{"id":947,"date":"2020-12-18T18:48:21","date_gmt":"2020-12-18T22:48:21","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=947"},"modified":"2020-12-22T12:30:06","modified_gmt":"2020-12-22T16:30:06","slug":"%ef%bb%bfadaptacao-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/%ef%bb%bfadaptacao-profissional\/","title":{"rendered":"\ufeffAdapta\u00e7\u00e3o profissional"},"content":{"rendered":"\n<h4 style=\"text-align: center;\">A pandemia trouxe mudan\u00e7as, desde o contato pessoal ao home office, dentro de diversas profiss\u00f5es<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto: Carla Andr\u00e9a <\/span><\/strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">(c_andrea@ufms.br)<\/span><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"> | Carolina Rampi Gimenes <\/span><\/strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">(c.rampi@ufms.br)<\/span><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"><br>Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Soares Rampi<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-rounded\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice-1024x724.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-948\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice-300x212.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice-768x543.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice-400x283.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Dezenove milh\u00f5es de brasileiros afastados temporariamente do trabalho; 30 milh\u00f5es sofreram redu\u00e7\u00e3o nos rendimentos; 18,5 milh\u00f5es n\u00e3o puderam procurar emprego. Esses n\u00fameros d\u00e3o uma no\u00e7\u00e3o do estrago provocado pela Covid-19 entre mar\u00e7o e maio deste ano, segundo dados do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese).<\/p>\n<p>No Mato Grosso do Sul a pandemia fez com que 30 mil pessoas fossem afastadas temporariamente dos seus trabalhos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) \u2013 coletados entre mar\u00e7o e agosto de 2020. Isso significa que 2,5% de 2,62 milh\u00f5es de habitantes do estado foram afetados por esse fen\u00f4meno. S\u00f3 quem est\u00e1 passando por isso sabe o que significa na pr\u00e1tica todos esses dados.<\/p>\n<p><strong>Os cuidados para quem sai<\/strong><\/p>\n<p>O surgimento da Covid-19 alterou completamente a rotina dos trabalhadores, que se expuseram ao risco de cont\u00e1gio para realizar suas atividades. Regramentos foram criados, estabelecimentos e escolas fecharam, a mobilidade urbana foi alterada.<\/p>\n<p>No dia 18 de mar\u00e7o, uma norma municipal instituiu uma quarentena de 15 dias em Campo Grande. Per\u00edodo no qual somente hospitais, supermercados, conveni\u00eancias e algumas poucas lojas, como pet shops, puderam abrir normalmente. Mas para permanecerem abertos esses locais tiveram de adotar medidas preventivas, como o oferecimento de \u00e1lcool em gel para clientes e funcion\u00e1rios, e o uso obrigat\u00f3rio de m\u00e1scaras.<\/p>\n<p>Essa mesma norma diminuiu a circula\u00e7\u00e3o dos transportes coletivos entre os dias 21 de mar\u00e7o e 5 de maio. Isso levou muitos trabalhadores a precisarem adotar diferentes estrat\u00e9gias para chegar aos seus locais de trabalho. O atendente de Telemarketing, L\u00e1zaro Pansanato, 26, que trabalha na BTCC, teve ajuda da empresa para isso. Um \u00f4nibus foi fretado para transportar os trabalhadores, tra\u00e7ando uma rota pelos bairros dos funcion\u00e1rios. Em cada par de poltronas era permitido apenas uma pessoa; todos deviam usar m\u00e1scara; as janelas precisavam ser mantidas abertas; e havia \u00e1lcool em gel na entrada.