{"id":6258,"date":"2026-06-25T16:42:05","date_gmt":"2026-06-25T20:42:05","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6258"},"modified":"2026-06-29T11:10:35","modified_gmt":"2026-06-29T15:10:35","slug":"fizemos-tudo-o-que-tinha-para-ser-feito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/fizemos-tudo-o-que-tinha-para-ser-feito\/","title":{"rendered":"Fizemos tudo o que tinha para ser feito?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">A bi\u00f3loga Grasiela Porf\u00edrio e o ministro do Meio Ambiente, Jo\u00e3o Paulo Capobianco, analisam avan\u00e7os, lacunas e desafios para transformar compromissos ambientais em a\u00e7\u00f5es concretas<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-378a6006d14c83f39dfe1dfe073f1966\"><strong>Texto: Hyan Martins | Juliana Ramos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Montagem-Juliana-Ramos.jpg-1024x724.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6300\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Montagem-Juliana-Ramos.jpg-1024x724.jpeg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Montagem-Juliana-Ramos.jpg-300x212.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Montagem-Juliana-Ramos.jpg-768x543.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Montagem-Juliana-Ramos.jpg-400x283.jpeg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/Montagem-Juliana-Ramos.jpg.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagem: Juliana Ramos<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em 2026, Campo Grande, a capital de Mato Grosso do Sul (MS), foi escolhida como sede da 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP15) da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Conserva\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias de Animais Silvestres (CMS). Com o tema \u201cConectando a natureza para sustentar a vida\u201d, o evento reuniu mais de 130 pa\u00edses e cerca de 2.400 participantes para debater a prote\u00e7\u00e3o global das esp\u00e9cies migrat\u00f3rias, suas rotas e seus habitats.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Governo do Estado, um dos motivos para o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente recomendar a capital sul-mato-grossense como sede, foi sua posi\u00e7\u00e3o como porta de entrada para o Pantanal e a presen\u00e7a de pol\u00edticas ambientais j\u00e1 estabelecidas no Estado. Ao apresentar MS ao mundo, o Brasil colocou seus biomas, principalmente o Pantanal, no centro do debate internacional, evidenciando sua relev\u00e2ncia e a necessidade de ampliar as pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Confer\u00eancia levantou debates como a concilia\u00e7\u00e3o do Agroneg\u00f3cio com o Pantanal e a coexist\u00eancia de humanos com esp\u00e9cies amea\u00e7adas como a on\u00e7a-pintada, al\u00e9m de destacar as esp\u00e9cies migrat\u00f3rias e a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o dos biomas do estado. O momento tamb\u00e9m colocou em quest\u00e3o as medidas que o Brasil t\u00eam tomado, assim como o que os pesquisadores t\u00eam feito e descoberto em resposta a esses debates.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ampliar essa discuss\u00e3o, o Proj\u00e9til convidou a bi\u00f3loga Grasiela Porf\u00edrio, doutora em Ecologia, Biodiversidade e Gest\u00e3o de Ecossistemas pela Universidade de Aveiro, em Portugal, para conversar sobre o impacto da COP15 na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Com forte atua\u00e7\u00e3o no Pantanal e no Cerrado, ela desenvolve pesquisas voltadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de mam\u00edferos, educa\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre biodiversidade e atividades humanas, al\u00e9m de integrar iniciativas cient\u00edficas e coletivos socioambientais na regi\u00e3o. Durante o evento, Grasiela mediou uma mesa de debate sobre a rede pantaneira pela coexist\u00eancia humano-on\u00e7a no espa\u00e7o oficial, al\u00e9m de realizar uma oficina aberta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, com o mesmo tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m conversamos com o Ministro do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima (MMA), Jo\u00e3o Paulo Capobianco que, \u00e0 \u00e9poca da entrevista, exercia o cargo de secret\u00e1rio-executivo do Meio Ambiente e presidente da COP15.