali-europeu em MS \u00e9 amplamente citada em diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o. \u201cO javali puro veio com matrizes da Europa para alguns criadouros no sul do Brasil, no Paran\u00e1, e em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 1998, quando foi proibido, porque ele tem esse potencial invasor\u201d, afirma. O pesquisador explica que \u00e9 dif\u00edcil encontrar um animal puro, visto que a maioria s\u00e3o javaporcos ou porcos monteiros.<br \/>Wagner conta que o javali passou por um processo de domestica\u00e7\u00e3o e aprimoramento gen\u00e9tico h\u00e1 mais de 10 mil anos, gerando o porco dom\u00e9stico. Com o fim da Guerra do Paraguai, como muitas fazendas foram destru\u00eddas, ocorreu a libera\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie modificada para a natureza, permitindo que os porcos cruzassem com os javalis e dessem origem aos javaporcos. \u201cNo meu levantamento, a gente verificou que todos os munic\u00edpios do MS j\u00e1 tiveram ou t\u00eam a presen\u00e7a do javaporco. \u00c9 um monstro darwiniano cheio de polui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que a gente n\u00e3o sabe nem mais rastrear a origem dele\u201d, comenta. O bi\u00f3logo explica, ainda, que o animal \u00e9 considerado nocivo e que n\u00e3o tem um predador natural. Gra\u00e7as \u00e0 sua gen\u00e9tica, se reproduz de duas \u00e0 tr\u00eas vezes por ano e se adapta bem \u00e0 diferentes ambientes.<\/p>\n<p><strong>Lista de \u201ccrimes\u201d dos javalis<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Seca nascentes<\/li>\n<li>Come animais pequenos e m\u00e9dios<\/li>\n<li>Come filhotes e ovos<\/li>\n<li>\u00a0Transmite doen\u00e7as para outros animais<\/li>\n<li>Comportamento agressivo<\/li>\n<li>Ataca tratores e caminh\u00f5es<\/li>\n<li>Destr\u00f3i planta\u00e7\u00f5es<\/li>\n<li>Destr\u00f3i \u00e1reas verdes<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"712\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-1024x712.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6209\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-1024x712.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-300x208.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-768x534.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-1536x1067.png 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-2048x1423.png 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-1200x834.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-1980x1376.png 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-1250x869.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Ilustracao-javali-400x278.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"aghata.francelino@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"aghata.francelino@ufms.br\">\u00c1ghata Francelino<\/a> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Clubes de ca\u00e7a<\/strong><\/h4>\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\">A introdu\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie ex\u00f3tica logo se mostrou problem\u00e1tica e levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) a declarar, por meio da Instru\u00e7\u00e3o Normativa N\u00ba 3\/2013, a nocividade do animal. O ato liberou, no pa\u00eds inteiro, o controle populacional por meio do abate, ou em outras palavras, da ca\u00e7a.<\/span><\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p><span style=\"color: #ff0000\">A introdu\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie ex\u00f3tica logo se mostrou problem\u00e1tica e levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) a declarar, por meio da Instru\u00e7\u00e3o Normativa N\u00ba 3\/2013, a nocividade do animal. O ato liberou, no pa\u00eds inteiro, o controle populacional por meio do abate, ou em outras palavras, da ca\u00e7a.<\/span><\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>Vale destacar que, de modo geral, a ca\u00e7a de esp\u00e9cies nativas no Brasil \u00e9 proibida. A pr\u00e1tica \u00e9 regulamentada principalmente pela Lei de Crimes Ambientais (Lei n\u00ba 9.605\/1998), que estabelece em seu artigo 29 que \u00e9 crime \u2018matar, perseguir, ca\u00e7ar, apanhar ou utilizar esp\u00e9cimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migrat\u00f3ria, sem a devida permiss\u00e3o, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o da autoridade competente\u2019.