{"id":749,"date":"2020-07-18T14:30:28","date_gmt":"2020-07-18T18:30:28","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=749"},"modified":"2020-07-28T15:36:31","modified_gmt":"2020-07-28T19:36:31","slug":"e-pau-e-pedra-e-o-fim-do-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/e-pau-e-pedra-e-o-fim-do-caminho\/","title":{"rendered":"\u00c9 pau. \u00c9 pedra. \u00c9 o fim do caminho?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto e ilustra\u00e7\u00e3o: Maria Eduarda Boin<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>No Brasil, a gente cresce ouvindo sobre m\u00e9ritos, passadas de perna e um gingado muito conhecido. Nos deparamos com falas de que o mundo \u00e9 dos espertos ou que sempre h\u00e1 um jeito. Basta \u2018s\u00f3\u2019 estudar mais ou conhecer o dono do lugar e esquecer que as filas existem. Das ruas ouvimos um bate-panela infinito. Jogue uma pedra em teto de vidro o brasileiro que nunca \u2018bateu panela\u2019. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea seja t\u00e3o pr\u00f3-corrup\u00e7\u00e3o dessa maneira!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"423\" height=\"600\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/jeitinho-web.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-793\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/jeitinho-web.jpg 423w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/jeitinho-web-212x300.jpg 212w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/07\/jeitinho-web-400x567.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que nenhuma panela batida ou indigna\u00e7\u00e3o raivosa s\u00e3o capazes de mudar corrup\u00e7\u00f5es que n\u00f3s mesmos praticamos. Esse gingado, ou melhor, esse \u2018jeitinho brasileiro\u2019 pode nascer das dores e dificuldades que sofremos desde nossa descoberta e nos fazem bater no peito e dizer que somos brasileiros, guerreiros e o que mais tiver de ser para lidar com as adversidades. Isso acontece nos momentos de precariza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, das rendas distribu\u00eddas de forma t\u00e3o desigual, da pobreza, da incerteza e da corrup\u00e7\u00e3o engravatada. Viver nesse sistema bruto, do capital acima de tudo e de todos, faz do povo brasileiro uma grande comunidade diversa, resistente e, hoje, polarizada. Levando em conta todo esse hist\u00f3rico, h\u00e1 quem diga que n\u00e3o haveria outro caminho que n\u00e3o o de criar o \u2018jeitinho brasileiro\u2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos at\u00e9 pensar que quem sofreu com tanta explora\u00e7\u00e3o merece uma cultura regada a passada de perna e zigue-zague. Afinal, toda essa criatividade para driblar os problemas pode ser boa em algum ponto. Mas o problema \u00e9 que n\u00e3o existem limites para o brasileiro. Por isso, essa cultura n\u00e3o \u00e9 utilizada apenas como defesa de um povo explorado, mas como meio de levar vantagens e subir na vida por cima da cabe\u00e7a do outro enquanto nos indignamos com pol\u00edticos corruptos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias da naturaliza\u00e7\u00e3o dessa cultura-perna-de-pau atingem a sociedade toda, mas de formas diferentes de acordo com sua posi\u00e7\u00e3o social. Tudo acaba ficando restrito a uma j\u00e1 conhecida rela\u00e7\u00e3o de poder extremamente desigual. Enquanto uns furam a fila do mercado, outros colocam as m\u00e3os nos cofres p\u00fablicos. Ou, dizendo de forma mais direta: o \u2018jeitinho brasileiro\u2019 \u00e9 mal\u00e9fico porque serve de porta de entrada para todo o tipo de mau-caratismo e corrup\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o muito relevante na cultura do \u2018jeitinho\u2019 \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o de um suposto m\u00e9rito em feitos ou conquistas de algu\u00e9m. Pois vejam que engra\u00e7ado! O povo que criou uma cultura para lidar com os problemas de um pa\u00eds desigual acredita mesmo que as oportunidades por essas terras sejam iguais? A meritocracia \u00e9 defendida no Brasil mesmo por aqueles que s\u00e3o desfavorecidos por um suposto \u2018m\u00e9rito\u2019 alheio. Afinal, as chances de quem mora em um pr\u00e9dio ou em uma favela s\u00e3o as mesmas, dizem os defensores de tal retorica. Infelizmente, n\u00e3o. Ricos t\u00eam, sempre, muito mais oportunidades do que as outras classes. Ou ser\u00e1 que pobres que pegam \u00f4nibus ou cujo \u00fanico acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o foi em escolas p\u00fablicas onde iam principalmente para ter o que comer podem competir com ricos que n\u00e3o precisavam trabalhar, estudavam nas melhores escolas, faziam cursos extracurriculares e se alimentavam bem? Em quais n\u00edveis essas condi\u00e7\u00f5es de acesso se igualariam para que essa suposta meritocracia fizesse sentido? Acho que nem precisa responder. Eis aqui o \u2018jeitinho\u2019 novamente. Os ricos seguem sendo mais ricos e os pobres s\u00f3 ficam mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea talvez esteja dizendo para si mesmo, agora, enquanto l\u00ea esse texto, que n\u00e3o \u00e9 bem assim ou que sua experiencia \u00e9 diferente. Ser\u00e1? Talvez voc\u00ea seja apenas mais um, dentro dos milhares que, consciente ou inconscientemente, enraizaram essa cultura de corrup\u00e7\u00e3o, do \u2018jeitinho\u2019 e meritocracia, e assim n\u00e3o consiga enxergar nada de errado nela. O gingado criativo do brasileiro pode ser bom para dar risada e fugir da realidade dura, mas ele \u00e9 bom quando divide espa\u00e7o com a m\u00e3o do poder? Precisamos sair do conformismo que nos leva a pensar que n\u00e3o existe outro caminho. Precisamos abandonar a posi\u00e7\u00e3o de povo explorado ou terra devastada porque ainda h\u00e1 o que fazer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/ed-94\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 94<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e ilustra\u00e7\u00e3o: Maria Eduarda Boin No Brasil, a gente cresce ouvindo sobre m\u00e9ritos, passadas de perna e um gingado muito conhecido. Nos deparamos com falas de que o mundo \u00e9 dos espertos ou que sempre h\u00e1 um jeito. Basta \u2018s\u00f3\u2019 estudar mais ou conhecer o dono do lugar e esquecer que as filas existem. 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