{"id":6305,"date":"2026-07-02T19:50:39","date_gmt":"2026-07-02T23:50:39","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=6305"},"modified":"2026-07-07T18:37:02","modified_gmt":"2026-07-07T22:37:02","slug":"contradicao-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/contradicao-verde\/","title":{"rendered":"Contradi\u00e7\u00e3o verde"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Escolhida para sediar a 15\u00aa Confer\u00eancia sobre Conserva\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias de Animais Silvestres, Campo Grande se revela um paradoxo<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-8dbf7b02a9c17b1551c4ba99201fb0c6\"><strong>Texto: Emilenne Queiroz | Evelyn Fernandes | Milena Hashimoto<\/strong><br><strong>Foto: Evelyn Fernandes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"626\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-1024x626.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6722\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-1024x626.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-300x184.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-768x470.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-1536x940.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-2048x1253.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-1200x734.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-1980x1211.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-1250x765.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/PAINEL-400x245.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Campo Grande, o verde n\u00e3o \u00e9 apenas cor, \u00e9 discurso. A cidade, escolhida para sediar a 15\u00aa Confer\u00eancia sobre Conserva\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias de Animais Silvestres (COP15), se apresenta ao mundo como vitrine ambiental: pr\u00f3xima ao Pantanal, atravessada pelo Cerrado e marcada pela promessa de equil\u00edbrio entre desenvolvimento e natureza. Nos materiais institucionais, h\u00e1 \u00e1rvores. H\u00e1 aves. H\u00e1 futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao sair da rota oficial da confer\u00eancia, nos bairros perif\u00e9ricos, o verde \u00e9 aus\u00eancia. A \u00e1gua quando chega, n\u00e3o \u00e9 paisagem, vira problema. Escorre pelas ruas sem drenagem, invade casas, interrompe rotinas. Ali, a crise n\u00e3o \u00e9 tema de confer\u00eancia. \u00c9 cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algo de inc\u00f4modo nessa sobreposi\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto delega\u00e7\u00f5es internacionais discutem compromissos ambientais, a cidade que as recebe ainda negocia o b\u00e1sico: infraestrutura, planejamento urbano e acesso. O discurso sobe aos palcos, a realidade insiste em permanecer no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCertamente a realiza\u00e7\u00e3o da COP \u00e9 uma etapa, um in\u00edcio\u201d, afirma o presidente da COP 15 e atual ministro do Meio Ambiente, Jo\u00e3o Paulo Capobianco. \u201cO que se espera \u00e9 que ela deixe um legado, mas isso depende de decis\u00f5es posteriores\u201d, continua.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dist\u00e2ncia entre o que se diz e o que se vive n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 parte de um cen\u00e1rio mais amplo. Para \u00c1urea Garcia, diretora-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mulheres no Pantanal e coordenadora de pol\u00edticas da Wetlands International Brasil, as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o estruturais. \u201cO mundo \u00e9 feito de contradi\u00e7\u00f5es. \u00c9 a partir delas, muitas vezes, que surgem os debates e os caminhos poss\u00edveis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito entre produ\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o ainda atravessa decis\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, tanto no Brasil quanto em outros pa\u00edses. \u201cExiste uma dicotomia constante entre economia e conserva\u00e7\u00e3o. E o papel da sociedade civil \u00e9 justamente colaborar na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que consigam equilibrar essas for\u00e7as\u201d, afirma \u00c1urea.