<br \/>Em MS, um estado com grande for\u00e7a do agroneg\u00f3cio e, segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), com mais de 7 milh\u00f5es de hectares voltados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o rural, a ca\u00e7a sempre se fez presente, pelos mais diversos motivos, principalmente para evitar a destrui\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es e a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as a outros animais. \u00c9 por isso que entram em a\u00e7\u00e3o Isaac Pancini e Joel Focas, criadores e, respectivamente, presidente e vice-presidente do Clube de Ca\u00e7a Campo Grande (CCCG). A empresa foi fundada em agosto de 2016 para continuar a tradi\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a no MS, atuar no aux\u00edlio de poss\u00edveis novos ca\u00e7adores e fazer o manejo da fauna de forma regularizada em Campo Grande. \u201cO cen\u00e1rio de arma de fogo da \u00e9poca, h\u00e1 dez anos atr\u00e1s, era somente o tiro esportivo, n\u00e3o tinha ca\u00e7a e manejo. Na verdade, acontecia, mas era muito deixado de lado pelas entidades. Hoje a gente v\u00ea uma import\u00e2ncia maior nisso. N\u00f3s ajudamos muitas pessoas na regulariza\u00e7\u00e3o, a deixarem de usar suas armas irregulares, a se desfazer e conseguir sua arma regular para fazer o manejo e o controle populacional do javali de forma adequada\u201d, conta Isaac.<br \/>Esse tipo de clube nasce tamb\u00e9m para treinamento de tiro e orienta\u00e7\u00e3o sobre o javali-europeu no estado. \u201cAqui no clube, al\u00e9m da quest\u00e3o do manejo do controle do javali, n\u00f3s fazemos cursos e palestras para conscientiza\u00e7\u00e3o, para saber essa import\u00e2ncia do javali. Temos treinamento com arma de fogo e outros tipos de a\u00e7\u00f5es\u201d, comenta Joel.<br \/>Os membros do CCCG aprendem, tamb\u00e9m, que a ca\u00e7a carrega um componente cultural. De acordo com eles, o Brasil possui interesse crescente em armas de fogo, e isso cria demandas pela atividade. \u201cA gente foi atr\u00e1s dessas pessoas que estavam, vamos dizer assim, sendo rejeitadas, ou fazendo o manejo de maneira inapropriada. E a partir desse momento, come\u00e7aram a se regularizar [\u2026] muita gente que estava irregular passou a fazer tudo certinho e a pessoa se sente ali grata por poder fazer tudo da maneira correta\u201d, afirma Isaac.<br \/>Outro ponto levantado pelos integrantes do clube diz respeito \u00e0 fragilidade dos dados oficiais sobre o controle do javali no Brasil. A aus\u00eancia de dados consistentes compromete a real dimens\u00e3o do problema e dificulta a formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias eficazes. \u201cO problema \u00e9 que os n\u00fameros sempre foram muito omitidos. De 2013 at\u00e9 2019, o Ibama simplesmente perdeu todos os n\u00fameros de quantidade de javalis abatidos. Hoje a gente tem um informativo do Ibama de 2019 at\u00e9 2025, que foram mais de 1 milh\u00e3o de javalis abatidos. O problema \u00e9 que muita gente que faz o manejo de maneira irregular n\u00e3o entra nesse sistema\u201d, cita Isaac.<br \/>Al\u00e9m do problema com os dados, eles tamb\u00e9m apontam entraves burocr\u00e1ticos para o controle da esp\u00e9cie. De acordo com Isaac e Joel, per\u00edodos de maior rigidez administrativa podem reduzir o n\u00famero de ca\u00e7adores regularizados e, consequentemente, favorecer o crescimento da popula\u00e7\u00e3o de javalis. \u201cEm 2023, por exemplo, houve um momento em que as atividades ficaram praticamente paralisadas. Um animal que se reproduz nessa velocidade, com comida e \u00e1gua abundantes, ganha espa\u00e7o muito r\u00e1pido. Em um ano faz muita diferen\u00e7a\u201d, relata Joel. <br \/>O clube tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para o grau de complexidade envolvido na regulariza\u00e7\u00e3o da atividade. O processo para atuar legalmente no manejo do javali \u00e9 longo, detalhado e, muitas vezes, inacess\u00edvel para parte dos interessados. \u201cTudo \u00e9 muito burocr\u00e1tico, muito caro. O cidad\u00e3o tem que fazer avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, avalia\u00e7\u00e3o de capacidade t\u00e9cnica, n\u00e3o pode possuir antecedente criminal, tem que ter ocupa\u00e7\u00e3o l\u00edcita, resid\u00eancia certa. Isso \u00e9 s\u00f3 o b\u00e1sico para come\u00e7ar\u201d.<br \/>Mesmo ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o, o processo segue demorado. A concess\u00e3o pode levar de quatro a seis meses, seguida por novas etapas, como autoriza\u00e7\u00e3o de compra da arma, registro e emiss\u00e3o de guia de tr\u00e2nsito \u2014 documento que permite o deslocamento legal do equipamento. Paralelamente, ainda \u00e9 necess\u00e1rio cumprir exig\u00eancias ambientais, como o cadastro no sistema federal, autoriza\u00e7\u00e3o de manejo e permiss\u00e3o do propriet\u00e1rio da \u00e1rea. \u201cAl\u00e9m da arma, ele tem que carregar uma pastinha no bra\u00e7o tamb\u00e9m na hora do manejo\u201d, completa Joel.<\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"719\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-1024x719.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6223\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-1024x719.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-300x211.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-768x540.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-1536x1079.png 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-2048x1439.png 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-1200x843.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-1980x1391.png 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-1250x878.