{"id":933,"date":"2020-12-18T17:38:22","date_gmt":"2020-12-18T21:38:22","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=933"},"modified":"2020-12-18T18:04:26","modified_gmt":"2020-12-18T22:04:26","slug":"%ef%bb%bfa-luta-dos-animais-pantaneiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/%ef%bb%bfa-luta-dos-animais-pantaneiros\/","title":{"rendered":"\ufeffA luta dos animais pantaneiros"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto: Carla Andr\u00e9a <\/span><\/strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">(c_andrea@ufms.br)<\/span><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"> | Carolina Rampi Gimenes <\/span><\/strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">(c.rampi@ufms.br)<\/span><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"><br>Ilustra\u00e7\u00e3o: Bianca Esquivel<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que os biomas brasileiros est\u00e3o diminuindo por conta de inc\u00eandios. Os focos de calor na Amaz\u00f4nia, de janeiro a setembro deste ano, s\u00e3o os maiores desde 2010, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que usa um sat\u00e9lite para perceber onde h\u00e1 temperaturas elevadas e fazer esse mapeamento. Em 2020 \u00e9 a vez do Pantanal tamb\u00e9m sofrer com o fogo, que j\u00e1 destruiu 4,2 milh\u00f5es de hectares de janeiro a outubro, de acordo com o Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Sat\u00e9lites Ambientais (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dados do INPE mostram que s\u00f3 no m\u00eas de setembro foram registrados no bioma Pantanal 8.106 focos de calor, o maior n\u00famero contabilizado desde o inicio do monitoramento em 1998. Em fun\u00e7\u00e3o disso, diversas esp\u00e9cies da fauna nativa est\u00e3o sendo atingidas pelo fogo e calor, e v\u00e1rias enfrentam s\u00e9rio risco de extin\u00e7\u00e3o por causa desses inc\u00eandios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/onca.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-934\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/onca.jpg 1000w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/onca-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/onca-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/onca-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/onca-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/onca-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Muitos animais n\u00e3o conseguem escapar do fogo. Mas mesmo os que n\u00e3o morrem acabam feridos &#8211; o que pode ser causado tanto pelas chamas quanto pela fuma\u00e7a \u2013 e enfrentam a falta de alimento, que tamb\u00e9m foi queimado. Algumas esp\u00e9cies se ferem ao pisar no solo, que ainda arde por debaixo das cinzas. Aves se intoxicam ao inalar fuma\u00e7a. As imagens e relatos de tanta mortandade escancaram o sofrimento animal, como o de um jabuti que provavelmente ficou cercado pelo fogo e, sem ter como fugir, acabou morrendo dentro do pr\u00f3prio casco.<br \/>Retratando a natureza h\u00e1 mais de 50 anos, o fot\u00f3grafo Araqu\u00e9m Alc\u00e2ntara conta, em entrevista para o Globo News, como foi ficar duas semanas documentando os desastres do Pantanal: \u201cEu vi a face do horror. E \u00e9 triste, mas essa mortandade de animais, essa fuligem no ar, essa terra arrasada escancaram mesmo \u00e9 a nossa ignor\u00e2ncia\u201d. As fotos que fez nesse per\u00edodo mostram animais no meio de cinzas, lagos secos e \u00e1rvores mortas.