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a conversa, eles avaliaram os resultados da confer\u00eancia e minimizaram as dificuldades. No entanto, destacaram que \u00e9 poss\u00edvel equilibrar os interesses do agroneg\u00f3cio com pr\u00e1ticas comprovadamente sustent\u00e1veis, afirmando que isso j\u00e1 ocorre. Se existe, de fato, um desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 o que o Proj\u00e9til buscou apurar nas p\u00e1ginas desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p> Descobrir isso ainda \u00e9 um grande desafio, j\u00e1 que muitas pr\u00e1ticas n\u00e3o possuem respaldo cient\u00edfico ou, mesmo quando adotadas por alguns produtores, n\u00e3o s\u00e3o seguidas pela totalidade dos agricultores e pecuaristas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color\" style=\"text-align: center\">Se existe, de fato, um desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 o que o Proj\u00e9til buscou apurar nas p\u00e1ginas desta edi\u00e7\u00e3o.<\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"651\" height=\"789\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/IMAGEM-JULIA-ORTEGA-SITE.jpg.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6301\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/IMAGEM-JULIA-ORTEGA-SITE.jpg.jpeg 651w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/IMAGEM-JULIA-ORTEGA-SITE.jpg-248x300.jpeg 248w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/IMAGEM-JULIA-ORTEGA-SITE.jpg-400x485.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 651px) 100vw, 651px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Durante a inaugura\u00e7\u00e3o da reforma da Passarela Ecol\u00f3gica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o ministro destacou a import\u00e2ncia de sediar a COP15 no Brasil | Foto: J\u00falia Ortega<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Embora a COP15 tenha trazido avan\u00e7os importantes, visibilidade internacional e novas promessas, os desafios estruturais seguem evidentes, como conflitos de interesse, lacunas na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e a dificuldade hist\u00f3rica de transformar discurso em pr\u00e1tica. Mesmo que pr\u00e1ticas como a pecu\u00e1ria j\u00e1 ocorram h\u00e1 300 anos no Pantanal, a conserva\u00e7\u00e3o dos biomas ainda depende de equil\u00edbrio real entre crescimento produtivo e econ\u00f4mico, ci\u00eancia e preserva\u00e7\u00e3o. Afinal, se muito foi debatido e anunciado, a efetividade dessas a\u00e7\u00f5es ainda ser\u00e1 medida n\u00e3o pelos acordos firmados, mas pelos resultados concretos no territ\u00f3rio. A ci\u00eancia e os povos origin\u00e1rios demonstram in\u00fameras preocupa\u00e7\u00f5es importantes nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe do Proj\u00e9til 107, ainda, convidou o economista Jaime Elias Verruck, ex-secret\u00e1rio de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o de Mato Grosso do Sul (Semadesc), que esteve \u00e0 frente da pasta por 11 anos, inclusive no per\u00edodo de realiza\u00e7\u00e3o da COP15. No entanto, apesar das tentativas de contato direto e tamb\u00e9m por meio da assessoria e da pr\u00f3pria Semadesc, n\u00e3o houve retorno at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Proj\u00e9til:<\/strong> Com a COP15 tivemos, por exemplo, a inclus\u00e3o e reclassifica\u00e7\u00e3o de 40 esp\u00e9cies, subesp\u00e9cies e popula\u00e7\u00f5es animais e a amplia\u00e7\u00e3o do Parque Nacional do Pantanal. Quais medidas provocadas pelo evento a senhora considera mais not\u00e1vel para os biomas do nosso estado?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Grasiela Porf\u00edrio:<\/strong> Um ponto positivo da COP15 foi justamente mostrar a concentra\u00e7\u00e3o dos biomas<span style=\"color: #ff6600\">*<\/span> do estado e mostrar para o mundo a necessidade que temos de ter um olhar focado nessas esp\u00e9cies. O Pantanal \u00e9 uma rota migrat\u00f3ria de v\u00e1rias esp\u00e9cies de aves, que v\u00eam aqui para se reproduzir, buscar abrigo ou fontes de alimento. N\u00f3s ganhamos com a COP, porque conseguimos incluir outras esp\u00e9cies que ainda n\u00e3o estavam na lista da CMS (Conven\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias). N\u00f3s temos a ariranha, o caboclinho-do-pantanal, que \u00e9 uma pequena ave, mas muito importante, e temos tamb\u00e9m o peixe pintado. N\u00f3s fomos contemplados na terra, na \u00e1gua e no ar. Tamb\u00e9m conseguimos a amplia\u00e7\u00e3o do Parque Nacional do Pantanal mato-grossense, que embora esteja no Mato Grosso (MT), toda a zona de amortecimento<span style=\"color: #ff6600\">*<\/span> fica em MS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P:<\/strong> Quais pol\u00edticas ou a\u00e7\u00f5es a senhora considera essenciais para proteger os habitats das esp\u00e9cies migrat\u00f3rias?