<\/p>\n\n\n\n<p><b>A m\u00e1quina verde do discurso ambiental<\/b><\/p>\n\n\n\n<p>No evento, a sustentabilidade ganhou forma em pequenos gestos. Embalagens biodegrad\u00e1veis, exigidas nos food trucks da confer\u00eancia, circulam como s\u00edmbolos de um compromisso ambiental. Mas at\u00e9 que ponto s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o? Ou seriam apenas poeira na superf\u00edcie? Uma camada vis\u00edvel de compromisso ambiental que n\u00e3o alcan\u00e7a as estruturas mais profundas da cidade. Em meio a iniciativas pontuais e s\u00edmbolos sustent\u00e1veis, permanece a quest\u00e3o central: o que, de fato, se transforma quando as discuss\u00f5es deixam os audit\u00f3rios e retornam ao territ\u00f3rio?<\/p>\n\n\n\n<p>O greenwashing \u00e9 uma estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o que promove uma imagem ambiental positiva sem que haja, de fato, mudan\u00e7as estruturais que a sustentem. A pr\u00e1tica se apoia na valoriza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es pontuais, simb\u00f3licas ou pouco transparentes, como campanhas, selos ou medidas isoladas, enquanto problemas mais profundos permanecem sem enfrentamento ou sequer s\u00e3o mencionados. Nesse processo, constr\u00f3i-se uma narrativa ambiental que funciona mais como vitrine do que como transforma\u00e7\u00e3o (veja na p\u00e1gina 21).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a secret\u00e1ria nacional de biodiversidade, florestas e direitos animais, Rita Mesquita, o termo tamb\u00e9m se aplica quando se anuncia algo que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o acontece ou n\u00e3o pode ser verificado, seja pela aus\u00eancia de implementa\u00e7\u00e3o real, seja pela falta de mecanismos de transpar\u00eancia e cobran\u00e7a. Em escala global, o fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 pontual: levantamento da Comiss\u00e3o Europeia indica que 53% das alega\u00e7\u00f5es ambientais feitas por organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o vagas, enganosas ou infundadas, e 40% n\u00e3o apresentam qualquer tipo de comprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que um problema de comunica\u00e7\u00e3o, o greenwashing revela um descompasso entre discurso e pr\u00e1tica. Ao destacar iniciativas superficiais enquanto quest\u00f5es estruturais seguem sem solu\u00e7\u00e3o, ele desloca o foco do debate e dificulta a percep\u00e7\u00e3o dos impactos reais, especialmente em contextos onde a imagem de sustentabilidade ganha visibilidade, mas n\u00e3o se traduz, necessariamente, em mudan\u00e7as concretas no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Entre o avan\u00e7o econ\u00f4mico e os limites do territ\u00f3rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Mato Grosso do Sul (MS) cresce. E cresce r\u00e1pido. O agroneg\u00f3cio avan\u00e7a, estrutura o estado, movimenta bilh\u00f5es e redefine paisagens inteiras. Em 2025, de acordo com a Resenha Regional do Banco do Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) do agro sul-mato-grossense registrou crescimento de 18,6%, o maior do pa\u00eds, consolidando o estado como uma das principais pot\u00eancias agr\u00edcolas nacionais. Al\u00e9m disso, o valor bruto da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria ultrapassou R$76 bilh\u00f5es, refor\u00e7ando a centralidade do campo na economia regional. Esse avan\u00e7o \u00e9 impulsionado por safras recordes e expans\u00e3o territorial, apenas soja e milho somaram cerca de 28 milh\u00f5es de toneladas na safra 2024\/25, colocando o estado entre os maiores produtores do Brasil. (veja na p\u00e1gina 32)<\/p>\n\n\n\n<p>Crescer aqui n\u00e3o \u00e9 neutro. O avan\u00e7o econ\u00f4mico pressiona o solo, reorganiza cursos d\u2019\u00e1gua, fragmenta \u00e1reas naturais e altera din\u00e2micas que, por muito tempo, sustentaram o equil\u00edbrio ambiental. Uma pesquisa feita em 2024 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) evidenciou que o estado possu\u00eda 4,3 milh\u00f5es de hectares com algum n\u00edvel de degrada\u00e7\u00e3o no solo, 5,4% do volume de terras degradadas no Pa\u00eds (veja na p\u00e1gina 31).