{"id":952,"date":"2020-12-18T19:03:15","date_gmt":"2020-12-18T23:03:15","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=952"},"modified":"2021-08-11T10:21:02","modified_gmt":"2021-08-11T14:21:02","slug":"%ef%bb%bfliteraturanegrasalva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/%ef%bb%bfliteraturanegrasalva\/","title":{"rendered":"\ufeff#LiteraturaNegraSalva"},"content":{"rendered":"\n<h4 style=\"text-align: center;\">Autores e projetos resgatam figuras apagadas pela hist\u00f3ria<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto e curadoria de imagens: Daniel Rockenbach<\/span><\/strong> <span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">(drocken@gmail.com)<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Em tempos de movimentos como #BlackLivesMatter \u00e9 preciso destacar o trabalho de autores e utoras negros. Mais do que uma &#8216;hashtag&#8217; o movimento vai al\u00e9m do protesto pelo caso de racismo da semana: \u00e9 um lembrete constante da necessidade de conscientiza\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es raciais que tanto afligem o Brasil e o mundo. A viol\u00eancia ultrapassa a agress\u00e3o f\u00edsica: passa pelo apagamento hist\u00f3rico e a invisibilidade de muitos.<\/p>\n<p>Marcelo D\u2019Salete se destacou em 2018 ao vencer o Eisner, a maior premia\u00e7\u00e3o norte-americana dos quadrinhos, com \u201cCumbe\u201d. E ele ainda surpreendeu no ano seguinte levando o Jabuti, maior premia\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira, na categoria quadrinhos por \u201cAngola Janga\u201d. Suas obras hist\u00f3ricas, ainda que em parte ficcionais, retratam a dura vida do negro escravizado, sua cultura e costumes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"591\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-953\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro3.jpg 900w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro3-300x197.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro3-768x504.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro3-400x263.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 2020 o jovem Ale Santos, mais conhecido nas redes sociais como @savagefiction, ficou entre os finalistas da categoria Ci\u00eancias Humanas do 62\u00ba Pr\u00eamio Jabuti com \u201cRastros de Resist\u00eancia\u201d. Um livro que come\u00e7ou com threads no Twitter, ganhou apoio da rede e mostra o impacto que uma tag pode criar. A obra traz hist\u00f3rias de personagens hist\u00f3ricos que resistiram e lutaram pelo povo negro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"681\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-954\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro2.jpg 1000w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro2-300x204.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro2-768x523.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro2-400x272.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Idealizado pela jovem Isadora Ribeiro, 21, a partir de um projeto da faculdade, o Coletivo Narrativas Negras reuniu 60 escritoras e ilustradoras para contar a hist\u00f3ria de 41 mulheres negras no livro \u201cNarrativas negras &#8211; Biografias ilustradas de mulheres pretas brasileiras\u201d. O coletivo nasceu de um chamado na internet que mobilizou outra jovem, J\u00falia Rodrigues, 18, que ajudou Isadora a dar forma e consist\u00eancia ao Projeto, at\u00e9 ele sair do papel e ganhar os leitores.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias de escravos, de abolicionistas, de amazonas e at\u00e9 de piratas. Perfis de mulheres como Maria Firmina dos Reis, a primeira a escrever um romance no Brasil &#8211; uma mulher preta. Ou como Tereza de Benguela que criou um quilombo que reuniu \u00edndios e negros no s\u00e9culo XVIII. Hist\u00f3rias fortes, rastros de resist\u00eancia e luta, mulheres poderosas e belas fic\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"693\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro-1t.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-962\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro-1t.png 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro-1t-300x260.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro-1t-768x665.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/12\/livro-1t-400x347.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Marcelo D\u2019Salete traz nas p\u00e1ginas de seus quadrinhos palavras do idioma banto, ideogramas de origem Asante, s\u00edmbolos como o Sona, origin\u00e1rio dos povos Tchokwe. Destaca palavras como calunga, cuca, ganga, massango, ngoma, zagaia &#8211; tanto \u201cCumbe\u201d como \u201cAngola Janga\u201d trazem um gloss\u00e1rio no final. Ainda que ficcionalizada, \u201cAngola Janga\u201d interpreta eventos com cartas e registros hist\u00f3ricos que D\u2019Salete levantou em sua vasta pesquisa.<\/p>\n<p>O afrofuturismo \u00e9 a vertente da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que levou Ale Santos a estudar a hist\u00f3ria dos povos negros. Enquanto pesquisava, trazia \u00e0s redes sociais suas descobertas, jogando luz sobre figuras at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas como Benkos Bioh\u00f3 e o quilombo imbat\u00edvel na Col\u00f4mbia. Hist\u00f3rias de mulheres como Zacimba, a princesa guerreira que invadia navios negreiros. Ale deu visibilidade \u00e0 figuras apagadas, negligenciadas e que constru\u00edram a identidade combativa do povo negro.<\/p>\n<p>Mas invisibilidade ainda maior sofre a mulher negra. A primeira advogada piauiense, Esperan\u00e7a Garcia, escreveu em 1777 uma carta ao governador da prov\u00edncia denunciando os maus-tratos que sofria. E Tia Ciata, a quituteira articuladora da cultura do samba no Rio de Janeiro e que come\u00e7ou o carnaval carioca? Quantas s\u00e3o as vozes de mulheres pretas silenciadas pela hist\u00f3ria, sempre escrita pelos vencedores? O Coletivo Narrativas Negras conta com mulheres para trazer de volta \u00e0 nossa mem\u00f3ria essas personagens invisibilizadas.<\/p>\n<p>E nesse trabalho a literatura \u00e9 essencial: autoras e autores negros contando suas hist\u00f3rias, valorizando a for\u00e7a de uma cultura e ensinando a todos a import\u00e2ncia de um povo que foi escravizado, silenciado e apagado. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel conceber uma sociedade onde negros como George Floyd e Jo\u00e3o Alberto Silveira Freitas n\u00e3o sejam v\u00edtimas de viol\u00eancia pelo \u00fanico motivo de serem negros, e que Marielle Franco esteja sempre presente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-95\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 95<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autores e projetos resgatam figuras apagadas pela hist\u00f3ria Texto e curadoria de imagens: Daniel Rockenbach (drocken@gmail.com) Em tempos de movimentos como #BlackLivesMatter \u00e9 preciso destacar o trabalho de autores e utoras negros. 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