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Editorial

Sustentar a vida


Equipe da edição 107 | Foto: Clara Dias Garcia

Realizada em Campo Grande (MS), entre os dias 23 e 29 de março, a Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) reuniu representantes de diversos países, organizações internacionais, comunidade científica e sociedade civil. O encontro teve como objetivo revisar a implementação dos acordos, estabelecer novas diretrizes e fortalecer compromissos globais voltados à proteção das espécies migratórias.

Criada em 1979, a CMS é um tratado ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) que busca promover a cooperação internacional na preservação de espécies que atravessam fronteiras terrestres, marinhas e aéreas. A realização desse evento na capital colocou em evidência não apenas a importância dessas espécies, mas também os desafios enfrentados na conservação da fauna e da flora do  Mato Grosso do Sul. 

A equipe do Projétil 107 buscou ampliar o debate ao ouvir diferentes vozes. Foram entrevistados biólogos, especialistas na área, o atual ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e pessoas que dependem diretamente da natureza para sua sobrevivência. Dessa conversa surgiu uma contradição ao mesmo tempo que uma dúvida: o Pantanal, a preservação ambiental e o agronegócio caminham lado a lado?

A narrativa é sedutora e conveniente, pois sugere a possibilidade de crescimento econômico aliado à proteção ambiental. No entanto, uma análise mais cuidadosa revela fragilidades nesse argumento. O avanço das queimadas, a pressão sobre áreas naturais e os impactos já visíveis na biodiversidade indicam que essa convivência está longe de ser equilibrada.

O Projétil entende que falar de conservação ambiental é, sobretudo, falar de pessoas e de vidas diretamente afetadas. Por isso, as reportagens desta edição trazem o ribeirinho que já não encontra o mesmo sustento em “No descompasso das águas”, ao mesmo tempo em que mostra iniciativas que apontam caminhos possíveis, como as hortas comunitárias em “Verde que Alimenta”. Em “Atenção! animais na pista”,  a discussão é sobre a  falta de planejamento das obras nas rodovias; enquanto “Na Mira do Desequilíbrio” aborda a problemática das espécies invasoras. Além disso, o jornal entrega um suplemento especial que evidencia a beleza e a poesia do céu, de onde escrevemos e vivemos: “Eu passarinho, tu passarinhas, nós passarinhadas” é um guia para conhecer as aves de MS.

É fundamental que o jornalismo pressione por políticas públicas eficazes, fiscalização rigorosa e modelos de desenvolvimento mais responsáveis. Reconhecer que também fazemos parte desse sistema é essencial não, como forma de atribuir culpa, mas de entender que nosso papel coletivo, enquanto cidadãos, está justamente em exigir mudança. Embora escolhas cotidianas tenham seu valor, grande parte das transformações necessárias depende de decisões estruturais, tomadas por governos e grandes agentes econômicos. Por isso, a conscientização precisa vir acompanhada de mobilização e cobrança. Mesmo com debates ainda em aberto e problemas sem respostas definitivas, a equipe desta edição concluiu que a relação entre sociedade e meio ambiente precisa ser de interdependência. Ao mesmo tempo em que impactamos os ecossistemas, também somos diretamente impactados por eles. Conservar não é escolha, é necessidade coletiva. Caso contrário, teremos futuro? 

Leia para descobrir!