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Antes n\u00f3s faziamos visitas, atendimentos aos familiares. Essa era a rotina todos os dias. Com a pandemia n\u00f3s n\u00e3o visitamos mais os leitos e o trabalho \u00e9 feito remotamente, somente por atendimento telef\u00f4nico &#8211; Juciany Ferreira<\/span><\/h5>\n<p>Pansanato tamb\u00e9m relata que a empresa estabeleceu uma dist\u00e2ncia maior do que era adotada antes entre um operador e outro para reduzir a possibilidade de cont\u00e1gio. Juntamente com seus colegas ele ainda foi orientado a zelar pela limpeza do local de trabalho. At\u00e9 o espa\u00e7o de descanso foi modificado para evitar aglomera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E embora o objetivo fosse o mesmo, cada empresa adotou medidas diferentes. Isso pode ser visto, por exemplo, no setor de distribui\u00e7\u00e3o para supermercados, onde foram adotadas precau\u00e7\u00f5es mais simples. O entregador, Dime Klark, conta que na distribuidora onde trabalha a principal orienta\u00e7\u00e3o dada foi evitar aglomera\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, passou a ser obrigat\u00f3rio o uso de m\u00e1scaras, luvas e \u00e1lcool em gel. Dime diz que o contato dos entregadores com os funcion\u00e1rios do escrit\u00f3rio foi restringido. Medida adotada em fun\u00e7\u00e3o do risco de cont\u00e1gio por causa do contato direto com pessoas de fora do ambiente de trabalho que Dime e outros colegas t\u00eam ao longo do dia. Ele tamb\u00e9m relata que foi aconselhado a tomar banho e trocar de roupas caso fosse almo\u00e7ar em casa.<\/p>\n<p>No Hospital Regional, institui\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia no tratamento contra o coronav\u00edrus em Mato Grosso do Sul, a Assistente Social Juciany Ferreira, 40, explica que sua principal adapta\u00e7\u00e3o foi precisar realizar o acolhimento aos familiares dos doentes \u2013 o que inclu\u00eda v\u00edtimas da Covid-19 \u2013 por telefone. \u201cAntes n\u00f3s faz\u00edamos visitas, atendimentos aos familiares. Essa era a rotina todos os dias. Com a pandemia n\u00f3s n\u00e3o visitamos mais os leitos e o trabalho \u00e9 feito remotamente, somente por atendimento telef\u00f4nico\u201d.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o contra a Covid-19 s\u00e3o essenciais e lidar com um v\u00edrus at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido gerou muitas d\u00favidas. \u201cA princ\u00edpio foi uma loucura, pois era uma doen\u00e7a totalmente nova, com um cont\u00e1gio extremamente alto\u201d, destaca a fisioterapeuta residente do Hospital Regional, Caroline Gerke, 25. Ela relata que todos os residentes \u2013 ou seja, os p\u00f3s-graduandos que atuam na institui\u00e7\u00e3o \u2013 passaram por treinamento ligado ao controle de infec\u00e7\u00e3o hospitalar nos primeiros meses de pandemia. Eles foram orientados desde quest\u00f5es mais simples at\u00e9 as mais complexas, como intuba\u00e7\u00e3o, procedimento para paradas respirat\u00f3rias e p\u00f3s-\u00f3bito.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/gerke.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-949\" width=\"450\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/gerke.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/gerke-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/gerke-400x533.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption>Foto: Acervo de Caroline Gerke<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Nos ambientes hospitalares o risco de contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 muito maior, o que leva os profissionais de sa\u00fade a precisarem usar m\u00e1scaras \u2013 parcial e total \u2013 \u00f3culos de prote\u00e7\u00e3o, roupas descart\u00e1veis e, dependendo do n\u00edvel de contato com um paciente infectado pelo coronav\u00edrus, at\u00e9 tr\u00eas roupas descart\u00e1veis, uma por cima da outra. Caroline Gerke destaca que foi proibido vestir qualquer roupa que tenha sido usada no ambiente externo dentro das depend\u00eancias hospitalares. Mas todos esses cuidados tamb\u00e9m cobram um pre\u00e7o: \u201c\u00c9 muito intenso o calor. E um dos maiores problemas do hospital \u00e9 que n\u00e3o podemos ter ventilador, pois espalha o v\u00edrus para mais longe\u201d.