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GP:<\/strong> Bom, a cria\u00e7\u00e3o das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) \u00e9 uma das principais ferramentas e uma das principais pol\u00edticas p\u00fablicas para poder garantir, ao menos, a conserva\u00e7\u00e3o de partes importantes e relevantes dos habitats. Um exemplo disso foi a amplia\u00e7\u00e3o do Parque Nacional do Pantanal mato-grossense, que abrange toda uma regi\u00e3o de campos inund\u00e1veis, e que precisa ter uma aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m outras pol\u00edticas p\u00fablicas, relacionadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental, que n\u00e3o podemos esquecer, porque n\u00f3s precisamos trabalhar com a quest\u00e3o humana e com o envolvimento de todos nesta causa. A Pol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental (PNEA)<span style=\"color: #ff6600\">*<\/span>, tamb\u00e9m \u00e9 relevante nesse sentido. Outras pol\u00edticas p\u00fablicas envolvem, por exemplo, o mercado dos cr\u00e9ditos de carbono e o pagamento por servi\u00e7os ambientais, projeto que o governo do Estado vem desenvolvendo desde o ano passado, com a abertura do primeiro edital do Programa de Pagamento por Servi\u00e7o Ambientais (PSA)<span style=\"color: #ff6600\">*<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"800\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/JULIANA-RAMOS-SITE.jpg.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6463\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/JULIANA-RAMOS-SITE.jpg.jpeg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/JULIANA-RAMOS-SITE.jpg-225x300.jpeg 225w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/JULIANA-RAMOS-SITE.jpg-400x533.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Por meio da arte, Grasiela Porf\u00edrio transforma ilustra\u00e7\u00f5es em educa\u00e7\u00e3o ambiental. As imagens que ilustram a vers\u00e3o impressa da entrevista, foram cedidas pela entrevistada | Foto: Juliana Ramos <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>P:<\/strong> Produtores e pecuaristas defendem a agropecu\u00e1ria no Pantanal devido a pr\u00e1ticas como o boi bombeiro<span style=\"color: #ff6600\">*<\/span> e a queima controlada<span style=\"color: #ff6600\">*<\/span>, mas essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o questionadas pela aus\u00eancia de evid\u00eancias de impacto. A senhora percebe a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que t\u00eam auxiliado na concilia\u00e7\u00e3o entre agroneg\u00f3cio e a conserva\u00e7\u00e3o do pantanal?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GP:<\/strong> Veja bem, a pecu\u00e1ria no Pantanal tem cerca de 300 anos. \u00c9 uma pecu\u00e1ria tradicional, um sistema que vem sendo passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o e que tem esse manejo que alia produ\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o. Se a gente comparar o Pantanal, que em sua maior parte \u00e9 propriedade privada, com outros biomas brasileiros, seu estado de conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado alto. O solo do Pantanal n\u00e3o \u00e9 prop\u00edcio para a agricultura, ent\u00e3o, a pecu\u00e1ria foi a voca\u00e7\u00e3o produtiva encontrada pelas fam\u00edlias e produtores que ali fincaram suas ra\u00edzes h\u00e1 s\u00e9culos atr\u00e1s. Entretanto, existem v\u00e1rios estudos que mostram o papel da pecu\u00e1ria justamente no controle dessa biomassa vegetal. Hoje com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, longos per\u00edodos de estiagem e as altas temperaturas, a biomassa vegetal que fica acumulada acaba virando um barril de p\u00f3lvora quando tem um inc\u00eandio provocado ou um inc\u00eandio natural, ent\u00e3o, de certa forma, o gado auxilia nesse controle de biomassa vegetal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P:<\/strong> Quais a\u00e7\u00f5es que a senhora realiza como bi\u00f3loga e pesquisadora da \u00e1rea e que considera importante para a conserva\u00e7\u00e3o dos biomas do estado e para a promo\u00e7\u00e3o da coexist\u00eancia das esp\u00e9cies?