{"id":6270,"date":"2026-06-25T17:14:30","date_gmt":"2026-06-25T21:14:30","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6270"},"modified":"2026-06-25T17:27:36","modified_gmt":"2026-06-25T21:27:36","slug":"o-tamandua-que-viu-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-tamandua-que-viu-o-futuro\/","title":{"rendered":"O tamandu\u00e1 que viu o futuro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-41cbe42815c8aa05e6728aaa63b12ee2\"><strong>Texto: <a href=\"iasmin.rodrigues@ufms.br\">Iasmin Rodrigues<\/a> | <a href=\"pietro.vargas@ufms.br\">Pietro Vargas<\/a> | <a href=\"theoangelo.cruz@ufms.br\">Theoangelo Cruz<\/a><\/strong><br><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/agatharte_?igsh=Zjk3dHVkenJ6MTlj\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/agatharte_?igsh=Zjk3dHVkenJ6MTlj\">\u00c1ghata Francelino<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"712\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-1024x712.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6271\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-1024x712.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-300x208.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-768x534.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-1536x1067.png 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-2048x1423.png 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-1200x834.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-1980x1376.png 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-1250x869.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/OPINATIVO-ilustracao-1-400x278.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um tamandu\u00e1-bandeira em uma conversa com outros de sua esp\u00e9cie, ouviu hist\u00f3rias de lugares distantes. As \u00e1rvores eram cinzentas, abrigavam estrelas no topo e o verde do ch\u00e3o era repartido ao meio por uma longa reta de pedra com faixas amarelas. A hist\u00f3ria dizia ainda que os animais que vivem l\u00e1 andam em m\u00e1quinas de metal que soltam fuma\u00e7a, andam por grandes caixas, e n\u00e3o s\u00f3 isso, como tamb\u00e9m \u00e0s vezes dizem morar dentro delas. Ouviu tamb\u00e9m que aquilo era o futuro e que, em breve, as \u00e1rvores ao redor deles e o mundo como conheciam iam se acabar. Teriam de ser colocados em jaulas ou migrar para bem longe de tudo que chamaram de lar.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Interrompendo quem falava, outro tamandu\u00e1 se prontificou a dizer que j\u00e1 esteve l\u00e1, que viu o futuro de perto, e que se quisessem ver tamb\u00e9m, teriam que caminhar por um tempo em dire\u00e7\u00e3o ao fim da floresta. Ele contou que viu as faixas amarelas e as seguiu at\u00e9 encontrar uma grande caixa de vidro, onde os animais entravam com pequenos pl\u00e1sticos em m\u00e3os e saiam com pap\u00e9is coloridos usados para trocas comerciais diversas. Por\u00e9m, a curiosidade o fez chegar perto demais. Os animais do lado de l\u00e1 gritavam e usavam pequenas coisas com telas brilhantes para conversar com algu\u00e9m, e n\u00e3o muito depois, ele foi recolhido e levado de volta para casa em uma das m\u00e1quinas de metal.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria parecia boa demais para ser verdade. O primeiro tamandu\u00e1 passou a noite olhando para as estrelas e refletindo sobre o futuro, sobre o mundo que avan\u00e7ava para dentro da floresta em que agora ele dormia. Pensou em si mesmo dentro de uma m\u00e1quina de metal, com pap\u00e9is coloridos e pl\u00e1sticos em m\u00e3os, que usaria para trocar por coisas novas e bonitas que talvez nem teriam uso. Pensou tanto que decidiu tomar uma atitude. Se levantou e come\u00e7ou a vagar em dire\u00e7\u00e3o ao fim da floresta, olhando ao seu redor e pensando em como era ultrapassado todo esse verde, e seguiu sonhando com o futuro.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para sua surpresa, a caminhada foi mais curta do que imaginava. Na dire\u00e7\u00e3o em que seguia, aos poucos come\u00e7ava a ouvir os barulhos da vida desses animais futur\u00edsticos t\u00e3o enigm\u00e1ticos, e que trariam a ele este mesmo futuro. Come\u00e7ou a sentir aos poucos o conhecido cheiro da mata ser substitu\u00eddo pelo moderno odor da fuma\u00e7a. Notou o frescor mon\u00f3tono da brisa entre as \u00e1rvores e o morma\u00e7o do progresso. Aos poucos, as \u00e1rvores iam acabando. Logo \u00e0 sua frente podia enxergar as ruas de pedra com faixas amarelas, seus olhos eram cegados pelo brilho das estrelas em grandes postes de metal. Ali estava o futuro.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As caixas eram lindas, exuberantes e brilhantes, guiando o caminho. A cada quadra, o tamandu\u00e1 encontrava uma nova curva, um novo horizonte de possibilidades que poderia seguir. Aos poucos, as caixas come\u00e7aram a ficar iguais demais, o cheiro de fuma\u00e7a come\u00e7ou a causar n\u00e1useas, as luzes dos postes come\u00e7aram a cegar, e quando o sol come\u00e7ava a nascer e tudo parecia se tornar igual e repetitivo, ele encontrou a maior caixa de todas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Era uma caixa t\u00e3o grande que tinha outras caixas dentro. O tamandu\u00e1 recolheu algumas plantas que pensou que poderiam servir como papel colorido e valioso para trocas e partiu para dentro. L\u00e1, ele sentiu perfumes que imitavam o odor da madeira, e se perguntou por que derrubam as \u00e1rvores se querem sentir o cheiro delas. Sentiu o gelado do ar-condicionado e se perguntou por que n\u00e3o apenas apreciar a brisa da floresta. Viu pessoas comendo e gastando o papel, sendo que l\u00e1 na floresta ele conseguia comida sem isso. Tudo parecia estranho. Por que o futuro parecia imitar o passado?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele foi recolhido por alguns homens que se vestiam iguais. Agora na m\u00e1quina de metal, entendia que o \u00fanico animal ali era ele, afinal, em uma terra t\u00e3o cinza, n\u00e3o poderia existir algo t\u00e3o colorido quanto um tamandu\u00e1.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-107\/\">voltar para a edi\u00e7\u00e3o 107<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Iasmin Rodrigues | Pietro Vargas | Theoangelo CruzIlustra\u00e7\u00e3o: \u00c1ghata Francelino Um tamandu\u00e1-bandeira em uma conversa com outros de sua esp\u00e9cie, ouviu hist\u00f3rias de lugares distantes. 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