{"id":936,"date":"2020-12-18T17:46:02","date_gmt":"2020-12-18T21:46:02","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=936"},"modified":"2020-12-18T18:04:34","modified_gmt":"2020-12-18T22:04:34","slug":"o-sangue-nativo-ainda-corre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-sangue-nativo-ainda-corre\/","title":{"rendered":"O sangue nativo ainda corre"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto: Daniel Rockenbach <\/span><\/strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">(drocken@gmail.com)<\/span><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"> | Emily Lima <\/span><\/strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">(emilyalribeiro@gmail.com)<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Soares Rampi<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Garimpo ilegal, desmatamento, invisibilidade, assassinato, suic\u00eddio, v\u00edcio e agora a pandemia da Covid-19: a lista de chagas que perseguem os povos ind\u00edgenas brasileiros \u00e9 generosa em n\u00famero e cruel no castigo. Os problemas s\u00e3o ancestrais, n\u00e3o surgiram com a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro e provavelmente n\u00e3o v\u00e3o sumir quando o pr\u00f3ximo presidente assumir. O desprezo das administra\u00e7\u00f5es com os povos nativos \u00e9 estrutural.<\/p>\n<p>A realidade do Brasil 2020 trouxe a pandemia e a intensifica\u00e7\u00e3o das queimadas que j\u00e1 assolaram as comunidades ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia e no Pantanal. Em \u00e1reas onde o garimpo ilegal atua ou onde h\u00e1 o corte de madeira clandestina pr\u00f3ximo a aldeias, os casos de contamina\u00e7\u00e3o pela Covid-19 dispararam.<\/p>\n<p>As comunidades ind\u00edgenas sul-mato-grossenses t\u00eam feito barreiras para que pessoas de fora das aldeias n\u00e3o adentrem. A lideran\u00e7a Dionedson Terena conta que em Aquidauana e regi\u00e3o os pr\u00f3prios ind\u00edgenas montam e fiscalizam as barreiras, uma vez que o governo n\u00e3o tem oferecido nenhum amparo. Para piorar, a situa\u00e7\u00e3o se agravou ainda mais com as queimadas que assolam o Pantanal nos meses de seca. Em 2020 o per\u00edodo de estiagem seguiu at\u00e9 quase novembro. O avan\u00e7o dos grileiros nas terras ind\u00edgenas \u00e9 gritante e a queimada \u00e9 um poderoso recurso nas m\u00e3os de quem quer aumentar sua propriedade \u00e0s custas dos povos nativos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/indio-1024x724.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-937\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/indio-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/indio-300x212.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/indio-768x543.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/indio-400x283.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/indio.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Documentar o que acontece nas aldeias \u00e9 tarefa \u00e1rdua. A falta de recursos e de quem d\u00ea visibilidade aos povos faz com que surjam iniciativas como a Associa\u00e7\u00e3o Cultural de Realizadores Ind\u00edgenas (ASCURI), cujo realizador Gilmar Galache cria conte\u00fados audiovisuais desde 2008, documentando a rotina e os problemas das aldeias sul-mato-grossenses. Durante a pandemia, Gilmar e a equipe formada por ind\u00edgenas produziram e lan\u00e7aram curtas que abordam a condi\u00e7\u00e3o dos povos no estado.<\/p>\n<p>Assim como s\u00e3o invis\u00edveis na m\u00eddia, os ind\u00edgenas tamb\u00e9m n\u00e3o aparecem na estat\u00edsticas oficiais. A Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB) tem sido a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o a realizar um levantamento confi\u00e1vel das v\u00edtimas da Covid-19 entre os povos nativos. Se o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade abandonou o povo brasileiro em junho quando o \u00faltimo ministro m\u00e9dico foi afastado, os ind\u00edgenas j\u00e1 estavam desamparados desde o in\u00edcio. Os dados divulgados pelo Minist\u00e9rio nunca bateram com os da APIB.<\/p>\n<p>At\u00e9 o fechamento do artigo, de acordo com a APIB, 41.794 ind\u00edgenas foram infectados, 894 faleceram e 161 povos foram afetados em todo territ\u00f3rio nacional. O desmonte de institui\u00e7\u00f5es como a Funai entregam o racismo estrutural com as etnias que sempre esteve presente no Brasil mas agora se escancara perante todos. Os ind\u00edgenas n\u00e3o apenas resistem, eles persistem.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es municipais em 2020 registraram aumento de 27% de representantes ind\u00edgenas em rela\u00e7\u00e3o a 2016, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De um total de 1715 candidaturas em 2016 passou para 2212 em 2020: apenas 0,4% do total de 539 mil candidatos Brasil afora. Curiosamente a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00f3xima ao percentual de ind\u00edgenas na popula\u00e7\u00e3o brasileira: 0,42% ou 817.963 em um pa\u00eds com 190.755.799 de habitantes de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>A APIB identificou a elei\u00e7\u00e3o no primeiro turno de 236 candidaturas de 71 povos ind\u00edgenas em 127 cidades de 24 estados brasileiros. Para acompanhar as campanhas a APIB criou o endere\u00e7o @campanhaindigena nas redes sociais. De acordo com a iniciativa, dos 236 eleitos, 215 s\u00e3o de ind\u00edgenas eleitos para C\u00e2maras Municipais, 10 para prefeituras e 11 vice-prefeitos. O resultado nas urnas \u00e9 hist\u00f3rico e essencial uma vez que aumentaram os ataques aos direitos das popula\u00e7\u00f5es nativas brasileiras.<\/p>\n<p>O engajamento da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 consequ\u00eancia de sua resist\u00eancia. Em um Brasil tomado por fake news e persegui\u00e7\u00e3o aos povos nativos, negros, \u00e0 mulher e aos LGBTQi, a fala de Ailton Krenak refor\u00e7a a disposi\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas em seguir lutando: \u201cSomos \u00edndios, resistimos h\u00e1 500 anos. Fico preocupado \u00e9 se os brancos v\u00e3o resistir.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-95\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 95<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Daniel Rockenbach (drocken@gmail.com) | Emily Lima (emilyalribeiro@gmail.com) Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Soares Rampi Garimpo ilegal, desmatamento, invisibilidade, assassinato, suic\u00eddio, v\u00edcio e agora a pandemia da Covid-19: a lista de chagas que perseguem os povos ind\u00edgenas brasileiros \u00e9 generosa em n\u00famero e cruel no castigo. 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