{"id":730,"date":"2020-07-18T12:12:24","date_gmt":"2020-07-18T16:12:24","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=730"},"modified":"2020-07-28T15:36:39","modified_gmt":"2020-07-28T19:36:39","slug":"eu-vou-criar-sozinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/eu-vou-criar-sozinha\/","title":{"rendered":"Eu vou criar sozinha"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto: N\u00e9lida Navarro<\/span><\/strong><br><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Maria Eduarda Boin<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>\u201cPai n\u00e3o declarado\u201d. Essa \u00e9 a express\u00e3o que consta na certid\u00e3o de nascimento de 5,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as brasileiras que n\u00e3o tem a paternidade reconhecida. Se esse n\u00famero j\u00e1 \u00e9 assustador, pior \u00e9 ver, segundo informa\u00e7\u00f5es da Data Popular, que existem 20 milh\u00f5es de m\u00e3es solo no Brasil, ou seja que aproximadamente uma a cada tr\u00eas m\u00e3es cuidam dos filhos sem a ajuda do pai. Esses dados mostram uma realidade cruel: a irresponsabilidade de muitos homens leva um grande contingente de mulheres a ter que criar os filhos sem ajuda financeira ou psicol\u00f3gica do parceiro de concep\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"777\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/maes-solo-web.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-795\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/maes-solo-web.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/maes-solo-web-300x291.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/maes-solo-web-768x746.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/maes-solo-web-400x389.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RreeREWgPm8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">document\u00e1rio<\/a> \u201cM\u00e3es Solteiras\u201d trabalha com esse tema muito comum em um pa\u00eds machista. Produzido em 2014, ele \u00e9 dirigido por Ulisses Rocha, jornalista e apresentador de TV, e conta as experi\u00eancias individuais de mulheres que engravidaram nos anos 60,70, 80 ou 90 \u00e9pocas em que as caracter\u00edsticas culturais discriminativas sobre mulheres e m\u00e3es solteiras eram piores do que atualmente. Durante uma hora e vinte minutos, acompanhamos as hist\u00f3rias de quando descobriram a gravidez, o momento da revela\u00e7\u00e3o para os pais das crian\u00e7as e fam\u00edlia, a nega\u00e7\u00e3o, o preconceito e a solid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo no in\u00edcio, imagens a\u00e9reas de Indaiatuba-SP mostram \u00e1reas ricas e pobres da cidade. Na primeira muitas casas, \u00e1reas arborizadas, enquanto na periferia h\u00e1 resid\u00eancias mais humildes e pr\u00f3ximas umas \u00e0s outras. Essas imagens s\u00e3o uma alus\u00e3o \u00e0s classes sociais das m\u00e3es entrevistadas, mostrando que ser m\u00e3e solo pode acontecer em qualquer lugar, e desmistificar a imagem da m\u00e3e solo ligada apenas a comunidades empobrecidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7a com a voz de uma das m\u00e3es falando de quando seu pai descobriu que estava gr\u00e1vida. Um homem radicalmente moralista, que se negou a acolher a filha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando ele viu que era dele, ele me procurou para fazer aborto\u201d, disse outra das m\u00e3es. A interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez \u00e9 um dos temas tratados no document\u00e1rio. De acordo com as m\u00e3es, os pais das crian\u00e7as lhes estipularam o aborto de modo rude, nunca como uma op\u00e7\u00e3o e sim como a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu pai disse que n\u00e3o ia querer uma filha gr\u00e1vida dentro de casa.\u201d A nega\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia fica muito expl\u00edcita nas falas. Os padr\u00f5es sociais que dizem que uma mulher s\u00f3 pode ter filhos ap\u00f3s o casamento s\u00e3o explicitados. O diretor do longa d\u00e1 um espa\u00e7o maior \u00e0s falas das mulheres que contam os casos de preconceito que viveram. Como por exemplo o pai que encontra a filha na rua e cospe nela, depois de t\u00ea-la expulsado de casa, ou a av\u00f3 que n\u00e3o aceitava uma neta m\u00e3e solteira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando o pai da minha filha descobriu que eu estava gr\u00e1vida, ele se mudou para outro estado. E eu comecei a criar ela.\u201d A solid\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime para elas. Em alguns casos foram abandonadas, em outros o homem sumiu ou n\u00e3o assumiu o filho. Todas as mulheres entrevistadas contam como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o dos filhos, quais foram as dificuldades, os medos de ser m\u00e3e solo, o que elas sentiram e ainda sentem e, principalmente, o sentimento de solid\u00e3o que foi imposto pelos familiares.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO pai dele disse: Fa\u00e7a sua escolha! Ou eu ou seu filho. E eu fiz. Minha escolha tem 16 anos.\u201d A coragem \u00e9 uma caracter\u00edstica que liga todas essas mulheres, que assumiram seus filhos, com ou sem apoio familiar. O processo, segundo elas, n\u00e3o continua sendo f\u00e1cil, mas \u00e9 necess\u00e1rio \u2018criar casca\u2019, ser forte, para assumir um papel que ainda hoje grande parte da da sociedade repudia: ser m\u00e3e solo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final do document\u00e1rio, dois filhos refletem sobre suas m\u00e3es e a aus\u00eancia de seus pais. \u201cA minha m\u00e3e sempre cuidou muito bem de mim.\u201d A maternidade solo para eles foi a salva\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os pais s\u00e3o grandes inc\u00f3gnitas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as m\u00e3es passam por v\u00e1rios est\u00e1gios de felicidade, nervosismo incertezas que s\u00e3o comuns em uma gesta\u00e7\u00e3o e ao longo da vida. Mas as m\u00e3es solo passam por esses momentos de maneira mais aflorada e delicada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As opini\u00f5es que circulam na&nbsp; sociedade sobre a comunidade de m\u00e3es solo s\u00e3o diversificadas. Uma personagem do document\u00e1rio, fala que hoje \u00e9 f\u00e1cil ser m\u00e3e solteira. Mas mesmo atualmente vemos que s\u00e3o fortes certos padr\u00f5es sociais estabelecidos em rela\u00e7\u00e3o a maternidade solo. H\u00e1 v\u00eddeos no Youtube que destilam muito preconceito com as m\u00e3es solteiras, utilizando de discursos de \u00f3dio e sarcasmo para se referir a elas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mulheres enfrentaram e enfrentam mar\u00e9s de incertezas, medos, preconceitos, mas com coragem e for\u00e7a lutam por dias melhores para cuidar de seus filhos e por uma sociedade mais respeitosa e igualit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/ed-94\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 94<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: N\u00e9lida NavarroIlustra\u00e7\u00e3o: Maria Eduarda Boin \u201cPai n\u00e3o declarado\u201d. Essa \u00e9 a express\u00e3o que consta na certid\u00e3o de nascimento de 5,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as brasileiras que n\u00e3o tem a paternidade reconhecida. 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