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Clube-de-Caca-Editada-RGB-2-400x281.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">  O grupo CCCG nasceu com a inten\u00e7\u00e3o preserva a cultura da ca\u00e7a no MS, por\u00e9m praticada de forma respons\u00e1vel | Fotos: <a href=\"pietro.vargas@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"pietro.vargas@ufms.br\">Pietro Vargas<\/a> <br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Outras formas de ca\u00e7a<\/strong><\/h4>\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\">No controle do javali-europeu, a atua\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar Ambiental (PMA) \u00e9 um dos pilares que sustentam a legalidade e a seguran\u00e7a da pr\u00e1tica. Embora o abate seja permitido, s\u00f3 pode ocorrer dentro de crit\u00e9rios rigorosos estabelecidos por \u00f3rg\u00e3os ambientais, e \u00e9 justamente nesse ponto que a fiscaliza\u00e7\u00e3o se torna essencial.<\/span><\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p><span style=\"color: #ff0000\">No controle do javali-europeu, a atua\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar Ambiental (PMA) \u00e9 um dos pilares que sustentam a legalidade e a seguran\u00e7a da pr\u00e1tica. Embora o abate seja permitido, s\u00f3 pode ocorrer dentro de crit\u00e9rios rigorosos estabelecidos por \u00f3rg\u00e3os ambientais, e \u00e9 justamente nesse ponto que a fiscaliza\u00e7\u00e3o se torna essencial.<\/span><\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\">\u00a0O capit\u00e3o da PMA, Gabriel Rocha, esclarece que a ca\u00e7a no estado \u00e9 quase cultural, que essa \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d ocorre h\u00e1 anos, mas que a prote\u00e7\u00e3o desses animais deve se manter ativa. Tamb\u00e9m cita que o manejo do javali deve seguir diversas regras e cuidados. \u201cA ca\u00e7a do javali-europeu \u00e9 autorizada, pois \u00e9 uma esp\u00e9cie considerada nociva pelo IBAMA, ent\u00e3o normalmente fiscalizamos realmente se a arma de fogo que foi usada est\u00e1 legalizada e dentro das normas. E tem uma s\u00e9rie de regras para se seguir, como a quantidade de animais abatidos, se o indiv\u00edduo est\u00e1 causando sofrimento ao animal e o transporte da esp\u00e9cie. Ver se est\u00e1 seguindo o que a legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea, porque para voc\u00ea exercer essa ca\u00e7a tem que ser autorizada pelo IBAMA\u201d , afirma. <\/span><br \/><span style=\"color: #ffffff\">Gabriel indica que mesmo que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira pro\u00edba a ca\u00e7a de animais silvestres, existe uma exce\u00e7\u00e3o prevista em situa\u00e7\u00f5es de extrema necessidade, conhecida como ca\u00e7a de subsist\u00eancia. Nesses casos, quando a pr\u00e1tica est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 sobreviv\u00eancia \u2014 como em contextos de fome comprovada \u2014, ela pode ser considerada juridicamente justific\u00e1vel. No entanto, essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica e depende de an\u00e1lise caso a caso. \u201cPor exemplo, tem fam\u00edlias ribeirinhas que vivem em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, essa ca\u00e7a para subsist\u00eancia \u00e9 permitida para saciar a fome\u201d, pondera. <\/span><br \/><span style=\"color: #ffffff\">A PMA avalia fatores como contexto social, local e finalidade da a\u00e7\u00e3o antes de tomar qualquer medida. Autoridades refor\u00e7am que essa n\u00e3o \u00e9 uma permiss\u00e3o ampla: trata-se de uma exce\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o substitui a regra geral de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fauna silvestre e n\u00e3o pode ser utilizada como justificativa para pr\u00e1ticas recorrentes de ca\u00e7a. A PMA tamb\u00e9m exerce um papel educativo e preventivo. Em opera\u00e7\u00f5es de campo, os agentes fiscalizam ca\u00e7adores e produtores rurais sobre as normas vigentes, os riscos ambientais e as penalidades envolvidas em pr\u00e1ticas irregulares. Essa preven\u00e7\u00e3o constante ajuda a reduzir abusos e a garantir que o controle populacional do javali n\u00e3o se transforme em uma amea\u00e7a maior \u00e0 fauna nativa.<\/span><\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"623\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-1024x623.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6231\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-1024x623.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-300x183.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-768x468.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-1536x935.png 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-2048x1247.png 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-1200x731.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-1980x1206.png 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-1250x761.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-2-site-2-400x244.