{"id":939,"date":"2020-12-18T18:03:55","date_gmt":"2020-12-18T22:03:55","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=939"},"modified":"2020-12-18T18:04:43","modified_gmt":"2020-12-18T22:04:43","slug":"arquibancadas-vazias-mesmos-placares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/arquibancadas-vazias-mesmos-placares\/","title":{"rendered":"Arquibancadas vazias, mesmos placares"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto: Gabriel Neri | Leandra Mergener<br>Ilustra\u00e7\u00e3o: Norberto Liberator<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"410\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/campo-1024x410.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-940\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/campo-1024x410.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/campo-300x120.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/campo-768x308.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/campo-1200x481.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/campo-1250x501.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/campo-400x160.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/campo.jpg 1300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A pandemia de coronav\u00edrus suspendeu o futebol brasileiro na segunda semana de mar\u00e7o. J\u00e1 naquela \u00e9poca a \u00faltima partida autorizada pela Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) antes da pausa foi realizada sem torcida, e at\u00e9 o momento em que fechamos este texto, mesmo depois do retorno das competi\u00e7\u00f5es, nenhum jogo das principais competi\u00e7\u00f5es nacionais teve a presen\u00e7a de p\u00fablico. O que fez toda a din\u00e2mica envolvendo torcida e jogadores mudar.<\/p>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o foi decretada justamente quando os campeonatos estaduais estavam chegando \u00e0s fases finais, e quando a Copa do Brasil, primeira competi\u00e7\u00e3o nacional do calend\u00e1rio, estava ainda na terceira fase. O Campeonato Sul-Mato-Grossense tinha finalizado a primeira fase e aguardava as partidas das quartas de final.<\/p>\n<p>As competi\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o Sudeste (com exce\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo) e Sul, que concentram 27 dos 40 clubes presentes no Campeonato Brasileiro das s\u00e9ries A e B, come\u00e7aram a voltar no m\u00eas de julho. Em agosto, os torneios organizados pela CBF tamb\u00e9m voltaram, e pela primeira vez na era dos pontos corridos, desde 2003, ir\u00e3o at\u00e9 o ano seguinte. Al\u00e9m disso, a partir do retorno, todos os jogos foram realizados sem torcida, e testes semanais de covid-19 passaram a ser obrigat\u00f3rios nos atletas e comiss\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>A pausa nos campeonatos foi a maior que j\u00e1 ocorreu desde a profissionaliza\u00e7\u00e3o do futebol, em 1930. Al\u00e9m dela, os jogos sofreram algumas mudan\u00e7as ap\u00f3s o retorno, como o aumento de tr\u00eas para cinco substitui\u00e7\u00f5es, a obrigatoriedade do uso de m\u00e1scaras e de distanciamento pelos jogadores que ficam no banco de reservas, e a proibi\u00e7\u00e3o de torcida nas arquibancadas. Nas primeiras partidas, parecia estranho a falta de vida nos est\u00e1dios, mas com o tempo, torcedores e jogadores se acostumaram ao \u2018novo normal\u2019 imposto pela pandemia.<\/p>\n<p>Uma das \u2018solu\u00e7\u00f5es\u2019 constru\u00eddas pelos clubes das duas principais divis\u00f5es foi a ambienta\u00e7\u00e3o com sons de torcida, as chamadas \u2018torcidas de alto-falante\u2019. Para quem assiste \u00e0 partida pela televis\u00e3o ou acompanha pelo r\u00e1dio, a impress\u00e3o \u00e9 que o est\u00e1dio est\u00e1 lotado. Outra ideia foi a utiliza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os vazios para colocar bandeiras, faixas e fotos de torcedores. No entanto, n\u00e3o existe o setor para o visitante, como acontecia na presen\u00e7a de p\u00fablico, sendo somente o time local com torcida. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 o fator inesperado do torcedor que pressiona o rival ou vaia o pr\u00f3prio time.<\/p>\n<p>Longe dos est\u00e1dios, as torcidas encontraram caminhos para apoiar os clubes. A principal forma criada foi a \u2018rua de fogo\u2019, que \u00e9 a recep\u00e7\u00e3o dos jogadores nas ruas de acesso ao est\u00e1dio ou aeroporto com sinalizadores, criando fuma\u00e7a ao redor do \u00f4nibus. Outra, mais inusitada, foi feita pela torcida do Internacional, que navegou pelo rio Gua\u00edba, cantando, at\u00e9 o Centro de Treinamento do time. Tal qual os jogos, o amor do torcedor n\u00e3o parou e ele arrisca a vida pelo sentimento que carrega no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o haver torcedor na arquibancada, os times que jogam em casa seguiram tendo vantagem sobre os visitantes. Comparando n\u00fameros dos dois \u00faltimos Campeonatos Brasileiros das s\u00e9ries A e B, bem como o primeiro turno de 2020 de cada competi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es significativas na porcentagem de vit\u00f3rias para locais e visitantes. A S\u00e9rie A tem 380 jogos por temporada divididos em 38 rodadas e 20 clubes. Em 2020, no primeiro turno da competi\u00e7\u00e3o, os mandantes tiveram 45% das vit\u00f3rias e os visitantes 22%. No Brasileir\u00e3o de 2018, os mandantes ganharam 52,9% dos jogos, percentual que em 2019 foi de 47,4%. Ou seja, com metade do campeonato de 2020 j\u00e1 realizado, a varia\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena para dizer que a falta de torcida influenciou diretamente nos resultados.<\/p>\n<p>Assim, enquanto a pandemia segue acumulando casos e mortes pela covid-19 o \u2018novo normal\u2019 n\u00e3o alterou o curso do futebol brasileiro, mantendo a m\u00e9dia de vit\u00f3rias e empates dos \u00faltimos dois anos. O futebol, que \u00e9 o \u201cespelho do mundo\u201d, como dizia o escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), foi se adaptando ao cen\u00e1rio pand\u00eamico, e isso parece ter influenciado pouco nos resultados. Mas fora de campo, o est\u00e1dio segue vazio e as ruas cheias de torcedores que desejam voltar a apoiar seus times.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-95\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 95<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Gabriel Neri | Leandra MergenerIlustra\u00e7\u00e3o: Norberto Liberator A pandemia de coronav\u00edrus suspendeu o futebol brasileiro na segunda semana de mar\u00e7o. 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