<\/p>\n<p>Algumas empresas tamb\u00e9m realizaram testes de Covid-19 nos seus funcion\u00e1rios. Dime Klark explica que na distribuidora os exames foram restritos aos funcion\u00e1rios que apresentavam sintomas, e cinco pessoas testaram positivo. Na BTCC, al\u00e9m de serem feitos naqueles que apresentavam sintomas, os testes eram aplicados tamb\u00e9m nos funcion\u00e1rios do grupo de risco. Depois de um tempo, no entanto, a empresa de telemarketing passou a selecionar aleatoriamente os operadores a serem submetidos ao exame. Assim, L\u00e1zaro Pansanato foi testado duas vezes. No Hospital Regional isso tamb\u00e9m foi feito e, em meados de junho Caroline Gerke foi submetida ao exame. Como ela estava com conjuntivite, isso pode ser um dos sintomas do coronav\u00edrus, precisou ficar em isolamento at\u00e9 sa\u00edrem os resultados. Ela mora com mais cinco pessoas e todas tiveram que se manter isoladas.<\/p>\n<p><strong>O trabalho em casa<\/strong><\/p>\n<p>Mas nem todas as pessoas se mantiveram atuando no local onde trabalhavam antes da pandemia. V\u00e1rias empresas adotaram o que \u00e9 conhecido como home office, ou seja, realizar o trabalho a partir de sua pr\u00f3pria casa. Segundo a pesquisa Gest\u00e3o de Pessoas na Crise Covid-19, feita pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Administra\u00e7\u00e3o (FIA), esse modo de trabalho foi adotado por 46% das 48 empresas pesquisadas. Em contrapartida, 67% delas relataram ter passado por dificuldades quando foram mudar para o trabalho em casa.<\/p>\n<p>Uma \u00e1rea que adotou o home office foi a educa\u00e7\u00e3o. \u201cSim, neste momento estou em aula\u201d, disse a professora de escolas p\u00fablicas de Campo Grande, Katiuscia da Fonseca Cruz, 42, quando estava sendo entrevistada. V\u00e1rias vezes durante a entrevista Katiuscia teve que se dividir entre a aula, as perguntas e o filho pequeno.<\/p>\n<p>Ela diz que al\u00e9m do trabalho de professora ainda tem uma tripla jornada com os cuidados dos filhos e da casa. \u201c\u00c9 cinco minutos que voc\u00ea tem livre e j\u00e1 aproveita para passar um pano na casa. E como tem crian\u00e7a em casa eu geralmente espero ele dormir para fazer as coisas. E assim a rotina dele tamb\u00e9m mudou porque \u00e0s vezes ele s\u00f3 vai dormir na mesma hora que eu. Por\u00e9m eu vou dormir muito tarde, ent\u00e3o ele est\u00e1 muito desregulado\u201d.<\/p>\n<p>No setor da educa\u00e7\u00e3o de Mato Grosso do Sul, as escolas particulares logo adotaram o EAD como sa\u00edda na pandemia, j\u00e1 nas da rede p\u00fablica, as aulas presenciais ficaram suspensas at\u00e9 3 de maio, quando adotaram as Aulas Remotas Vinculantes (ARV), para n\u00e3o atrasar o calend\u00e1rio escolar. E para aqueles que passaram a dar aula online uma dose extra de esfor\u00e7o foi necess\u00e1ria. A professora fala que teve dificuldades t\u00e9cnicas e humanas para se adaptar \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de aulas via internet. \u201cFoi dif\u00edcil, eu digo por mim, pois n\u00e3o tenho muitas habilidades. Tenho muita dificuldade com a tecnologia, sou t\u00edmida para aparecer em c\u00e2mera. \u00c9 uma luta dia a dia\u201d.<\/p>\n<p>Mas o home office tamb\u00e9m \u00e9 visto como forma de aprendizado. Como afirma o advogado Vinicius da Cunha Maggione Morais, 32. Na pandemia, o h\u00e1bito adquirido de usar aplicativos de chamada, como o Google Meet, mostrou que tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel facilitar o contato de advogados com os clientes que n\u00e3o conseguiam comparecer \u00e0s reuni\u00f5es presenciais. Por outro lado, uma das dificuldades s\u00e3o os clientes idosos, pois o escrit\u00f3rio onde Vin\u00edcius trabalha atua bastante na \u00e1rea de Previd\u00eancia Social e isso dificultou um pouco a comunica\u00e7\u00e3o, pelo fato preferirem ir at\u00e9 o gabinete.