<\/p>\n<p>Pesquisa realizada este ano pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) analisa que haver\u00e1 altera\u00e7\u00f5es nos alimentos, padr\u00f5es de comportamento e migra\u00e7\u00f5es de animais em fun\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios que est\u00e3o ocorrendo. E esp\u00e9cies que j\u00e1 estavam amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o tiveram seu risco ampliado pelo fogo. Isso est\u00e1 ocorrendo, por exemplo, com as on\u00e7as pintadas, uma das esp\u00e9cies s\u00edmbolo do pa\u00eds. Muitas n\u00e3o sobreviveram ao fogo e as que conseguiram encontrar abrigo foram localizadas desidratadas, desnutridas e\/ou com queimaduras nas patas. O Parque Estadual Encontro das \u00c1guas, em Pacon\u00e9 \u2013 MT, conhecido por ser um dos maiores abrigos de on\u00e7as pintadas do mundo, j\u00e1 teve 85% do seu territ\u00f3rio destru\u00eddo pelo fogo. As Araras Azuis s\u00e3o outra esp\u00e9cie vulner\u00e1vel, uma vez que seus ninhos est\u00e3o sendo consumidos pelo fogo. <br \/>O rep\u00f3rter Vin\u00edcius Valfr\u00e9 e o fotografo Dida Sampaio, em cobertura especial para o jornal O Estado de S. Paulo \u2013 Estad\u00e3o \u2013, contam como foi presenciar essas cenas. \u201cA quantidade de bichos mortos que voc\u00ea v\u00ea \u00e9 de cortar o cora\u00e7\u00e3o\u201d, relata Dida. Mas isso n\u00e3o parece estar incomodando as autoridades. Vin\u00edcius explica que o trabalho de prote\u00e7\u00e3o e resgate de animais n\u00e3o est\u00e1 sendo feito pelos governos estaduais nem pelo federal. S\u00e3o volunt\u00e1rios e ONGs que percorrem a regi\u00e3o para prestar os primeiros socorros e lev\u00e1-los a centros de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas dessas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais v\u00eam tentando alimentar a fauna sobrevivente, deixando frutas e legumes cortados em \u00e1reas que o fogo n\u00e3o atingiu. A ONG SOS Animais do Pantanal conseguiu arrecadar, nas primeiras semanas de outubro, seis toneladas de alimentos para ser distribu\u00eddas tanto para os animais quanto para os brigadistas e bombeiros. Al\u00e9m disso, o Conselho Regional de Medicina Veterin\u00e1ria de Mato Grosso do Sul (CRMV-MS) tem feito campanha para doa\u00e7\u00e3o de produtos m\u00e9dico-veterin\u00e1rios e de primeiros socorros como gazes, ataduras e anest\u00e9sicos.<\/p>\n<p>Mas toda essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 causada por algo natural. Pois embora a regi\u00e3o centro-oeste tenha uma \u201cesta\u00e7\u00e3o seca\u201d bem definida, que inicia em torno de mar\u00e7o e se estende geralmente at\u00e9 outubro, em 2020 esse per\u00edodo come\u00e7ou mais cedo por conta de diversos fatores. \u00c9 a a\u00e7\u00e3o do homem \u2013 desmatando e provocando queimadas, entre outras quest\u00f5es \u2013 que tem potencializado a queima da vegeta\u00e7\u00e3o e transforma pequenos focos em inc\u00eandios descontrolados de grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ou seja, a fauna pantaneira est\u00e1 sofrendo pela falta de responsabilidade do homem. N\u00e3o s\u00f3 dos culpados, mas tamb\u00e9m das autoridades, que assistem a situa\u00e7\u00e3o de longe e n\u00e3o tomam uma atitude. A Pol\u00edcia Federal est\u00e1 investigando as causas e causadores dos inc\u00eandios, mas nada comprovado ainda. As ONGS est\u00e3o tentando amenizar a situa\u00e7\u00e3o, mas ainda \u00e9 pouco para os milh\u00f5es de animais que vivem na regi\u00e3o. Com isso, resta apenas a tentativa de conter o fogo e manter vivo o bioma Pantanal e as esp\u00e9cies que ali vivem.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-95\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 95<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Carla Andr\u00e9a (c_andrea@ufms.br) | Carolina Rampi Gimenes (c.rampi@ufms.br)Ilustra\u00e7\u00e3o: Bianca Esquivel N\u00e3o \u00e9 de hoje que os biomas brasileiros est\u00e3o diminuindo por conta de inc\u00eandios. 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