{"id":6285,"date":"2026-06-25T17:10:45","date_gmt":"2026-06-25T21:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6285"},"modified":"2026-06-25T17:28:38","modified_gmt":"2026-06-25T21:28:38","slug":"sorria-estamos-sendo-desmatados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/sorria-estamos-sendo-desmatados\/","title":{"rendered":"Sorria! Estamos sendo desmatados"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-2f4d3ef26904f294317def4351d1c75c\"><strong>Texto:<\/strong> <strong>J\u00falia de C\u00e1ssia <strong>|<\/strong> Hyan Lucas Carvalho <strong>|<\/strong> Guilherme Willian<\/strong><br><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: J\u00falia Ortega<em> <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online-724x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6287\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online-724x1024.png 724w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online-212x300.png 212w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online-768x1087.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online-1086x1536.png 1086w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online-1200x1698.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online-1250x1769.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online-400x566.png 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/05\/placa-opinativo-png-online.png 1417w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Campo Grande (MS) costuma ser lembrada como uma das capitais mais arborizadas do pa\u00eds. O Censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), aponta que 91,4% dos domic\u00edlios da cidade est\u00e3o localizados em vias p\u00fablicas arborizadas. Ainda que o munic\u00edpio tenha consolidado essa identidade ambiental, no cora\u00e7\u00e3o administrativo do Estado, no Parque dos Poderes, ela passa a ser questionada diante da amea\u00e7a de supress\u00e3o de \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Localizada em um estado marcado pela presen\u00e7a simult\u00e2nea do Pantanal, do Cerrado e da Mata Atl\u00e2ntica, a capital de MS expandiu sua \u00e1rea urbana em meio \u00e0s \u00e1reas naturais. O Parque dos Poderes Governador Pedro Pedrossian, criado em 1981, \u00e9 um dos exemplos mais emblem\u00e1ticos dessa proposta, concebido para abrigar a estrutura administrativa estadual sem romper com a vegeta\u00e7\u00e3o original. O espa\u00e7o que deveria representar equil\u00edbrio entre desenvolvimento e preserva\u00e7\u00e3o, ocupa o centro do debate sobre os limites do progresso urbano desde que foi criado o projeto de amplia\u00e7\u00e3o de estacionamentos e constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios de secretarias.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Mata Atl\u00e2ntica representava 18% do estado, enquanto hoje restam apenas 10,48%, segundo estudo da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grosso do Sul (Famasul), publicado no Boletim Casa Rural, em 2024. Essa redu\u00e7\u00e3o decorre do desmatamento e das queimadas. Mesmo com a perda cont\u00ednua do bioma, o Governo do Estado e o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Mato Grosso do Sul (MPMS) investem em tentativas de perpetuar essa supress\u00e3o vegetal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em agosto de 2023, o MPMS juntamente com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), firmaram um acordo que autorizava o desmatamento de aproximadamente 19 hectares, \u00e1rea equivalente a 26 campos de futebol. Antes mesmo da confirma\u00e7\u00e3o desse acordo, novas vagas de estacionamento foram constru\u00eddas em frente \u00e0 Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 em 2024, o MPMS apresentou recurso na Justi\u00e7a para fazer valer um novo acordo que liberaria o desmatamento de 28 hectares de 11 \u00e1reas do Parque dos Poderes. O promotor de justi\u00e7a Luiz Ant\u00f4nio Freitas de Almeida, em uma tentativa de se mostrar a favor do meio ambiente, justificou que n\u00e3o seriam desmatados 28 hectares no total, j\u00e1 que as 11 \u00e1reas possu\u00edam pouco de vegeta\u00e7\u00e3o original devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana. Mas como \u00e9 poss\u00edvel ser a favor da preserva\u00e7\u00e3o quando ao inv\u00e9s de escolher a regenera\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea afetada, se opta pelo seu desmatamento?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tentativas s\u00e3o feitas para tentar impedir o desmatamento desde 2023 pela vereadora Luiza Ribeiro (PT). Seu projeto de lei a favor do tombamento do complexo ambiental formado pelo Parque dos Poderes, Parque da Na\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas, e Parque Estadual do Prosa foi apresentado na C\u00e2mara Municipal de Campo Grande e, apesar do parecer favor\u00e1vel da Procuradoria Municipal, a tentativa foi rejeitada e arquivada pela Comiss\u00e3o de Legisla\u00e7\u00e3o, Justi\u00e7a e Reda\u00e7\u00e3o Final. Durante a Confer\u00eancia das Partes (COP15) da Conven\u00e7\u00e3o sobre Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias de Animais Silvestres (CMS), que ocorreu em mar\u00e7o de 2026 na capital, Luiza apresentou pela terceira vez o projeto de lei.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s a COP15, o Governo do Estado publicou, em 31 de mar\u00e7o, o Decreto n\u00b0 16.757\/2026, que determina a zona de amortecimento e imp\u00f5e novas regras no Parque dos Poderes para a preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Contudo, o texto n\u00e3o impede constru\u00e7\u00f5es de novos pr\u00e9dios. Ou seja, a publica\u00e7\u00e3o mascara medidas que poderiam proteger a regi\u00e3o, visto que novas edifica\u00e7\u00f5es colocam em risco a fauna e a flora do local.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Campo Grande \u00e9 a \u00fanica cidade brasileira a receber o t\u00edtulo internacional de \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Tree City of The World<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (Cidade \u00c1rvore do Mundo) por seis anos consecutivos. O pr\u00eamio tem o intuito de prestigiar aqueles que se comprometem em preservar florestas urbanas. Mas ser\u00e1 que esse t\u00edtulo se encaixa em uma cidade, que por vontade do Governo do Estado, amea\u00e7a destruir o equivalente a 26 campos de futebol de uma \u00e1rea que abriga um dos biomas mais raros e amea\u00e7ados do Brasil? Na capital mundial da arboriza\u00e7\u00e3o, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel ouvir o canto dos p\u00e1ssaros quando cessar o som das \u00e1rvores caindo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-107\/\">voltar para a edi\u00e7\u00e3o 107<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: J\u00falia de C\u00e1ssia | Hyan Lucas Carvalho | Guilherme WillianIlustra\u00e7\u00e3o: J\u00falia Ortega Campo Grande (MS) costuma ser lembrada como uma das capitais mais arborizadas do pa\u00eds. O Censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), aponta que 91,4% dos domic\u00edlios da cidade est\u00e3o localizados em vias p\u00fablicas arborizadas. Ainda que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-6285","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao-107"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6285"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6670,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6285\/revisions\/6670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}