<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o ministro Capobianco afirma ser \u201cposs\u00edvel conciliar produ\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o\u201d, e defende que a legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 prev\u00ea \u201cinstrumentos importantes para n\u00e3o impactar recursos h\u00eddricos e garantir a conectividade das \u00e1reas\u201d, \u00c1urea chama a aten\u00e7\u00e3o para esse processo como parte de uma transforma\u00e7\u00e3o mais ampla. \u201cA mudan\u00e7a do uso do solo, seja com a urbaniza\u00e7\u00e3o, com a produ\u00e7\u00e3o ou com o transporte, causa impactos e transforma completamente a paisagem\u201d. Ela cita o pr\u00f3prio Pantanal como exemplo dessas transforma\u00e7\u00f5es acumuladas ao longo do tempo. \u201cS\u00e3o altera\u00e7\u00f5es que acontecem \u00e0s vezes de forma imediata, mas muitas vezes ao longo de d\u00e9cadas, mudando cursos de rios, din\u00e2micas naturais e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u201d, afirma a coordenadora do Mupan (veja na p\u00e1gina 14).<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio permanece. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de planejamento, de vontade de fazer as coisas corretamente, integrando natureza e produ\u00e7\u00e3o\u201d, completa o ministro. A afirma\u00e7\u00e3o aponta para um caminho poss\u00edvel, mas, no territ\u00f3rio, essa integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se distribui de forma igualit\u00e1ria. \u00c9 nesse ponto que a desigualdade ambiental deixa de ser abstra\u00e7\u00e3o e passa a ter endere\u00e7o, rosto e rotina (veja na p\u00e1gina 35).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"905\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907-1024x905.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6798\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907-1024x905.png 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907-300x265.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907-768x679.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907-1536x1357.png 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907-1200x1060.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907-1250x1104.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907-400x353.png 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/ABERTURA-ONLINE-scaled-e1783341866907.png 1700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O endere\u00e7o da desigualdade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00e1reas mais vulner\u00e1veis, s\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas que convivem com a aus\u00eancia de saneamento, com a precariedade da infraestrutura e com os impactos mais imediatos da degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Ali, o meio ambiente n\u00e3o sobe o palco, n\u00e3o \u00e9 proje\u00e7\u00e3o futura; \u00e9 urg\u00eancia dom\u00e9stica imediata, \u00e9 a \u00e1gua que invade, o calor que se acumula, o verde que n\u00e3o se v\u00ea. (veja na p\u00e1gina 10)<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Defesa Civil de estado, no m\u00eas de fevereiro de 2026, apenas um dia de chuva, causou o isolamento de cerca de 700 pessoas nas regi\u00f5es de Rio Negro, Coxim e Corguinho, evidenciando como eventos clim\u00e1ticos intensos atingem de forma mais severa territ\u00f3rios com menor estrutura de drenagem e resposta. Em Campo Grande, epis\u00f3dios semelhantes se repetem em bairros perif\u00e9ricos, onde a aus\u00eancia de planejamento urbano adequado amplia os efeitos das chuvas e exp\u00f5e moradores a perdas materiais, interrup\u00e7\u00f5es na rotina e riscos \u00e0 sa\u00fade. Nesse cen\u00e1rio, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental deixa de ser um dado abstrato e passa a ser vivida no cotidiano, revelando uma cidade onde os impactos n\u00e3o se distribuem de forma igual, e onde a vulnerabilidade tem endere\u00e7o certo.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez, nenhuma imagem sintetize melhor esse conflito do que a presen\u00e7a das aves (veja na edi\u00e7\u00e3o 107).<br>Campo Grande abriga cerca de 400 esp\u00e9cies de aves, muitas delas migrat\u00f3rias, que atravessam continentes guiadas por rotas invis\u00edveis e dependem, para sobreviver, de algo simples e essencial: a continuidade. Precisam de \u00e1reas verdes conectadas, de \u00e1gua preservada, de equil\u00edbrio ambiental. Mas o que acontece quando esse caminho \u00e9 interrompido? Quando c\u00f3rregos s\u00e3o degradados, quando o crescimento urbano avan\u00e7a sem considerar a paisagem e quando o planejamento falha? O voo falha tamb\u00e9m. E, com ele, algo maior se rompe, a rede que ultrapassa fronteiras e conecta ecossistemas inteiros. A continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao afirmar que trazer a COP para Campo Grande \u00e9 uma forma de evidenciar a riqueza e a import\u00e2ncia dos biomas brasileiros, Capobianco aponta