{"id":6203,"date":"2026-06-25T16:47:25","date_gmt":"2026-06-25T20:47:25","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6203"},"modified":"2026-06-29T11:11:05","modified_gmt":"2026-06-29T15:11:05","slug":"no-descompasso-das-aguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/no-descompasso-das-aguas\/","title":{"rendered":"No descompasso das \u00e1guas"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, minera\u00e7\u00e3o intensiva e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas desregulam o regime de cheias do Pantanal, afetando ecossistemas e comunidades ribeirinhas<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-79a2b798331cb94a2fbf9c61badc2729\"><strong>Texto: <a href=\"julia.diehl@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"julia.diehl@ufms.br\">J\u00falia de C\u00e1ssia<\/a>|<a href=\"hyan_carvalho@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"hyan_carvalho@ufms.br\">Hyan Lucas Carvalho<\/a> |<a href=\"guilherme.willian@ufms.br\" data-type=\"link\" data-id=\"guilherme.willian@ufms.br\">Guilherme Willian<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A \u00e1gua chega aos poucos e ocupa a plan\u00edcie sem pressa. Em alguns meses, cobre grandes \u00e1reas e transforma a paisagem, depois recua e revela novamente o solo. \u00c9 esse ciclo que sustenta e faz bater o cora\u00e7\u00e3o do Pantanal. E \u00e9 esse ritmo que come\u00e7a a falhar.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A maior plan\u00edcie alag\u00e1vel do mundo ocupa o cora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul, na bacia do Alto Paraguai. S\u00e3o 138.183 km\u00b2 de territ\u00f3rio vivo, dos quais 65% est\u00e3o em Mato Grosso do Sul (MS), segundo dados publicados no site da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa). Ali, o bioma dita o tempo das pessoas, da cultura e da economia. Mas esse equil\u00edbrio delicado tem sido pressionado nos \u00faltimos anos. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas alteram o pulso das cheias e das secas, colocando em risco um dos patrim\u00f4nios naturais mais importantes do Brasil e do mundo. <\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6297\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-1200x900.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-1980x1485.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-1250x937.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa-online-2-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Curso dos rios que nutrem o Pantanal <strong>|<\/strong> Foto: Aguinaldo Silva<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O funcionamento do Pantanal \u00e9 \u00fanico. Tudo gira em torno da \u00e1gua. Segundo a pesquisadora da Embrapa e Assessora T\u00e9cnica nas \u00e1reas ambientais da Procuradoria da Rep\u00fablica de MS, D\u00e9bora Calheiros, o ciclo come\u00e7a com as chuvas nas \u00e1reas mais altas da bacia do Alto Paraguai. A \u00e1gua desce lentamente at\u00e9 a Plan\u00edcie e segue pela inclina\u00e7\u00e3o baixa. Quando as cheias iniciam, at\u00e9 80% do territ\u00f3rio pode ficar submerso. Ap\u00f3s aproximadamente quatro meses, a \u00e1gua recua. Surgem as pastagens naturais e come\u00e7a a seca. Esse vai e vem sustenta a fauna e a flora, e mant\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o do Pantanal batendo. Por\u00e9m, basta apenas um descompasso para afetar todo o ecossistema complexo e fr\u00e1gil.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2025, o<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> MapBiomas <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">divulgou um levantamento acerca das cheias pantaneiras no per\u00edodo de 1985 a 2024. At\u00e9 1994, cerca de 1,6 milh\u00e3o de hectares permaneciam alagados todos os anos, equivalente a mais de 2 milh\u00f5es de campos de futebol. A partir de 2014, esse n\u00famero caiu para 460 mil hectares, algo pr\u00f3ximo a 650 mil campos. O cen\u00e1rio \u00e9 consequ\u00eancia da perda de 5,2 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o original do planalto, o que aumenta a exposi\u00e7\u00e3o do solo e acelera o escoamento das \u00e1guas, que deveria ser lento para nutrir os rios. Com a aus\u00eancia dessa vegeta\u00e7\u00e3o, as cheias n\u00e3o inundam o Pantanal e o ciclo das \u00e1guas perde uma de suas etapas fundamentais. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">D\u00e9bora constata a import\u00e2ncia de considerar n\u00e3o apenas os impactos causados na plan\u00edcie do Pantanal, mas tamb\u00e9m na bacia hidrogr\u00e1fica do Alto Paraguai.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><strong>&#8220;O problema \u00e9 que o bioma \u00e9 considerado apenas a plan\u00edcie, e a gente tem que pensar em conservar as nascentes. O ideal \u00e9 a gente conservar a bacia hidrogr\u00e1fica porque \u00e9 de l\u00e1 que as \u00e1guas v\u00eam para nutrir o Pantanal.&#8221; &#8211; <\/strong>D\u00e9bora Calheiros<\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6292\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-1980x1320.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/ribeirinho-online-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Viv\u00eancia \u00e0s margens do rio <strong>|<\/strong> Foto: Hyan Lucas Carvalho<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pesquisadora aponta para dois agravantes da situa\u00e7\u00e3o no Pantanal: o agroneg\u00f3cio (agro) e a atividade mineradora. Na parte alta da bacia, em que nascem os rios, \u00e9 onde o agro causa mais impactos. O alto \u00edndice de desmatamento afeta as nascentes e provoca a eros\u00e3o do solo. D\u00e9bora explica que existem cerca de cinco milh\u00f5es de hectares de uma \u00e1rea que est\u00e1 permanentemente alagada devido ao assoreamento. Al\u00e9m disso, na \u00e9poca das secas, a \u00e1gua do Pantanal vem de aqu\u00edferos subterr\u00e2neos, e o mau uso das pr\u00e1ticas do agro afeta a recarga dessa \u00e1gua abaixo do solo. \u201cSe n\u00e3o permitem que a \u00e1gua infiltre durante a chuva at\u00e9 chegar no aqu\u00edfero, eles alteram a vaz\u00e3o do rio na seca. Por exemplo, nas \u00e1reas de soja acontece muito o uso de m\u00e1quinas que compactam o solo e de agrot\u00f3xicos, que tamb\u00e9m podem infiltrar no solo e contaminar os aqu\u00edferos\u201d, alerta a pesquisadora.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ambientalista e ex-presidente nacional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), Rodrigo Agostinho, alerta para os riscos do uso de agrot\u00f3xicos no Pantanal. A plan\u00edcie pantaneira \u00e9 um sistema de drenagem potente. Os pesticidas utilizados nas cabeceiras da bacia hidrogr\u00e1fica que alimenta os rios contaminam as \u00e1guas e colocam em risco a exist\u00eancia de um ecossistema que transborda vida e ancestralidade. \u201cO agrot\u00f3xico acaba contaminando a \u00e1gua e prejudica os peixes e as aves. Algumas t\u00eam at\u00e9 mudan\u00e7as fisiol\u00f3gicas, como nos ovos que nascem com paredes mais finas e acabam n\u00e3o aguentando o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta o ambientalista.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acerca da minera\u00e7\u00e3o, D\u00e9bora relembra que a regi\u00e3o pantaneira sempre usou navega\u00e7\u00f5es de pequeno ou m\u00e9dio porte para o transporte de cargas para pesca e outros meios de sobreviv\u00eancia das comunidades dependentes dos rios. A pesquisadora explica que, em rios estreitos e menos profundos, \u00e9 necess\u00e1rio fazer a dragagem da \u00e1rea para viabilizar o transporte das minas, que consiste na retirada de bancos de areia perigosos para embarca\u00e7\u00f5es menores. Essa mudan\u00e7a na paisagem tem amea\u00e7ado a seguran\u00e7a desse ecossistema e extrapola os limites da conviv\u00eancia com a natureza, que deveria ser pac\u00edfica e respeitosa.