Texto: Emilenne Queiroz | Evelyn Fernandes | Milena Hashimoto
Fotos: Luiz Maia Braga | Alicce Rodrigues (Midiamax) | Milena Hashimoto

A imagem se sustenta fácil: ruas largas, árvores que ainda resistem ao calor constante, a proximidade com o Cerrado e o Pantanal. De longe (ou em fotografias bem escolhidas) a ideia parece fazer sentido. Existe, de fato, um verde que se mostra.
É esse verde que agora ganhou ainda mais destaque. Com a realização da COP15, Campo Grande/MS passa a ocupar um lugar simbólico nos debates ambientais, como se representasse, em alguma medida, um exemplo possível de equilíbrio entre progresso e natureza. Durante sete dias, 132 países estiveram aqui, acompanhando discursos, metas, propostas, e promessas.
Porém, toda vitrine escolhe o que mostrar e, principalmente, o que deixar de fora

No cotidiano, a cidade revela outras camadas, menos visíveis. Há bairros onde a sombra é escassa e o calor insiste em permanecer. Há ruas que, na chuva, deixam de ser caminho e se tornam obstáculos. Há uma infraestrutura que não alcança todos da mesma forma, e um verde que não se distribui de maneira igualitária.
Enquanto isso, o estado se fortalece economicamente apoiado no agronegócio, ampliando sua presença e consolidando um modelo de desenvolvimento que projeta crescimento e produtividade. Ainda assim, esse avanço também redesenha paisagens, pressiona recursos e levanta dúvidas que nem sempre aparecem nos discursos oficiais.
Entre o que se diz e o que se vive, abre-se um espaço grande de tensão. É nele que surgem questionamentos sobre o que, de fato, significa ser uma cidade sustentável. Sobre quando o cuidado com o meio ambiente se torna prática, e quando permanece apenas como narrativa.
Talvez o maior desafio não esteja em sustentar uma imagem de preservação, mas em fazer com que ela seja reconhecida por quem vive a cidade todos os dias
É a partir dessas contradições que esta fotorreportagem se constrói: não para negar o verde, que sim existe, mas para se perguntar se ele é suficiente e observar com mais atenção onde ele começa, onde ele termina, e quem, afinal, usufrui dele.