para o reconhecimento internacional do papel estrat\u00e9gico da cidade, especialmente como \u00e1rea de passagem de esp\u00e9cies migrat\u00f3rias. Sua fala refor\u00e7a a visibilidade ambiental do territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m evidencia um limite: esse destaque, por si s\u00f3, n\u00e3o garante preserva\u00e7\u00e3o. O equil\u00edbrio que ele menciona depende de decis\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do evento, exigindo continuidade, planejamento e a\u00e7\u00f5es concretas no cotidiano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A COP15 chega, ent\u00e3o, como possibilidade. Um ponto de partida mais do que de chegada. \u201cH\u00e1 potencial para deixar um legado\u201d, afirma a secret\u00e1ria Rita. Mas a sociedade precisa estar atenta. \u00c9 um processo que n\u00e3o se resolve nos dias de confer\u00eancia, nem se encerra nos compromissos assinados. Ele se desdobra no cotidiano. De forma cambiante, adaptada e constante.<br>Esse caminho passa, necessariamente, pelo di\u00e1logo. Um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o coletiva. \u00c1urea ressalta que enquanto n\u00e3o houver um espa\u00e7o leg\u00edtimo de di\u00e1logo entre governo, setor privado, academia, sociedade civil e comunidades, n\u00e3o h\u00e1 como alcan\u00e7ar sustentabilidade nas a\u00e7\u00f5es. \u00c9 nesse encontro de interesses, muitas vezes conflitantes, que se desenha uma possibilidade de equil\u00edbrio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela resume o desafio em uma ideia central, a coexist\u00eancia. Diferentes usos, diferentes popula\u00e7\u00f5es e diferentes prioridades precisam ocupar o mesmo territ\u00f3rio sem que um anule o outro. N\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o simples, nem resposta \u00fanica. H\u00e1, sim, um processo cont\u00ednuo de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6799\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1-1200x800.jpeg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1-1250x833.jpeg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1-400x267.jpeg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/07\/640FE9C9-CB10-40E1-BDE4-CB1C9F08AED9.JPG-1.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da COP mobilizou universidades, abriu espa\u00e7os de debate, incentivou a participa\u00e7\u00e3o social, envolvendo mais de 2.500 pessoas em menos de uma semana. H\u00e1 sinais de articula\u00e7\u00e3o, de tentativa, de constru\u00e7\u00e3o. Mas ainda h\u00e1, sobretudo, incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual Campo Grande foi apresentada ao mundo? E, mais importante, qual cidade se apresenta no dia a dia para quem a habita?<\/p>\n\n\n\n<p>Entre o verde que se mostra e o verde que falta, entre o discurso que ganha visibilidade internacional e a realidade que se imp\u00f5e no cotidiano, a contradi\u00e7\u00e3o permanece. N\u00e3o como exce\u00e7\u00e3o, mas como parte do pr\u00f3prio processo. Os dados locais refor\u00e7am: em Mato Grosso do Sul, mais de 400 mil pessoas ainda vivem sem acesso \u00e0 coleta de esgoto, e cerca de metade dos efluentes gerados n\u00e3o recebe tratamento adequado, segundo o Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es sobre Saneamento (SNIS), um contraste direto com a imagem de sustentabilidade projetada.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 nesse espa\u00e7o que esta hist\u00f3ria acontece. <\/strong><\/p>\n<p><strong>E que este Proj\u00e9til se apresenta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-106\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 106<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escolhida para sediar a 15\u00aa Confer\u00eancia sobre Conserva\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias de Animais Silvestres, Campo Grande se revela um paradoxo Texto: Emilenne Queiroz | Evelyn Fernandes | Milena HashimotoFoto: Evelyn Fernandes Em Campo Grande, o verde n\u00e3o \u00e9 apenas cor, \u00e9 discurso. A cidade, escolhida para sediar a 15\u00aa Confer\u00eancia sobre Conserva\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-6305","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem106"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6305"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6834,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6305\/revisions\/6834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}