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GP: <\/strong>Como bi\u00f3loga, eu me dedico \u00e0 pesquisa focada na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento envolvendo a Biologia e a Ecologia da on\u00e7a-pintada. Tamb\u00e9m a intera\u00e7\u00e3o da on\u00e7a-pintada com as presas e com o habitat, \u00e9 isso que eu estudo, utilizando diversas metodologias, como as armadilhas fotogr\u00e1ficas e os colares GPS (s\u00e3o dispositivos de monitoramento cient\u00edfico instalados por pesquisadores para rastrear o movimento, h\u00e1bitos, territ\u00f3rio e sa\u00fade desses felinos), para estudar toda a movimenta\u00e7\u00e3o do animal no espa\u00e7o. Com isso, obtemos informa\u00e7\u00f5es relacionadas ao uso do habitat, ao tamanho da \u00e1rea de vida, como interagem machos e f\u00eameas, se sobrep\u00f5em territ\u00f3rios e como \u00e9 essa rela\u00e7\u00e3o com a on\u00e7a-parda, com as esp\u00e9cies menores, por exemplo. Isso \u00e9 um pouco da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento voltado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da on\u00e7a-pintada, porque essas informa\u00e7\u00f5es v\u00e3o embasar a constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas. Enquanto pesquisadora, eu tamb\u00e9m trabalho nessa frente de coexist\u00eancia, no estudo da rela\u00e7\u00e3o entre pessoas e on\u00e7as e tamb\u00e9m com a educa\u00e7\u00e3o ambiental. Eu fa\u00e7o essa jun\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o ambiental e utilizo a arte como ferramenta de sensibiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 a partir da arte que eu consigo estabelecer um di\u00e1logo com as pessoas que est\u00e3o participando das a\u00e7\u00f5es, fazendo essa troca de conhecimentos e a constru\u00e7\u00e3o de um novo conhecimento que tem como objetivo final, a conserva\u00e7\u00e3o da on\u00e7a-pintada e tamb\u00e9m a conserva\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade. Porque temos v\u00e1rios p\u00fablicos, v\u00e1rios grupos de pessoas com culturas diferentes que vivem no Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P:<\/strong> Acredita que medidas como o Programa de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA) e o plano MS Carbono Neutro 2030<span style=\"color: #ff6600\">*<\/span> s\u00e3o o caminho certo para a conserva\u00e7\u00e3o do nosso estado? Eles est\u00e3o sendo efetivos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GP:<\/strong> Acredito que todos esses programas que foram mencionados, n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos, mas s\u00e3o bons caminhos. Porque a gente est\u00e1 falando de programas que justamente conciliam desenvolvimento com sustentabilidade, com conserva\u00e7\u00e3o de recursos. S\u00e3o uma esp\u00e9cie de pagamento por servi\u00e7os que as comunidades que vivem no Pantanal ou que os produtores do Pantanal est\u00e3o desempenhando em sua propriedade. S\u00e3o caminhos, e mecanismos financeiros, projetos para gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de biodiversidade que v\u00e3o ajudar MS a ser esse estado pioneiro na conserva\u00e7\u00e3o dos seus recursos naturais, na prote\u00e7\u00e3o das culturas e tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o. Porque a gente depende da produ\u00e7\u00e3o que envolve a extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio, por exemplo, da pecu\u00e1ria e da agropecu\u00e1ria. Todos dependem desses bens, mas eles precisam ser produzidos de uma maneira consciente, respeitando a legisla\u00e7\u00e3o vigente, e a Agenda ESG (Ambiental, Social e Governan\u00e7a)<span style=\"color: #ff6600\">*<\/span>. Eu acredito que s\u00e3o caminhos certos e quem ganha \u00e9 quem vive aqui no estado, que tem diversas possibilidades de se desenvolver de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P:<\/strong> N\u00f3s conversamos com o ministro do Meio Ambiente que afirmou que \u00e9 poss\u00edvel conciliar o agroneg\u00f3cio com a preserva\u00e7\u00e3o do Pantanal. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, o governo realmente tem avan\u00e7ado nesse equil\u00edbrio entre produ\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GP:<\/strong> Como ele falou, isso j\u00e1 acontece. H\u00e1 300 anos o Pantanal est\u00e1 produzindo gado e respeitando a natureza, auxiliando na conserva\u00e7\u00e3o do bioma. Isso \u00e9 conserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 utilizar de forma consciente. Agora, quando falamos em preserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 deixar intocado. Isso \u00e9 muito dif\u00edcil de acontecer, porque toda a \u00e1rea acaba tendo uma influ\u00eancia, um impacto da atividade humana. S\u00f3 iremos saber at\u00e9 que ponto a gente consegue conciliar, e a partir de que momento uma atividade da agropecu\u00e1ria, por exemplo, est\u00e1 impactando uma determinada esp\u00e9cie ou um determinado habitat, com a ci\u00eancia. Precisamos investir em ci\u00eancia. \u00c9 com a produ\u00e7\u00e3o de dados coletados de forma sistem\u00e1tica, com um objetivo definido, com coletas ao longo do tempo e an\u00e1lises, que iremos conseguir identificar. Pode ser que determinada produ\u00e7\u00e3o vai atingir uma esp\u00e9cie \u201cx\u201d e n\u00e3o as outras. Mas \u00e9 a ci\u00eancia que vai mostrar isso. N\u00e3o tem como dissociar desenvolvimento, conserva\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia. Eles precisam andar lado a lado. Esses tr\u00eas pilares precisam ter a mesma prioridade no sentido de incentivo financeiro para que eles de fato aconte\u00e7am.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color\" style=\"text-align: center;\">&#8220;N\u00e3o tem como dissociar desenvolvimento, conserva\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia. Eles precisam andar lado a lado.&#8221; &#8211; Grasiela Porf\u00edrio<\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Proj\u00e9til:<\/strong> O senhor, como presidente da COP15, acredita que o evento proporcionou benef\u00edcios diretos para o Pantanal?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jo\u00e3o Paulo Capobianco:<\/strong> Com certeza, o Presidente da Rep\u00fablica, [Luiz In\u00e1cio Lula da Silva], na abertura da COP, j\u00e1 ampliou duas unidades de conserva\u00e7\u00e3o: o Parque Nacional do Pantanal mato-grossense e a esta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica Taiam\u00e3, que aumentou em cinco vezes. Ent\u00e3o j\u00e1 teve um resultado concreto. Al\u00e9m disso, v\u00e1rias esp\u00e9cies migrat\u00f3rias que ocorrem no Pantanal est\u00e3o se beneficiando de aprova\u00e7\u00f5es, de propostas e de planos de trabalho envolvendo v\u00e1rios pa\u00edses, como \u00e9 o caso da on\u00e7a-pintada e tamb\u00e9m da ariranha, que acabou de ser aprovada como uma esp\u00e9cie protegida pela Conven\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias e isso vai ser muito importante para a prote\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P:<\/strong> Quais pr\u00e1ticas podem auxiliar na concilia\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio com a conserva\u00e7\u00e3o do Pantanal?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JPC:<\/strong> O agroneg\u00f3cio \u00e9 perfeitamente concili\u00e1vel com a conserva\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos que cuidar para n\u00e3o impactar os recursos h\u00eddricos, para n\u00e3o interromper as \u00e1reas de tr\u00e2nsito de animais e para garantir a conectividade. \u00c9 poss\u00edvel voc\u00ea integrar a atividade produtiva com a paisagem, \u00e9 esse o desafio que n\u00f3s temos. A nossa legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 prev\u00ea que as propriedades precisam ter reserva legal e \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente preservadas. Isso j\u00e1 \u00e9 um ganho, mas muitos produtores rurais t\u00eam feito muito mais do que isso, preservando e \u00e0s vezes at\u00e9 recuperando \u00e1reas degradadas at\u00e9 aumentar a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental. Ent\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de planejamento e de vontade de fazer as coisas corretamente, integrando natureza e produ\u00e7\u00e3o, mesmo porque a produtividade de uma propriedade rural que possui nascentes e esp\u00e9cies nativas preservadas, \u00e9 muito maior. O resultado, toda a ci\u00eancia mostra, quanto mais natureza perto da produ\u00e7\u00e3o, maior \u00e9 a produtividade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>GLOSS\u00c1RIO*<br><\/strong>Confira o significado dos termos da entrevista<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Biomas:<\/strong> Conforme explica a bi\u00f3loga Grasiela Porf\u00edrio, Mato Grosso do Sul tem por\u00e7\u00f5es de Pantanal, Cerrado, Mata Atl\u00e2ntica, um pouco do Chaco e a Mata Chiquitana, que n\u00e3o \u00e9 um bioma, mas um ecossistema, uma forma\u00e7\u00e3o florestal de origem boliviana.