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa press\u00e3o para a navega\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos grandes impactos no Pantanal em 2026. No Tramo Sul, que vai de Corumb\u00e1 at\u00e9 Porto Murtinho, o rio \u00e9 largo e profundo. Ali, sempre existiram navega\u00e7\u00f5es de portes menores, mas desde 2019 o interesse das mineradoras v\u00eam crescendo na regi\u00e3o. \u201cA minera\u00e7\u00e3o em Corumb\u00e1 agora est\u00e1 nas m\u00e3os de um grupo grande e muito poderoso economicamente e politicamente. Eles querem aumentar em cinco vezes a extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio, ou seja, est\u00e3o explorando muito mais para ganhar mais\u201d, denuncia D\u00e9bora.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A terra tem sede<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A crise clim\u00e1tica \u00e9 um dos grandes desafios enfrentados no Pantanal. E em 2026, come\u00e7ou com mais um agravante. O Boletim de Monitoramento Hidrol\u00f3gico da Bacia do Rio Paraguai, de 11 de fevereiro deste ano, do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (SGB), alertou que o n\u00edvel dos rios que formam a Bacia est\u00e3o abaixo do necess\u00e1rio para a \u00e9poca de cheias e, consequentemente, deixam o bioma mais suscet\u00edvel \u00e0 inc\u00eandios. Segundo o professor de Geografia e doutor em Meio Ambiente, Aguinaldo Silva, a mudan\u00e7a no regime de chuvas impacta diretamente o funcionamento do ecossistema. Com a redu\u00e7\u00e3o das precipita\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de cabeceira, o volume de \u00e1gua que chega \u00e0 plan\u00edcie diminui, comprometendo o ciclo das \u00e1guas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2025, o rio Miranda registrou uma baixa preocupante. De acordo com dados do SGB, em mar\u00e7o de 2026, o n\u00edvel do rio chegou a 1,44 metro, bem abaixo da m\u00e9dia de 3,97 metros para o per\u00edodo. As medi\u00e7\u00f5es foram realizadas na r\u00e9gua instalada no munic\u00edpio de Miranda. Em 2024, tamb\u00e9m um ano de poucas chuvas, o n\u00edvel registrado foi de 1,6 metro. J\u00e1 em 2023, na mesma \u00e9poca, o rio atingia 6,5 metros.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aguinaldo afirma que, nos \u00faltimos anos, j\u00e1 vem sendo poss\u00edvel observar que a redu\u00e7\u00e3o do volume de chuva na bacia resultou em um menor n\u00famero de \u00e1reas inundadas na plan\u00edcie. Al\u00e9m disso, os inc\u00eandios atingem o bioma de forma intensa, com grandes impactos na fauna e na flora, e em todo o sistema ecol\u00f3gico do Pantanal. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As popula\u00e7\u00f5es que dependem diretamente do bioma para viver, como pescadores, ribeirinhos, comerciantes e trabalhadores do transporte fluvial, s\u00e3o aqueles que t\u00eam nos rios sua fonte de subsist\u00eancia e desenvolvimento cultural. \u201cEssas mudan\u00e7as impactam justamente as partes mais fr\u00e1geis. No momento que voc\u00ea tem uma redu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, reduz tamb\u00e9m a pesca, e consequentemente, essas pessoas passam por dificuldades porque afeta o produto que gera renda para elas, que \u00e9 o peixe\u201d, comenta o professor. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A navega\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 prejudicada. D\u00e9bora afirma que, com a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel das \u00e1guas, formam-se bancos de areia chamados de \u201cilhas\u201d, que dificultam a passagem de embarca\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio porte at\u00e9 \u00e1reas com maior concentra\u00e7\u00e3o de peixes. Com o agravamento da seca, at\u00e9 mesmo barcos pequenos podem ser impedidos de navegar, o que intensifica os impactos sobre a subsist\u00eancia das comunidades ribeirinhas. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><b>Comunidades que des\u00e1guam <\/b><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O horizonte em Corumb\u00e1, antes tingido pelo azul reflexivo do espelho d\u2019\u00e1gua, hoje carrega uma n\u00e9voa densa e opaca. N\u00e3o \u00e9 a neblina \u00famida que anunciava a manh\u00e3 de pesca, mas o p\u00f3 ferroso levantado pelos comboios da minera\u00e7\u00e3o que cortam a plan\u00edcie. Nas varandas das casas ribeirinhas, o estalar das t\u00e1buas secas sob o sol ardente substitui o barulho do rio batendo no barranco. Onde antes se ouvia o mergulho do martim-pescador, o som predominante passou a ser o ronco das dragas, uma vibra\u00e7\u00e3o que treme o ch\u00e3o sob os p\u00e9s descal\u00e7os dos moradores e parece desorientar o bicho que ainda teima em ficar.