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Editorial

Conectar a natureza


COP, do inglês Conference of the Parties, são conferências realizadas em diferentes acordos internacionais. Neste caso, trata-se da COP da Convenção das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, que reúne 133 países em torno da preservação da fauna migratória. Na 15ª edição, sediada em Campo Grande (MS), foram discutidos tratados e estratégias voltados à proteção de espécies que dependem da migração para sobreviver.

Inspirado no lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, o Projétil 106 reflete sobre como as questões ambientais atravessam a política, a economia e as decisões que organizam a sociedade. Em diálogo com o Projétil 107, esta edição escolhe um caminho mais árduo: há menos espaço para a leveza quando estão em jogo os conflitos entre preservação e as condições de vida de quem sente esses impactos no cotidiano.

Turma do projétil responsável por esta edição | Foto: Cássio Nantes

Nesta edição, o meio ambiente não aparece apenas na natureza ou nas conferências internacionais. Ele também habita decisões políticas, interesses econômicos e ausências cuidadosamente escolhidas. Cada texto parte dessa compreensão: preservar não é impedir o progresso, mas garantir que exista amanhã para além da próxima safra.

A fotorreportagem “Contradição verde” mostra como a cidade escolhida para sediar a COP15 convive diariamente com problemas urbanos e ambientais que contrastam com o discurso de sustentabilidade promovido durante o evento. Já “Por um lugar na sombra” revela como uma cidade reconhecida pela arborização esconde desigualdades térmicas profundas, onde moradores das periferias enfrentam temperaturas até cinco graus mais altas do que bairros nobres. Em “Quando o clima pesa para elas”, as mudanças climáticas deixam de ser apenas projeções e passam a ser percebidas pelas experiências de mulheres impactadas de maneira desigual pela crise ambiental.

Em “Campo dividido”, a discussão gira em torno das adaptações do agronegócio diante das pressões ambientais e climáticas, evidenciando os conflitos entre produção, preservação e sustentabilidade no estado. Ao longo das reportagens, fica evidente que o debate ambiental atravessa planejamento urbano, desigualdades sociais e disputas econômicas.

Esta edição parte de uma constatação: a coexistência nunca foi uma escolha simples. Ainda assim, reconhecer essas contradições talvez seja o primeiro passo para pensar em futuros possíveis. Porque preservar não é apenas proteger espécies migratórias ou cumprir acordos internacionais, mas também decidir quais vidas e histórias terão espaço no amanhã.

Boa leitura!