<\/p>\n<p>J\u00e1 a ado\u00e7\u00e3o de aplicativos espec\u00edficos tem o objetivo de melhorar o andamento de um determinado trabalho. \u201cVamos colocar assim: a cada cem processos, cinco tiveram algum problema\u201d, disse Vinicius, revelando que a ado\u00e7\u00e3o do contato virtual tamb\u00e9m tem seus percal\u00e7os.<\/p>\n<p>Mas o trabalho em casa tamb\u00e9m exige mudan\u00e7as nas rotinas dos lares. Sil\u00eancio e um local adequado s\u00e3o ideais, mas nem sempre isso \u00e9 poss\u00edvel. Os pais dos alunos menores de Katiuscia preferem que ela os atenda no turno da noite, pois \u00e9 o per\u00edodo em que est\u00e3o em casa. Entretanto, a professora fala que \u00e0s vezes trabalha durante a madrugada, porque \u00e9 o hor\u00e1rio que a casa fica em sil\u00eancio, por\u00e9m \u00e9 um momento dif\u00edcil para esses pais sanarem as d\u00favidas sobre as atividades, j\u00e1 que \u00e9 o tempo em que est\u00e3o descansando.<\/p>\n<p>Vinicius e a fam\u00edlia estipularam hor\u00e1rios de forma que cada um pudesse fazer suas atividades sem que ningu\u00e9m fosse prejudicado. Para cuidar do filho pequeno ele relata que o colocava sentado perto de si, fazendo as devidas atividades da escola e assim ia revezando com a esposa.<\/p>\n<p>Mas a mudan\u00e7a da rotina e todas as transforma\u00e7\u00f5es ocasionadas pelo trabalho em casa tamb\u00e9m provocam estresse nesses trabalhadores. Para Vinicius o principal problema foi a mudan\u00e7a brusca no cotidiano. \u201cTodo mundo estava trabalhando em uma rotina, quando freou e passou a ser em casa \u00e9 algo diferente do que voc\u00ea acordar e ir pro escrit\u00f3rio\u201d. Ter que se adaptar a essa nova realidade foi a maior dificuldade para ele.<\/p>\n<p>Katiuscia relata que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ela que est\u00e1 sendo afetada psicologicamente no seu meio de trabalho: \u201cNa verdade eu acho que s\u00e3o poucos os professores que podem falar que n\u00e3o foram afetados. Eu tenho muitas colegas que est\u00e3o de atestado. \u00c9 muita coisa junta, e voc\u00ea se sente incapaz, um sentimento de incapacidade. Tanto que dois dias atr\u00e1s eu tive um pequeno surto, chorei das sete e meia at\u00e9 \u00e0s onze da manh\u00e3. Estou com tosse, mas \u00e9 tudo estresse. O corpo est\u00e1 gritando de cansa\u00e7o. Eu n\u00e3o consigo descansar\u201d. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"834\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice2-1024x834.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-958\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice2-1024x834.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice2-300x244.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice2-768x625.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice2-400x326.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/homeoffice2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Microempres\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Outra parte desse cen\u00e1rio que sofreu mudan\u00e7as foi a ocupada pelos microempres\u00e1rios, na qual em julho de 2020 foram fechadas 419 microempresas. Essas perdas foram causadas pela redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica no Brasil e segundo o presidente da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems), Augusto de Castro, o n\u00famero de fechamentos foi impulsionado pela retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica devido \u00e0s medidas contra o coronav\u00edrus e pela extin\u00e7\u00e3o das cobran\u00e7as das taxas para fechamento de empresas.