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6295\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-1200x900.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-1980x1485.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-1250x938.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/rioscapa2-online-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rios que cortam a plan\u00edcie alagada <strong>|<\/strong> Foto: Aguinaldo Silva<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ff0000\">O Pantanal, que sempre foi um corpo em movimento, assiste agora \u00e0 pr\u00f3pria petrifica\u00e7\u00e3o, com o barro das margens dando lugar ao sedimento endurecido e ao sil\u00eancio das \u00e1guas que j\u00e1 n\u00e3o conseguem subir<\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, em 2024, comunidades ribeirinhas vivem \u00e0s margens dos rios e desenvolvem atividades como pesca, extrativismo e agricultura familiar e s\u00e3o reconhecidas como povos e comunidades tradicionais pelo Decreto n\u00b0 6.040\/2007. Essas comunidades conectam-se com a natureza e conhecem profundamente o ritmo das \u00e1guas. Como se o seu caminhar fosse ligado diretamente \u00e0s ondula\u00e7\u00f5es dos rios, eles vivem e respiram o Pantanal. N\u00e3o se trata meramente de um ambiente, e sim de um sistema vivo, vibrante, ativo, que cultua e abra\u00e7a todos esses povos, na mesma medida que \u00e9 cultivado e embalado por eles. Essas comunidades, que carregam conhecimentos ancestrais em seu sangue, compreendem os rios de uma forma que os demais homens nunca conseguiriam: de uma forma humana.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No distrito de Porto Esperan\u00e7a, em Corumb\u00e1, existe uma comunidade ribeirinha centen\u00e1ria de mesmo nome. A Comunidade Tradicional de Porto Esperan\u00e7a abriga em suas veias a conflu\u00eancia das \u00e1guas com a presen\u00e7a humana. Com aproximadamente 130 habitantes, segundo a Associa\u00e7\u00e3o de Moradores de Porto Esperan\u00e7a, o distrito fica a 80 km da regi\u00e3o urbana da cidade. Em 1912, o distrito sediou uma esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria que, mais tarde, em 1917, se fundiu com a Noroeste do Brasil, que ligava Bauru (SP) a Corumb\u00e1. A capital do Pantanal tamb\u00e9m abriga reservas minerais, com destaque para o mangan\u00eas e o ferro. A ferrovia e o interesse de mineradoras na regi\u00e3o aumentaram o n\u00famero de habitantes no distrito proporcionalmente ao descaso com a popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A sa\u00edda dos trens de passageiros, em 1995, marcou o in\u00edcio de um isolamento que as mineradoras agora preenchem com uma presen\u00e7a opressiva. No cotidiano local, o antigo apito da locomotiva deu lugar ao barulho ininterrupto das m\u00e1quinas e a uma poeira vermelha que invade as frestas das casas e se instala nos pulm\u00f5es dos moradores. O \u201cMapa de Conflitos Envolvendo Injusti\u00e7a Ambiental e Sa\u00fade no Brasil\u201d, projeto jornal\u00edstico que pesquisa e monitora disputas territoriais, socioambientais e trabalhistas, publicou, em 2013, uma reportagem sobre os impactos sentidos pela comunidade ribeirinha na \u00e9poca. O dif\u00edcil acesso ao local, a falta de energia el\u00e9trica e de assist\u00eancia m\u00e9dica foram alguns dos maiores desafios relatados pela comunidade.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6296\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-1200x900.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-1980x1485.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-1250x938.