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Zonas de Amortecimento:<\/strong> Segundo a entrevistada, \u00e9 a \u00e1rea que cerca uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzir os impactos da atividade humana sobre a reserva. Como uma transi\u00e7\u00e3o entre os espa\u00e7os, essa \u00e1rea n\u00e3o pode ser utilizada para plantio, por exemplo.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Pol\u00edtica nacional de educa\u00e7\u00e3o ambiental:<\/strong> define a educa\u00e7\u00e3o ambiental como um componente essencial e permanente na educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis e modalidades do processo educativo. Institu\u00edda pela Lei n\u00ba 9.795\/1999 e regulamentada pelo Decreto n\u00ba 4.281\/2002, a norma define a educa\u00e7\u00e3o ambiental como um processo em que se constr\u00f3i valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e compet\u00eancias voltadas para a conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"4\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Programa de Pagamento por Servi\u00e7o Ambientais (PSA):<\/strong> Estrat\u00e9gia que paga agentes de servi\u00e7os ambientais para promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel, a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, a manuten\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e os estoques de carbono no Estado. O incentivo recompensa quem promove a conserva\u00e7\u00e3o al\u00e9m do previsto por lei nas propriedades inseridas nos limites do Bioma Pantanal Sul-Mato-Grossense e das bacias dos rios Formoso, Prata, Betione e Salobra.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"5\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Boi bombeiro:<\/strong> A teoria alega que, no Pantanal, ao comer o capim, o boi ajudaria a diminuir a quantidade de material dispon\u00edvel para a queima, reduzindo a propor\u00e7\u00e3o das queimadas. A pr\u00e1tica ainda n\u00e3o possui um consenso cient\u00edfico, possuindo defensores e especialistas que criticam a ideia, principalmente, pela aus\u00eancia de dados consistentes. Fonte: G1 e Embrapa<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"6\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Queima controlada:<\/strong> \u00e9 o uso planejado, monitorado e controlado do fogo, em atividades agr\u00edcolas, pastoris ou florestais, para o manejo da vegeta\u00e7\u00e3o, limpeza de terreno ou controle de pragas e doen\u00e7as. A pr\u00e1tica deve ser autorizada pelo \u00f3rg\u00e3o estadual de meio ambiente e ser realizada em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas favor\u00e1veis.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"7\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Plano MS Carbono Neutro 2030:<\/strong> \u00e9 uma iniciativa do Governo de MS, formalizada pelo Decreto n\u00ba Decreto N\u00ba 15.741\/2021. Seu objetivo \u00e9 neutralizar as emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa at\u00e9 2030, com um modelo de desenvolvimento baseado em uma economia de baixo carbono, na conserva\u00e7\u00e3o e na valoriza\u00e7\u00e3o de ativos ambientais.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"8\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Agenda ESG:<\/strong> A sigla tem origem no ingl\u00eas, trata-se de um conjunto de objetivos e a\u00e7\u00f5es firmado por empresas, como o uso de fontes renov\u00e1veis de energia e a cria\u00e7\u00e3o de iniciativas para a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, que demonstram como o neg\u00f3cio ir\u00e1 lidar com as quest\u00f5es ambientais, sociais e de governan\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-107\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 107<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bi\u00f3loga Grasiela Porf\u00edrio e o ministro do Meio Ambiente, Jo\u00e3o Paulo Capobianco, analisam avan\u00e7os, lacunas e desafios para transformar compromissos ambientais em a\u00e7\u00f5es concretas Texto: Hyan Martins | Juliana Ramos Em 2026, Campo Grande, a capital de Mato Grosso do Sul (MS), foi escolhida como sede da 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP15) da Conven\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-6258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6258"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6696,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6258\/revisions\/6696"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}