<\/p>\n<p>A propriet\u00e1ria do bar Batata Mais, em Campo Grande, Grazyelle Soares dos Santos Neves, 45, teve que manter o seu estabelecimento fechado de maio a setembro. \u201cTodo o preju\u00edzo que tive nos \u00faltimos sete meses eu acho que n\u00e3o recupero nem em quatro anos\u201d. Buscando compensar as perdas que estava tendo com o fechamento do bar Grazyelle montou uma pizzaria delivery, no mesmo pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>Embora tivesse pensando at\u00e9 em fechar definitivamente o bar, Grazyelle foi motivada a buscar novas op\u00e7\u00f5es por estudantes da UFMS, que h\u00e1 tempos adotaram o estabelecimento como o \u201cBar das atl\u00e9ticas\u201d. Assim foi criado o projeto \u201cAdote uma mesa\u201d, onde cada agremia\u00e7\u00e3o esportiva \u2013 as \u2018atl\u00e9ticas\u2019 de cada curso &#8211; comprava uma mesa, n\u00e3o para ser um objeto de posse, mas para elas assinarem, desenharem artes pr\u00f3prias e at\u00e9 divulgarem suas atividades, seja pintando ou modificando a mesa. Mesmo com toda boa vontade dos estudantes Grazyelle precisou criar uma nova fonte de renda, e por isso investiu na montagem da pizzaria. Em fun\u00e7\u00e3o do tamanho das perdas, ela diz que pretende manter a pizzaria funcionando, tanto para atendimento delivery quanto presencial, juntamente com o bar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-rounded\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"514\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/buffet.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-950\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/buffet.jpeg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/buffet-300x220.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/buffet-400x294.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Foto: Acervo de Prime Buffet MS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em Campo Grande, o microempres\u00e1rio Jos\u00e9 Claudio Soares da Silva, 53, dono do Prime Buffet, teve que recorrer \u00e0 montagem de uma panificadora no local onde eram produzidos os alimentos para as festas. H\u00e1 15 anos comandando o neg\u00f3cio, foi obrigado a demitir alguns funcion\u00e1rios, por conta da redu\u00e7\u00e3o dos lucros, e a quebrar contratos, em fun\u00e7\u00e3o do risco de uma festa gerar aglomera\u00e7\u00e3o durante a pandemia.<\/p>\n<p>Ele relata que teve quebra mensal de aproximadamente 4 milh\u00f5es de reais. Ent\u00e3o, como j\u00e1 possu\u00eda m\u00e1quinas de panifica\u00e7\u00e3o &#8211; que o Buffet usava para produzir os lanches servidos nas festas &#8211; montou uma panificadora. As festas estiveram paradas de maio a setembro, e retornaram em n\u00famero menor e com restri\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00e3o pode haver aglomera\u00e7\u00e3o. Todos os nossos produtos s\u00e3o embalados individualmente em saquinhos e embalagens individuais; cada pessoa vai l\u00e1, pega o que vai comer tudo separadinho. N\u00e3o pode ter nada como era antes, como por exemplo, colocar tudo em uma bandeja e servir. O protocolo ficou muito r\u00edgido e o lucro diminuiu muito pelas embalagens. Mas estamos fazendo pequenos eventos sim\u201d. E o que era para ser s\u00f3 um \u2018quebra-galho\u2019 tornou-se neg\u00f3cio fixo. Jos\u00e9 diz que mesmo depois da pandemia a panificadora vai continuar funcionando. \u201cN\u00f3s n\u00e3o podemos deixar os clientes na m\u00e3o porque voltaram os eventos. A produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 crescendo e n\u00e3o podemos prejudicar quem nos deu apoio na pandemia. E j\u00e1 estamos com projeto de montar um local especificamente s\u00f3 para a panifica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-95\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 95<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia trouxe mudan\u00e7as, desde o contato pessoal ao home office, dentro de diversas profiss\u00f5es Texto: Carla Andr\u00e9a (c_andrea@ufms.br) | Carolina Rampi Gimenes (c.rampi@ufms.br)Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Soares Rampi Dezenove milh\u00f5es de brasileiros afastados temporariamente do trabalho; 30 milh\u00f5es sofreram redu\u00e7\u00e3o nos rendimentos; 18,5 milh\u00f5es n\u00e3o puderam procurar emprego. 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