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/casas-ribeirinhas-online-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mesmo com as secas, a popula\u00e7\u00e3o continua em casas sobre palafitas <strong>|<\/strong> Foto: Aguinaldo Silva<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada, em 2026, os efeitos desse abandono ainda s\u00e3o sentidos na pele daqueles que resistiram para permanecer em suas terras. O panorama atual da regi\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 folga: a falta de cheias, o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio e da atividade mineradora e a crise clim\u00e1tica aumentam os desafios da comunidade ribeirinha de Porto Esperan\u00e7a. Um dos moradores da regi\u00e3o h\u00e1 mais de 50 anos, Amarildo Pereira Mendes ganha a vida como pescador e piloto de embarca\u00e7\u00f5es pelos rios do Pantanal. Em entrevista para o Proj\u00e9til 107, o pescador comentou sobre a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. \u201cEu criei todos meus filhos em cima de barco, pescando. S\u00f3 que, de uns tempos pra c\u00e1, foi ficando dif\u00edcil. A pescaria mudou, o peixe t\u00e1 mais escasso. Ent\u00e3o t\u00e1 complicado levar o sustento pra casa\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A redu\u00e7\u00e3o do volume de \u00e1gua atinge primeiro quem depende diretamente do rio. O peixe rareia, o tempo de pesca encurta e a renda encolhe. Na margem, o efeito deixa de ser proje\u00e7\u00e3o. \u201cA pesca tem sofrido bastante com toda mudan\u00e7a que vem acontecendo. Chegam empresas, a demanda aumenta, o peixe fica cada vez mais escasso\u201d, relata Giane, ribeirinha da regi\u00e3o. Na mesma fam\u00edlia, trajet\u00f3rias que antes seguiam o curso do rio mudam de dire\u00e7\u00e3o. \u201cMeus irm\u00e3os eram todos pescadores. Hoje trabalham apenas com turistas\u201d, avalia.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/iscaviva-online-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6298\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/iscaviva-online-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/iscaviva-online-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/iscaviva-online-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/iscaviva-online-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/iscaviva-online-1250x834.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/iscaviva-online-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/iscaviva-online.jpg 1417w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A venda de iscas vivas movimenta a economia de comunidades&nbsp;que dependem diretamente dos rios do Pantanal <strong>|<\/strong> Foto: Hyan Lucas Carvalho<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A intensifica\u00e7\u00e3o da atividade mineradora reorganiza o uso dos rios e pressiona o equil\u00edbrio do bioma. Em Porto Esperan\u00e7a, o aumento do fluxo de grandes embarca\u00e7\u00f5es e as interven\u00e7\u00f5es no leito alteram a din\u00e2mica natural das \u00e1guas. O ber\u00e7o dessa comunidade, que atravessa a beleza e a plenitude da natureza pantaneira, corre o risco de deixar de ser abrigo para a vida e virar apenas uma reserva de min\u00e9rios com a mem\u00f3ria de um povo soterrada. \u201c\u00c9 complicado. Aqui pra nossa regi\u00e3o, a mineradora causa bastante impacto com o grande navio que desce com os min\u00e9rios\u201d, diz Amarildo, que mora em frente \u00e0 \u00e1rea de opera\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">O ribeirinho observa a dragagem avan\u00e7ar sobre trechos antes usados na pesca e na circula\u00e7\u00e3o de pequenas embarca\u00e7\u00f5es<\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O movimento dos navios de carga se imp\u00f5e sobre a paisagem e interfere nos pontos de apanhar peixe, onde a \u00e1gua j\u00e1 n\u00e3o se comporta como antes. \u201cEssa dragagem que est\u00e3o fazendo aqui vai impactar bastante no bioma\u201d, completa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O movimento constante dos comboios altera margens e pontos de pesca, interfere no curso cotidiano das embarca\u00e7\u00f5es menores e reduz as condi\u00e7\u00f5es de sustento das fam\u00edlias que dependem do rio. O avan\u00e7o da atividade extrativista se imp\u00f5e sobre o territ\u00f3rio deslocando o que antes era conviv\u00eancia para um cen\u00e1rio de tens\u00e3o cont\u00ednua entre uso econ\u00f4mico e perman\u00eancia da vida ribeirinha.