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">&nbsp;Os porcos-monteiros no Pantanal e a dos javalis j\u00e1 miscigenados com diversas ra\u00e7as de porcos dom\u00e9sticos e que permitiram que os porcos cruzassem com os javalis e dessem origem aos javaporcos, ainda que todos perten\u00e7am \u00e0 mesma esp\u00e9cie<br>Foto: Clarissa Alves da Rosa <br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Problema su\u00edno<\/strong><\/h4>\n\n\n<p>Para o pesquisador Wagner Fischer ca\u00e7ar javalis \u00e9 relevante por causa da grandeza do problema causado por eles, o que n\u00e3o permite descartar o manejo humano dessa esp\u00e9cie para o bom funcionamento do ecossistema. \u201cO Brasil n\u00e3o pode achar que vai conseguir controlar uma praga ou abandonar esse controle, porque a gente tem muita biodiversidade a perder\u201d, conta. Para ele, o governo deveria oferecer um mapeamento dessas esp\u00e9cies para saber onde \u00e9 mais necess\u00e1rio o manejo, pois manter controle sobre 70% da popula\u00e7\u00e3o dos su\u00ednos \u00e9 a maneira correta de evitar que essa esp\u00e9cie continue se espalhando.\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff\">Diante desse cen\u00e1rio, a ca\u00e7a em MS deixa de ser um debate simples de proibi\u00e7\u00e3o e permiss\u00e3o. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a capacidade de equilibrar conserva\u00e7\u00e3o ambiental, controle de esp\u00e9cies invasoras e fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva. Enquanto o javali avan\u00e7a sobre diferentes regi\u00f5es do estado, impulsionado por sua alta taxa reprodutiva e adapta\u00e7\u00e3o, a aus\u00eancia de dados precisos e pol\u00edticas cont\u00ednuas dificulta a constru\u00e7\u00e3o de respostas realmente eficazes.<\/span><\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p><span style=\"color: #ff0000\">Diante desse cen\u00e1rio, a ca\u00e7a em MS deixa de ser um debate simples de proibi\u00e7\u00e3o e permiss\u00e3o. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a capacidade de equilibrar conserva\u00e7\u00e3o ambiental, controle de esp\u00e9cies invasoras e fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva. Enquanto o javali avan\u00e7a sobre diferentes regi\u00f5es do estado, impulsionado por sua alta taxa reprodutiva e adapta\u00e7\u00e3o, a aus\u00eancia de dados precisos e pol\u00edticas cont\u00ednuas dificulta a constru\u00e7\u00e3o de respostas realmente eficazes.<\/span><\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>Entre avan\u00e7os pontuais, entraves burocr\u00e1ticos e lacunas na fiscaliza\u00e7\u00e3o, o desafio permanece aberto. Em um estado marcado pela riqueza ambiental, a preserva\u00e7\u00e3o da fauna exige mais do que medidas isoladas: depende de integra\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o. Sem isso, a \u201corquestra\u201d descrita no in\u00edcio desta reportagem corre o risco de perder sua harmonia \u2014 n\u00e3o por um \u00fanico fator, mas pela soma de desequil\u00edbrios que, aos poucos, tornam o barulho insuport\u00e1vel.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-680x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6240\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-680x1024.png 680w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-199x300.png 199w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-768x1156.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-1020x1536.png 1020w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-1360x2048.png 1360w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-1200x1806.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-1980x2981.png 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-1250x1882.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-400x602.png 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Reportagem-Imagem-Javali-1-editada-site-2-3-scaled.png 1701w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na regi\u00e3o do MS v\u00e1rios processos de invas\u00e3o e miscigena\u00e7\u00e3o de porcos ex\u00f3ticos da mesma esp\u00e9cie   Fotos: Lu\u00eds Quinta<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-107\/\">vOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 107<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A expans\u00e3o do javali-europeu em Mato Grosso do Sul exp\u00f5e desafios no controle da esp\u00e9cie e coloca em debate o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico Texto: Iasmin Rodrigues| Pietro Vargas | Theoangelo Cruz Imagine um conjunto organizado como uma orquestra, com cada parte cumprindo seu papel de maneira perfeita, onde qualquer dist\u00farbio pode desalinhar toda a sinfonia, principalmente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[49],"tags":[],"class_list":["post-6187","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem107"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6187"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6187\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6678,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6187\/revisions\/6678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}