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A demarca\u00e7\u00e3o de terras tamb\u00e9m assombra as comunidades ribeirinhas. A possibilidade de perder o solo que sempre os acolheu \u00e9 cada vez maior. A mineradora cresce e ganha espa\u00e7o territorial. Grandes navios e transportes pesados passam todos os dias por Porto Esperan\u00e7a, levantam poeira e deixam as marcas do min\u00e9rio pelas estradas. Giane cita que h\u00e1 um processo de acordo que tramita na regi\u00e3o, onde a mineradora oferece um lugar afastado da sider\u00fargica para os moradores da comunidade. Essa \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o encontrada para diminuir os impactos causados pela atividade extrativista em Porto Esperan\u00e7a: mover o povo de seus lares para manter a explora\u00e7\u00e3o a todo vapor. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A 145 km de Porto Esperan\u00e7a est\u00e1 a comunidade Ant\u00f4nio Maria Coelho, que tamb\u00e9m sente na pele a escassez de \u00e1gua no Pantanal. Edvaldo Santana de Oliveira \u00e9 morador da comunidade h\u00e1 57 anos, e relata que, com o passar do tempo, aquele bioma que conhecia como a palma da m\u00e3o come\u00e7ou a mudar drasticamente. \u201cEm compara\u00e7\u00e3o com a \u00e9poca que eu cheguei aqui, h\u00e1 cinquenta e poucos anos, hoje deve ter uns 30%, 40% de \u00e1gua s\u00f3. Ent\u00e3o baixou muito\u201d, comenta. O c\u00f3rrego que abastecia a comunidade tamb\u00e9m secou, segundo o ribeirinho.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Hoje os moradores t\u00eam que andar tr\u00eas quil\u00f4metros at\u00e9 o riacho mais pr\u00f3ximo para saciar a necessidade mais urgente de todo ser humano: ter \u00e1gua<\/strong><\/span><\/span><\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A identidade dessas comunidades \u00e9 consolidada na regi\u00e3o do Pantanal, e \u00e9 de extrema import\u00e2ncia que seja preservada e respeitada. O ambientalista Rodrigo Agostinho explica que a crise clim\u00e1tica afeta a todos, mas de forma mais intensa as popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. Muitas comunidades em outros estados vivem \u00e0 beira do rio porque n\u00e3o tem outro ambiente seguro para sobreviverem. J\u00e1 no Pantanal, os ribeirinhos ocupam as margens porque suas ra\u00edzes se entrela\u00e7am com a \u00e1gua. \u00c9 essa viv\u00eancia entrela\u00e7ada \u00e0 natureza que vem sendo prejudicada. \u201c\u00c9 importante a gente entender que, de fato, com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, essas popula\u00e7\u00f5es ser\u00e3o mais atingidas. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atingem todo mundo, mas essas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o as que mais sofrem\u201d, declara Rodrigo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Chegar, permanecer e partir talvez sejam os maiores ensinamentos do Pantanal. Um ciclo aparentemente simples \u00e9 profundo o bastante para sustentar vidas inteiras. Por anos, a \u00e1gua seguiu esse curso com precis\u00e3o silenciosa. Por\u00e9m, diante dos descompassos, a d\u00favida deixa de ser da natureza e passa a ser nossa. At\u00e9 quando o ser humano vai tratar o desequil\u00edbrio como algo distante, quando ele j\u00e1 atravessa tudo? No fim, n\u00e3o existe margem segura quando o rio adoece.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-107\/\">voltar para a edi\u00e7\u00e3o 107<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, minera\u00e7\u00e3o intensiva e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas desregulam o regime de cheias do Pantanal, afetando ecossistemas e comunidades ribeirinhas Texto: J\u00falia de C\u00e1ssia|Hyan Lucas Carvalho |Guilherme Willian A \u00e1gua chega aos poucos e ocupa a plan\u00edcie sem pressa. 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